terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Eu já sei ler

Semana passada participei do meu primeiro grande evento como mãe: a formatura da pré-alfabetização do Tomás, ou melhor, a formatura do 1º ano - a "festa da descoberta da leitura e da escrita".

Realmente, é muito gratificante participar desse acontecimento na vida do seu filho. E confesso que me senti bem importante: a mãe do grande astro da noite. Uau!... Mas as emoções são contraditórias. Um misto de orgulho e espanto. Alegria e reflexão.

Meu filho está crescendo. Constatação óbvia e ridícula. Mas não é só que ele está crescendo: ele já sabe ler e escrever, já tem acesso ao mundo. Um belo dia, você para no sinal e ele lê no carro ao lado: "ta-xi". E ainda que tenha saído igual a "a-ba-ca-xi", você quase morre de tanto achar lindo.

Não vai demorar pra eu participar de outras formaturas. Isso não é só muito gratificante. Na verdade, isso é muito assustador...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

As ondas

Mais uma do André.

A primeira vez que o André foi à praia foi no ano passado, para Maragogi-AL. Uma praia cercada por recifes, com um mar praticamente sem ondas. Uma grande lagoa rasinha. Vencida a barreira da areia, que teimava em grudar no pé dele e entrar no chinelo ou no crocs, ele achou o máximo.

A cena acima - clássica! - registrou com propriedade a grande descoberta.

Esse ano, fomos para Fortaleza. Mar agitado. Ondas. Muitas ondas. E o André não achou nenhuma graça no mar. Não quis entrar nenhuma vez. Teve medo, coitado.

E a cena que eu não consegui clicar (inclusive porque ele não ousou repeti-la), mas que ficará registrada para sempre na minha mente foi a dele correndo desesperado da onda, fugindo para que ela não lhe lambesse os pés...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O "bifinho"


Quem não se lembra daquela propaganda antiiiiiiga do danoninho? Sim... "aquela" da única música que todo mundo sabe tocar no piano, o "bife". Exemplo de jingle que fez muito sucesso. Pode perguntar pra qualquer um na faixa dos 30 anos. Os que ainda não estão sendo perseguidos por aquele alemão, o Alzheimer, certamente se lembrarão.

"Me dá, me dá, me dá, me dá danoninho, danoninho já. Me dá danoninho, danoninho dá, cálcio e vitamina pra gente brincar. Me dá!
Lipídios, glicídios, protídeos, cálcio, ferro, fósforo, vitamina A. Me dá mais saúde, mais inteligência, me dá danoninho, danoninho já! Me dá!!"


A música pode não fazer tanto sucesso hoje, mas o danoninho.... nenhuma diferença! Continua sendo o preferido da criançada.

Lembro-me até hoje do que o Tomás disse, quando tinha por volta de 1 ano e meio. O Hugo acabara de chegar da fazenda e estava com ele no colo. Eu perguntei se o Hugo estava com fome, se queria comer alguma coisa. O Tomás, então, todo atencioso, segurou no queixo dele e também perguntou: "Quer noninho, papai?"

Com certeza, ele estava oferecendo o melhor que ele podia para o Hugo.

O André, como não podia ser diferente, também adora o tal iogurte que - dizem - vale por um bifinho. Se deixarmos, ele come 4 de uma só vez. Quase a bandejinha inteira! Dá um prejuízo...

Já o Lucas, meu sobrinho, também gosta, mas só do danoninho "branco" - uma versão que não existia na minha época: é o danoninho de banana, e não de morango.

E, agora, a mais nova invenção: o danoninho potão - a alegria do André, que não precisa mais comer 4 potinhos para satisfazer sua vontade.

É... o tempo passa, o tempo voa... mas a poupança Bamerindus continua numa boa!...

sábado, 28 de novembro de 2009

Boas maneiras

Uma das coisas mais difíceis na criação de filhos – e também das mais importantes - é ensinar boas maneiras. Saber tratar bem as pessoas, ser cortês e equilibrado no convívio social abre as portas para o mundo e é a essência de todo bom relacionamento (seja familiar, conjugal, profissional ou qualquer outro). Sem falar que está inserido em uma das bases do cristianismo: "Amar ao próximo como a si mesmo", ou seja, tratar as pessoas do mesmo jeito que você gostaria que lhe tratassem.

É por isso, acredito eu, que a maioria dos pais vive repetindo aos filhos: “peça por favor”, “agradeça”, “peça desculpas”, “o certo é dizer ‘com licença’, e não ‘sai da frente’”, “cumprimente o nosso vizinho”... e por aí vai.

