sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

"Mãe, é bom ter filho?"

Eu estava no meio de uma semana, digamos, intensa. Pra falar a verdade, eu estava exausta, exaurida, esgotada... Como se não bastasse toda a correria que o fim de ano geralmente proporciona (as pessoas acreditam piamente que o mundo inteiro vai acabar no dia 31/12 e tudo que não fizeram durante todo o ano deve ser feito nesse último mês), acumulei – ou melhor, acumularam para mim – numa mesma semana a Formatura do 1º Ano do André, a Formatura do 5º Ano do Tomás, a Formatura do Tomás no PROERD (Programa de Educação e Resistência às Drogas da Polícia Militar) e o encerramento das atividades das crianças da igreja. Somado a isso, prazos vencendo no trabalho e uma casa sem ajudante.

A gente tinha acabado de chegar de um dos muitos compromissos da semana, a Formatura do 5º Ano do Tomás. Assim como ele, a maioria da turma estava na escola desde sempre, ou seja, desde o primeiro ano de vida. Foram 9 anos juntos. E agora eles estavam se despedindo da escola e seguindo cada um seu próprio rumo. A escola fez um vídeo com as fotos deles. Recapitulamos a história de cada um, vendo nossos bebês se transformando, ao longo dos anos, em verdadeiros rapazes e moças, já tão crescidos. Foi um momento de grande nostalgia para todos, inclusive para as crianças.

Acho que foi isso que motivou a pergunta lá de cima, feita pelo Tomás, quando chegamos em casa: “Mãe, é bom ter filho?”

Parei por um instante e fiquei olhando pra ele, tentando imaginar o que exatamente ele queria saber. Nesses poucos segundos, foi inevitável o pensamento comum: “Filho é bom, mas dá trabalho.” Pensei se eu deveria falar isso pra ele, se eu deveria também inteirá-lo da realidade, e não apenas discorrer sobre a parte boa do negócio.

A carinha dele esperando a minha resposta era de uma ternura que eu não consigo descrever. Intuitivamente, ele já sabia a resposta, mas queria uma confirmação minha. 

Sorri, dei um abraço apertado nele e respondi, dando ênfase às palavras mais sentidas: "É bom, filho; é MUITO bom ter filho. É a maior alegria de todas. Eu não trocaria essa felicidade por nada no mundo."

Ele sorriu de volta e disse, com o semblante feliz, de quem acabara de ouvir o que queria: "Eu também quero ter filhos."

E, como num passe de mágica, todo o cansaço que eu estava sentindo se desfez e eu me senti renovada para o resto dos compromissos da semana. 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

As mães sabem tudo


Ah, a tarefa de casa... Tormento de quase todos os dias de uma mãe. Tormento porque os filhos querem que você dê a resposta a todas as perguntas, sem ter o trabalho de pesquisar no livro ou mesmo de lembrar se a professora falou em sala de aula. E todos os dias a mãe - a chata da mãe - repete a mesma ladainha: "Filho, você já pesquisou? Já leu no livro? Certeza que a professora não ensinou?" Isso quando você ainda está calma, pois quando você já está nervosa a resposta é: "Não sou eu que estou na escola. Eu já estudei essas coisas e agora é a sua vez, e não a minha, de fazer tarefas!" [A propósito, essa também pode ser a saída se você não souber a resposta].

Mas tudo bem. Nesse dia eu ainda estava calma e o Tomás me pediu ajuda na tarefa de casa. A pergunta foi suuuper simples: "Que parte do encéfalo você mais utiliza para nadar?"

Minha resposta sincera: "Filho, não sei."

Pergunta mais sincera ainda dele: "Nãoooo??!!??!?"

É... Infelizmente, a verdade é que as mães não sabem todas as coisas. Mas os pais estão aí pra isso, né Hugo Lisboa Ramos?!? Ainda mais se for médico!! Porque eu nem me lembro de ter estudado isso algum dia da minha vida...

terça-feira, 30 de julho de 2013

Adulto moderno

Observar os meninos brincando sempre rende uma historiazinha para o blog... A pérola de hoje foi do Lucas, meu sobrinho, que, no meio da partida de videogame, me veio com essa: 

"Quando eu crescer, eu quero ser um adulto moderno:
eu vou jogar videogame!!"
(Lucas Berberian, 7 anos)

 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A manifestação

Não se fala em outra coisa no país: a onda de manifestações, que começou contra o aumento da tarifa dos ônibus e acabou se virando contra o governo, contra a corrupção e a favor de melhorias no transporte público, educação, saúde, segurança etc.

