terça-feira, 27 de novembro de 2007

Índiozinhos

O André nasceu em Goiânia, no final do mês de setembro - época quente e seca aqui. Já o Tomás nasceu em São Paulo, no começo do mês de agosto, ainda frio por lá. Apesar de terem nascido em cidades e climas diferentes, os dois possuem a mesma mania: não gostam de calça nem camisa de manga comprida.

O Tomás só foi desenvolver esse estilo índio de ser depois de ir para a escola (até mesmo porque ele não tinha opção em São Paulo). Hoje, ele não aceita nem bermuda comprida. A justificativa é a sua mania de ser Forrest Gump: atrapalha a correr. Por isso, ele gosta é de short curtinho e tênis (ah, esqueci de dizer que, sob o mesmo argumento, ele também não usa sandália). Mas, quando está em casa, ele gosta mesmo é de ficar só de cueca.

O André, que só foi usar uma camisa de manga comprida lá pelos 8 meses de vida - e, mesmo assim, deve ter sido por no máximo umas 5 vezes -, também não gosta dessa peça do nosso vestuário. Chora, puxa a camisa tentando tirá-la, o maior sofrimento. O mesmo acontece com a calça comprida, a jardineira, o tênis, as meias... Acho que, se pudesse, ele não ficaria nem de fralda.

Bem que meu avô falava que a bisavó dele era índia. Deve vir daí a mania dos dois.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Conversa alheia

Esta também aconteceu já tem um tempo...
Saímos um dia à noite para lanchar no "Xis-Tchê", sanduicheria aqui em Goiânia. Lá chegando, encontramos uma professora da escola do Tomás. Logo em seguida, chegaram mais duas professoras. Ao vê-las, o Tomás disse, todo felizinho: "Olha, mamãe, mais prôs!" (Prô é a abreviatura 'moderna' de professora; ninguém as chama mais do nosso 'antigo' tia).
Elas se sentaram à mesa bem ao lado da nossa. O Tomás ficou de costas pra elas. Curioso com a conversa animada que elas travavam, ele se virou e ficou observando-as, atento nas palavras delas (eu diria que atento até demais), sem nem ao menos se preocupar em disfarçar sua curiosidade.
O Hugo, então, chamou a atenção dele, mandando-o se virar para frente de novo, pois era muito feio ficar ouvindo a conversa dos outros.
Ele se virou, mas disse (enquanto apontava o dedinho para trás): "Eu continuo ouvindo a conversa, mesmo virado."

Velhos amigos, novos amigos

O Davi, ciumento que só (nada é roubado...), não gostou de o Tomás ter feito novas amizades em um churrasco dos amigos do tio Adriano, na casa da vovó Delza e do vovô Edésio. Dias depois, ele ainda se lembrava dessa história...
Eles se encontraram e o Davi foi logo falando que não era mais amigo do Tomás porque o Tomás tinha novos amigos. O Tomás, chateado, insistia com o Davi que não tinha deixado de ser amigo dele por causa disso.
Eu e a minha mãe tentávamos contemporizar a situação até que o Davi disse que tudo bem, ele seria amigo de novo do Tomás se o Tomás não fosse mais amigo "daqueles outros meninos".
Eu, então, intervim e disse que amigo de verdade não impõe condição para ser amigo, ao que o Tomás completou:
"É mesmo, Davi, quando a gente é amigo a gente não se informa se o outro tem outros amigos."
Concordo. Nós tanto não nos importamos com as demais amizades do amigo como nem queremos ser informados delas.

Por quê? (ou... perguntas sem respostas)

"Mãe, por que você fica contando pra todo mundo tudo o que eu falo?"
"_ Mãe, onde fica o cérebro?
_ Na cabeça.
_ Na cabeça?!?? E quem pôs ele lá dentro?"

"_ Pai, por que as pessoas não voam?
_ Porque elas não têm asas.
_ Por que o super-homem não tem asa e voa?"

"Mãe, por que o seu banheiro é pregado no quarto e o meu é pregado no corredor?"

"Vovó, por que o seu peito escorregou? O meu não é assim não..."

"Mamãe, por que o seu peito fez essa voltinha?" (arrrgh... por causa sua e do André!!)

