sábado, 18 de dezembro de 2010

Pesadelos

Minha mãe costuma dizer que dormir deve doer e que deve ser por isso que toda criança luta tanto contra o sono (e, se pensarmos bem, os adultos também...). Mas uma vez o Tomás me disse que não queria dormir porque não queria ter pesadelos de novo. Fiquei com dó e me lembrei dos pesadelos horríveis que tinha quando também era criança (o de todas as noites tinha sempre um cachorro aterrorizante correndo atrás de mim ou tentando me pegar).

A minha vontade é que eu tivesse o poder de fazer com que eles só tivessem bons sonhos ou que, ao menos, tomasse os pesadelos pra mim, livrando-os desses infortúnios. É difícil constatar que não temos poder algum para livrar nossos filhos de coisas ruins. A única coisa que posso fazer e que está ao meu alcance é aproveitar essas horas de medo pra reafirmar a eles que Deus está sempre conosco, cuidando de nós, inclusive enquanto dormimos.

Ontem, antes de dormir, o André fez a seguinte oração, que me mostrou que ele entendeu bem que só Deus pode nos afastar do perigo e nos segurar pela mão quando atravessamos o "vale da sombra da morte" (Salmo 23):

"Papai do céu, obrigado por esse dia. Obrigado por esse ano que eu ganhei uma mochila nova. (pausa). Deus, é uma conversa muito séria: no escuro, eu estou com você. E você é o meu amigo preferido. Em nome de Jesus, amém!" 

E que assim seja!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

De veneta

Meus meninos são "de época" ou "de veneta", como diz minha avó. Às vezes, cismam de só querer dormir com a gente: ou vão para a nossa cama ou é a gente que tem que ir para a cama deles. Eu não sou radical quanto a isso e confesso até gostar, principalmente nos dias em que passo muitas horas longe deles. Dormir abraçada a eles ou bem pertinho, sentindo-os encostar em mim, parece compensar o quão distante ficamos durante o dia. 

O problema é, como eu dizia no começo, quando eles cismam de só querer dormir assim todos os dias da semana. Aí, a gente tem que, literalmente, "despachá-los".

Nessas horas, eu costumo explicar que não posso dormir com eles, pois tenho que dormir com meu marido. Às vezes, dá certo. Às vezes, não... Negociamos um pouco... E assim vou levando até eles deixarem isso de lado por um tempo e vir a época em que eles não querem dormir com a gente.

Ontem, trabalhei o dia inteiro. Cheguei em casa cansada, impaciente. E eles com o gás total das férias. 

Ficaram bagunçando na minha cama e eu logo os "despachei".

Mas depois fiquei com remorso (a velha culpa de todas as mães...). E fui atrás deles, para um boa noite e um pedido de desculpas pela impaciência.

Perguntei ao Tomás se ele queria que eu me deitasse com ele um pouquinho. A resposta foi lacônica: "Não... você já ficou aqui comigo ontem. Pode deitar com o André."

Perguntei o mesmo ao André. E sabem o que ele me respondeu?

"Não... pode ir deitar com o seu marido."

E lá se foi uma mãe, carregada de culpa, tentar dormir no outro quarto...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

André e a política

Nós, pais, subestimamos muito os filhos. Ou melhor, nós, adultos, subestimamos muito as crianças. Ora acreditando que elas não entendem nada do que falamos, ora tendo certeza que elas não estão prestando atenção no que falamos, entretidas que estão em suas brincadeiras. 

Mas isso definitivamente não é verdade. E quem nos dera que realmente eles não prestassem atenção... Tal qual radar, as orelhinhas estão sempre atentas a tudo que se fala ao redor deles, captando cada palavra, cada detalhe. 

Essas aconteceram na época das eleições presidenciais. Depois de alguns horários políticos da televisão, a cabecinha do André ficou cheia de dúvidas e algumas certezas... 

_ Mãe, eu sei porque todo mundo torce pela Dilma.
_ É mesmo, filho? Por quê?
_ Porque ela é a primeira presidente do Brasil.

_ Pai, é verdade que a Dilma já roubou um banco?
(...) 
E vai o pai tentar explicar como alguém pode cometer crimes por ideologia...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Papai noel existe ou não existe? Eis a questão...

Dizem que a figura do Papai Noel vem de uma tradição cristã. O padre Nicolas distribuía presentes durante as festividades natalinas na cidade de Myra, na Turquia, por volta do século IV. Todavia, também há quem diga que foi a Coca-cola que "inventou" o bom velhinho, numa estratégia de marketing pra vender mais refrigerante. 

De qualquer forma, ainda que consideremos verdadeira a história de São Nicolas, ela não tem nada a ver com a magia que hoje envolve a figura do Papai Noel, uma "entidade" que recebe cartinhas de crianças e passa o ano fabricando brinquedos e outros presentes, com a ajuda de gnomos. E, na véspera do Natal, embutido do dom da onipresença, distribui esses brinquedos pelo mundo afora a bordo de um trenó puxado por renas voadoras. Ah, e já ia me esquecendo: os presentes são jogados pelas chaminés das casas (e se a casa não tiver chaminé? devo construir uma?).

Confesso que nunca quis que meus filhos acreditassem nisso - até mesmo porque meus pais também agiram da mesma forma e posso garantir que minha infância não ficou prejudicada por não ter acreditado no Papai Noel. Além do mais, acho muito estranho contar uma história tão fantasiosa dessas e jurar de pé junto que é verdade. Que credibilidade terei no futuro?

Por outro lado, também não fico martelando na cabeça deles que isso é tudo mentira. Mas, se sou confrontada, digo apenas a verdade - pura e simples.

O difícil é que muitos pais acham que é importante a criança viver essa fantasia da existência do Papai Noel - e também a ameaça velada de que ele só traz presente para as crianças que se comportaram e que obedeceram os pais.

E é aí que surge o problema... Dia desses, o André chegou indignado da escola:

"Pai, eu conto para os meus amigos que Papai Noel é só uma história de natal e eles falam que não, que o Papai Noel existe."

Então... o que devemos responder? Existe ou não existe? Você conta para os seus amigos ou não?...

domingo, 21 de novembro de 2010

Perguntar não ofende

 
Da série "pequenas perguntas sem resposta"...
André: "Por que sempre todo mundo acorda com bafo?"

Posso responder apenas que eu não sei?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Flamengo ê ô!!!


Os meninos torciam para o São Paulo e para o Goiás, os mesmos times do Hugo. Peraí. Torciam? Isso mesmo: torciam. Pra tristeza do Hugo, os dois mudaram de time.

Primeiro foi o André. E a mudança aconteceu bem no aniversário de 6 anos do Tomás. O tema foi futebol, com destaque, lógico, para os times do São Paulo e do Goiás. Mas tinha lugar para os outros times e bandeiras do Flamengo, Vila Nova, Corínthians e Atlético Goianiense também faziam parte da decoração. 

