quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Mãe pra toda obra




Quando eu li essa tirinha pela primeira vez, foi impossível não pensar na minha mãe. "Eles não deixam você ser mãe se não souber consertar tudo". Essa é a descrição perfeita da dona Delza. Ela sabe fazer tudo. Como muita gente diz, parece "bombril", tem mil e uma utilidades. Ah, e tudo com certificação "ISO9001".

Aquela menina que nasceu desenganada e foi "ressuscitada" com um banho de água quente, acordou pra vida e nunca mais dormiu no ponto. Com 9 anos, já cuidava da casa e dos irmãos menores, e fazia almoço sozinha, para que a vó Rodes pudesse trabalhar e ajudar o vô João no sustento da família.

O primeiro ofício foi de professora e, assim, alfabetizou o tio Antônio Euzébio, que até hoje sempre a homenageia no dia 15 de outubro.

Depois, mesmo tendo apenas o curso de magistério, conseguiu passar no vestibular para física - primeiro lugar! - e para medicina, e se especializou em pediatria.

Ah, não posso esquecer que, nesse meio tempo, ela conheceu e se apaixonou por um playboyzinho que fazia bagunça no trem que ia de Ipameri a Goiânia, passando por Pires do Rio. E, contrariando o vô João (história que ele não gostava de lembrar...), anteviu que aquele moço seria um excelente marido e um maravilhoso pai.

Acho que, nesse aniversário de 70 anos dela, eu poderia tranquilamente listar ao menos 70 profissões que ela exerce. Mas não vou fazer isso, podem ficar tranquilos... Só as mais importantes...

- Professora, como eu já disse. E não apenas do tio Antônio Euzébio e dos alunos que ela teve, mas também dos filhos.

- Médica, quase curandeira, que aliviava dores com o simples toque de sua mão, tranquila e segura. E também com um delicioso chazinho de cravo, canela e alho... Lembro-me de que, quando quebrei meu tornozelo, ela não estava em Goiânia. Passei duas noites sem dormir, sentindo dor. No dia que ela chegou, milagrosamente dormi a noite inteira, sem sentir nada. E a cólica dos netos ela também aliava assim, apenas passando a mão na barriguinha deles, tranquilamente, como se eles não estivessem esgoelando e esperneando sem parar no colo dela.

- Motorista, que se esforçava para nos levar no horário certo às inúmeras aulas extras, ainda que saísse de casa sem se pentear, com o pente preso ao cabelo, e dirigindo um doge polara com furo no assoalho. Sem falar na cena que ela guarda na memória, da Fernanda a esperando no portão de casa, com vestidinho de veludo e bota, toda "açucareiro", batendo os pezinhos porque estava atrasada.

- Cozinheira de mão cheia, que faz o melhor bolo de cenoura com chocolate do mundo (né Lucas?). E ainda faz adaptações de cardápios para diferentes gostos e também para os alérgicos da família (leia-se: eu). O bacalhau do barão e o "frango do barão" são sucessos garantidos!

- Costureira e estilista: fez seu próprio vestido de noiva e criou vários modelos para nós.

- Cabeleireira

- Arquiteta e decoradora de interiores: ninguém aqui decora a casa ou sequer prega um quadro na parede sem pedir o seu palpite.

- Engenheira
- Veterinária
- Jardineira 
- Assistente social

- Promotora de eventos. Receber com certeza é um de seus dons. A "casa da tia Delza" sempre foi a preferida dos sobrinhos e de todas as crianças da nossa rua, e também dos nossos amigos. Apesar da cara brava e da fama de sistemática, sua casa sempre esteve cheia. Churrascos, festas de aniversário, confraternizações, natais, reuniões da igreja e até casamentos! Falou em festa, pensou na dona Delza.

- Decoradora de festas. Me lembro bem dela preparando as nossas festas de aniversário. Ela fazia tudo: cortava, pintava e montava painéis da parede atrás da mesa do bolo; ensaiava teatrinhos pra gente representar; costurava as fantasias; organizava gincanas; fazia bolo e docinhos. E o pior é que, naquela época, não tinha nada já preparado de antemão nas lojas. E ela fazia tudo isso atendendo consultório e trabalhando o dia inteiro.

