sábado, 28 de novembro de 2009

Boas maneiras

Uma das coisas mais difíceis na criação de filhos – e também das mais importantes - é ensinar boas maneiras. Saber tratar bem as pessoas, ser cortês e equilibrado no convívio social abre as portas para o mundo e é a essência de todo bom relacionamento (seja familiar, conjugal, profissional ou qualquer outro). Sem falar que está inserido em uma das bases do cristianismo: "Amar ao próximo como a si mesmo", ou seja, tratar as pessoas do mesmo jeito que você gostaria que lhe tratassem.

É por isso, acredito eu, que a maioria dos pais vive repetindo aos filhos: “peça por favor”, “agradeça”, “peça desculpas”, “o certo é dizer ‘com licença’, e não ‘sai da frente’”, “cumprimente o nosso vizinho”... e por aí vai.

Dia desses, o Hugo repetiu uma dessas frases ao André. Não me lembro exatamente o que era, mas sei que o Hugo deu alguma coisa a ele e ele não agradeceu.

O Hugo foi logo perguntando: Como é que se fala, André?”

O André fingiu que não ouviu e foi caminhando pra longe.

O Hugo repetiu a pergunta: Como é que se fala, André? ‘Obrigado’, não é?”

Ele, então, agradeceu. Só que dessa vez foi o Hugo que se esqueceu de dizer “de nada”. O André não deixou por menos. Na mesma hora lascou a pergunta: Como é que se fala, papai?”

O Hugo não entendeu o que ele queria dizer e achou que estava apenas repetindo a pergunta. Então disse: “Obrigado!”

Ele insistiu: “Não, papai. Como é que fala? ‘De nada’, né?!”

É isso aí. Vamos ensinando e aprendendo...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

De madrugada

Vira e mexe eu acordo à noite com um grito. Às vezes, vários. São seguidos de palavras e frases desconexas. Corro ao quarto dos meninos para acudir e, geralmente, os encontro dormindo, um sono agitado. Passo a mão na cabeça deles, dou um abraço e tento acalmá-los, dizendo ao pé do ouvido que a mamãe está ali pertinho e pedindo a Deus que os proteja de todo o mal, inclusive dos pesadelos - que, por sua vez, passam logo, com ou sem minha presença.

Ainda assim, é frustrante não poder impedir os pesadelos dos filhos...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O "algo" do "basilelão"

Já deve ter mais de dois meses que o Tomás e o Davi não falam em outra coisa: completar o álbum de figurinhas do Campeonato Brasileiro de Futebol. Mil figurinhas repetidas, troca-troca com os colegas da escola e consequências típicas - ele agora quer saber TUDO sobre futebol e sobre o campeonato brasileiro e aperta o Hugo com perguntas do tipo: "Pai, qual é o time que está em último lugar na primeira divisão?" Sem falar que quer trocar o São Paulo pelo Flamengo (mas é o São Paulo que ainda está em primeiro lugar no campeonato). Influências do tio Aurélio...

Para não deixar o André enciumado, o Hugo também comprou um álbum de figurinhas pra ele, o do Charlie e Lola, que ele pensou ser mais adequado à idade. O meu pai, com a mesma boa vontade, comprou o álbum do Pica-pau pra ele e para o Lucas - além de gastar uma nota em figurinhas pra cada um dos netos aos fins de semana (esses álbuns acabam saindo mais caros que um brinquedo).

Mas não adiantou muito. O André não queria saber dos álbuns dele e atrapalhava os meninos o tempo todo, roubando as figurinhas repetidas, amassando-as e jogando-as no lixo... Vocês devem imaginar a balbúrdia que se seguia a esses episódios. Até que um belo dia, observando o Tomás folhear e folhear seu álbum, decorando o nome de todos os times e jogadores, ele expressou o que a gente estava demorando a entender:

"Pai, você me dá um 'algo' do 'basilelão'?"

Pronto. Confusão resolvida. Agora, são dois os interessados pelos resultados dos jogos aqui em casa - tudo bem que o André vai totalmente "de tabela". Mas tem uma coisa que ele é bem firme: ele é torcedor do "Aquético" (leia-se "Atlético Goianiense") - influência do vovô Edésio, que até deu uma camiseta do time pra ele.

E quase dá pra abrir uma sociedade com o dono da banca de revistas...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tarefa de casa


Gostaria de saber quem inventou a tarefa de casa. Dizem que foi ideia dos próprios pais. Queriam deixar as crianças "ocupadas" e acompanhar o que os filhos aprendiam na escola. Que tiro no pé! Hoje, quem fica ocupado para ensinar as tais tarefas somos exatamente nós, os pais.

Até o ano passado, as tarefas eram tudo de bom e eu me gabava de não ter que acompanhar o Tomás nisso. Eu nem ao menos tinha que mandá-lo fazer as tarefas, ele mesmo já pegava a mochila, fazia tudo direitinho e guardava. Mas aí veio o "primeiro ano" (antigo pré-alfabetização) e as tais tarefas de "redação e português". As de matemática, ele continua tirando de letra, faz rapidinho e já vai logo brincar. Mas as outras... que dificuldade!

O problema todo, acredito eu (como uma boa mãe coruja que faz de tudo para defender seus filhotes), é que a criatividade é demais. É sério. Acho que li muitos livros pra ele e agora ele fica em dúvida com tantas possibilidades de se contar uma história. (Ai, ai... é mesmo impressionante a capacidade que uma mãe tem pra contar vantagem dos seus filhos...)

Esses dias, na minha luta de todas as manhãs, a tarefa era contar uma história a partir de uma figura. Ele não sabia como começar. Pedi a ele que me falasse o que ele estava vendo na figura. Ele respondeu, bem simples: "A menina está regando o jardim e aí o menino vem e dá um susto nela". "Isso! Agora, escreva o que você me contou", eu disse.

Não satisfeito, ele me perguntou: "Mãe, mas como eu começo?" "Filho, começa do jeito que você me disse". "Mas como eu falo: 'Era uma vez uma menina...' ou 'Um dia, a menina...' ou 'A menina...'?"

Santa paciência! Respiro fundo e respondo, tentando manter a calma: "Tomás, a história é sua. Você pode escolher qualquer um desses, assim como você escolhe se vai pintar de azul, vermelho ou amarelo".

Finalmente, ele começou: "Um dia, a menina estava regando o jardim".

Pausa para nova pergunta: "Mãe, e agora?" "Bom, agora continua. O que aconteceu depois disso?" "Mas, mãe, eu não sei como escrevo..." "Filho, você já me contou a história. Agora, é só passar para o papel do jeitinho que você me contou". "Mas, mãe, eu ponho o quê? O menino que assusta a menina é o irmão, o primo ou o vizinho?"

Ah! Foi bom ter respirado fundo duas vezes antes de responder...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O bocejo


Criança tem mesmo cada uma... A definição de bocejo dada pelo André foi o máximo. Confiram:
"Mãe, eu vou dormir. Olha só:
meu sono já 'tá saindo pela boca!"

Realmente, o bocejo é um bom indicativo de que está passando da hora de dormir... Estou precisando fazer o mesmo, antes que todo meu sono saia pela boca e não queira voltar.
Boa noite!