O André não tinha nenhuma camiseta de time pra usar. E meu pai aproveitou a ocasião e deu a ele uma camiseta do Atlético. Foi paixão à primeira vista. Ele passou, naquele instante, a ser também torcedor fanático do "Aquético", daqueles que conseguem assistir uma partida inteira pela televisão (acho que, pra criança, é algo um tanto quanto difícil).

O próximo a renegar o time do coração (do pai) foi o Tomás. Influenciado pelo tio Aurélio e, óbvio, pelo Davi, ele agora é torcedor do Flamengo, com direito a uniforme completo, toalha de banho temática e cantoria do hino.

O Hugo, coitado, tentou em vão ensinar o hino do São Paulo pra eles, mas é fato que o do Flamengo é bem mais fácil e empolgante.

"Uma vez Flamengo, sempre Flamengo...
Flamengo sempre eu hei de ser. O meu maior prazer é vê-lo brilhar, seja na terra, seja no mar.
Vencer, vencer, vencer. Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!"

"Salve o Tricolor Paulista, grande clube brasileiro.
Tu és grande, tu és forte! Entre os grandes, és o primeiro.
Ó Tricolor, time bem amado! As tuas glórias vêm do passado!!"

Depois disso, o Hugo ainda amargou a tristeza de ver o André também virando a casaca e indo torcer para o Flamengo, mesmo com o São Paulo sendo campeão. E de nada adiantou a argumentação de que o São Paulo era muito melhor que o Flamengo:

_ Não, pai, o Lucas disse pra mim que o Flamengo é muito melhor que o São Paulo.
_ Mas você tem que acreditar é no papai, e não no Lucas. Você acha que o Lucas sabe mais do que o papai?
_ Acho.

Sem mais comentários.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Goiaba no pé


Esses dias, lendo um texto da Danuza Leão ("Quintal"), me peguei pensando que meus filhos nunca subiram em árvore e muito menos comeram fruta direto do pé. Eles vão para a fazenda da minha sogra, têm contato com a natureza e com bichos, tomam banho de bica (delícia!), correm atrás das galinhas no quintal, balançam no toco dependurado no galho da árvore. O Tomás já anda a cavalo sozinho e o André já se aventurou uma vez dentro do curral. Mas eles nunca subiram numa árvore. 

Eu, apesar da minha vida urbana e de nunca ter passado férias na fazenda (ia para a fazenda do meu tio Dalton apenas aos fins de semana), sempre subi em árvore e já comi muuuita goiaba direto do pé. Tudo isso graças ao quintal da casa dos meus queridos avós: João e Rodes. E como são boas essas lembranças! 

O quintal não era de terra batida nem tinha um galinheiro ao fundo. Ele era calçado. Mas isso, para uma menina urbana, não tinha a menor importância. Tinha dois pés de goiaba, um limoeiro, um pé de romã e outras plantas. No canto, tinha um canil, onde ficava uma cadela da raça pastor alemão - a Ventania. Lá era o único lugar onde não íamos. A Ventania, como o próprio nome já sugere, era muito agitada. Tínhamos medo. Do outro lado, uma espécie de alpendre, onde brincávamos de escolinha (com quadro negro, giz, mesa de professora e até tarefinhas - tudo patrocinado pelo meu avô).

Passávamos boa parte do dia em cima das goiabeiras - de goiabas vermelhas, ressalte-se (porque goiaba branca é muito sem-graça e, pra piorar, ainda esconde o bicho-de-goiaba). As mais bonitas a gente comia lá mesmo. As demais iam direto para uma bacia, que entregávamos pra minha avó fazer doce. Huummm... e como o doce de goiaba que a minha avó fazia era gostoso!! Vermelho vivo, com uma caldinha muito boa. Pra completar, só um pouquinho de creme de leite. Deu vontade... e saudade!

Tinha uma goiabeira que ficava no canto do quintal e os seus galhos passavam por cima do telhado de telhas "eternit" (aquelas que deixam a casa bem fresquinha...). Essa era a preferida, pois podíamos pegar as melhores goiabas, as da pontinha do galho, que ficavam bem acessíveis com a gente andando pelo telhado. Confesso que eu me sentia o próprio Chico Bento acabando com as goiabeiras do Nhô Lau.

Sabem de uma coisa? Me dei conta de que preciso urgentemente arrumar uma goiabeira para os meninos subirem e comerem goiaba no pé. Não só pela aventura, mas também porque goiaba da feira não tem o mesmo gosto.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O céu é um lindo lugar

Para nós, cristãos, a morte não é o fim de tudo. Pelo contrário, é apenas o começo de uma nova vida, a vida eterna com Deus. O verdadeiro crente anseia por isso, anseia pelo céu - um lugar cheio de graça, onde não haverá nem choro nem dor e onde desfrutaremos da presença de Deus.

Todavia, por mais que vivamos sob essa perspectiva, muitas vezes ficamos apegados demais às coisas terrenas e ansiamos pelos acontecimentos daqui. Eu, por exemplo, quero ver meus filhos crescerem. Parafraseando o texto de Lucas cap. 2, vers. 52, quero que eles cresçam em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens. Talvez seja em razão desse meu desejo que eu me assusto tanto quando eles dizem que querem ir logo para o céu...

Uma vez, o Tomás me perguntou por que ele não crescia bem rápido pra ele poder morrer logo e, assim, ir morar no céu. O motivo apresentado foi bem simples: "Eu gosto de Deus, mãe, eu queria ir morar no céu". Eu só pensei: "Eu também, filho. Mas, por favor, deixe a mamãe ir primeiro..."

De uma outra vez, nós estávamos no carro e eu falei que ele e o André eram o melhor presente que eu ganhei de Deus. E ele, numa lição bem verdadeira, me disse que o melhor presente que ele já ganhou de Deus é Jesus; que ele gosta muito de mim, do papai e do André, mas Jesus vem em primeiro lugar.

Pra completar a série, esses dias foi a vez do André me dizer que também queria morrer pra ir para o céu e ficar com o vovô Valter.

Quisera eu ser como uma criança, tão simples e verdadeira, pra saber o que realmente tem valor nessa vida e na vindoura...  

"E disse (Jesus): Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus" (Mateus 18.3 - NVI).

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Quem entende?

O Tomás, desde que se entende por gente, só usa "short curtinho", como ele mesmo diz (e, salvo engano, já contei isso por aqui). A explicação era bem simples: o short curtinho era melhor pra correr. Como a vida dele era correr, ele também só usava tênis. Nunca gostou de sandália ou qualquer outro tipo de calçado.

Ontem, fomos comprar alguns shorts para a nossa viagem à praia. Qual não foi minha surpresa quando ele disse que não queria nenhum short curtinho. Todos abaixo do joelho.