Milhares de pessoas saíram às ruas em diversas cidades do Brasil para protestar. Alguns pais mais empolgados levaram seus filhos para a tal "manifestação", que, em Goiânia, aconteceu ontem. Coleguinhas dos meninos foram. Professores também. E até avós! Orgulho da nação brasileira e do povo goiano!!

Como era de se imaginar, o André me fez uma pergunta.

"Mãe, o que é manifestação?"

Tento explicar de uma forma mais simples: "Manifestação é quando as pessoas falam contra alguma coisa que elas não estão gostando e que elas acreditam que está errado. Foi o que aconteceu. As pessoas estão insatisfeitas com várias coisas erradas que o governo tem feito e, então, foram às ruas para falar contra essas coisas erradas e pedir mudança. Isso é uma manifestação."

Alguns segundos pensativo e a ideia para uma manifestação particular: "Então, eu vou fazer uma manifestação contra a minha prô. Ela tem passado muita tarefa pra gente, nem dá mais pra gente brincar durante a aula."

Entendeu bem o significado de manifestação... Mas o "direito de manifestação" foi negado liminarmente. Colidiu com o seu direito à educação e com o meu dever de assegurá-lo a você. Sinto muito, pode parecer ditadura, mas hora de brincar é durante a hora do pátio.

terça-feira, 18 de junho de 2013

A mãe de verdade


Eu já disse várias vezes por aqui em como me sinto uma chata de galocha praticamente todos os dias da minha vida. Ser mãe é ser chata. São duas coisas inseparáveis. Mas, como também já contei em outras oportunidades, a chatice tem lá suas recompensas. Uma delas é ver seus filhos bem educados. Eu sou chata, mas pelo menos eles cumprimentam as pessoas (quase sempre). Eu sou chata, mas pelo menos eles comem razoavelmente bem. Eu sou chata, mas pelo menos eles sabem se comportar em público (quase sempre também)...

Hoje, estávamos assistindo televisão e, zapeando pelos canais da TV a cabo, paramos no programa da GNT "Socorro! Meu filho come mal". Um menino mimado se recusava a comer as coisas saudáveis que a mãe oferecia. A criatura só comia macarrão e nuggets. Um horror...

O André, observando essa cena, fez o seguinte comentário: "Essa mãe não é uma mãe de verdade." Não me aguentei e perguntei: "Por quê, filho?" E ele me deu a resposta de pronto, simples e direta: "Ela não disciplina o filho."

É... Acho que sou uma mãe de verdade: chata e que disciplina o filho. Como toda mãe deveria ser. Não dá pra ser mãe e ser legalzinha, porque "ser legalzinha" é deixar fazer as coisas que não se deve fazer... E isso não é papel de uma mãe de verdade.

Que Deus me ajude a amar meus filhos verdadeiramente!! Porque "o que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina" (Provérbios 13.24).

quarta-feira, 8 de maio de 2013

"Eu decidi"

Não sei o que acontece com os filhos depois que eles crescem. Explico: quando bebês, comem tudo que a gente oferece. A primeira papinha do Tomás tinha abóbora e couve. Lembro-me de uma amiga dizendo que eu não deveria ter colocado couve, pois a couve é amarga e ele não iria comer. Que nada! Comeu tudinho com a melhor boca do mundo! Ah, e como era boa a boca que o Tomás fazia. Um bocão de fazer inveja a qualquer mãe.

O André não era diferente (fui uma mãe de bebês extremamente abençoada, reconheço). A boca não era tão grande quanto a do Tomás, mas ele comia de tudo, até grão-de-bico. Lembro-me das ajudantes do berçário contarem que havia disputa entre elas pra saber quem daria comida ao André. Tarefa fácil, fácil...

Mas, depois que crescem um pouco, começam a ficar seletivos, vão querendo afastar os "verdinhos" do prato, logo em seguida os coloridos também se vão e, se você não ficar atenta, não demora para estarem comendo apenas arroz, feijão e carne, ou - desespero geral - apenas arroz e carne.

E é nessa etapa que a paz na hora da refeição vai-se embora... Pra fazer com que eles comam os "verdinhos", a gente precisa dar bronca, deixar de castigo, tirar regalias. A hora da refeição transforma-se em martírio tanto para os pais quanto para a criança.

