quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Goiaba no pé


Esses dias, lendo um texto da Danuza Leão ("Quintal"), me peguei pensando que meus filhos nunca subiram em árvore e muito menos comeram fruta direto do pé. Eles vão para a fazenda da minha sogra, têm contato com a natureza e com bichos, tomam banho de bica (delícia!), correm atrás das galinhas no quintal, balançam no toco dependurado no galho da árvore. O Tomás já anda a cavalo sozinho e o André já se aventurou uma vez dentro do curral. Mas eles nunca subiram numa árvore. 

Eu, apesar da minha vida urbana e de nunca ter passado férias na fazenda (ia para a fazenda do meu tio Dalton apenas aos fins de semana), sempre subi em árvore e já comi muuuita goiaba direto do pé. Tudo isso graças ao quintal da casa dos meus queridos avós: João e Rodes. E como são boas essas lembranças! 

O quintal não era de terra batida nem tinha um galinheiro ao fundo. Ele era calçado. Mas isso, para uma menina urbana, não tinha a menor importância. Tinha dois pés de goiaba, um limoeiro, um pé de romã e outras plantas. No canto, tinha um canil, onde ficava uma cadela da raça pastor alemão - a Ventania. Lá era o único lugar onde não íamos. A Ventania, como o próprio nome já sugere, era muito agitada. Tínhamos medo. Do outro lado, uma espécie de alpendre, onde brincávamos de escolinha (com quadro negro, giz, mesa de professora e até tarefinhas - tudo patrocinado pelo meu avô).

Passávamos boa parte do dia em cima das goiabeiras - de goiabas vermelhas, ressalte-se (porque goiaba branca é muito sem-graça e, pra piorar, ainda esconde o bicho-de-goiaba). As mais bonitas a gente comia lá mesmo. As demais iam direto para uma bacia, que entregávamos pra minha avó fazer doce. Huummm... e como o doce de goiaba que a minha avó fazia era gostoso!! Vermelho vivo, com uma caldinha muito boa. Pra completar, só um pouquinho de creme de leite. Deu vontade... e saudade!

Tinha uma goiabeira que ficava no canto do quintal e os seus galhos passavam por cima do telhado de telhas "eternit" (aquelas que deixam a casa bem fresquinha...). Essa era a preferida, pois podíamos pegar as melhores goiabas, as da pontinha do galho, que ficavam bem acessíveis com a gente andando pelo telhado. Confesso que eu me sentia o próprio Chico Bento acabando com as goiabeiras do Nhô Lau.

Sabem de uma coisa? Me dei conta de que preciso urgentemente arrumar uma goiabeira para os meninos subirem e comerem goiaba no pé. Não só pela aventura, mas também porque goiaba da feira não tem o mesmo gosto.

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