_ Filho, mas você não gostava só de short curtinho? Por que agora você não quer mais assim?
_ Eu não gosto mais de short curtinho, mãe. Agora, eu gosto de bermuda.

Quem entende?... Mas pelo menos o gosto pela corrida não foi embora. A cada bermuda que ele experimentava, uma simulação de corrida pra ver se a bermuda não iria atrapalhar... E o tênis agora também mudou: só serve se for tipo uma chuteira de futebol de salão - são os melhores para correr.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Quem contou?


Acho que já contei isso por aqui: o André adora danoninho, iogurte e afins. Se deixarmos, ele toma 2... 3... 4 (!!!) seguidos (!!!!!!), numa boa. O fato é que a gente não deixa. É apenas um - no máááximo, dois. Mas ele insiste, faz cara de triste... e a gente - geralmente - não cede!

Dia desses, ele chegou da escola e foi direto tomar um iogurte. O Hugo deixou, mas já com a condicionante: "Só um, viu André? Senão, você não vai jantar depois."

E, entre dar banho em menino, ver emails e descansar um pouquinho, o Hugo se esqueceu completamente do André.

Passado um tempo, foi à área de serviços e encontrou a lâmpada da despensa acesa. "Que coisa estranha...", pensou, "será que essa lâmpada estava acesa quando eu cheguei?..." Já estava saindo do quartinho quando viu um pote de iogurte - já tomado, lógico - , meio escondido, num cantinho da prateleira. André! O danadinho tomou o 2º iogurte escondido e se precaveu para não ser descoberto.

E lá foi ele para o confronto e o sermão básico da mentira...

"André, você tomou iogurte escondido do papai?"

Silêncio.

"Tomou, filho?"
Resposta afirmativa com a cabeça.

"Sabe, André, você pode fazer as coisas escondidas do papai, mas não pode fazer nada escondido de Deus, pois ele vê todas as coisas. Nada fica escondido pra ele."

"Ele vê tudo lá do céu?", ele perguntou.
"Vê sim. Ele vê tudo que você faz".

"Foi ele que contou pra você?"

E o Hugo, após o grande esforço de segurar o riso, apenas respondeu que não, que ele tinha descoberto sozinho...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ufa!

O Hugo tem sentido uma dor no pescoço há dias. No início, pensou que era apenas um simples torcicolo. Mas a dor não passava... Intrigado, como um bom médico, foi "investigar". Consulta daqui, faz exame dali e a suspeita é uma hérnia de disco.

Comentando isso comigo no carro (sempre no carro...), o Tomás escutou e foi log
o perguntando:

_ Papai, o que você tem?

Antes que o Hugo tivesse oportunidade de responder, o André, nosso informante de todas as doenças, interrompeu ligeiro:

_ O papai 'tá com uma dor no pescoço. Aí, ele foi ao médico amigo dele pra ver e tirou uma foto do pescoço.

(Ah... o Hugo já tinha contado pra ele...). O Tomás insistiu:

_ Mas você falou um outro nome... O que é?
_ O médico acha que pode ser uma hérnia, Tomás - respondeu o Hugo.

O Tomás, agora bem direto, perguntou:

_ É grave?
_ Não, filho, não é grave.
_ Você vai morrer?
_ Por causa disso? Não.
_ U - fa!!

E foi essa a interjeição de alívio mais aliviada que eu já ouvi na vida...
Concordo com você, filho: UFA!!!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Trocando de pele

Quando me sentei na cadeira, na tal "sala de procedimentos", e a auxiliar da médica limpou meu rosto, tive uma espécie de premonição e me imaginei com o rosto em chamas em razão do produto.

Mal sabia que a minha imaginação era mesmo premonitória... O que viria era mais ou menos isso, com a ressalva de que, sobre a pele em chamas, as casquinhas, misturadas ao protetor solar, davam a impressão de um rosto de zumbi. Uma reação alérgica encarregou-se de piorar a situação.

Confesso que, no dia seguinte, a minha feição ainda não era das melhores... e os meninos talvez tenham ficado um pouco assustados com o que viram. Muitas dúvidas surgiram na cabecinha deles.

_ Mãe, por que você fez isso? - foi a pergunta do Tomás.
_ Pra ficar mais bonita, filho.
_ Mas você já é bonita, mãe! - o tom era de indignação e eu não pude deixar de ficar muito feliz com o comentário.

O André foi mais incisivo, como sempre, e contou em detalhes a situação pra minha irmã, ao telefone:

_ Tia Fernanda, o rosto da minha mãe está ho-rro-ro-so!!!!

Bem que eu poderia ter ficado sem ouvir essa! Mas isso é só pra provar que o primeiro "peeling" a gente nunca se esquece. E, vendo o resultado, já fica logo querendo o segundo, e o terceiro...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Enfim, 4 anos - a história se repete


“Mãe, eu posso ter 4 anos?”

“Pode”, respondo sem nem pensar, já me antecipando a qualquer conflito que se seguiria caso a minha resposta fosse negativa. Mas a criança, não satisfeita, me pergunta instantes depois:

“Não, mãe, eu quero ter 10 anos. Eu posso ter 10 anos?"

“Pode também”, respondo com um sorriso.

Dessa vez, foi o irmão mais velho quem se encarregou de explicar que não adianta nada a mamãe deixar que ele tenha 10 anos. Ele não vai ter 10 anos. E outra: quando ele tiver 10 anos, o irmão terá 13, e continuará sendo mais velho.

Frustração geral. Se bem que eu comecei a desconfiar que, no fundo, ele já sabia que eu não tenho o poder de fazê-lo ser mais velho do que ele realmente é... A pergunta era só para ter certeza da nossa impotência.

Mas o fato é que o aniversário de 4 anos é uma idade importante para eles. A impressão que tenho é que, na cabecinha deles, com essa idade, eles finalmente deixam de ser bebês e passam a ser crianças. Não lhes tiro a razão. Acho que até mesmo nós pensamos assim.

Os preparativos para o aniversário começaram bem antes da data. Aliás, antes mesmo que passasse o aniversário do Tomás, que é no começo do mês de agosto.

No dia que fomos fazer compras de supermercado para o aniversário, percebi que o André, ao chegar em casa, começou a fazer toda sorte de má-criação (coisas absurdas do tipo: tentar destruir minha maquiagem e, imediatamente após a bronca por esse fato, começar a despejar o detergente na pia da cozinha). Coisas que ele não costuma fazer, por mais levado que seja. Pensei que só poderia ser ciúmes. Não tinha outra explicação!

Resolvi conversar com ele e explicar que, agora, era o aniversário do irmão, mas que logo, logo seria o dele, e que a mamãe iria fazer uma festa de aniversário muito legal pra ele também. Mudança de comportamento da água para o vinho. Ele realmente estava com ciúmes, coitado, e não sabia como se expressar.

