terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ê vida boa!

É engraçado ver como os filhos são diferentes uns dos outros.

Enquanto o Tomás fecha o chuveiro pra se ensaboar, o André adora ficar um tempão debaixo do chuveiro, sentindo a água escorrer em suas costas.

'Tá precisando de umas aulinhas sobre economia e não desperdício dos recursos naturais... Mas, cá entre nós, é mesmo muito bom ficar debaixo de uma duchinha de água quente, não é?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Certo e errado

As pessoas vivem preocupadas com mil coisas: carreira profissional, emprego, dinheiro, em quem votarão nas próximas eleições, aquecimento global, a vida dos outros e por aí vai... Mas uma coisa tem me preocupado de verdade e me tirado noites de sono: como educar meus filhos, como transmitir a eles os valores corretos para que eles sejam pessoas de bem, cumpridores de seus deveres, honestos, trabalhadores e, acima de tudo, tementes a Deus.

É sério. Tenho visto a cada dia que o modo como eu vou educá-los vai interferir muito mais no futuro da humanidade do que como tento evitar o aquecimento global hoje, reciclando um pouco do muito lixo que produzo. Isso é aterrorizante. Dá medo ser mãe, dá medo ser responsável direta pela formação de uma pessoa.

Esse medo veio ainda mais à tona depois de assistir ao filme "Meu nome não é Johnny". O filme retrata a trajetória de João Guilherme Estrela, um rapaz de classe média, morador da zona sul carioca, filho de pais 'amorosos' (ele tinha "amor em casa, diálogo e liberdade com confiança"), e que, apesar de tudo isso, vira traficante de drogas. O que mais me impressionou foi essa parte de "filho de pais amorosos". Melhor seria se a sinopse o descrevesse como um garoto mimado, filho de pais omissos e que nunca teve um limite sequer na vida.

Isso me levou a pensar no conceito de amor. O que é ser "pais amorosos"? É deixar seu filho pequeno, de uns 5 ou 6 anos, soltar um rojão no meio da sala de TV e, em vez de dar uma bronca, comemorar com ele a ida do seu time para a final do campeonato? É deixar seu filho consumir drogas na sua sala de visita? É ser um "pai-vizinho" que não reclama do volume do som e ainda incentiva o filho a "aproveitar a vida"?

Não, não pode ser isso. Amor não é condescendência. Eu tive pais amorosos, tenho certeza disso, e eles nunca me deixaram fazer essas coisas (graças a Deus!). Pelo contrário, eles sempre me ensinaram o limite do certo e do errado, e meus atos sempre tiveram conseqüências (sofridas, diga-se de passagem).

A Bíblia, há muito tempo, já dizia: "O Senhor repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem" (Pv. 3: 12). Muito se engana quem acha que não castigar o filho, não impor limites a ele é demonstração de amor, que o castigo tolhe a liberdade da criança, que ela poderá crescer "frustrada", coitadinha. Coitadinha da que não sofreu um castigo na vida e, depois, tem que lidar com os castigos da vida.

Que tristeza ver aquele rapaz na prisão e, depois, no manicômio judiciário. Mais tristeza ainda vê-lo agora, homem feito, aspirante a pai, afirmando, em entrevista à revista Veja, que não se arrepende do que fez (apenas ressente-se de não ter parado antes) e que o uso de drogas é tão somente uma fase na vida do adolescente.

O Tomás um dia me falou que queria ser um filho obediente, mas que não conseguia. Eu expliquei que era assim mesmo (como disse o apóstolo Paulo, "porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço" - Rm. 7:19), mas que a gente tem que tentar. Ele, então, me pediu para ajudá-lo (Deus, por sua imensa graça, pode ajudar muito mais que eu, filho).

Deu dó vê-lo falar assim, mas ao mesmo tempo eu fiquei feliz, porque vi que meu filho tem consciência do que é certo e do que é errado. Ele sabe que desobedecer é errado e busca fazer o que é certo. É essa tentativa que deve nos mover. Ninguém é perfeito, ninguém acerta em tudo que faz, a gente erra - e muito! -, mas a gente tem que correr atrás do que é certo, do que é louvável, a gente tem que tentar, porque na vida tudo tem conseqüência.

