Os meninos torciam para o São Paulo e para o Goiás, os mesmos times do Hugo. Peraí. Torciam? Isso mesmo: torciam. Pra tristeza do Hugo, os dois mudaram de time.
Primeiro foi o André. E a mudança aconteceu bem no aniversário de 6 anos do Tomás. O tema foi futebol, com destaque, lógico, para os times do São Paulo e do Goiás. Mas tinha lugar para os outros times e bandeiras do Flamengo, Vila Nova, Corínthians e Atlético Goianiense também faziam parte da decoração.
O André não tinha nenhuma camiseta de time pra usar. E meu pai aproveitou a ocasião e deu a ele uma camiseta do Atlético. Foi paixão à primeira vista. Ele passou, naquele instante, a ser também torcedor fanático do "Aquético", daqueles que conseguem assistir uma partida inteira pela televisão (acho que, pra criança, é algo um tanto quanto difícil).
O próximo a renegar o time do coração (do pai) foi o Tomás. Influenciado pelo tio Aurélio e, óbvio, pelo Davi, ele agora é torcedor do Flamengo, com direito a uniforme completo, toalha de banho temática e cantoria do hino.
O Hugo, coitado, tentou em vão ensinar o hino do São Paulo pra eles, mas é fato que o do Flamengo é bem mais fácil e empolgante.
"Uma vez Flamengo, sempre Flamengo...
Flamengo sempre eu hei de ser. O meu maior prazer é vê-lo brilhar, seja na terra, seja no mar.
Vencer, vencer, vencer. Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!"
"Salve o Tricolor Paulista, grande clube brasileiro.
Tu és grande, tu és forte! Entre os grandes, és o primeiro.
Ó Tricolor, time bem amado! As tuas glórias vêm do passado!!"
Depois disso, o Hugo ainda amargou a tristeza de ver o André também virando a casaca e indo torcer para o Flamengo, mesmo com o São Paulo sendo campeão. E de nada adiantou a argumentação de que o São Paulo era muito melhor que o Flamengo:
_ Não, pai, o Lucas disse pra mim que o Flamengo é muito melhor que o São Paulo.
_ Mas você tem que acreditar é no papai, e não no Lucas. Você acha que o Lucas sabe mais do que o papai?
_ Acho.
Sem mais comentários.

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