terça-feira, 30 de setembro de 2008

No carro

_ Mãe, os pinguins, quando nascem, têm memória?
_ Como?!?
_ Os pinguins. Eles têm memória quando nascem?
_ Não entendi, filho. Você quer saber se os pin-guins têm o quê quando nascem?
_ Memória, mãe. Quando eles nascem, eles têm memória?
_ É... você quer saber se eles se lembram das coisas que aconteceram antes de eles nascerem?
_ É.
_ Acho que não.
_ Não? É.. (pensativo) eu também acho que eles nascem sem memória.

Mais intrigante do que tentar responder, no meio do trânsito caótico de Goiânia, se os pinguins têm memória quando nascem é tentar imaginar de onde ele tirou essa pergunta...

P.S.: Ah, e o pinguim sem o trema não é porque estou seguindo as novas normas ortográficas, é porque o notebook não tem esse sinal diacrítico.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Filosofia materna


Ter um filho é ter a certeza de que você participa de um milagre a cada manhã. Um milagre cheio de responsabilidade, obrigações, algum cansaço e muita paciência, mas ainda assim um milagre.
Quando você se dá conta disso, tira de letra toda a trabalheira que um filho dá.
Obrigada, Senhor, pelos meus milagres diários!!

sábado, 13 de setembro de 2008

Acordei

Ainda era bem cedo, mas uma vozinha doce me tirou do sono, dizendo assim: "Oi mamãe! Eu acordei".

Abri os olhos e vi aquele pequeno ser com o rosto grudado ao meu. Um sorriso no olhar. Uma carinha linda. Segurei suas mãozinhas e ajudei-o a subir na minha cama. Ainda ficamos um tempinho deitados, abraçadinhos.

E foi desse jeito que eu também acordei hoje: feliz da vida!!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Mais outras do André...


Já tem um tempo que essas aconteceram... Eu vou anotando num papelzinho aqui, noutro acolá, pra ver se não me esqueço, mas às vezes é inevitável. Colocando ordem na bagunça, lembrei de algumas:

O André, quando estava começando a dar birra (hoje, ele já diminuiu bastante, pois a nossa estratégia é ignorar solenemente), caiu e bateu a cabeça com força no chão. Acho mesmo que ele esperava que fôssemos socorrê-lo antes que isso acontecesse e, por isso, caiu com vontade. Mas não deu certo: além de não conseguir o que queria, ainda se machucou.

Buscando evitar essa segunda parte e ver se ainda conseguia garantir a primeira, ele estudou maneiras de cair. Então, ele começava a chorar, caía de bumbum no chão (amortecido pela fralda), colocava o braço, apoiando o cotovelo, e só depois deitava-se, completando a cena clássica da birra.

E nós, além de termos que ignorar a birra, ainda tínhamos que tentar ignorar a vontade de rir...

Como também acontece nas vezes em que ele disfarça e finge estar fazendo outra coisa pra escapar de uma bronca.

Essa foi na piscina. Toda hora ele ficava querendo beber a água da piscina. O Hugo já tinha dado várias broncas, mas ele continuava lá, com a boca aberta, esperando que alguma ondinha a enchesse de água.

Numa dessas vezes, o Hugo o pegou no flagra, com a boca aberta. E ele, mais do que depressa, fingiu que estava apenas cantando... Quem agüenta?

domingo, 7 de setembro de 2008

Leitura noturna

Gosto sempre de ler um livro com os meninos antes de eles dormirem. É o nosso pequeno ritual noturno: tomar banho, por pijama, tomar leite, escovar os dentes, ler um livro ou história da Bíblia, orar e dormir. E eles gostam tanto disso que toda noite vão escolher o livro (e eu acabo tendo que ler uns 2 ou 3...).

Essa noite o Tomás escolheu um livrinho que trouxe da escola. Comecei a ler pelo título: "O menino e a baleia - uma história japonesa".

Antes que eu abrisse o livro e começasse a ler, uma pergunta: "Mãe, essa história é sobre quem não enxerga?"