Dia desses, o Hugo repetiu uma dessas frases ao André. Não me lembro exatamente o que era, mas sei que o Hugo deu alguma coisa a ele e ele não agradeceu.

O Hugo foi logo perguntando: Como é que se fala, André?”

O André fingiu que não ouviu e foi caminhando pra longe.

O Hugo repetiu a pergunta: Como é que se fala, André? ‘Obrigado’, não é?”

Ele, então, agradeceu. Só que dessa vez foi o Hugo que se esqueceu de dizer “de nada”. O André não deixou por menos. Na mesma hora lascou a pergunta: Como é que se fala, papai?”

O Hugo não entendeu o que ele queria dizer e achou que estava apenas repetindo a pergunta. Então disse: “Obrigado!”

Ele insistiu: “Não, papai. Como é que fala? ‘De nada’, né?!”

É isso aí. Vamos ensinando e aprendendo...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

De madrugada

Vira e mexe eu acordo à noite com um grito. Às vezes, vários. São seguidos de palavras e frases desconexas. Corro ao quarto dos meninos para acudir e, geralmente, os encontro dormindo, um sono agitado. Passo a mão na cabeça deles, dou um abraço e tento acalmá-los, dizendo ao pé do ouvido que a mamãe está ali pertinho e pedindo a Deus que os proteja de todo o mal, inclusive dos pesadelos - que, por sua vez, passam logo, com ou sem minha presença.

Ainda assim, é frustrante não poder impedir os pesadelos dos filhos...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O "algo" do "basilelão"

Já deve ter mais de dois meses que o Tomás e o Davi não falam em outra coisa: completar o álbum de figurinhas do Campeonato Brasileiro de Futebol. Mil figurinhas repetidas, troca-troca com os colegas da escola e consequências típicas - ele agora quer saber TUDO sobre futebol e sobre o campeonato brasileiro e aperta o Hugo com perguntas do tipo: "Pai, qual é o time que está em último lugar na primeira divisão?" Sem falar que quer trocar o São Paulo pelo Flamengo (mas é o São Paulo que ainda está em primeiro lugar no campeonato). Influências do tio Aurélio...

Para não deixar o André enciumado, o Hugo também comprou um álbum de figurinhas pra ele, o do Charlie e Lola, que ele pensou ser mais adequado à idade. O meu pai, com a mesma boa vontade, comprou o álbum do Pica-pau pra ele e para o Lucas - além de gastar uma nota em figurinhas pra cada um dos netos aos fins de semana (esses álbuns acabam saindo mais caros que um brinquedo).

Mas não adiantou muito. O André não queria saber dos álbuns dele e atrapalhava os meninos o tempo todo, roubando as figurinhas repetidas, amassando-as e jogando-as no lixo... Vocês devem imaginar a balbúrdia que se seguia a esses episódios. Até que um belo dia, observando o Tomás folhear e folhear seu álbum, decorando o nome de todos os times e jogadores, ele expressou o que a gente estava demorando a entender:

"Pai, você me dá um 'algo' do 'basilelão'?"

Pronto. Confusão resolvida. Agora, são dois os interessados pelos resultados dos jogos aqui em casa - tudo bem que o André vai totalmente "de tabela". Mas tem uma coisa que ele é bem firme: ele é torcedor do "Aquético" (leia-se "Atlético Goianiense") - influência do vovô Edésio, que até deu uma camiseta do time pra ele.

E quase dá pra abrir uma sociedade com o dono da banca de revistas...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tarefa de casa


Gostaria de saber quem inventou a tarefa de casa. Dizem que foi ideia dos próprios pais. Queriam deixar as crianças "ocupadas" e acompanhar o que os filhos aprendiam na escola. Que tiro no pé! Hoje, quem fica ocupado para ensinar as tais tarefas somos exatamente nós, os pais.

Até o ano passado, as tarefas eram tudo de bom e eu me gabava de não ter que acompanhar o Tomás nisso. Eu nem ao menos tinha que mandá-lo fazer as tarefas, ele mesmo já pegava a mochila, fazia tudo direitinho e guardava. Mas aí veio o "primeiro ano" (antigo pré-alfabetização) e as tais tarefas de "redação e português". As de matemática, ele continua tirando de letra, faz rapidinho e já vai logo brincar. Mas as outras... que dificuldade!

O problema todo, acredito eu (como uma boa mãe coruja que faz de tudo para defender seus filhotes), é que a criatividade é demais. É sério. Acho que li muitos livros pra ele e agora ele fica em dúvida com tantas possibilidades de se contar uma história. (Ai, ai... é mesmo impressionante a capacidade que uma mãe tem pra contar vantagem dos seus filhos...)

