terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Querida Vó Rodes

Querida Vó Rodes,

Ontem fiquei pensando em vários momentos meus em sua companhia. E, em meio a tantas lembranças, me veio à mente as muitas vezes em que nos sentávamos juntas e gastávamos um bom tempo folheando o hinário da igreja, marcando os hinos que conhecíamos e cantando os preferidos.
 
Lembrei-me, então, de um hino que a senhora sempre gostou: “Conta as muitas bênçãos”, que diz assim, em sua primeira estrofe: “Se da vida as vagas procelosas são, se com desalento julgas tudo vão, conta as muitas bênçãos, dize-as de uma vez, e verás, surpreso, quanto Deus já fez.”

Comecei a contar as muitas bênçãos, consciente de que Deus muito fez nas nossas vidas por meio da vida da senhora.

Em primeiro lugar, eu queria dizer que por causa da senhora e do Vô João eu tive a melhor infância que uma criança pode sonhar em ter; que a senhora faz parte não só das melhores lembranças da minha infância, mas de quase todas elas; que a casa da senhora era a verdadeira 'casa de vó', dessas dos gibis e dos filmes de sessão da tarde, onde os netos literalmente deitam e rolam... 
 
São tantas lembranças de bagunças que a gente fazia por lá... O batizado das minhas bonecas e das bonecas da Camila e da Renata; os desfiles de moda com as roupas da Tuta e seus robes e camisolas; a cabana com lençóis e sofás virados na sala de visitas (o mesmo conjunto de sofá que, inacreditavelmente, sobrevive até hoje na sua sala); a nossa escolinha no seu quintal, com direito a quadro negro, diário de classe, hora do recreio e lanche (lógico!); o nosso salão de beleza com a sua penteadeira; as goiabeiras do quintal – que praticamente merecem um capítulo à parte – e os deliciosos doces de goiaba que a senhora fazia.

Ah, e se for falar de comida, aí a coisa aperta de vez... Pra começar, o meu doce preferido é a sua especialidade – a ambrosia! E tem também o biscoito de queijo, as roscas, o biscoito “Santa Clara”, o bolo salgado (esse a senhora deixou de fazer depois que eu tive alergia a presunto), o arroz “Maria Isabel” e o arroz com linguiça. Tanta coisa boa!...

E também foi a senhora quem despertou em mim o gosto pelas línguas, sendo a minha primeira “prof” de francês.

Mas as minhas lembranças não se resumem a bagunças e comidas, momentos agradáveis de comunhão ao seu lado. O mais importante de tudo que eu me lembro da senhora é a sua fé, passada de geração em geração. Das manhãs de domingo que a gente ia à Igreja todos juntos, com a nossa melhor roupa, como a senhora mesma dizia, “com roupa de ver Deus”. 
 
Lembro, como já disse acima, dos seus hinos preferidos, que são vários... “Grandioso és Tu” (Canta minh'alma, então, a ti, Senhor: grandioso és tu, grandioso és tu!...), “Um hino ao Senhor” (As grutas, as rochas imensas, dos mundos o grande esplendor, proclama bem alto, constantes, um hino ao teu nome, Senhor!...), “Ações de Graças” (Graças dou por esta vida, pelo bem que revelou; graças dou pelo futuro e por tudo que passou...), “União com Deus” (Mais perto quero estar, meu Deus, de ti, 'inda que seja a dor que me una a ti!...), “Chuvas de bênçãos” (Chuvas de bênçãos teremos pelas promessas de Deus; tempos benditos trazendo chuvas de bênçãos dos céus...), “Firme nas Promessas” (Firme nas promessas do meu Salvador, cantarei louvores ao meu Criador!...). Gostaria de ainda cantar algum deles com a senhora...

Seus hinos preferidos, vó, falam muito da sua fé: da sua gratidão a Deus por tudo que Ele é e por tudo que Ele fez e faz por nós; da sua consciência de que Ele é soberano sobre todas as coisas; da sua confiança nas promessas de Deus; da sua esperança de que é Ele quem nos dá paz e consolo sem medida; e, sobretudo, da sua certeza de que é Ele quem nos perdoa dos nossos pecados e nos dá a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador.

Vó, por tudo isso, eu queria mais uma vez que a senhora soubesse o quanto eu a amo e o quanto a senhora é importante na minha vida.

Na certeza de que a senhora estará livre de todo sofrimento em Cristo Jesus e de que logo se alegrará perto de Deus (como diz um de seus hinos preferidos),

com amor,
de sua neta, Lelê

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

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Começo meu texto com reticências porque, na verdade, não sei como começar. As reticências representam a minha incapacidade de traduzir em palavras como estou me sentindo.
Ontem, tive insônia. Acordei às quatro e pouco da manhã e simplesmente não consegui dormir mais. Isso não acontece comigo com frequência. Mas estava calor, eu estava com sede... Me levantei pra beber água e não peguei mais no sono. Depois de revirar mil vezes na cama, peguei meu celular e decidi ir para a sala. Fui ler os textos de uma colunista da Revista Época. Alguém compartilhara um texto dela no Facebook, que eu achei muito interessante e bem de acordo com muita coisa que também penso. Vi os títulos de outros textos e, na hora, fiquei curiosa por ler mais - o que não fiz por falta de tempo. Na minha madrugada insone, foi a primeira coisa que me veio à mente.
O título do texto era "Alternativas ao castigo e à recompensa para lidar com seus filhos". Subtítulo: "Os princípios para quem quer priorizar uma relação autêntica com as crianças."
Lá pelas tantas, a autora comenta de uma estratégia que desenvolveu para não descontar nas filhas seu mau-humor e toda sua impaciência. Ela diz que pensa estar lidando com as filhas da vizinha, que a observa escondida.
Pensei em como trato meus filhos no dia a dia. Pensei em como trato pessoas desconhecidas. Pensei em como trato meus colegas de trabalho. E destampei a chorar. E chorar e chorar aos soluços...

Senhor, perdoa-me, ó Pai, porque não tenho dado o melhor de mim para os meus filhos. Perdoa-me por usar desculpas esfarrapadas e culpar a tudo e a todos pelo meu mau-humor. Faz-me ser responsável por meus próprios atos e a reconhecer em que tenho desagradado a Ti. E mais, Senhor, ajuda-me a não ser mais assim... Ajuda-me a ter um coração grato e disposto a te servir em todas as coisas, a começar no meu próprio lar. Em nome de Jesus, amém!