Lá na minha igreja, temos um grupo de mulheres que se reúne uma vez por mês. Ou, pelo menos, tenta... É difícil conseguir marcar essa reunião. Uma, porque já temos uma infinidade de compromissos sempre (nem que seja compromisso nenhum). E, duas, porque ficamos na dependência da esposa do pastor: o dia que ela pode ir e também que ela pode fazer o estudo ou conduzir a reunião.
Mas a esposa do novo pastor, na primeira reunião que tivemos juntas, já foi logo dizendo: "Eu quero ser a esposa de pastor desnecessária". Antes que alguém a julgasse de preguiçosa ou de que estaria com má vontade de se reunir conosco, explicou: "Não quero que vocês dependam de mim para fazer a reunião. Quero prepará-las para continuarem se encontrando mesmo quando eu não estiver mais nessa igreja." E discorreu sobre seu propósito de nos ajudar a falar em público, a preparar um estudo bíblico, a compartilhar experiências etc., para que possamos caminhar com nossas próprias pernas e não ficarmos sempre contando com a "esposa do pastor".
Foi aí que esse pensamento logo parou na minha casa: a mãe chata de hoje é a futura mãe desnecessária. A mãe chata se desgasta para se tornar desnecessária. A mãe chata tem trabalho hoje para não ter trabalho amanhã. Ela ensina e corrige quando ainda é tempo, para não ter que lamentar depois, para criar filhos felizes, saudáveis e responsáveis, conscientes de seu lugar no mundo.
Fiquei especialmente pensando sobre isso porque vou viajar sozinha (sem marido e filhos) por 15 dias. Como meus filhos ficarão nesse tempo? Sentirão minha falta? Será que meu marido vai cuidar deles direitinho? O que preciso organizar? Comprar lanches? Encher o freezer de congelados? Fazer lista de tarefas? Contratar faxineira para todos os dias? Motorista? Uber?
E agora? Me enlouqueço com tudo que tenho que organizar ou desisto da viagem? Ou eles que se virem? Se eu não organizar nada, eles sobreviverão?
É lógico que a resposta sempre é o bom senso. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Não vou desistir da viagem (é uma chance e tanto!) e também não vou deixar que se virem totalmente sozinhos: vou organizar o que eu puder organizar, mas sem perder o sono e sem me enlouquecer. Afinal, é para isso que venho sendo chata há tanto tempo: para que eles possam ficar bem na minha ausência.
E isso eu tenho certeza que eles vão ficar. Eles sabem organizar o quarto e preparar um lanche sozinhos, e são responsáveis com suas tarefas e obrigações. Não dependem de mim para acordar para ir para escola, por exemplo. Se eu perco a hora, a casa já está de pé sem mim. Ninguém chega atrasado por minha culpa. E, se eu acordo atrasada e não tenho tempo para fazer o café, eles mesmos preparam seu leite e cortam o pão. Acreditem: não cai a mão! Eu também não fiscalizo se fez a tarefa de casa ou se estudou para a prova. Essa obrigação é personalíssima, assim como a consequência de não fazê-la.
Confesso que eu quero muito que eles sintam minha falta quando eu viajar, porque ser desnecessária não é não fazer falta, mas sim não ter ninguém dependente de você, quer material quer emocionalmente.
E assim a vida segue por aqui... cada um com a sua, mas todos juntos (ainda que distantes por 15 dias)!

Um comentário:
saudades dessa mãe desnecessária!
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