As pessoas vivem preocupadas com mil coisas: carreira profissional, emprego, dinheiro, em quem votarão nas próximas eleições, aquecimento global, a vida dos outros e por aí vai... Mas uma coisa tem me preocupado de verdade e me tirado noites de sono: como educar meus filhos, como transmitir a eles os valores corretos para que eles sejam pessoas de bem, cumpridores de seus deveres, honestos, trabalhadores e, acima de tudo, tementes a Deus.
É sério. Tenho visto a cada dia que o modo como eu vou educá-los vai interferir muito mais no futuro da humanidade do que como tento evitar o aquecimento global hoje, reciclando um pouco do muito lixo que produzo. Isso é aterrorizante. Dá medo ser mãe, dá medo ser responsável direta pela formação de uma pessoa.
Esse medo veio ainda mais à tona depois de assistir ao filme "Meu nome não é Johnny". O filme retrata a trajetória de João Guilherme Estrela, um rapaz de classe média, morador da zona sul carioca, filho de pais 'amorosos' (ele tinha "amor em casa, diálogo e liberdade com confiança"), e que, apesar de tudo isso, vira traficante de drogas. O que mais me impressionou foi essa parte de "filho de pais amorosos". Melhor seria se a sinopse o descrevesse como um garoto mimado, filho de pais omissos e que nunca teve um limite sequer na vida.
Isso me levou a pensar no conceito de amor. O que é ser "pais amorosos"? É deixar seu filho pequeno, de uns 5 ou 6 anos, soltar um rojão no meio da sala de TV e, em vez de dar uma bronca, comemorar com ele a ida do seu time para a final do campeonato? É deixar seu filho consumir drogas na sua sala de visita? É ser um "pai-vizinho" que não reclama do volume do som e ainda incentiva o filho a "aproveitar a vida"?
Não, não pode ser isso. Amor não é condescendência. Eu tive pais amorosos, tenho certeza disso, e eles nunca me deixaram fazer essas coisas (graças a Deus!). Pelo contrário, eles sempre me ensinaram o limite do certo e do errado, e meus atos sempre tiveram conseqüências (sofridas, diga-se de passagem).
A Bíblia, há muito tempo, já dizia: "O Senhor repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem" (Pv. 3: 12). Muito se engana quem acha que não castigar o filho, não impor limites a ele é demonstração de amor, que o castigo tolhe a liberdade da criança, que ela poderá crescer "frustrada", coitadinha. Coitadinha da que não sofreu um castigo na vida e, depois, tem que lidar com os castigos da vida.
Que tristeza ver aquele rapaz na prisão e, depois, no manicômio judiciário. Mais tristeza ainda vê-lo agora, homem feito, aspirante a pai, afirmando, em entrevista à revista Veja, que não se arrepende do que fez (apenas ressente-se de não ter parado antes) e que o uso de drogas é tão somente uma fase na vida do adolescente.
O Tomás um dia me falou que queria ser um filho obediente, mas que não conseguia. Eu expliquei que era assim mesmo (como disse o apóstolo Paulo, "porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço" - Rm. 7:19), mas que a gente tem que tentar. Ele, então, me pediu para ajudá-lo (Deus, por sua imensa graça, pode ajudar muito mais que eu, filho).
Deu dó vê-lo falar assim, mas ao mesmo tempo eu fiquei feliz, porque vi que meu filho tem consciência do que é certo e do que é errado. Ele sabe que desobedecer é errado e busca fazer o que é certo. É essa tentativa que deve nos mover. Ninguém é perfeito, ninguém acerta em tudo que faz, a gente erra - e muito! -, mas a gente tem que correr atrás do que é certo, do que é louvável, a gente tem que tentar, porque na vida tudo tem conseqüência.
E que Deus tenha misericórdia de nós, pais e filhos, porque, mesmo sendo pais amorosos, não estamos livres de ver nossos filhos fazendo muitas coisas (muito) erradas.