Eu estava
no meio de uma semana, digamos, intensa. Pra falar a verdade, eu
estava exausta, exaurida, esgotada... Como se não bastasse toda a
correria que o fim de ano geralmente proporciona (as pessoas
acreditam piamente que o mundo inteiro vai acabar no dia 31/12 e tudo
que não fizeram durante todo o ano deve ser feito nesse último
mês), acumulei – ou melhor, acumularam para mim – numa mesma
semana a Formatura do 1º Ano do André, a Formatura do 5º Ano do
Tomás, a Formatura do Tomás no PROERD (Programa de Educação e
Resistência às Drogas da Polícia Militar) e o encerramento das
atividades das crianças da igreja. Somado a isso, prazos vencendo no
trabalho e uma casa sem ajudante.
A gente
tinha acabado de chegar de um dos muitos compromissos da semana, a
Formatura do 5º Ano do Tomás. Assim como ele, a maioria da turma
estava na escola desde sempre, ou seja, desde o primeiro ano de vida.
Foram 9 anos juntos. E agora eles estavam se despedindo da escola e
seguindo cada um seu próprio rumo. A escola fez um vídeo com as
fotos deles. Recapitulamos a história de cada um, vendo nossos bebês
se transformando, ao longo dos anos, em verdadeiros rapazes e moças,
já tão crescidos. Foi um momento de grande nostalgia para todos,
inclusive para as crianças.
Acho que
foi isso que motivou a pergunta lá de cima, feita pelo Tomás,
quando chegamos em casa: “Mãe, é bom ter filho?”
Parei por
um instante e fiquei olhando pra ele, tentando imaginar o que
exatamente ele queria saber. Nesses poucos segundos, foi inevitável
o pensamento comum: “Filho é bom, mas dá trabalho.” Pensei se
eu deveria falar isso pra ele, se eu deveria também inteirá-lo da
realidade, e não apenas discorrer sobre a parte boa do negócio.
A carinha
dele esperando a minha resposta era de uma ternura que eu não
consigo descrever. Intuitivamente, ele já sabia a resposta, mas queria uma confirmação minha.
Sorri, dei um abraço apertado nele e respondi, dando ênfase às palavras mais sentidas: "É bom, filho; é MUITO bom ter filho. É a maior alegria de todas. Eu não trocaria essa felicidade por nada no mundo."
Ele sorriu de volta e disse, com o semblante feliz, de quem acabara de ouvir o que queria: "Eu também quero ter filhos."
E, como num passe de mágica, todo o cansaço que eu estava sentindo se desfez e eu me senti renovada para o resto dos compromissos da semana.
Sorri, dei um abraço apertado nele e respondi, dando ênfase às palavras mais sentidas: "É bom, filho; é MUITO bom ter filho. É a maior alegria de todas. Eu não trocaria essa felicidade por nada no mundo."
Ele sorriu de volta e disse, com o semblante feliz, de quem acabara de ouvir o que queria: "Eu também quero ter filhos."
E, como num passe de mágica, todo o cansaço que eu estava sentindo se desfez e eu me senti renovada para o resto dos compromissos da semana.