Os aniversários lá em casa sempre foram uma data especial, tanto que ela nunca comemorou junto o do meu pai e o da Fernanda, que nasceram nos dias 11 e 12 de setembro, respectivamente. Nem o do Aurélio e o dela, que são nos dias 28 de setembro e 01 de outubro. Muito menos todos eles juntos (o que poderia até ser razoável). Mas não. Podia até ser uma festinha simples, mas cada um tinha seu dia.

Por isso, mãe, mesmo com a correria do casamento do Lelo, a gente não podia deixar essa data passar em branco. Não se faz 70 anos todo dia. 70 anos é um marco; tem até poesia do Carlos Drummond de Andrade. E ainda mais 70 anos como os da senhora. 

Apesar desses 70 anos, a senhora continua incansável. Faz campanha de arrecadação de tampinhas para o Rotary, promove o Rotary Kids, gerencia a reforma da creche, costura panos de prato, toalhas e outros enfeites para o bazar da igreja. Tudo ao mesmo tempo agora. Nunca uma coisa de cada vez. E ainda está sempre pronta a nos ajudar no que for preciso. Basta a gente chamar!

Mãe, a Bíblia diz, em Provérbios 31.10, que "mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas joias". Assim a senhora é para nós. O seu valor muito excede o de finas joias, porque "enganosa é graça e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada" (Provérbios 31.30).

Louvamos a Deus por sua vida, que Ele a abençoe com muitos mais anos de vida ao nosso lado, com saúde, vigor e disposição, como tem sido até agora. E que tudo que a senhora faça seja sempre para honra e glória do nome do Senhor.

Feliz aniversário! 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Gratidão

Dia 25 de setembro foi aniversário do André. 9 anos. Comemoramos com uma festinha só para os amigos da escola no sábado, dia 26, lá na casa dos meus pais. Foi um dia de muita diversão. Eles nadaram, jogaram bola, brincaram, correram e tomaram muito, mas muito picolé e sorvete. Simples e inesquecível.

À noite, quando estávamos chegando em casa, ele virou pra mim e disse: "Mãe, muito obrigado pela festa do meu aniversário. Obrigado também por me ensinar."

Fiquei olhando pra ele por alguns segundos, pensando na graça sem medida de Deus em me presentear com filhos tão doces quanto os meus. Foi quando, então, ele me explicou por que estava me agradecendo por ensiná-lo, de onde tinha vindo essa "inspiração", como ele mesmo disse.

Contou que, na sexta-feira, na reunião da UPJ* (que ele foi de penetra, acompanhando o Tomás e o Davi), o Paulinho, outro pré-adolescente, foi quem fez a devocional. A meditação foi sobre a vida de Jó, que se levantava de madrugada todos os dias para interceder a Deus por seus filhos. Então, o Paulinho disse que ficou pensando que todos os pais devem fazer o mesmo por seus filhos. Mas e eles, os filhos? Eles também intercedem por seus pais e agradecem a Deus por tudo que eles fazem pelos filhos? Ninguém levantou a mão. E ele continuou: "nós não agradecemos porque nem sabemos tudo que os pais fazem por nós e também porque achamos que é obrigação deles fazerem todas essas coisas. Mas precisamos pedir a Deus por eles e sermos gratos pelo que eles fazem por nós. Nós agradecemos a Deus por muitas coisas, mas não agradecemos porque nossos pais cuidam de nós e nos ensinam a palavra de Deus."

Preciso contar que meus olhos se encheram d'água?...

Obrigada, Senhor, pela vida do Paulinho e de seus pais. Obrigada pela vida do Tomás, do André e de todas as crianças e pré-adolescentes e jovens da nossa igreja. Que eles continuem perseverantes no Teu caminho e nunca se afastem dele!! Que a vida deles seja para Te servir e para honrar e glorificar o Teu nome em todas as coisas! Em nome de Jesus, amém!

*UPJ: União Presbiteriana de Juniores

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Ele está crescendo...


Eu já falei sobre isso antes e sei que é totalmente óbvio e esperado, mas confesso que essa constatação continua me assustando: o Tomás está crescendo!... Mas é um crescendo diferente. Antes, ele estava deixando de ser bebê para ser uma criança pequena. Depois, uma criança maior. E, agora, ele está se tornando um verdadeiro moço, como diria a minha avó. E um moço dos mais vaidosos.