O Tomás passou rapidinho por essa fase. Dei a sorte de coincidir com uma época em que teve período integral na escola. O almoço era pessoalmente acompanhado por uma nutricionista, que fazia um trabalho excelente com as crianças, desafiando-as a experimentarem as comidas "diferentes". Pra completar, ainda havia a influência de bons amigos, que comiam salada bonitinhos.

Com o André, infelizmente, a história foi um pouco diferente. Sem o integral na escola, a queda de braço foi travada em casa mesmo. Sempre comeu de quase tudo, mas sempre à custa de broncas e ameaças. Uma tristeza.

Esses dias, já cansado dessa novela, com o André chorando pra comer um pedacinho de alface, o Hugo teve a seguinte conversa com ele: 

_ Olha, André, a partir de hoje eu nunca mais vou te obrigar a comer verduras.
_ Sério? (a carinha de quem não estava acreditando em tamanha felicidade era demais)
_ Sério.
_ Nenhuma verdura?
_ Nenhuma. Você vai comer apenas se você quiser. Você já tem 6 anos, você sabe que é importante comer verduras para crescer saudável. Eu não vou mais falar nada pra você.

E assim se passou a semana, sem o André colocar nenhum coloridinho no prato, só arroz, feijão e carne.

No fim de semana, foram os três para a fazenda: Hugo, Tomás e André. E, quando as mulheres não vão, as refeições são na casa do peão, feitas pela esposa deste. Geralmente, arroz, feijão e carne. No máximo, um tomatezinho. 

Um dia, após o almoço, a esposa do peão foi mostrar uns exames para o Hugo. Refluxo, deficiência de vitaminas, dor de estômago, unhas quebradiças - as reclamações eram muitas. O Hugo perguntou o que o médico da cidade havia falado. "Ah, disse que eu não posso comer isso, isso e isso, e que eu preciso comer isso, isso e aquilo." "E você está fazendo isso?" A resposta foi óbvia: "Não..."

Voltando pra casa, o Hugo comentou com o André, que tinha prestado bastante atenção em toda a conversa. "Tá vendo, André? Tudo aquilo que está acontecendo com a Luzia é só porque ela não come direito, come apenas bobeiras e não come verduras e frutas. Se você continuar sem comer, vai ficar igualzinho a ela."

Chegando em Goiânia, ele me contou toda a história. Perguntei, então, o que ele havia decidido. A resposta não veio. Como um bom representante da espécime masculina, saiu de perto de mim no mais absoluto silêncio, como se eu não tivesse perguntado nada.

Hoje, na hora do almoço, o silêncio foi quebrado: "Papai, pode colocar cenoura e tomate no meu prato. Eu decidi que eu vou comer verduras." Corri pra tirar a foto e registrar esse momento. E ele pediu: "Mamãe, coloca a minha foto comendo tomate no Facebook?"

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Droga é droga??


A gente vai para a escola, aprende a ler e escrever, mas isso não significa que vamos entender tudo que lemos ou ouvimos por aí. Saber interpretar um texto, distinguindo os vários sentidos de uma mesma palavra, é coisa que só iremos conseguir após muito estudo e, principalmente, muita leitura.

De qualquer forma, não deixa de ser engraçado quando vemos nossos filhos quebrando a cabeça para entender o sentido de uma frase...

Foi assim com o Tomás essa semana. Andando pela cidade, ele se deparou com o outdoor da "Droga Raia", franquia de drogaria que acabou de abrir uma loja em Goiânia. O outdoor tinha, num canto, a logo da drogaria e, centralizado, apenas uma frase, escrita em letras garrafais:

"A Droga Raia chegou a Goiânia!!"

Espantadíssimo com o anúncio, ele me perguntou: "Mãe, que droga é essa?? Como as pessoas escrevem assim, pra todo mundo ver, que uma droga chegou em Goiânia?????"

E lá fui eu explicar todos os sentidos da palavra droga...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O amor é lindo

Era um dia como outro qualquer: casa, trabalho, trabalho, casa. Em casa, a rotina de sempre: fazer alguma coisa pra comer, tomar banho, arrumar as coisas para o dia seguinte e ir dormir. Os meninos já estavam no quarto deles, preparando-se para dormir, e eu fazia alguma coisa pela casa, passando pelo corredor (e em frente ao quarto dos meninos) e indo para o meu quarto. 