Começamos, então, a planejar e escolher o “tema” do aniversário. Tentei induzir alguns temas diferentes: “Que tal Monstros S/A?” “Não. Eu quero do Pica-pau”. “Ah, não. Do Pica-pau eu me recuso a fazer. Escolhe outro”. “Então, eu quero do Power Rangers”. “Também não. Outro”. “Do Batman!” “Não, filho, a mamãe já fez esse aniversário para o Tomás...”

Muitos temas depois, escolhemos o do Shrek.

O convite foi a primeira providência – uma montagem de uma foto dele ao lado de uma imagem do Shrek e de outras criaturas encantadas do Reino de Tão Tão Distante: a princesa Fiona, o Burro e o Gato de Botas.

E a alegria dele era maior a cada detalhe da festa:

“Vovó, o convite do meu aniversário de 4 anos (era importante repetir a idade) já está pronto! Tem uma foto minha e do Shrek, e da Fiona, e do Burro, e do Gato de Botas. Ficou muito legal, vovó!!!”

O passo seguinte foi comprar alguns itens da decoração: copos, pratinhos e a vela de 4 anos. Quando cheguei em casa e mostrei tudo isso a ele, tive a real dimensão da importância da data. Ao ver a vela, os olhinhos dele brilharam e, após um suspiro, que misturava incredulidade com satisfação, ele exclamou baixinho:

_ 4 anos!!!

Era um sonho que se tornava realidade. Eu me emocionei com a cena. Me emocionei ao pensar em como as coisas são mágicas para uma criança, em como é simples fazê-las felizes.

E, finalmente, chegou o dia tão esperado! A felicidade dele era simplesmente contagiante. E não teve uma pessoa que não chegasse em mim pra comentar.

No dia seguinte, a irmã do Hugo que mora em São Paulo ligou para dar parabéns a ele. Ainda radiante com a nova idade, ele disse, todo importante:

"Tia Liliam, agora eu tenho 4 anos!"

"Mesmo, André?! Que legal!! E o que você vai fazer agora que tem 4 anos?”, ela provocou.

Sem hesitar, ele respondeu: “Agora que eu tenho 4 anos, tia Liliam, eu vou poder falar com uma criança de 3 e ela vai ter que me obedecer, porque eu sou mais velho!”

Sinceramente, eu não sei o que é mais preocupante: a sede de poder ou a opressão... De qualquer forma, esta aí:

Enfim, André, 4 anos!

sábado, 25 de setembro de 2010

Feliz aniversário!


"Parabéns!! Parabéns!! Hoje é o seu dia! Que dia mais feliz!!!!!!"

André, parece ter demorado, mas finalmente chegou o grande dia do seu aniversário de 4 anos!!!
Parabéns, filho!! Sou muito agradecida a Deus por sua vida! Rogo a Ele que você continue crescendo com muita saúde e que seja um menino que guarda no coração a Sua Palavra.

Que Deus te abençoe e te guarde!

Te amo muito!!!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sem pé nem cabeça

O André tem dessas... Do nada, sem motivo algum, ele fala alguma coisa totalmente desconexa, que nos faz pensar seriamente no que estava passando na cabecinha maluca dele. Foi assim esse dia:

"Pai, abre a janela (do carro) que eu quero gritar pra todo mundo ficar surdo".

Talvez ele estivesse tentando "arrecadar" alguns pacientes para o Hugo... (Ai, será que a minha cabeça foi mais prodigiosa que a dele?!??)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Já sei nadar!


"Mãe, sabia que agora eu não sou mais da mesma turma da natação que os meus amigos da escola?"
"Não, filho? Por quê?"
"Porque eu já sei nadar sem boia."


Comemorei a façanha com ele, dei parabéns e tudo - e ele continuou, com uma importante observação:

"É... sem boia e sem morrer!"

(Por favor, filho, continue assim SEMPRE!!!!!!!!!)

"E, mãe, sabia por que antes eu nadava com boia?"
"Por quê?", perguntei, já antevendo a resposta.
"Pra eu aprender a nadar sem boia".

sábado, 7 de agosto de 2010

Feliz aniversário!


Hoje, o Tomás completa 7 anos! 7 anos no dia 7 de agosto. O tema da festa será "pintando o 7". Trocadilho engraçadinho que a mamãe aqui inventou.

Dizem que 7 anos é a idade da razão. Idade em que a criança já consegue bem discernir o certo do errado. Antigamente, a idade escolar. A idade do desmame afetivo. Como mãe, não quero que seja assim, mas percebo algumas movimentações nesse sentido e acredito que, bem dosadas, são muito saudáveis.

A minha oração, filho, será sempre a mesma: que você cresça em graça e estatura diante de Deus e dos homens! E, agora, nessa idade da razão, que você use todo o seu entendimento, com sabedoria, para fazer sua pequena luz brilhar. Que todos à sua volta possam ver a diferença que faz ser um menino temente a Deus!

Que Deus te abençoe e te guarde!
Te amo demais!!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Coisa de criança

Ontem, o Tomás ficou chateado com alguma coisa e estava no quarto chorando. Quando ouvi o choro baixinho, fui lá ver o que tinha acontecido. Ele estava debaixo das cobertas, tal qual um adolescente. Perguntei:

_ Filho, o que aconteceu que você está chorando?
_ Nada não, mãe.

_ Como assim, nada? Por que você está chorando?
_
Coisa de criança.
_ Coisa de criança??!?
_ É, mãe, coisa de criança, assunto de criança. Você também não conta.
_ Não conto o quê?
_ Não conta quando é coisa de adulto! Então...

'Então' digo eu! Foi difícil convencê-lo que assunto de criança também é assunto de mãe e que, nessa condição, ele poderia me contar o que estava acontecendo.

Haja argumentação!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Salada bíblica

O André, inusitadamente, chegou perto de mim, no meio de uma festa de aniversário, e me contou o seguinte segredo ao pé do ouvido:

"Mãe, é segredo, viu? Você não pode contar pra ninguém. Você tem que ser rápida igual a Ester pra salvar o povo de Isaías de ser jogado na cova dos leões."

E, do mesmo jeito que chegou, foi embora correndo, me deixando totalmente sem entender o que eu tinha que fazer pra realizar essa missão ultra secreta tão importante. Que mistureba danada!...

Rápida igual a Ester... !??!?
Povo de Isaías... ?!??
Cova dos leões... ??!!??!!?

Procuro entender o "contexto histórico" da mensagem dele. Explico: estivemos, nas duas últimas semanas, na temporada de inverno do Palavra da Vida. Por três vezes, ele viu o teatro sobre a vida de Ester, que foi um instrumento nas mãos de Deus para salvar o povo de Israel (e não de Isaías - profeta de Deus) de ser exterminado pelos persas. Ester teve que ser rápida em suas ações pra poder salvar o seu povo (e o André deve ter guardado na memória alguma frase do tipo...).