Só pra vocês terem uma ideia, ele me pediu três coisas de aniversário. Quer dizer, quatro: um gorro, uma corrente de ouro, um tênis de sair e, como eu já contei, um Iphone. O Iphone não foi dessa vez, mas eu atendi os demais pedidos dele. 

O gorro eu trouxe de São Paulo. Me deu o maior trabalho pra achar. É que não era simplesmente um gorro, né? Tinha que ser um gorro invocado. Descobri que nas lojas "normais" você não encontra nada desse jeito, só nas lojas de skatistas. E, mesmo em São Paulo, não existe esse tipo de loja em qualquer shopping... Mas a mamãe aqui não desistiu fácil. Consegui um bem legal e ainda na promoção!

A corrente de ouro foi fácil. Primeiro, o convenci que poderia ser apenas banhada a ouro. Ele concordou e acho que, no fundo, ficou até mais aliviado por não ter que tomar tanto cuidado assim com ela. Fomos à loja de uma amiga que vende semijoias e ele encontrou uma exatamente como queria, só que quis um acessório a mais: um pingente! Uma corrente com pingente... O negócio estava ficando mais sério do que eu pensava.

Depois, foi o tênis "de sair". Fomos ao shopping e ele também achou o tênis que ele queria, todo invocadinho, de camurça cinza. Missão cumprida! Todos (ou quase todos) os desejos satisfeitos!

Chegando em casa, ele foi "simular" uma roupa de sair, juntando todos os presentes acima. Foi quando eu descobri que, na verdade, o gorro, a corrente e o tênis de sair não são necessariamente para passear, e sim para ir à escola.

Que ingenuidade a minha!... Foi-se o tempo em que ele jogava bola no recreio e a roupa de ir para a escola era simplesmente o uniforme, composto de short curto e chuteira, e nunca calça ou sandália, porque com essas não era muito bom correr. O tempo agora é de parecer cool, descolado, com o propósito de... (suspiro) impressionar as meninas... E, ai, como é duro ver isso acontecendo...

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

12 anos!


A primeira postagem desse blog foi quando o Tomás fez 4 anos. Ele queria por tudo que o aniversário de 4 anos chegasse logo. Queria crescer! Queria ser grande! E assim tem sido, ano após ano. A vontade de ficar mais velho, de poder fazer coisas que só os grandes, ou melhor, os maiores que ele fazem.

Outro marco foi o aniversário de 10 anos. Ele pôde, finalmente, se sentar no banco da frente do carro. Acho que nunca esquecerei a carinha de satisfação daquela manhã, quando ele orgulhosamente se sentou, puxou o cinto de segurança e ficou olhando pra mim, como quem dissesse: "Eu posso! Já tenho 10 anos!"

E, agora, já são 12!!!... Oficialmente, não é mais uma criança. Sem desconto nas passagens aéreas, nos hotéis, restaurantes, viagens. Aquele garotinho que passou uma manhã me pedindo pra fazer 4 anos agora quer passar o dia no computador, com o headphone no ouvido, e seu maior sonho é ter um smartphone (mas a gente acha que ainda não está na hora... Ele segue com o celular que só faz ligação mesmo).

Mas pra mim ele continua sendo aquele mesmo garotinho que não tem muita noção do que quer. E eu ainda preciso guiá-lo, mostrar o caminho por onde ele deve andar. Sei que isso logo vai mudar. Meu tempo é curto. Preciso aproveitar cada momento, cada oportunidade. E espero apenas que ele continue confiando em mim, no meu amor por ele, que é sem medida. E que Deus me ajude nessa missão!

Te amo, filho!! Um dia, você vai entender por que não ganhou um Iphone nesse aniversário. Eu te garanto. Também ouvi esse tipo de coisa da minha mãe. E hoje eu entendo...

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Maior de idade

Eu falo: toda vez que esses meninos se reúnem, eu posso ficar ao lado observando que sempre, sempre vou ter uma história pra contar por aqui...

Hoje, estavam o Lucas e o André jogando videogame aqui em casa. Eu louca pra sair, pra buscar um brigadeiro de pote que uma amiga tinha feito pra mim. Mas não dava pra deixá-los sozinhos. Ainda são pequenos... Mas eles, lógico, não queriam parar o jogo pra ir comigo.

Então, o Lucas teve esse brilhante raciocínio: 

"Tia Lê, por que a gente não pode ficar sozinho em casa?
9 e 8 [anos de idade] dá 17!!!"

