O sonho de consumo do Tomás é morar numa casa. E, lógico, ter um cachorro - já que eu não o deixo ter um cachorro morando em apartamento. Ele insiste nessa ideia, apesar de todas as minhas negativas, e apresenta muitos argumentos bons - e eu devo confessar que concordo com grande parte deles. Mas a minha contra-argumentação para não morar em uma casa acaba sendo uma só: o Hugo viaja muito. Esses dias eu estava redigindo o mandado de segurança do Hugo... Fiquei o fim-de-semana inteiro absorvida por isso. Ele, me vendo às voltas de tanto papel, anotações e computador, veio me perguntar o que eu estava fazendo. Tentei explicar da maneira mais simples que encontrei e disse, sem desviar o olhar da tela do computador, que eu estava escrevendo um texto para pedir ao juiz para o papai não ter mais que ir pra São Paulo.
Ele, então, me perguntou: "Aí a gente vai pra uma casa?"
Eu não entendi a pergunta: "Como?"
"Aí a gente vai pra uma casa?", ele repetiu.
A ficha ainda não tinha caído: "Como assim, 'a gente vai pra uma casa'?"
E ele explicou: "É que você fala que a gente não mora em uma casa porque o papai viaja muito. Se ele não viajar mais, a gente pode ir morar numa casa?"
Então... em tese, pode... E agora, José? Preciso renovar meus argumentos...
