Era um dia como outro qualquer: casa, trabalho, trabalho, casa. Em casa, a rotina de sempre: fazer alguma coisa pra comer, tomar banho, arrumar as coisas para o dia seguinte e ir dormir. Os meninos já estavam no quarto deles, preparando-se para dormir, e eu fazia alguma coisa pela casa, passando pelo corredor (e em frente ao quarto dos meninos) e indo para o meu quarto.
Antes, no carro, voltando da escola, o André disse que queria me contar uma coisa, mas que não iria fazê-lo, pois já sabia o que eu iria dizer. Insisti com ele e ele acabou falando, tudo de uma vez: "É que eu gosto da Maria Clara. Mas eu sei que você vai falar que meu tempo agora é de brincar, e não de namorar."
É isso mesmo. Não escrevi errado. Não estou trocando o nome dos meus
filhos. O autor da frase acima foi o André, meu filho mais novo, de
apenas 6 anos! Eu já me espantaria o suficiente com a situação se fosse
o Tomás falando; afinal, ele também é uma criança, só um pouco mais
velha, de 9 anos.
E o pior: não era a primeira vez que o assunto de gostar de garotas, namorar etc., já havia sido abordado aqui em casa. Na época a fala foi dirigida para o Tomás, mas eu falei exatamente o que o André repetiu: que na Bíblia tem um versículo que diz que "tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu." (Eclesiastes 3:01). Expliquei que eles são crianças e que o tempo deles agora é apenas para brincar e estudar. Só. Amizade sim, namoro não.
Voltando à cena anterior... Passava eu pelo corredor, bem em frente ao quarto dos meninos... Foi quando ouvi uma conversa que me fez parar no meio do caminho.
Primeiro, um suspiro profundo, desses feitos com vontade. Eu até imaginei a cena: a pessoa enche o peito de ar, elevando os ombros e solta de uma vez. A seguir, uma declaração:"Ah, Tomás, você nem imagina como é bom estar apaixonado!..."
Quis interromper a conversa e repetir meu discurso, mas segurei meu impulso pra ouvir um pouco mais (não pude resistir!).
O Tomás achou graça e, depois, fazendo a conversa ficar séria, perguntou: "André, mas você sabe se ela é cristã?"
Nessa hora, me deu ainda mais vontade de continuar ouvindo. Como eu achei interessante a pergunta do Tomás, já entendendo a questão do jugo desigual!
O André então respondeu: "Eu acho que é sim." "E como você sabe?", retrucou o Tomás.
"Porque, quando eu dei aquele livrinho sobre Jesus pra todo mundo da minha sala, ela disse que já tinha. Então, ela deve ser cristã, porque ela sabe a história de Jesus."
O Tomás continuou: "É... Mas não basta saber a história de Jesus, você precisa saber se ela é cristã de verdade."
Pronto. Não precisei ouvir mais nada e pude continuar o meu caminho tranquila e muito feliz!! Que Deus conserve meus filhos no caminho da Sua Palavra e lhes conceda uma esposa segundo o mesmo padrão!!