Ah, sim... Como não pensei nisso antes? São praticamente maiores de idade...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Reter o que é bom


Em nossa vida como mães, esposas, donas de casa e profissionais, sempre ouvimos muitas coisas sobre o que devemos e não devemos fazer em cada uma dessas áreas. Às vezes, são conselhos que mudam completamente nossa vida (e pra melhor!). Outras vezes, ao contrário, nos machucam - e muito... Pode até ser que a pessoa tivesse, lá no fundo, uma boa intenção, mas o “conselho” veio travestido de agressão e não atingiu seu fim. Eu tento ouvir, "reter o que é bom" e esquecer o resto. Mas confesso que nem sempre é assim tão fácil... 

Hoje, lendo um texto da colunista Isabel Clemente, da revista Época, sobre esses “conselheiros de plantão” que a gente encontra no nosso dia a dia, me lembrei do versículo de Provérbios 16.24: “Palavras agradáveis são como favos de mel: doces para a alma e medicina para o corpo.”

Destaco o seguinte trecho do texto: "Palavras desafinadas apenas machucam nossos ouvidos que, em sua defesa, fecham as portas da nossa compreensão. Para chegar ao coração, as palavras precisam ser leves e ligeiramente adocicadas. As carregadas de fel ou desdém descem para o fígado, a fim de serem metabolizadas e transformadas em algo melhor. Conselho, pra ter efeito, deve vir embrulhado em empatia, e não vir rolando desembalado e grosseiro do alto de uma escadaria." (Isabel Clemente, colunista da revista Época, no texto “Os melhores pais não têm filhos”)

Que possamos nós sermos portadores de bons conselhos, sempre embrulhados num lindo papel de scrap, cheios de empatia e amor, e que, em contrapartida, também sejamos humildes para receber os conselhos das outras pessoas e reter o que é bom, ainda que venham enrolados num papel amassado de jornal velho e sujo.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Graça sobre graça

O André ama jogar futebol! É uma das coisas mais importante da semana pra ele. Além das aulas, todo dia ele espera pelo Hugo pra eles jogarem bola na quadra do prédio. E chora, fica bravo quando não dá certo. Tudo muito intenso.

Ontem, era dia de futebol. E outra coisa que ele ama é que a gente vá vê-lo jogar futebol. E tem que ver de verdade!! Não pode ficar mexendo no celular ou lendo um livro enquanto ele joga. Tem que prestar atenção em todos os lances e saber comentar quando a aula acaba...

Aproveitei uma folga no trabalho para levá-lo e assistir a partida. Insisti em levar um livro pra ler entre um lance e outro. Mas, assim que me sentei na cadeira da arquibancada e peguei o livro nas mãos, chegou uma mãe de um coleguinha e foi logo perguntando:

_ Você que é a mãe do André?

Eu mal tive tempo de responder. Ela foi logo emendando a frase seguinte: "Eu sou simplesmente encantada com seu filho!" E começou a discorrer elogios e mais elogios. Disse que o André era ótimo no futebol, mas que, apesar disso, ele dava chance para os outros, incentivava a equipe e era sempre prestativo quando alguém caía e se machucava, importando-se com o que tinha acontecido, ajudando o amigo a se levantar.

Outro dia, lá na igreja, foi a vez de ouvir falarem bem do Tomás. Ele foi ajudar nas brincadeiras da EBF - Escola Bíblica de Férias. Outra vez, as mesmas palavras: "Fiquei encantada com seu filho!" E a pessoa falou de como ele era responsável, organizado, disposto a ajudar, simpático, paciente com as crianças menores. Enfim, um menino de ouro!

É óbvio que eu achei o máximo ouvir todas essas coisas. Não posso negar. Quem não gosta de ouvir falarem bem dos seus filhos? Mas, ao mesmo tempo, fiquei pensando que tenho pouca participação nisso. Tantas mães dedicadas e amorosas, muito mais do que eu, e que os filhos só dão desgosto... Não depende tanto assim de nós. A gente faz a nossa parte. Ensina... É chata... Fala. Fala de novo. Repete. E mais outra vez. Mas nas cabecinhas obstinadas e nos corações endurecidos nada disso é internalizado. Só Deus pode atuar tão profundamente.

Só pela graça! Soli Deo Gloria!!