Antes, no carro, voltando da escola, o André disse que queria me contar uma coisa, mas que não iria fazê-lo, pois já sabia o que eu iria dizer. Insisti com ele e ele acabou falando, tudo de uma vez: "É que eu gosto da Maria Clara. Mas eu sei que você vai falar que meu tempo agora é de brincar, e não de namorar." 

É isso mesmo. Não escrevi errado. Não estou trocando o nome dos meus filhos. O autor da frase acima foi o André, meu filho mais novo, de apenas 6 anos! Eu já me espantaria o suficiente com a situação se fosse o Tomás falando; afinal, ele também é uma criança, só um pouco mais velha, de 9 anos.

E o pior: não era a primeira vez que o assunto de gostar de garotas, namorar etc., já havia sido abordado aqui em casa. Na época a fala foi dirigida para o Tomás, mas eu falei exatamente o que o André repetiu: que na Bíblia tem um versículo que diz que "tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu." (Eclesiastes 3:01). Expliquei que eles são crianças e que o tempo deles agora é apenas para brincar e estudar. Só. Amizade sim, namoro não.

Voltando à cena anterior... Passava eu pelo corredor, bem em frente ao quarto dos meninos... Foi quando ouvi uma conversa que me fez parar no meio do caminho. 

Primeiro, um suspiro profundo, desses feitos com vontade. Eu até imaginei a cena: a pessoa enche o peito de ar, elevando os ombros e solta de uma vez. A seguir, uma declaração:"Ah, Tomás, você nem imagina como é bom estar apaixonado!..."

Quis interromper a conversa e repetir meu discurso, mas segurei meu impulso pra ouvir um pouco mais (não pude resistir!).

O Tomás achou graça e, depois, fazendo a conversa ficar séria, perguntou: "André, mas você sabe se ela é cristã?"

Nessa hora, me deu ainda mais vontade de continuar ouvindo. Como eu achei interessante a pergunta do Tomás, já entendendo a questão do jugo desigual!

O André então respondeu: "Eu acho que é sim." "E como você sabe?", retrucou o Tomás.
"Porque, quando eu dei aquele livrinho sobre Jesus pra todo mundo da minha sala, ela disse que já tinha. Então, ela deve ser cristã, porque ela sabe a história de Jesus."

O Tomás continuou: "É... Mas não basta saber a história de Jesus, você precisa saber se ela é cristã de verdade."

Pronto. Não precisei ouvir mais nada e pude continuar o meu caminho tranquila e muito feliz!! Que Deus conserve meus filhos no caminho da Sua Palavra e lhes conceda uma esposa segundo o mesmo padrão!!

sábado, 13 de abril de 2013

Sorvete & leitura

O nosso passeio de domingo à tarde, após o almoço, é quase sempre o mesmo: nós vamos tomar sorvete! Já é praticamente (como diria meu sobrinho Lucas) uma tradição da nossa família. O Hugo, inclusive, já se tornou amigo do dono da sorveteria (isso porque ele não vai apenas aos domingos... Vira e mexe, após deixar os meninos na escola e antes de seguir para o consultório, ele dá uma "passadinha" pela sorveteria para, digamos, refrescar as ideias...)

Mas voltemos ao assunto do post... Hoje, como manda a nossa quase tradição familiar dominical, fomos tomar um sorvete. O André se lambuzou todo e foi ao banheiro lavar as mãos. Lá, conseguiu ler o aviso na parede: "Não jo-gue li-xo no va-so". 

E voltou todo contente pra contar!!!

E a mãe babona aqui também ficou toda feliz!!! Existe coisa melhor que presenciar as conquistas diárias dos nossos filhos?!?

 

sábado, 23 de março de 2013

Sábado de chuva?


"A chuva é boa, mas sábado e chuva não combinam!"
Tomás, lamentando a chuva que não cessava, em pleno sábado
e - pior - bem no dia da festa de aniversário do amigo.

sábado, 9 de março de 2013

A recompensa da chatice

Eu já escrevi aqui (http://le-lepetitprince.blogspot.com.br/2011/02/mae-chata.html) sobre o dia normal de uma chata, ops, de uma mãe, esse ser humano chato por definição, que passa o dia dizendo o que o filho deve ou não deve fazer, determinando cada atividade e, geralmente, indo contra o interesse infantil.

