quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Quero uma casa

O sonho de consumo do Tomás é morar numa casa. E, lógico, ter um cachorro - já que eu não o deixo ter um cachorro morando em apartamento. Ele insiste nessa ideia, apesar de todas as minhas negativas, e apresenta muitos argumentos bons - e eu devo confessar que concordo com grande parte deles. Mas a minha contra-argumentação para não morar em uma casa acaba sendo uma só: o Hugo viaja muito.

Esses dias eu estava redigindo o mandado de segurança do Hugo... Fiquei o fim-de-semana inteiro absorvida por isso. Ele, me vendo às voltas de tanto papel, anotações e computador, veio me perguntar o que eu estava fazendo. Tentei explicar da maneira mais simples que encontrei e disse, sem desviar o olhar da tela do computador, que eu estava escrevendo um texto para pedir ao juiz para o papai não ter mais que ir pra São Paulo. 

Ele, então, me perguntou: "Aí a gente vai pra uma casa?"
Eu não entendi a pergunta: "Como?"
"Aí a gente vai pra uma casa?", ele repetiu.
A ficha ainda não tinha caído: "Como assim, 'a gente vai pra uma casa'?"
E ele explicou: "É que você fala que a gente não mora em uma casa porque o papai viaja muito. Se ele não viajar mais, a gente pode ir morar numa casa?"

Então... em tese, pode... E agora, José? Preciso renovar meus argumentos...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Meus músculos

Hoje foi mais um dia daqueles... Daqueles em que temos que, literalmente, obrigar o André a comer pelo menos uma verdura. Maior estresse na hora do almoço. Confesso que sinto a maior dificuldade em fazer isso e dou graças a Deus pelo Hugo, porque ele é firme o bastante para exigir isso dos meninos.

Mas, depois da luta, o resultado é animador: ele come tudo, sem reclamar e enrolar, e ainda ganha parabéns e garantias de que ficará alto e forte. (Infelizmente, depois de três dias comendo bem, a gente ter que fazer tudo isso de novo...)

À tarde, fomos a um pequeno passeio até à escola, para pegar a lista de material escolar do Tomás. E o Tomás quis levar o skate. E o André, o patinete.

No meio do caminho, tinha uma pedra, ops, uma calçada esburacada. O André foi carregando seu pesadíssimo patinete de alumínio. E assim continuou, mesmo depois que já estávamos numa calçada lisinha. 

"Filho, não precisa mais carregar o patinete. Agora, você já pode ir com ele".
"Eu sei, mãe.... É que assim é melhor porque eu exercito os meus músculos".

E tinha uma moça passando ao nosso lado bem na hora em que ele disse isso. Não preciso contar que ela "sorriu" muito, né?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pesadelos - parte 2

Mais uma do André...

Essa noite, eu acordei com um grito. Um grito assustador de criança. Levantei-me às pressas para socorrer meu pequeno sonhador. Topei com ele já na porta do quarto. Dei um abraço silencioso e o levei pra minha cama; pra dormir abraçadinho com a mamãe, bem protegido dos sonhos ruins.

Depois de um tempo, ele falou sussurrado ao meu ouvido, uma confissão de dar dó: "Mãe, eu 'tava dormindo quietinho..." Pausa. Ênfase no 'quietinho'. Foi como quem diz: "eu não estava fazendo nada, mãe", "estava quieto no meu canto e ele - o pesadelo - veio me provocar". Continuando: "Eu 'tava dormindo quietinho, quando apareceu uma aranha desse tamanho (e mostrou o tamanho aterrorizante com as mãozinhas) bem na minha frente. Aí, na mesma hora, ela desapareceu."

Dei outro abraço apertado e disse: "Mas agora ela já foi embora. Vamos dormir".

Mas, antes, só um pedido: "Você faz uma oração e pede a Deus pra ela não voltar?"...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Primo por diversão

O primo do primo... quem é? Ele está sempre presente, é um amigo constante, tipo assim: de todas as festas de aniversário do seu primo, da sua tia e do seu tio. Vocês aproveitam a valer juntos. E você no meio, ou melhor, o seu primo no meio e você numa das pontas. Ele, o seu primo e você. Pra completar, seus pais são amigos dos pais dele. Então, ele também é seu primo, certo?

Errado. Tecnicamente, ele não é seu primo, porque a sua mãe não é irmã do pai nem da mãe dele. Nem o seu pai é irmão do pai ou da mãe dele. Ele definitivamente não é da sua família. E, por isso, sempre tem alguém (muito do sem-graça, no mais das vezes outro primo e, em geral, mais velho) pra falar que ele não é seu primo. Ele é só... o primo do seu primo.

Mas, no seu coração, você o considera primo, não é? Aquele amigo que é mais chegado que um irmão. E quer dizer isso para as pessoas: que ele é muito mais do que um simples amigo, porque você o considera da família. Ele é seu primo, ora bolas!

Ah, mas como diria Saint-Exupéry, as pessoas grandes (e eu incluiria não apenas os adultos mas também as crianças mais velhas) não compreendem nada sozinhas... e é cansativo para as crianças (principalmente as pequenas) ficarem explicando a toda hora.

Então... como resolver uma situação dessas?

O André encontrou a solução. E, pra todo mundo que perguntou para onde ele iria no domingo, ele respondeu, cheio de razão e orgulho: 

"Eu vou para o aniversário do Alec, meu primo por diversão".