Na peça de teatro que assistimos, um narrador contava a história de Ester para uma criança, que fazia todas as confusões possíveis e imagináveis com as histórias bíblicas, como, por exemplo, essa de achar que Ester - e não Daniel - seria jogada na cova dos leões. Foi muito engraçado!

Mas, na cabeça fantasiosa de uma criança de (quase) 4 anos, a confusão rendeu... e o resultado é a salada bíblica que vimos acima.

Sem problemas, filho. Aos poucos, você vai aprendendo, assim como a Juju da peça, todas as verdades bíblicas, sem confundir mais nada. Te amo muito!!!! Você é muito lindo!!! Beijos, mamãe.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Santa chupeta!


Dica para mães: não fiquem com receio de dar chupeta aos bebês. Ela é uma santa que deveria ser beatificada!!!!! Eu sei, alguns falam muito mal dela, acusam-na de dar mais cólica aos recém-nascidos. Mas o fato é um só: ela acalma - e muito - os bebês e dá alguns momentos de paz infinita às mães. Não é à toa que, em inglês, o nome dela é "pacifier" (pacificadora).

Lembro-me de quando o Tomás nasceu. A chupeta estava na lista do enxoval. Mas o Hugo e a minha mãe, pediatra, foram contra o uso. Sem argumentos de especialista, concordei. Vinte dias depois, cansada, com sono atrasado, peito dolorido, menino chorando sem parar, apenas liguei para o Hugo avisando: "Já estou esterilizando a chupeta, viu?"


O único problema dela é quando devemos tirá-la. É sempre um capítulo à parte na história das crianças, a começar da época ideal, passando pelas várias estratégias, que, sem dúvida alguma, garantem umas boas risadas.

Alguns dizem que deve-se prometer um presente em troca. A criança entrega a chupeta ao Papai Noel, ao Coelhinho da Páscoa, ao Mickey... ou joga pra algum bicho (gatinho, vaca, peixe, leão...) e ganha o presente prometido.

A minha sogra também sugere a estratégia de furar a chupeta com uma agulha. De todas as táticas, pra mim, é a mais razoável. Furada, a chupeta perde a sucção e a ideia é que a criança, então, perca o interesse por ela.

O Davi, meu sobrinho, jogou a chupeta pra vaca - e nunca mais a recuperou. Chorou uns dias e pronto. Adeus, chupeta!

Ante o sucesso, tentei o mesmo com o Tomás. Um dia, na fazenda, falei para ele fazer igual ao Davi. Ele concordou com a minha ideia e, durante toda a viagem até a fazenda, repetiu que iria dar o "bico", como ele chamava a chupeta, para a vaca.

Chegamos na fazenda. E agora?

Da rede, podíamos ver algumas vacas no pasto em frente à casa. Sem dizer palavra, ele chegou na beiradinha da varanda e jogou a chupeta no meio da grama. Voltou para a rede, também em silêncio (e eu, ali, só reparando a movimentação). Logo em seguida, levantou de novo, bem resolvido:

_ Bico vaca não, bico meu!!

A tática da minha sogra foi implementada por ele mesmo. Já com vários dentinhos, ele mordia a chupeta e ela se rasgou. Ele dizia: "esse bico 'tá tagado" (tradução: estragado) e, assim, jogava a chupeta no lixo. Jogou várias até que restou apenas uma. Um dia ele a deixou cair no vaso sanitário, bem no meio de um "número 2". Recusei-me a pegar. E ele, finalmente, se acostumou a ficar sem a chupeta.

Com o André foi mais difícil. Desde a barriga, ele já tinha a mania de chupar o dedo - o que continuou depois de nascido. Comecei a ficar desesperada toda vez que o via com o dedinho (na verdade, o dedão) na boca. Então, dá-lhe chupeta! Afinal de contas, não dá pra arrancar o dedo, não é?

Lembro-me que, quando ainda não sabia falar direito, ele a chamava carinhosamente de "bu-bu". Eu achava tão bonitinho... (coisa de filho caçula...).

Quando chegou a época de tirá-la, a tática de furar com agulha não funcionou. Cortei um pedaço com tesoura. Nada. Cortei outro. Nada também. Cortei até o talo, a borrachinha já quase não existia, e ele continuava com a chupeta na boca. Tentei todos os bichos, fiz todas as promessas de brinquedos e passeios. Nada. Fracasso total.

A decisão teve de ser radical: jogar fora e pronto. Deu trabalho. Muuuito trabalho. Foram muitos dias de choro antes de dormir. Outros tantos agitadíssimo, irritado, que eu quase voltei atrás na minha decisão. E, depois de dois meses, ele ainda pedia, na hora do sono: "Quelo chupeta..."

Isso já tem mais de dois anos. Mas dá pra acreditar que ele encontrou, lá no apartamento da minha mãe no Palavra da Vida, em Caldas Novas, uma chupeta dele? Ficou tão feliz que me perguntou se poderia usá-la de novo.

"Você é neném?", eu retruquei.
E ele: "Sou".
"Então pode usar".

Foi bom ter deixado. Ele dormiu todo satisfeito com a chupeta, que caiu da boca assim que ele pegou no sono, e depois nunca mais falou no assunto.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A confusão das letras

Eu sei, eles estão em fase de aprendizagem. Mas nem por isso a confusão que fazem é menos engraçada... Pra variar, as pérolas que seguirão abaixo são parte daquelas que eu vou anotando num papelzinho aqui, outro acolá, e que de vez em quando encontro no meio das minhas bagunças.

Certa vez (essa já tem um tempinho bom...), o Tomás foi com a escola assistir uma peça de teatro. Perguntei como foi e ele me respondeu: "Mãe, a gente não foi naqueles ônibus que levam as crianças para a escola (tradução: vans). A gente foi naquele que transformam adultos". Êta ônibus perigoso!! Não quero andar nele não!

De outra vez, o André viu um prego no chão e disse: "Olha só, um perigo!!". Tudo bem, não deixa de ser um perigo, mas ele queria mesmo era dizer um "prego".

E, pra terminar, de novo o André:

"Mãe, o Lucas me espetou."
"Como assim, filho, o Lucas te espetou com esse brinquedo? Por quê?"

"É, mãe, foi o Lucas que me espetou esse brinquedo".
"Te espetou? Mas onde foi?"

"Não!!!! Ele me espetou, mãe!!!"


O André começava a ficar nervoso. Mas eu não estava entendendo bulhufas do que ele queria me dizer. O Tomás, que presenciara a cena do André e do Lucas, veio ao meu
socorro: "Mãe, o Lucas deu esse brinquedo para o André".

Aaaahhh, agora sim: o Lucas em-pres-tou o brinquedo.