"Por que as mamães não viajam nunca? Só os papais viajam?"
"_ Tio Hugo, na fazenda do seu amigo tem cavalo?
_ Tem.
_ A gente vai poder andar?
_ Não.
_ Por quê?
_ Porque os cavalos são bravos.
_ Por que os cavalos são bravos?
Hugo já impaciente: _ Não sei, Mateus.
(Pausa para reflexão...)
_ Tio Hugo, eles são bravos porque eles nasceram bravos."

E, pra terminar, uma da Flaviane, minha prima, que ficou na história (se bem que, passados apenas 3 dias do Dia da Consciência Negra, pode aparecer alguém que diga que ela não é politicamente correta):
"Mãe, leite de 'mãe preta' vem com toddy?"

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Aprendizado

Nunca gostei de falar com criança de maneira infantilizada, sem pronunciar direito as palavras, usando diminutivos ou falando errado. E foi assim que também decidi criar meus filhos. Converso com eles desde recém-nascidos (graças a Deus, nunca passei pelo ridículo de ficar conversando com a barriga, antes que eles nascessem) e sempre procurei falar de maneira correta, acreditando que assim é a forma mais fácil de eles aprenderem, desde cedo, a nossa língua.

Acho que tem dado certo.

O Tomás sempre nos surpreende usando os verbos na conjugação correta e, com apenas 4 anos, acerta até mesmo na flexão do infinitivo - coisa que muita gente boa erra. O Davi, meu sobrinho, é outro que fala naturalmente "igual a mim" enquanto neste caso muita, mas muita gente boa mesmo fala "igual eu".

Mas a nossa língua é muito complexa e, na verdade, até mesmo nós, adultos, estamos (ou pelo menos deveríamos estar) em constante aprendizado, porque vira e mexe somos surpreendidos com alguma dúvida.

A minha mãe me contou que há uns dias o Tomás estava procurando uma bola de futebol na casa dela.

"Vovó, você viu a bola de futebol?"

"Vi, Tomás, estava lá na sala".

"Vovó, não 'tô achando. Cadê-la?"

É... leva tempo pra gente aprender que, em matéria de português, nem tudo é tão lógico como pensamos.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Consciência ecológica


Esta o Hugo acabou de me contar.

Hoje, o Tomás resolveu que iria tomar banho sozinho para ir à escola. O Hugo deixou, mas ficou lá por perto. E viu que o Tomás abria e fechava o chuveiro a todo instante. Abria um pouquinho e fechava; abria outro pouquinho e fechava de novo. O Hugo, intrigado, foi verificar.

"Tomás, por que você está abrindo e fechando o chuveiro?"

E ele, todo senhor de si, respondeu: "Pai, é pra não desperdiçar água. Você não sabe que a água do mundo está acabando? Se a água do mundo acabar, não vai ter água pra eu tomar banho quando eu ficar grande".

Aprendeu direitinho. Ah, se todos tivessem essa consciência ecológica... A água do mundo não estaria acabando.

Regra de 3

E todo dia, na hora do almoço ou do jantar, é a mesma história: "Mãe, posso tomar suco?" E eu respondo sempre a meeesma coisa: "Agora não, só depois que você terminar de comer". Em seguida, eu sempre ouço alguma reclamaçãozinha, a maioria das vezes já resignada. Hoje, ele retrucou:

"Por que sempre tem essa regra de poder tomar suco depois de comer?"

Ai... lá vou eu tentar dar alguma razão que não seja o tão desejado - pelo menos por mim - "porque sim". [E o pior é que, se eu sucumbo à vontade de responder porque sim, ele sempre fala: "Porque sim (ou porque não) não é resposta, mãe"].

"Filho (pausa para respirar...), se você tomar o suco primeiro, você não vai mais querer comer e não vai ficar forte".

"Mãe, mas é só você pegar dois limões e fazer o suco pra mim..."

"Tomás, de-pois que vo-cê ter-mi-nar de co-mer."

Mas quem conhece o Tomás sabe que ele não pode perder a discussão. Então, ele tratou logo de dar solução ao problema:

"Mãe, você me ensina a fazer suco de limão? Aí, eu vou saber fazer o suco sozinho e você não vai ter mais que fazer suco pra mim."

Respondi apenas um " bom" e continuei comendo e dando comida pra ele e para o André (mãe é assim mesmo, multivalente).

Ele, não satisfeito, continuou:

"Mãe, mas vai ter 3 regras, viu? Uma: NÃO é pra falar 'Tomás, eu posso te ajudar?' E duas: Eu consigo. E três... (ele esqueceu qual era a regra 3 que ele tinha acabado de inventar) É... E três: você não sabe que eu sei fazer suco sozinho, tá?"