Esses dias, na minha luta de todas as manhãs, a tarefa era contar uma história a partir de uma figura. Ele não sabia como começar. Pedi a ele que me falasse o que ele estava vendo na figura. Ele respondeu, bem simples: "A menina está regando o jardim e aí o menino vem e dá um susto nela". "Isso! Agora, escreva o que você me contou", eu disse.

Não satisfeito, ele me perguntou: "Mãe, mas como eu começo?" "Filho, começa do jeito que você me disse". "Mas como eu falo: 'Era uma vez uma menina...' ou 'Um dia, a menina...' ou 'A menina...'?"

Santa paciência! Respiro fundo e respondo, tentando manter a calma: "Tomás, a história é sua. Você pode escolher qualquer um desses, assim como você escolhe se vai pintar de azul, vermelho ou amarelo".

Finalmente, ele começou: "Um dia, a menina estava regando o jardim".

Pausa para nova pergunta: "Mãe, e agora?" "Bom, agora continua. O que aconteceu depois disso?" "Mas, mãe, eu não sei como escrevo..." "Filho, você já me contou a história. Agora, é só passar para o papel do jeitinho que você me contou". "Mas, mãe, eu ponho o quê? O menino que assusta a menina é o irmão, o primo ou o vizinho?"

Ah! Foi bom ter respirado fundo duas vezes antes de responder...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O bocejo


Criança tem mesmo cada uma... A definição de bocejo dada pelo André foi o máximo. Confiram:
"Mãe, eu vou dormir. Olha só:
meu sono já 'tá saindo pela boca!"

Realmente, o bocejo é um bom indicativo de que está passando da hora de dormir... Estou precisando fazer o mesmo, antes que todo meu sono saia pela boca e não queira voltar.
Boa noite!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pequeno ou grande?

Como diz uma música do Palavra Cantada, que eu mencionei aqui uma vez, "toda criança quer crescer, toda criança quer ser um adulto..." E esse desejo intenso vai passando por várias etapas. No caso do André, por exemplo, ele primeiro quer ser igual ao Tomás. O alvo seguinte dele é, lógico, o Hugo.

Dia desses, ele estava lavando as mãos para jantar (e ele já consegue fazer isso direitinho. Ensinado pelo pai, é quase uma preparação cirúrgica: lava a palma das mãos, entre os dedos e depois em cima e até os pulsos).

Vendo que eu o observava, ele me disse:

"Mãe, eu já sou um menino grande!"
"É, filho, você já é um menino muito grande!!"

Mas, em seguida, uma constatação um pouco triste:
"Mas eu ainda sou pequeno, mãe..."

Pois é. Um menino grande, mas que ainda é pequeno... Ainda bem!!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O aniversário de 3 anos


Fiquei sabendo por uma amiga da minha cunhada que, para os japoneses, o primeiro aniversário de importância de uma criança é o de 3 anos. Por lá, não se faz festa antes disso, mas apenas uma reunião familiar, bem íntima: pais, avós e tios, acredito eu (o que, ao menos pra mim, já seria uma festinha considerável; só o meu círculo "íntimo" reúne quase 25 pessoas - isso contando apenas a família, né? E como ficam os meus amigos, que acompanham a cada dia o crescimento dos meus filhos? Difícil escolher...).

Mas, com a minha vasta experiência de 2 filhos, posso dizer que os japoneses são mesmo um povo sábio. A festa do aniversário de 3 anos é a primeira festa que a criança realmente curte. Desde a escolha do tema até a capacidade de ficar acordado por mais tempo, a criança participa de tudo. Já sabe dizer quem quer convidar, aproveita as brincadeiras, faz comparações com outras festas... enfim, entende tudo que está acontecendo! O aniversário de 1 ano é para os pais; o de 2, é a transição; e, no de 3, eles vão pra galera...

No do Tomás foi assim. Ele escolheu o tema: o filme "Carros". O "Relâmpago MacQueen" era o seu maior ídolo. Afinal, como vocês já sabem, o meu pequeno Forrest Gump adora correr, seja de carro, de bicicleta, a pé, no futebol. O negócio dele é esse. Então, em sua primeira escolha, não servia nenhum outro motivo para a festa. Pra variar, o filme do carros era recém-lançado e, assim como no aniversário de 5 anos (que foi do Ben 10), eu sofri pra arrumar os enfeites. Mas tudo bem, mãe é pra isso mesmo... Aliás, vou aproveitar pra dar uma dica para as mães: aproveitem as festas de aniversário do 1º e do 2º ano do seu filho pra escolherem à vontade qual tema será, o que você vai dar de lembrancinha, qual será o enfeite da mesa, onde será a festa, porque depois disso você vai ter que aguentar um pequeno ao seu lado cheio de opiniões e vontades.