Definitivamente, preciso de um doutorado em linguística pra entender...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Era digital

O André, com apenas 3 anos, já tem fala de gente grande.
Vejam essa:

"Mãe, me ajuda a abrir o computador do Tomás?
Eu vou entrar um pouquinho na internet..."

Quem aguenta?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Eu quero uma mãe...

Como estamos às vésperas do dia das mães, me lembrei dessa história do André, que é simplesmente o máximo.

Um dia - de novo dentro do carro -, ele me fez a seguinte pergunta:
_ Mãe, eu posso dar um beijo na boca da mãe da Catarina?

Antes mesmo que eu pensasse qualquer coisa, o Tomás interrompeu:
_ Não, André, você não pode! Ela é casada!!!!!!!

Ufa! Ainda bem que ela é casada, hein? Se não, como eu iria escapar dessa? Mas, pra completar, ele ainda fez mais um comentário:

_ Ah, eu 'querio' dar um beijo na boca da mãe da Catarina... É que eu gosto tanto de mulher gordinha e nova.

Mais uns dias depois, e ele me vem com outra conversa:

_ Mãe, eu 'querio' tanto que você fosse igual à mãe da 'Nana' Luísa.
_ É, filho? E como é a mãe da Ana Luísa?
_ Ela é gordinha e nova! Eu gosto de mãe gordinha e nova.

Pensei (e apenas pensei, pra não ofender a criança): "Sinto muito, filho, mas você vai ter que se contentar com uma mãe nova, e isso só por enquanto. Não pretendo ser mais gordinha do que já sou."

Pronto. Sem mais conversas sobre mãe gordinha e nova (quer dizer, ele ainda repetiu essa história pra minha mãe, falando que gostava mais da vovó Vânia, porque ela é gordinha, e a vovó Delza, não).

Mas, como nada é perfeito e como a insatisfação é uma característica do ser humano, foi a vez de o Tomás reclamar do tipo de mãe que tem:

_ Mãe, eu queria que você fosse dentista.
_ Dentista? Por quê?
_ Porque aí a gente teria um pai médico e uma mãe dentista, e vocês poderiam olhar a gente.

Pensei (e - de novo! - apenas pensei, pra não ofender a criança): "E depois disso seria o quê? Uma mãe professora, pra dar aula; uma mãe engenheira, pra construir uma casa; uma mãe veterinária, pra cuidar do cachorro..."

Ai, como seria bom ouvir um "eu quero uma mãe... exatamente como você!"

Se você quer ser minha namorada...

O tempo que passamos no carro, nas idas e vindas de passeios e escolas, são momentos preciosos. É a hora que os meninos mais falam, contam novidades e - sobretudo - fazem as perguntas mais difíceis de serem respondidas (e olha que a gente nem passa tanto tempo assim no carro aqui em Goiânia...).

Ontem, foi a vez do Hugo tentar responder essa do Tomás:


_ Pai, como é que a gente faz pra arrumar uma namorada? É só sair aí... bonito... pela rua... que a gente encontra?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Quem é mais doido - a prova

Pra comprovar a minha teoria dos dois textos anteriores, publico esse vídeo, pra conhecimento geral da nação (o único vacilo é que também comprovo que me incluo na loucura alheia...).

quinta-feira, 25 de março de 2010

Quem é mais doido?


Como eu já disse no texto anterior, os meninos gostam do Hugo porque ele é doido. E não fui eu que dei essa definição. Mas é fato que muitas vezes eu o acho doido mesmo. E não estou sozinha nessa constatação: a minha mãe e a mãe dele também acham a mesma coisa, principalmente quando o veem brincando de jogar os meninos pra cima. É óbvio que eles adoram, mas quando os vemos praticamente voando no céu, dá até um arrepio na espinha imaginar a remota hipótese de ele não conseguir segurá-los na volta... É melhor nem imaginar.

Outra brincadeira doida que ele adora fazer é puxar os meninos num carrinho de pedalar (esse da foto acima). Ele puxa esse carrinho na maior velocidade na quadra da casa dos meus pais. A puxada "com emoção" inclui um "cavalo de pau" na curva. O carrinho quase capota. E o pior: na derrapagem, o medo que temos é que a corda se arrebente e os meninos caiam escada abaixo ou na piscina. É um risco possível.

Eu, meu pai e minha mãe, de camarote, assistíamos a cena. Os meninos quase passando mal de tanto achar bom, disputando quando seria a vez de cada um. A minha mãe, também quase passando mal - só que de medo de um acidente - gritava pedindo pra que ele parasse com a brincadeira e falava a todo instante como ele era doido.

O André, enquanto esperava a sua vez, observava tudo isso. Depois de uma derrapagem bem maluca, em que o carrinho chegou a levantar duas rodas, a minha mãe falando mais uma vez como ele era doido, o André fez o seguinte comentário, que ficou para a história:

"E depois ele fala que eu é que sou doido..."

terça-feira, 23 de março de 2010

Por que...


Já contei aqui que a brincadeira preferida dos meninos é... luta! E o lugar preferido para o ringue é... a minha cama! Pois bem. Lá estavam minhas três crianças - leia-se: Hugo, Tomás e André - brincando de luta em cima da minha cama. Não sei explicar bem a razão, mas eu também estava lá, quase caindo do meu cantinho, tentando ler um dos muitos livros que ficam no meu criado-mudo.

Entre uma queda e outra da luta, o Tomás soltou um suspiro e, com um sorriso no rosto e uma satisfação sem medida, disse: "Ah... eu gosto do papai porque ele é doido!..."

Parei minha leitura e fiquei observando aquela cena. Por mais que eu não aprecie muito esse tipo de brincadeira, preciso confessar: é uma alegria muito grande vê-los brincando assim, tão cúmplices um do outro, tão unidos.

Mas, vendo que eu o observava e acho que com medo de ser injusto, ele tentou contornar a situação e disse: "Eu tbém gosto muito de você, mãe. Você é legal!... Mas é que você não brinca desse jeito com a gente."

Tentei explicar (e me defender, lógico): "É que eu sou mocinha, filho. Eu não sei brincar dessas coisas. Mas eu faço outras..."

E ele, com seu jeito todo especial, completou: "É verdade. Você lê histórias".

É isso aí. Cada um com seu dom, né?

P.S. A foto é de uma das brincadeiras preferidas dos meninos: fazer "montinho" no Hugo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Bendita tapioca


Domingo à noite. Saímos da igreja e fomos à procura de algum lugar pra lanchar. O Hugo sugere uma "tapiocaria" muito boa que tem aqui em Goiânia. Um pedacinho do nordeste no centro-oeste brasileiro. O sertão invadindo o cerrado. Uma delícia!

"Quem quer comer tapiocaaa?"
, ele pergunta aos meninos.


"O que é tapioca?"
, pergunta o Tomás.