E que Deus tenha misericórdia de nós, pais e filhos, porque, mesmo sendo pais amorosos, não estamos livres de ver nossos filhos fazendo muitas coisas (muito) erradas.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Pequeno dicionário infantil

Coisa que mãe mais se orgulha é quando só ela consegue entender o que o filho fala. Já perceberam? Pai e mãe adoram quando olham pra eles com caras enigmáticas, pedindo "pelamordeDeus" pra traduzirem o que aquele pequeno ser de 1 ou 2 anos está querendo dizer.

Mas, na verdade, muitas vezes nem o pai e a mãe conseguem entender. Aí a criança chora, esperneia, fica brava porque ninguém atende ao pedido dela. E depois de oferecer todas as coisas possíveis e imagináveis, as que estão ao alcance do olhar da criança, e também as que não estão, a gente finalmente descobre que o "bu-bu" que ele tanto pede é a chupeta.

E cada criança tem um jeito diferente de dar nome àquelas coisas que ela gosta ou quer. O Hugo até hoje se ressente de não ter anotado como o Tomás se referia às chaves do carro. Eu não me lembro de jeito nenhum e ele vive falando que era engraçado, mas também não consegue se lembrar.

Por causa disso, resolvemos registar aqui algumas falas do André. Por enquanto, vão apenas as que eu me lembro; depois o Hugo complementa as demais.

"To-tá" (com bastante ênfase no 'tá') ou "Tom-tom": Tomás
"Ói": olha (ele adora esse 'ói', fala pra tudo, principalmente quando ele está alegre com alguma coisa, mostrando pra gente)
"Bu-bu": chupeta
"Áua": água
"Pocó": cavalo (é de pocotó, pocotó, pocotó)
"Pa-pá" (com o último pá bem forte): comida (essa é fácil!)
"Pa-pá" (o último pá não é tão forte como quando quer dizer comida, e às vezes parece ser seguido de um pequenino som de "t"): sapato
"Ti-ti": titio ou titia (também é muito fácil)
"ano": é o tio Adriano
"éul": é o tio Lelo

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Já?!??

Os meninos ficaram meio tristes com o término do namoro do meu irmão. É sempre uma coisa difícil isso. Depois que a gente gosta da menina e se acostuma com a presença dela nos almoços, reuniões e festas da família, o namoro termina, assim, sem mais nem menos. Mas... c'est la vie! O namoro é mesmo uma fase de preparação e conhecimento. "Melhor agora que mais tarde", como dizem.

Mas o tema rendeu algumas preocupações na cabecinha do Tomás.

Ele ouviu a gente contar que o Davi, indignado, perguntara por que o tio Lelo tinha se "separado" pela 2ª vez, se ele não queria se casar, se ele não queria ter filhos nem netos. Então, ele veio me perguntar a mesma coisa e me disse que ele sim queria ter filhos, e também netos, que ele queria ser igual ao papai e ao vovô.

Em seguida, ele disse que queria ter um filho e uma filha, pra eles se casarem um com o outro. Ai!!!! Santa confusão... "Filho, isso não pode. Irmão e irmã não podem se casar, nem primos (em tese)". E ele, ainda preocupado: "Mas, então, com quem eu vou me casar?" (Suspiro...) "Não sei, filho; só Deus sabe".

"Como eu vou saber qual vai ser a minha esposa? Quem eu vou escolher?"

Gente, fala sério, "minha esposa"?!??? Acho que eu não estou preparada pra isso... Ele tem apenas 4 anos!!!! Quatro!!! Respirei fundo e tentei responder, explicando que ele teria que escolher uma esposa boa, que também gostasse de obedecer a Deus. E ele, mais rápido que as minhas explicações, me interrompeu e disse:

"E ela tem que gostar de mim, né mãe?"

É... como eu pude esquecer isso? Esse é um detalhe muuuito importante, que meu filho, de apenas 4 anos, já sabe. Como pode?.. A gente subestima muito as crianças, viu? Mas, para o meu completo desespero, as preocupações dele não ficaram só nisso e ele continuou a perguntar:

"E como é que faz pra arrumar uma namorada?"

Ah, não... Eu desisto! "Filho, é o seguinte: tudo tem a hora certa, tá bom? Você está na hora de brincar; quando chegar o tempo certo de namorar, pode ficar tranqüilo que você vai saber como é que é."

Bem que filho poderia vir com um manual de perguntas e respostas... Ajudaria bastante.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Ponto de vista

Ontem, foi a comemoração do aniversário do Abrão (o dia na verdade é hoje e, pra quem não sabe, ele faz aniversário no mesmo dia que eu, ou melhor, eu faço aniversário no mesmo dia que ele, já que ele é mais velho... Ele ainda gosta de comemorar aniversários, eu ando meio desanimada; acho que já me satisfaço em organizar as festas dos meninos - que são muito mais legais).