Depois de tanta veemência, quem ousa discordar de tais regras? (E o mais engraçado é que ele começou me pedindo pra ensiná-lo. Agora, ele já sabia. Vá entender...)

sábado, 10 de novembro de 2007

Coleções

A primeira coleção do Tomás foi de bolinha. Sabe? Dessas bolinhas pequenininhas, de borracha, que quicam alto e que geralmente são vendidas em máquinas que ficam em shoppings. A primeira bolinha dele foi comprada, na verdade, na estação Santa Cruz do metrô em São Paulo, quando a gente ainda morava lá (ou seja, ele tinha mais ou menos 1 ano de idade). Daí em diante, não parou mais. Ele tem um monte dessas bolinhas. E era pra ter mais, considerando que elas se perdem facilmente. (Essa mesmo, a primeira, ele perdeu aqui em Goiânia, jogando-a pela janela do nosso prédio. Eu tive que descer e procurá-la na rua, mas não conseguimos encontrar, pra tristeza dele).

Um dia, estávamos em um restaurante e lá tinha uma máquina dessas. Ele imediatamente pediu ao Hugo uma moeda pra comprar uma bolinha. Como ele já tinha muitas, o Hugo negou. Ele, então, foi direto ao garçom: "Você me dá uma moedinha?" Assim, bem descarado, com uma carinha de pedinte que fez dó, a mãozinha estendida, aguardando a "doação". O garçom, lógico, deu a moedinha pra ele e o Hugo não teve outro jeito a não ser retribuir quando veio a conta.

Depois da coleção de bolinhas (que ele de vez em quando ressuscita - é só ir a algum lugar que tenha a tal da máquina), teve a coleção de carrinhos da Hot Wheels. E é impressionante como ele sempre encontra alguém para alimentar a coleção dele. O tio Aurélio, por exemplo, adora contribuir e sempre aparece com mais um carrinho pra ele.

Mas agora o que me impressionou mesmo foi a nova coleção que ele arrumou.

Um dia depois do tombo que ele levou lá na casa da vovó Delza, eu estava arrumando-o pra sair e, sem querer, apertei o machucado dele no peito. Ele reclamou e disse:

"Olha, mamãe, eu tenho muitos machucados: um machucado (apontando para o corte da hérnia inguinal), dois machucados (dessa vez, o do umbigo, que não dá pra ver, mas que ele sente), três machucados (o arranhão da perna) e quatro machucados (o do peito, que eu acabara de apertar)".

"Nossa, filho, você está fazendo coleção de machucados agora?"

E ele, com cara de quem gostara da idéia: "É mesmo! Eu não sabia que eu tinha essa coleção também".

O pior foi ter que ouvir o Hugo se gabando que ele já tivera coleção maior: "Uma vez, quando eu tinha 7 ou 8 anos, eu tive doze machucados nas férias".

Coisa de menino. Imagino ainda que ele não deve ter considerado os machucados feitos por cima dos machucados antigos (como geralmente ocorre nos joelhos e nos cotovelos). Ai, ai, tomara que a "coleção" do Tomás não chegue a tanto... Nem a do André!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Conversa de doido

O Tomás aprendeu a palavra normal, no sentido de que não é muito nem pouco, é normal; não é pequeno nem grande, é normal.
Assim, um dia ele me surpreendeu com a seguinte constatação:
"Mamãe, eu não sou nem adulto nem criança, eu sou normal, viu?"
(...) ?!??

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Dica

Quer fazer seu filho pequeno pegar logo no sono? Então finja que tem todo o tempo do mundo pra isso... Se o danadinho percebe que você está com pressa ou pretende fazer alguma outra coisa, vai chorar assim que você o puser no berço ou sair do quarto. Aqui em casa é assim...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Saci-pererê


O Tomás se machucou hoje, na casa da vovó Delza. Ele subiu na carretinha do tio Lelo, na parte mais leve, ela virou para trás e ele caiu. Por causa disso, ele não foi à escola.

Quando fui buscá-lo, perguntei o que acontecera, como fora o tombo, onde ele se machucara. E ele foi me contar:

"Mãe, eu subi na carretinha e caí, machuquei aqui no meu peito e também na perna."