E logo vem a resposta, como sempre, pronta e direta do André: "Tapioca?!!?! Tapioca é quando a gente dá um tapa na cara do amigo".


Pensei comigo mesma: amigo? Só se for do "amigo" idiota, né?

sábado, 6 de março de 2010

Quem me ensina

Outra luta: a cadeirinha do carro e o cinto de segurança. O André já consegue colocá-lo sozinho - o que é uma beleza, porque eu não preciso dar a volta no carro e ir colocar o cinto pra ele, e a gente pode sair mais rápido de casa. Mas às vezes o tiro sai pela culatra. Querendo economizar tempo, eu acabo perdendo, porque nem sempre dá certo. Às vezes, o cinto enrola, a criança não consegue resolver o problema e, quando você vê, já está lá na avenida, no meio do maior trânsito e seu filho sem cinto...

Esse dia foi assim.

"Vai, filho, põe logo o cinto de segurança! A gente já 'tá na rua."
"Mas eu não consigo, mãe; ele 'tá todo bagunçado."


Recorro ao filho mais velho: "Tomás, ajude o seu irmão. Ensine pra ele como é que arruma o cinto."

O Tomás conversa com o André, eu presto atenção no trânsito e, pouco tempo depois, vejo que o André ainda não pôs o cinto: "André, você ainda 'tá sem cinto? Tomás, você não ensinou o André a arrumar o cinto, não?"

"Eu ensinei, mãe, mas ele não quer aprender."

O André, então, interrompeu, todo bravo: "Não é você que me ensina!! Quem me ensina é o papai! Ele já me ensinou a lavar o 'pipiu', a tirar a camisa, a lavar a mão... É ele que me ensina, viu? Não é você!"

E eu e o Tomás ficamos sem entender o motivo de tanta braveza...

P.S. Qualquer dia desses eu conto cada uma das etapas acima. Valem a pena.

sexta-feira, 5 de março de 2010

E agora, José?


Constatei na prática como é tênue a linha que separa as regras da boa educação das regras de segurança.

Na minha luta diária de educar filhos, lá fui eu rezar a cartilha para o André depois que uma pessoa numa loja o cumprimentou e ele nada respondeu, apesar de toda a minha insistência.

(Apenas um aparte: ô momentinho constrangedor, né? A pessoa fala 'oi', o seu filho fecha a cara e você fica com aquela cara de tacho: "vai, filho, responde; fala 'oi' pra moça..." E o menino, nada. A pessoa também insiste. E a criança, acho que de pirraça - só pode ser de pirraça! -, passa um zíper na boca. Você faz uma cara feia pra ela e, às vezes, funciona: finalmente, sai um 'oi' entre os dentes, bem baixinho e meio mal-educado. E, quando não funciona, cara de tacho 2, você ainda fica como aquela mãe que não sabe mesmo educar filhos).


No caso do dia, não funcionou. Então, depois de passar aquela vergonha básica, chega a hora do papo sério com seu filho:
"André, quando alguém fala 'oi' pra gente, a gente tem que responder e dizer 'oi' também."

E ele, mais que depressa na argumentação, me colocou na seguinte encruzilhada: "Mas você fala que eu não posso conversar com quem eu não conheço!"

Pois é. Cara de tacho 3. E agora, José?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Nem quente nem frio


O consenso das pessoas diz que as mães sempre sabem o que seus filhos querem. E as mães geralmente correspondem a essa crença comum e até mesmo se orgulham de serem as únicas capazes de entender - e atender - direitinho o desejo dos filhos. Afinal, muitas das vezes foram elas as responsáveis pelas manias deles.

Mas eu tento agir diferente. Nem sempre consigo, é claro, mas eu tento. Por exemplo, eu sempre evitei colocar manias nos meus filhos: não os acostumei a dormir no colo, não dei fraldinha nem bichinho de pelúcia para fazê-los dormir, preparava as mamadeiras com água em temperatura ambiente e fazia o mesmo com as papinhas da Nestlé. Tudo pensando em facilitar a minha vida e não ter que sofrer com uma criança que se recusa a dormir só porque a mãe esqueceu o "mimi" em casa.

Infelizmente, eu não fui a única a cuidar dos meus filhos. E todo meu esforço foi embora numa só tarde. O Tomás nunca mais quis leite em temperatura ambiente depois que esquentaram a mamadeira dele no berçário. Tá bom, eu sei que é mais gostoso... Justamente por isso me rendi e hoje esquento por 30 segundos o leite do Tomás e do André no micro-ondas.

Mas eles sempre inventam uma nova moda.

O Tomás, por exemplo, só gostava do leite que a Edineuda fazia. E eu ficava revoltada com isso porque quem a ensinou a fazer fui eu!!! Às vezes, ela pegava o leite que eu tinha feito e dava pra ele. E ele, achando que ela é que tinha preparado o leite, bebia tudinho. No fim de semana, ele perguntava pra mim: "Você fez igual ao da Edineuda?" Simplesmente revoltante. Mas o fato era tão grave que, quando ela foi embora lá de casa, ele nunca mais quis leite puro. Eu tive que misturar com toddy pra ele poder aceitar de novo.

E, quando eu já estava pensando que estava livre de problemas com leite, o André me saiu com essa, que eu preciso transcrever:

_ Mãe, eu não quero esse leite. Esse leite 'tá ruim.
_ Não 'tá ruim não, filho. 'Tá bom. Pode tomar.
_ Não, mãe, eu quero leite quentinho.
_ Mas, filho, ele já 'tá quentinho. Eu esquentei no micro-ondas.
_ Não 'tá não, mãe. Ele 'tá frio. Eu quero leite quentinho, mas um pouco frio. Sabe como é? É igual ao frio, só que quente.


Ai, ai... No meu caso, acho que nem as mães conseguem entender o desejo dos filhos.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Outra do português

Depois do “cadê-la”, tinha tempo que os meninos não inventavam uma nova forma gramatical. Essa agora foi do André, que inventou uma nova conjugação do verbo fazer.

Estávamos em Fortaleza. Tarde de passeio no mercado central, na feirinha da Av. Beira Mar e na sorveteria de 50 sabores. Trânsito na volta para o nosso hotel. Começamos a inventar histórias para distrair os meninos. O que eles iriam fazer mais tarde? Um belo castelo de areia? Como seria? Cada um começou a falar. O André contou uma história comprida, toda enrolada... Só me lembro que terminava assim:

E aí todo mundo vai dizer: ‘Nossa, que bonito que eles ‘feram’!”

Feram??!? Uma mistura de foram com fizeram? Ah, esses verbos irregulares... já derrubaram, e ainda derrubam, muita gente boa.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Meu irmão, meu herói

Sempre achei que acontecesse assim e considerava que era uma coisa normal: os filhos quererem ser iguais aos pais. A máxima "meu pai, meu herói". Mas com o segundo filho acho que acontece diferente... A figura mais admirada é o irmão mais velho. O pai? Acho que, no máximo, ele consegue um empate vai...