O aniversário de 3 anos do André não foi diferente. Há tempos ele escolheu o tema: Buzz Lightyear, o patrulheiro espacial do filme Toy Story (outro tema sem muitas opções no mercado de festas infantis). Também determinou o lugar da festa: casa da vovó Delza; o número de convidados: "mais do que no aniversário da vovó Rodes"; e disse ainda que queria que tivesse muitos balões e que as pessoas cantassem: "é 'quibe', é 'quibe', é 'quibe', é 'quibe', é 'quibe', é hora, é hora, é hora, é hora, é hora, rá, tim, bum, André, André, André..." (a parte do "é quibe", eu confesso, foi realmente muuuuito engraçada...)


Ah, gente, ele estava sonhando com essa festa. Nunca uma festa foi tão esperada, tão desejada...


No dia seguinte à festa de aniversário do Tomás deste ano, ele acordou decretando: "Papai, o aniversário do Tomás já acabou". Ponto. E continuou: "Agora, é o
meu aniversário".

Mas no dia seguinte ainda não era o aniversário dele. Antes, veio o aniversário do tio Geo e do tio Jason; da vovó Olinta; da tia Liliam; do vovô Edésio e da tia Fernanda. Ufa! Quanta festa... Que sofrimento! A cada festa ele repetia: "Não! Agora é o MEU aniversário!"


E finalmente chegou o grande dia. A vovó Vânia fez uma fantasia linda do Buzz pra ele. Tinha muitos balões na casa da vovó Delza. O salão cheio de mesas e lotado de amigos, igualzinho ao aniversário de 90 anos da vovó Rodes. Teve até teatrinho de fantoches! A alegria dele era contagiante, eu mal consigo descrever. Ele estava se sentindo o próprio Buzz Lightyear; importante que só. E, quando começaram a cantar o "é pique, é pique, é pique", ele virou-se pra mim com uma carinha de cumplicidade tão, mas tão feliz, como se estivesse me agradecendo por todos os desejos realizados naquela noite.


Filho, eu queria te dizer que mais realizada estou eu, mais agradecida, mais feliz, mais recompensada. Você e o Tomás são os presentes que Deus me deu nessa vida e, pra comemorar esses presentes, vale todo esforço. Vale ficar com a mão doendo de tanto cortar convites, vale ficar até tarde pra terminar os enfeites das mesas dos convidados, vale pensar e correr atrás de cada detalhe, da fantasia do Buzz ao teatrinho de fantoches, dos cataventos ao balão de estrelinhas, só pra você saber quão especial é a sua vida pra nós e, principalmente, para Deus. Te amo muito!!

sábado, 3 de outubro de 2009

De novo!

Essa aconteceu já tem um tempo. É mais uma das que estavam anotadas no meu caderninho de recordações...

Na casa da vovó Delza, onde os meninos literalmente deitam e rolam, o Lucas veio correndo me fazer um pedido:
"Tia Lê, você me ajuda numa cabraota?"
"Numa o quê, Lucas?"
"Você me ajuda a dar uma cabraota?"
"Cabraota? O que é isso? Uma cam-ba-lho-ta, você quer dizer, né?" (tia que se preze não perde a oportunidade de ser chata...)
"É, tia Lê, uma cabraota. Você me ajuda?"

E lá fui eu ajudá-lo a dar uma cabraota, ops, uma cambalhota, quer dizer, uma não, várias e várias cambalhotas. Ele e o André descobriram o tanto que é legal dar cambalhotas e querem fazer isso o tempo todo. Mas, ao mesmo tempo em que gostam, não conseguem fazer sozinhos, ainda se sentem inseguros e precisam
de um "apoio moral" para o feito.

Depois disso, já em casa, o André também veio me pedindo para ajudá-lo a dar mais cambalhotas e argumentou, com uma cara de gatinho com fome: "Eu sou pequeno, mãe; não consigo..."

Como o pedido era irresistível (e ainda que não fosse), eu o ajudei. Cambalhota dada, ele voltou, agora com a cara mais feliz e sapeca do mundo, e me disse: "Obrigado, mãe!!!" Emendada ao agradecimento, a frase de sempre nessas horas de brincadeira: "Faz de novo??!!"

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Feliz aniversário!!!!


"Mais um ano se passou, mais um ano Deus te deu,
Mais um ano tens agora na presença de Deus.