A Bíblia diz, em Provérbios 29. 15 e 17, que "a vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe" e "discipline seu filho, e este lhe dará paz; trará grande prazer à sua alma."
Discipline seu filho, e este lhe dará paz; trará grande prazer à sua alma.
Provérbios 29:17

Discipline seu filho, e este lhe dará paz; trará grande prazer à sua alma
Provérbios 29:17
Discipline seu filho, e este lhe dará paz; trará grande prazer à sua alma.
Provérbios 29:17
Baseada nesses princípios, a mãe segue firme em suas chatices, confiando piamente que está fazendo o melhor para seus filhos, que se tornarão, com a graça de Deus, pessoas saudáveis, educadas e praticantes do bem. Mas, às vezes, a missão é tão inglória que a mãe fica desanimada...

Por tudo isso, quando eu recebi essa declaração de amor do Tomás, em homenagem ao Dia da Mulher, foi como um bálsamo para a minha alma. Ainda bem que ele disse que eu, às vezes, "preciso" ser chata, e não que eu "sou".

"Dia 08/03 é o dia das mulheres e eu faço essa carta pra você, a mulher que eu amo de todo o coração. Às vezes você precisa ser chata, mas é para o meu bem, você me ama. Eu te amo muito e eu sempre vou te amar."
 
Também te amo muito, filhote!!! Você é presente de Deus para mim!! Espero que Deus use a minha vida pra te conduzir pelo caminho eterno.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A vida não é fácil pra ninguém


Eu sei que todo mundo sabe disso: a vida é pra valer! E que ninguém se engane: não é fácil não... Mas vida de criança é diferente. Vida de criança é fácil! Afinal, elas não trabalham. Pelo contrário: como diz a música, "criança dá trabalho", não é?

Mas aqui em casa tem gente que, além de sentir saudades da infância, acha que a vida já é muito difícil.

Essa semana, ao chegar da aula, o André me disse, em tom de desabafo: "Hoje meu dia foi cheio..."

Sentado ao meu lado no sofá, com a televisão à frente, mas o olhar vago, a expressão do rosto dele era de quem tivera um dia puxado. Ele estava sentindo o que havia dito, ou pelo menos tentava aparentar. 

Achei graça e perguntei, solidária: "É? O que você fez?"

E ele me respondeu, sério e compenetrado, confirmando o ar de quem realmente tinha feito muita coisa cansativa e entediante: "Corri na aula de teatro... Corri na hora do pátio... E tive aula de matemática..."

Puxa!... Aula de matemática. Ninguém merece. A vida não é fácil pra ninguém, nem mesmo para uma criança de 6 anos de idade.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Tipo assim



Conversa entre o André e o Hugo, hoje de manhã:

- Pai, minha garganta 'tá tipo um deserto!
- Como assim, "tipo um deserto"?
- 'Tá tudo seco aqui dentro!

 
E depois a gente acha que só porque a criança tem 6 anos não sabe usar uma figura de linguagem...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Só duas balinhas

Ah, férias!!... Sempre uma palavra bem-vinda, certo? Depende. Depois que a gente cresce e vira mãe, nem sempre férias são tão bem-vindas assim. E o motivo é simples: os direitos trabalhistas nos dão apenas 30 dias de férias, enquanto a escola concede quase 3 meses aos alunos. A conta não fecha. E a falta da rotina, que já seria suficiente para enlouquecer qualquer mãe em busca de entretenimento para os filhos, se torna ainda mais difícil para a mãe que trabalha fora e tem que se desdobrar para, além do entretenimento, arrumar quem fique com a criança.

Pois é. Estou vivendo essa situação. Os meninos estão de férias e eu, trabalhando. O Tomás foi para o Palavra da Vida com os primos, meus pais e minha irmã. Parte do problema resolvido. Mas o André, por ser mais novo, ficou aqui com a mamãezinha. Cada dia, uma atividade diferente para não entediá-lo nem sobrecarregar os eventuais ajudantes.

Ontem, como parte do programa "férias-com-pais-trabalhando-e-avós-tia-irmão-viajando", o André foi passar a tarde com a vovó Rodes e a tia Dute. Sabendo que, com a Dute em casa, o pote de balinhas é sempre cheio, o Hugo fez uma recomendação ao André antes de levá-lo: "você pode comer só duas balinhas, viu André?".

No fim da tarde, quando fui buscá-lo, minha tia logo deu o relatório da tarde: o André comera seis pedaços de bolo de cenoura, três picolés e "apenas" duas balinhas. 

"Por que, André, só duas balinhas?"
"Porque o papai disse que eu podia comer, no máximo, duas balinhas!"

Ô menino obediente!!! Só não entendi por que ele não quis jantar...