O André não foge à regra. Ele praticamente idolatra o Tomás. Imita-o em tudo: nas brincadeiras (de carrinhos e lutas, fazendo inclusive as mesmas onomatopeias), no jeito de falar, na preferência dos desenhos animados. Ele fica reparando até os gestos do Tomás para fazer tudo exatamente igual.

Dia desses, estávamos jantando e o Tomás quis pegar uma colher que estava no alto do armário. Fez o maior esforço, se esticou o máximo que podia, ficou na pontinha da ponta dos pés e... conseguiu! O André, que a tudo observava de longe, quase sem piscar, falou admirado: "Tomás, você é grande!"

Outra vez (essa tem mais tempo), no elevador, ele também expressou a mesma admiração ao ver o Tomás apertar o botão do nosso andar. E, hoje, ele fica todo feliz por conseguir realizar a mesma façanha: se estica o tanto que pode, fica na ponta dos pés e, com o dedo indicador, consegue apertar, bem na beiradinha, o botão do nosso andar, o 7º.

Ah, e eu não poderia deixar de mencionar a música que ele criou para o Tomás: "Eu gosto do meu irmão". Durante muito tempo, ela ficou em primeiro lugar nas paradas de sucesso lá de casa. Ele a cantava sempre e achava o máximo eu reproduzi-la no celular para as outras pessoas. Confiram, na íntegra, o "hit":

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ida pra fazenda 2

E lá foram eles de novo hoje. Home alone again. Ainda não consigo me acostumar com essa ideia de que não tenho mais filhos que dependem de cuidados exclusivamente maternos. É uma triste constatação.

Estava trocando de roupa no André e comecei a dizer que eu ficaria com muita saudade dele. Ele me respondeu, todo carinhoso: "Eu também, mãe!"

Sei que não é certo, mas não resisti à chantagem emocional: "Então, fica aqui comigo!..."

E ele respondeu, bem simples e direto, sem pensar: "Tá bom".

Levei um susto. Não imaginava que a minha chantagem fosse funcionar.

"Tá bom? Você prefere ficar aqui com a mamãe a ir para a fazenda?"
"É." - a resposta continuava simples.
"Então tá certo. Você fica aqui comigo!"

Mas foi só o Hugo dizer que já estava indo embora pra ele se esquecer do prometido e sair correndo. Sabiamente, não repeti a proposta pra não ficar muito desmoralizada... Afinal, a disputa é injusta (e a proposta também!).

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Idade de Cristo

Ontem, foi meu aniversário. 33 anos. Trinta e três anos! 33 anos... 

Vontade de que ninguém, ninguém mesmo - nem minha mãe! - se lembrasse disso... de passar em brancas nuvens...

E,
pela primeira vez, comemoraram meu aniversário no meu trabalho - com festa para o andar inteiro! Eu, de extrovertida que sou, passei para uma pessoa que não sabia pra onde olhar nem se batia palmas com a galera ou se punha a mão na cintura...

Vontade de sumir e comemorar apenas com meu núcleo familiar primário (ou de nem ao menos comemorar...).


Vontade que foi desaparecendo no decorrer do dia... Primeiro, quando recebi o telefonema da Maira, falando que tinha orado por mim logo cedo. Me emocionei.
E, depois, ao chegar em casa no fim do dia.

Sem chave, toquei a campainha. O André veio correndo. "Oi mãe!!" - foi o grito todo feliz que ouvi. "A gente 'tá escrevendo um cartão pra você. Um cartão de aniversário!"

E eu, com vontade de entrar logo em casa, disse: "É? Que legal! Então, abre a porta pra mim.
"

"Não posso, mãe, a gente ainda não terminou. A gente 'tá escrevendo que você é a nossa princesa, e linda, e que a gente gosta muito de você!"


Podem dizer o que quiserem, mas, sinceramente, eu não precisava de mais nada... Já ganhei meus melhores presentes de aniversário: Hugo, Tomás e André.


Amo vocês!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Clube do bolinha


O Hugo vai a fazenda pelo menos uma vez por mês. Geralmente, ele vai às sextas-feiras, porque aproveita a ida e também atende pacientes em Jussara. Quase sempre, eu não posso ir, o que acaba impedindo que os meninos o acompanhem.

Às vezes, quando a mãe do Hugo vai junto, o Tomás também vai. Mas já tem um tempo que, mesmo quando a D. Vânia não vai, o Tomás vai sozinho com o Hugo. O André, contudo, nunca vai - só quando eu também vou.


No começo, ele aceitava numa boa, principalmente porque o Hugo lhe incumbia uma importante missão: cuidar da mamãe. Ele se sentia muito importante e explicava pra todo mundo que ele não tinha ido à fazenda para cuidar de mim, sua pobre e indefesa mãe.

Mas o tempo foi passando e acho que ele percebeu que eu não precisava de tantos cuidados assim. E começou a demonstrar um certo inconformismo por não acompanhar os demais homens da casa nessa verdadeira aventura de ir à fazenda sozinhos. Isso aconteceu em dezembro do ano passado (2009).

Tristinho, meio cabisbaixo e todo humilde, ele foi perguntar ao Hugo por que não poderia ir à fazenda com ele e com o Tomás. E, então, iniciou a descrição de tudo que ele gostaria de fazer por lá: andar a cavalo, tomar banho na bica... "Eu querio tanto, papai...."

O Hugo ouviu em silêncio. Pensou. Refletiu. Decidiu. E não resistiu. Em seguida, me comunicou:
"Vou levar o André comigo para a fazenda".

E a pergunta que não quer calar: quem é mais doido - o pai que leva ou a mãe que deixa ir?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Hora de oração

Nós prometemos no batizado: orar pelos filhos e com os filhos, ler a Bíblia com eles, ensiná-los a fazer essas coisas sozinhos. Procuramos fazer isso não apenas porque nos comprometemos, mas porque acreditamos nessas verdades. Mas confesso que, muitas vezes, falta um pouco de fé e, no fundo, achamos que essas coisas não terão resultado (talvez porque, de fato, elas não sejam determinantes - é tudo dom gratuito de Deus, e não fruto das nossas obras...).

Essa história é mais uma que aconteceu em dezembro do ano passado, lá no Palavra da Vida, mas que eu ainda não tivera tempo de contar.

Eu entrei no quarto e flagrei a cena: o Tomás deitado, olhos num fechar apertado, dedos entrelaçados... Ele estava orando! Observei com carinho, com uma felicidade sem fim, pensando em como Deus é fiel e gracioso.

E não resisti: quando ele acabou a oração e abriu os olhos, mais que depressa perguntei o que ele falava, tão enternecido, com Deus. Mas oração é conversa íntima, dona Eleonora! E ele simplesmente não me respondeu...