sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sampa

Gosto de São Paulo. Simples e objetivo assim. Com todos os defeitos que a cidade tem e com todas as suas qualidades.

Gosto de passear à pé pelas ruas de São Paulo. Gosto de andar de metrô. Gosto de sair de carro. Gosto até dos congestionamentos (os lentos apenas e não aqueles que a gente fica 30 minutos sem sair do lugar): dá pra ouvir uma música inteira do CD, às vezes até o disco inteiro; dá pra falar com seus amigos pelo celular (no viva-voz pra você não ganhar uma multa do "marronzinho" da esquina); dá pra você saber um monte de novidade da vida do seu filho ou do seu marido - o tempo "perdido" no trânsito é "desculpa" pra conversar.

Gosto dos shoppings. Gosto das lojas de ponta de estoque. Gosto das lojas de rua. Gosto das ruas de lojas, as que vão do luxo ao "lixo", do sofisticado ao popular, do profano ao sagrado. Gosto de ver as novidades, o disparate de preços, as tantas variedades e opções, as peças raras e as que estão em todo lugar, as promoções de verdade.

Gosto de ir ao teatro, de sofrer escolhendo qual peça assistir, considerar preço, localização e qualidade. Gosto de ir ao cinema, deliberar qual a melhor sala. Gosto de ir aos parques, poder alugar uma bicicleta de dois lugares ou com charretinha atrás, e me cansar de tanto caminhar sem dar voltas.

Gosto da diversidade da cidade e gosto sobretudo de relembrar (e revisitar sempre) tudo de bom que vivi lá: as minhas amizades, os passeios, as boas compras, os "achados". Os únicos defeitos de Sampa: 8h de trabalho e ser longe demais de Goiânia... Como uma semana passa rápido!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Confissões de mãe

Sei que é sacrificante para a mulher trabalhar fora e cuidar dos filhos e da casa; e que o ideal seria não trabalhar para bem cumprir o papel de mãe, esposa e dona-de-casa. Mas confesso uma coisa: gosto de ir trabalhar mesmo assim. Confesso mais: às vezes, vou trabalhar para descansar um pouco.

Não é apenas sair de casa, é trabalhar, sentir-se uma pessoa produtiva para a sociedade. Não que ser mãe não seja produtivo, pois, afinal, estamos formando um cidadão e não pode ter coisa mais importante que isso. Mas é no trabalho que ficamos por dentro do que acontece no mundo (não estou falando apenas de notícias, mas também de costumes, modas, gírias, comportamentos, relacionamentos); é no trabalho que a gente tem chance de conhecer pessoas diferentes, com opiniões diferentes, experiências diferentes, e, assim, ampliar a nossa visão de mundo. No fim das contas, tudo isso contribuirá para melhor educar os nossos filhos.

Mas eu confesso outra coisa: queria trabalhar menos, bem menos. Assim, umas 4 horas. E ter as outras 4 livres para eu fazer o que bem entendesse. Às segundas-feiras, iria para a minha aula de piano. Às terças e quintas, para o meu curso de línguas. Às sextas, para algum curso de artes. Deixaria as quartas-feiras para ir ao cinema. E também faria natação três vezes na semana.

Simplesmente um luxo!!

terça-feira, 13 de maio de 2008

Música para os ouvidos

O André acorda cantando. Ele acorda e fica lá no berço, nos chamando em melodia. Papai, papai, papai... Ô mamãe, mamãe... Tomtom, tomtom... E a gente, como que despertados por um suave raio de sol, também levanta feliz para o novo dia que começa, já dando graças pela vida, ainda que com um pouco de sono.

O Tomás também não é diferente. Tudo bem, ele não acorda cantando. Aliás, muitas vezes ele acorda meio mal-humorado, querendo dormir mais um pouco. Mas aí basta contagiá-lo com um sorriso e um ataque de beijos para que tudo fique bem e ele vá brincar enquanto canta. Ele brinca cantando, faz a lição da escola cantando, joga no computador também cantando.

Ah, que gostoso é ouvir a musiquinha baixinha que ele vai cantarolando enquanto brinca... A casa em harmonia, ainda que intercalada com uns sons agudos de gritos e outros de bateria.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Até logo, Virgínia

A voz rouca ficará para sempre na minha lembrança. O jeitinho meio mineiro, ressabiado, também. Lembro-me de umas panelinhas que dei a ela num aniversário. Após um apressado agradecimento, ela correu para o quarto para brincar, deixando a festa de lado. Ansiedade típica das crianças. E teve também uma vez, bem recente, que almoçou na minha mãe e comeu um pouco do 'mexido' que eu fizera para o André. E gostou! Simplicidade gastronômica também típica das crianças.

Infelizmente, não tive a chance de conhecê-la melhor, mas mesmo assim sua morte trágica me marcou muito. Não apenas por ter sido tão inesperada; não apenas por ter sido o segundo enterro de criança que fui no prazo de um mês; não apenas por eu ter dois filhos, sendo um da mesma idade dela; mas pelo testemunho da família e pelo que Deus tem falado ao meu coração através dos paradoxos da morte.

Ver uma criança morrer é sempre muito triste, porque fica em nós a sensação de uma planta ceifada abruptamente antes mesmo que se desenvolvesse, antes que desse frutos. Parece que nem chegou a germinar. Um sonho do qual você se despertou de repente.

Mas ver uma criança morrer e saber que quem está sofrendo somos apenas nós, porque ela está ao lado de Deus, brincando no céu como jamais pôde brincar e se divertir aqui na terra, é esperançoso, é acalentador, é reconfortante. A morte de alguém sem Deus, ao contrário, não é apenas muito triste, é desesperadora, é angustiante, sufoca.

Não há palavras para descrever a tristeza e a dor da separação nos olhos de uma mãe. Mas eu também não tenho palavras para descrever o olhar dessa mesma mãe em sua despedida da filha antes de fecharem o caixão.

A certeza do reencontro com a filha um dia, ao lado de Jesus, fez com que aquele momento mais se parecesse com a despedida de uma viagem. Aquela viagem dos sonhos, para a qual você ajudou seu filho a se preparar a vida inteira. Mas infelizmente essa viagem vai fazer seu filho ficar muito, muito tempo longe de você, sem mandar uma carta ou e-mail, sem fazer um telefonema, nada, nenhuma comunicação ou notícia. A mãe está triste por causa disso, mas ela também está feliz porque o filho está feliz, é tudo que ele sempre quis e é tudo que ela sempre quis pra ele. Ela tem certeza de que ele estará muito bem. Na verdade, ela está orgulhosa, porque o filho está indo para o melhor lugar do mundo, onde ele não passará fome nem frio, não terá dor nem sentirá cansaço, não sofrerá nenhuma privação, não passará por tristeza alguma.

É ou não é um paradoxo? Como pode a morte ser triste e esperançosa ao mesmo tempo? Como pode ser motivo de separação e reencontro? Como pode a morte trazer um bem para as nossas vidas? Mas a verdade é que apenas a morte em Cristo pode ser assim. E apenas os que vivem em Cristo também podem se sentir assim.

Até logo, Virgínia. Quero um dia te reencontrar.