sexta-feira, 23 de maio de 2014

"De boa"

Desde que li um texto da Isabel Clemente, colunista da Revista Época, percebi que estava fazendo algo muito errado na criação dos meus filhos: eu não estava dando o melhor de mim para eles. Absorvida na correria do dia a dia, muitas vezes eu deixava o mau humor e a impaciência tomarem conta de mim e não notava o tanto que isso estava fazendo mal não apenas para meus filhos, mas também para mim, tornando tudo ainda mais difícil. E a leitura desse texto me fez acordar para esse fato...

Lá pelas tantas, a autora comenta de uma estratégia que desenvolveu para não descontar nas filhas seu mau humor e toda sua impaciência. Ela disse que pensa estar lidando com as filhas da vizinha, que a observa escondida.

Ao ler isso, destampei a chorar... Era um absurdo agir dessa maneira. Eu preciso imaginar que meus filhos são filhos de uma outra pessoa para que eu os trate bem? Pessoas estranhas são mais bem tratadas por mim do que aquelas que são as mais importantes na minha vida?
Pensei também numa coisa ainda mais séria: Deus me observa cuidando dos meus filhos, dos filhos que Ele me deu. Não é isso pior do que uma vizinha me observando?...

A partir desse dia, eu tenho me esforçado muito para não descontar nos meus filhos todo o stress de um dia corrido, com mil coisas para fazer; para não gritar com eles; para não falar com impaciência e para não dar bronca por qualquer coisa, muitas vezes coisas normais de crianças. Mas confesso que nem sempre é fácil... É uma luta diária.
 
Ontem, ao longo do dia, tive duas ajudas nessa minha luta. A primeira, foi ler este texto que uma amiga postou no Facebook, sobre o mesmo tema. Eu já tinha lido uma outra vez, mas é daqueles textos que merecem ser relidos sempre, para que seus ensinamentos não fiquem esquecidos. A segunda, foi ouvir o CD que outra amiga me deu das palestras proferidas pela querida Dulce Sant'Anna, na Conferência de Mulheres do PV-Caldas. O trecho era exatamente sobre palavras e ela também comentava sobre a luta para não gritar em casa, e sobre como devemos depender de Deus para vencê-la, para que as nossas palavras sejam sempre agradáveis e transmitam graça aos que ouvem - uma junção de Provérbios 16.24 e Efésios 4.29. 

Cheguei em casa decidida a ser paciente e agradável com meus filhos, a ouvi-los com atenção, a não ficar no celular. 
 
Enquanto eu arrumava o jantar e, ao mesmo tempo, colocava roupas na máquina para lavar, o André tentava desmontar um carrinho no meio do caminho e conversava comigo sobre, quando crescer, ser engenheiro ou alguém que conserta brinquedos.
 
Se fosse outro dia, talvez eu tivesse reclamado que ele estava no meio do caminho ou mesmo que estava me fazendo muitas perguntas. Mas hoje não, hoje minha decisão foi estar com eles por inteiro e seguir o que a Bíblia diz.

E foi nesse momento que ele me perguntou: “Por que você está falando assim, calminha?”

Dei um sorriso e repeti a pergunta: “Calminha?”

Ele explicou: “É... Assim, de boa, como se você não tivesse nada pra fazer.”

Por poucos segundos, tanta coisa passou pela minha cabeça... Meu filho, de apenas 7 anos, sabia que esse comportamento não estava normal; que o mais comum era eu ficar nervosa e agitada por ainda ter que fazer um monte de coisas após um dia cheio de trabalho. E, de repente, eu estava ali, fazendo um monte de coisas e agindo como se não tivesse nada para fazer. Eu realmente estava leve! Mas, ao mesmo tempo em que senti profunda tristeza por não ser sempre assim, também fiquei muito feliz porque eu estava conseguindo cumprir a vontade de Deus para a minha vida e para a vida da minha família.
 
Parei, dei um abraço nele e disse: “Nada. Eu só estou feliz por ter vocês!”

Obrigada, meu Deus, pelos meus filhos! Obrigada por me ensinar a cada dia! Ajuda-me, Senhor, a continuar cumprindo os teus propósitos. Ajuda-me a viver pra Te servir, pra honrar e glorificar o Teu nome em tudo que eu fizer. Ajuda-me a criar os filhos que o Senhor me deu nos Teus caminhos! Ajuda-me a testemunhar de Ti por meio das minhas palavras! Em nome de Jesus, amém.