segunda-feira, 30 de março de 2009

O contador de piadas

Gente, o Tomás está crescendo! Sei que é uma constatação óbvia, ele está crescendo desde que foi gerado, é a coisa que ele mais tem feito durante a sua breve existência.

Mas confesso que é uma constatação assustadora. Ele está crescendo mesmo... E agora anda, pra vocês verem, com mania de contar piadas.

O início de tudo foi depois que ele começou a almoçar uma vez por semana com os amigos da escola. Isso..., ele agora almoça sozinho com os amigos.

Deixe-me explicar melhor. Esse ano ele tem o que a escola chama de "turno complementar": uma vez por semana (às sextas-feiras) ele vai para a escola no período matutino para aulas complementares, tais como teatro, oficina de linguagem, oficina de matemática, artes visuais etc. Uma proposta excelente. Para alguns pais, contudo, fica difícil levar e buscar duas vezes na escola, então é oferecido um almoço.

Quando fui acertar o lanche, afirmei que ele não almoçaria na escola, pois moramos a duas quadras de lá, não faria qualquer sentido ele deixar de almoçar com sua família pra ficar tanto tempo na escola (de 8h10 às 17h30).

E lá fui eu, feliz e contente, no primeiro dia de "turno complementar", buscá-lo para almoçar em casa.

Cheguei na escola e ele estava descendo a escada em fila com os colegas. Limitou-se a me dar um "tchauzinho" de longe. E eu acenando feito uma louca: "Vem, filho, vamos embora!!" Ele fez-se de surdo e foi rumo à cantina.

Não satisfeita, fui atrás dele. Encontrei-o já sentado à mesa, com seus amigos, todo importante, conversando animadamente, esperando que o almoço fosse servido.

"Vamos, filho?"
"Pra onde, mãe?"
"Almoçar em casa!"
"Ah não, mãe, eu não quero almoçar em casa. Eu quero almoçar com os meus amigos."

Só então caiu a ficha... Olhando para aquela carinha decepcionada, eu me senti a protagonista de uma cena ridícula, a própria esposa traída buscando o marido no bar com um rolo de macarrão na mão. Ou, mais apropriado à realidade materna, aquela mãe controladora que vai buscar seu "bebê" na festa da faculdade, de robe, chinelo e "bobs" no cabelo, dizendo que a "friagem" o fará ficar gripado.

"Por favor, mãe...", ele insistiu.

Fiquei olhando pra ele por alguns segundos e só um pensamento me vinha à cabeça: "ele cresceu..." Suspirei um "tudo bem" e fui embora.

Desde então, eu tenho visto um menino mudado, que no dia do turno complementar acorda cedo e reclama que não quer chegar atrasado à escola. Os almoços com orientação nutricional também serviram para ele voltar a comer tomate e alface com gosto.

E o resultado de tudo isso é o título desse texto: a cada sexta-feira, uma nova piada que ele aprendeu no almoço com os amigos.