Fiquei assustada ao ver, porque o arranhão na perna foi grande e eu tinha pensado que não era nada. No peito, o machucado também era grande e ele tinha dois curativos.

"É, mãe, eu podia ter cortado a perna. (pausa). Eu podia ter cortado até o osso." (Será que o corte iria até o osso ou, na verdade, ele poderia ter quebrado o osso?). "Eu podia ter ficado sem andar" (Imagino que deve ter sido esse o drama que ele fez pra convencer a vovó Delza a não levá-lo à escola. Ou será que essa foi a bronca que ele ouviu da vovó Delza?)

Uma pausa maior e a pergunta: "Mãe, como é que o Saci-pererê perdeu a perna dele?"

Quem souber a resposta pode tratar de me ajudar, viu?

Cabelo liso e cabelo...?

Mal tinha amanhecido e lá estava ele, já de sunga, me pedindo insistentemente pra ir nadar. Eu não podia acreditar. Segunda-feira pós feriadão... Mas, como dizem, não basta ser mãe, tem que participar. Topei. "Só um pouquinho, viu, filho? Daqui a pouco a mamãe tem que ir trabalhar." A carinha de satisfação me deu um ânimo maior.
A água estava uma delícia, talvez por causa do calor que tem feito nos últimos dias (ou melhor, semanas...), mas também porque eu estava, numa bruta segunda-feira, brincando com meu filho na piscina. Pensando bem, era uma excelente idéia. Brincamos um pouco e logo depois, como combinado, fomos nos arrumar.
No banho, quando fui lavar o cabelo dele, ele me perguntou: "Mãe, esse xampu é pra cabelo liso?" (Ai, alguém merece? Isso é culpa da vovó Vânia que foi com ele comprar xampu num dia em que eles foram à fazenda. Foram ao supermercado lá em Jussara especialmente pra isso, enquanto esperavam o Hugo atender no consultório. Então, olharam xampu por xampu e escolheram o Crescidinhos, da Johnson's, para cabelos lisos. Desde então, vira e mexe ele me pergunta isso).
Devolvi a pergunta: "Tomás, o que é cabelo liso?" Ele: "Cabelo liso é assim... liso."
Percebendo que ele não sabia explicar direito, mudei a pergunta: "Qual é o contrário de cabelo liso?" E ele me respondeu: "É o cabelo curvo, assim... igual o seu".
E depois duvidam quando eu digo que o que me falta é tempo para escrever, e não inspiração.

Bombom gordinho

Precisava ir à locadora devolver um filme e o Tomás foi comigo. Não era a melhor idéia, já que agora a Blockbuster é junto das Lojas Americanas. Assim que ele desceu, já foi me perguntando se poderia comprar alguma coisa. Eu respondi que não e ele: "nem um bombom gordinho?". Tá bom, um bombom gordinho.

Tradução para "bombom gordinho": é todo bombom que é... gordinho, ou seja, sonho de valsa, serenata de amor, ouro branco, sensação, chomp. O Tomás adora qualquer um deles, basta ser "gordinho". O Davi, ao contrário, gosta do nosso antigo Lolo, atual Milkbar, um bombom "magrinho", como o Tomás também definiu.

E Lojas Americanas que se preste tem zilhões de bombons gordinhos, em divisões de vidro imensas para uma criança. Ele ficou na maior dúvida sobre qual escolheria. Me pediu ajuda. Eu sugeri um rosa (sonho de valsa) e ele escolheu um amarelo também (serenata de amor) - acabou me convencendo a levar dois bombons gordinhos pra ele.

Na saída, estava lá eu concentrada no trânsito, querendo ver se conseguia com que alguma alma caridosa me deixasse sair do estacionamento da locadora debaixo da chuva que caía ontem à noite em Goiânia, quando ouvi um "huummm...." vindo do banco de trás do carro.

Não dei bola para o "huummm..." e continuei na minha espera. E, como não dei bola, o Tomás tratou logo de me perguntar:

"Mãe, você ouviu esse 'huummm' que eu fiz?"

Eu: "Ouvi."

E ele: "Você sabe por que eu fiz esse 'huummm'?"

Eu: "Não, por quê?"

Ele explicou: "Esse 'huummm' quer dizer que esse bombom gordinho rosa está gostoso muito mais do que gostoso".

Realmente, filho, bombom gordinho é tudo de bom. Sonho de valsa então.. Me deu vontade.