Mas, voltando ao assunto, ontem teve festa lá. E a criançada tem presença garantida (10 meninos, contando primos e amigos, e uma menina). Pra evitar a bagunça geral da casa e, principalmente, dos brinquedos, a Fernanda tirou a mesa de jantar e montou uma sala só com pistas e carrinhos da Hot Wheels (dava dó ver a única menina num cantinho da sala, meio que assutada com a delicadeza dos pequenos "tratores"). Não preciso dizer que eles fizeram a festa, né?

No caminho de volta pra casa, o Tomás veio comentando como a festa foi boa:
- Pai, o aniversário do tio Abrão foi muito legal, né? Eu me diverti bastante. Você também se divertiu?
- Me diverti, filho, foi legal mesmo.

E ele, intrigado, perguntou:
- Como você se divertiu? (Dúvida pertinente; afinal de contas, ele não tinha visto o pai brincando com os Hot Wheels ou mesmo correndo pelo jardim e brincando de pique-pega).
- Eu me diverti conversando com as pessoas.

E ele, agora indignado, disse:
- Pai, mas isso não é se divertir!!!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Tios e tias - de novo!


Estamos todos no Palavra da Vida, em Caldas Novas, para a temporada de verão 2008. Explico: o Palavra da Vida é um ministério cristão de alcance jovem. Em Atibaia-SP, há um seminário bíblico, uma estância e um acampamento. Aqui em Goiás, há um centro de conferências nas "águas termais". Em janeiro, a programação é de uma semana com palestras, esportes e atividades especiais. Quem quiser saber um pouco mais é só acessar o site deles: www.opv.org.br.

Pois bem. Fomos para a passagem de ano e resolvemos ficar a semana inteira, aproveitando o meu recesso (o Hugo voltou para Goiânia para atender na quarta e na quinta, e veio de novo hoje). Ontem, enquanto a Fernanda terminava de se arrumar, eu levei os meninos (Davi, Tomás e André) para jantar. Eles - Davi e Tomás - foram correndo na minha frente e, quando cheguei no refeitório, já haviam se servido e estavam sentados, bem bonitinhos, já jantando. O Davi, assim que me viu, já foi pedindo autorização para um refrigerante. "Tudo bem", eu disse.

Quando finalmente eu consegui me servir, o Davi e o Tomás - lógico - já haviam terminado de jantar. O Davi, então, veio me pedir outra autorização - dessa vez, para o picolé. Eu disse para ele esperar a mãe dele chegar.

Ele, como quem não queria nada, me veio então com esta:

_ Tia Lê, você sabia que a vovó Delza também é minha mãe?
_ Ah... eu sabia. É porque as avós são mães duas vezes, né?
_ É. E tia, você sabe o que a tia é?
_ Bom... não sei. A tia deve ser a mãe substituta, o que você acha?

Eu, bobinha, nem tinha percebido onde ele queria chegar. Mas ele, com cara de que tinha conseguido o que queria (se fosse história em quadrinhos, estaria com um ponto de exclamação - ou melhor, com uma lâmpada - em cima da cabeça), me falou:

_ Hum... então, tia Lê, você pode deixar eu comprar um picolé!

Tios e tias

Continuando as hitórias familiares...
Essa de pais, avós e bisavós me fez lembrar do Mateus, sobrinho do Hugo. Uma vez, quando ele era pequeno, mais ou menos da idade do Tomás (de novo, a idade da descoberta, 3 e 4 anos), ele foi dormir na minha casa (naquela época, a minha casa ainda era a casa dos meus pais).
Intrigado com a outra cama no meu quarto (a Fernanda já havia se casado), ele me perguntou:
_ Tia Lê, de quem é essa cama?
Eu respondi que era da Fernanda. E ele, com um ar de que tinha compreendido todas as coisas, disse:
_ Ah, então é por isso que você gosta tanto dela?
Percebendo que ele estava pensando que eu e a Fernanda éramos apenas boas amigas, eu disse que eu gostava dela não apenas por isso (afinal, dividir o quarto, na verdade, foi causa de muuuitas brigas), mas porque ela também é minha irmã.
_ Ela é sua irmã, tia Lê?!??!?? E por que ela não dorme mais aqui?
Ah... os porquês não terminam nunca...