Dúvida cruel

E chegou o dia da tão temida pergunta:

_ Mãe, Deus criou todas as coisas.
_ Sim?...
_ Mas quem criou Deus?

Eu sabia que essa pergunta chegaria. Afinal de contas, são muitas as dúvidas que mesmo nós, adultos, temos acerca de Deus. E me preparei pra respondê-la. Aprendi que podemos ser sinceros com os filhos, que podemos confessar sem medo algum que não sabemos todas as coisas (aliás, nunca tive tal pretensão). E, ainda que eu tivesse a resposta, é uma pergunta sem fim: e quem criou quem criou Deus?

Tentei explicar que há mistérios que não conseguimos entender e que só nos serão revelados quando morrermos e pudermos perguntar diretamente pra Deus. Mas a ansiedade pelo conhecimento o deixou meio triste e decepcionado:

_ Ah, mãe... isso vai demorar muito... Eu tô crescendo tão devagar... Parece até o jeito que a Terra roda!...

(Ai, isso é assunto pra outro texto... É que, no aniversário, ele quis saber como é que a gente sabia que já tinha passado o tempo pra chegar o outro aniversário - e eu fui tentar explicar os movimentos de translação e rotação da Terra. Não sei se tive muito sucesso na minha explicação, mas uma coisa é certa: ele já viu que a gente não consegue perceber nem o tempo nem o crescimento. Quando vimos, é isso aí: já passou!)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

TOC

O André não gosta de ver a tampa do vaso sanitário levantada. Então, ele sempre a abaixa. Ele também não gosta de ver a porta do box do banheiro aberta. Então, ele sempre a fecha.

E, quando ele faz isso em um banheiro, ele lembra que existe outro na casa e que essa mesma situação pode estar ocorrendo lá. Incontinenti, ele vai para o outro banheiro, determinado a resolver esse problema.

Se as gavetas ou portas de um armário estão abertas, ele as fecha. Ah, a porta da geladeira também (quase não dá tempo de pegar o que queremos). E nunca desce do carro e sai correndo. Primeiro, ele fecha a porta.

Se as revistas estão umas de cabeça pra cima e outras de cabeça pra baixo, ele logo trata de colocá-las todas no mesmo sentido.

Quando ele se levanta da cadeira, sempre a coloca de volta ao lugar, pertinho da mesa. E também arruma as cadeiras dos outros que se levantaram sem a mesma preocupação.

Se o meu celular ou a minha bolsa estão jogados em cima da mesa ou do aparador, ele vem me entregar: “xeu xeúlar, mamãe”. Implícita a mensagem: “por favor, guarde”. E eu nunca posso me levantar e deixar o chinelo pra trás.

A mochila da escola fica sempre no mesmo cantinho. E os sapatos, sempre enfileirados em ordem de tamanho (primeiro os do Tomás, depois os dele).

O André é assim: organizado. Gosta que as coisas estejam em seus devidos lugares. Mas quando a gente diz que ele não precisa se preocupar, que a porta do box pode ficar aberta, que não tem problema, ele sai sem achar ruim, dizendo um apressado - e resignado - “tá bom”, quase como se dissesse: "se você gosta de viver assim..."

Flagrante delito

Mais uma do André.

Sexta-feira à tarde. Prenúncio do fim de semana na casa da vovó Delza. E casa de vó é sempre igual: os netos acham que podem deitar e rolar.

O André, longe dos olhos de todos, tirava as pedrinhas do vaso de bambu-mossô da "sala de visita" e as jogava em cima do sofá.

Foi quando o vovô Edésio chegou inesperadamente, antes do horário de costume, e o pegou no “flagra”.

Antes mesmo que o vovô desse a merecida bronca (nem tinha dado tempo de ver o que o André fazia no cantinho da sala), ele já veio com a mãozinha em riste, dizendo:

“Vai trabalhar, vovô!! Vai trabalhar!!!!” (e não veja o que estou fazendo de errado).