Muitos anos a contar, sonhos a realizar,
Mais amigos vão cantar: 'Parabéns a você'.

Parabéns a você, nesta data querida,
Saúde, paz, Jesus toda vida!"

Pra você, André, que hoje completa mais um ano de vida! Que seja realmente um ano vivido na presença de Deus. O meu desejo é o mesmo de desde antes de você nascer: que você cresça debaixo da graça de Deus e que seja um homem íntegro, reto e temente a Ele. Que Deus te abençoe e te guarde, filho!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A janelinha


O Davi fez 7 anos em março. O Tomás fez 6 anos em agosto. A diferença é de 1 ano, 4 meses e 19 dias - o suficiente para gerar as mais intermináveis comparações. Certa vez o Tomás chegou a me perguntar por que eu não fiquei grávida antes da tia Fernanda. (!!!) O que dizer numa situação dessas?...

A verdade é que a ansiedade é grande e o desejo de ser grande, maior ainda. Mas eu imagino que deve ser mesmo muito angustiante ver que seu primo, seu melhor amigo, já perdeu 7 - repito, SE-TE!!! - dentes de leite e você ainda nenhum.

Ano passado, quando ainda tinha meros 5 anos, ele caiu na escola e bateu o dente incisivo central superior. Como precaução, levei-o ao consultório da Anna, a dentista da família inteira, e ela tirou um raio-x do dente abalado, que revelou os dentes permanentes que estavam vindo. Conhecedora da ansiedade da criança, ela já avisou: "Mas ainda vai demorar, viu Tomás? Só depois que você tiver 6 anos..."

Logo depois do tal aniversário de 6 anos, ele começou: "Mãe, a tia Anna 'tava certa; eu acho que o meu dente já está ficando meio mole..."; "Mãe, será que ainda demora pra cair?..."; "Mãe...."

Muitas perguntas depois, o dente ficou mole de verdade. Mole... mole... mole... até que um dia o Hugo, no melhor papel de pai, fez o que todos os pais fazem e as mães não têm coragem: disse que iria dar "só uma olhadinha" pra ver se estava mesmo ficando mole e... arrancou o dente do coitadinho, bem assim, sem nenhuma preparação.

Ele se assustou, chorou, mas depois veio a felicidade geral da nação: quinta-feira passada, 17 de setembro, aos 6 anos, 1 mês e 10 dias, o primeiro dente de leite finalmente caiu!!! Orgulho, alegria, satisfação, tudo junto. O atestado de "quase" rapaz. A primeira infância acabou.

Em seguida, para a alegria ser um pouco mais completa, ele constatou que o dente vizinho também estava ficando mole. E ontem, apenas cinco dias depois e de novo com a preciosa ajuda do Hugo, ele atingiu a marca de DOIS dentes de leite caídos. Enfim, uma janelinha!

Agora começou a luta da espera para ver os dentes permanentes nascerem e os outros dentes de leite caírem... Ô vida!...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Já não dá pra esconder essa paixão...

"Mamãe!!! Mamãe!!!", são os gritos que ouço praticamente todos os dias pela manhã, mas também à tarde, à noite... a qualquer hora. Uma amiga minha diz que as mães bem que poderiam ganhar ao menos 10 centavos por cada "mãe" que ouvem ao dia. Acho que todas já estariam bilionárias...
Pois bem. Numa bela manhã, o André acordou e ficou me chamando: "Mamãe!... Mamãe!... Mamãe!..."
Fui ao quarto dele, disse "bom dia" e o abracei.
Ele me perguntou: "Mamãe, você pode deitar aqui comigo?"
Eu respondi: "Posso. Lógico que posso, filho!"
Assim que eu me deitei, ele me abraçou de novo e cochichou no meu ouvido: "Eu te amo você!"
Lindo!!!! Eu também te amo você, filho!!! Te amo muito, muito, muito, muito, muito!!!!!!!
Foi impossível não ficar com a música da Marina Lima o dia inteiro na cabeça...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Curtindo a vida adoidado

_ Mãe, não é que a gente tem que aproveitar?
_ Aproveitar o quê, filho?
_ Aproveitar, mãe! A gente não tem que aproveitar?
_ Não sei, filho... O que a gente tem que aproveitar?
_ Mãe, você não entende? Eu tô falando de criança. Criança não tem que aproveitar?
_ Aproveitar a vida?
_ É... aproveitar que é criança e brincar lá fora, correr, andar de bicicleta.
_ É verdade, filho, criança tem que aproveitar bastante o tempo de criança e brincar muito.
_ O Davi vai lá pra vovó Delza e só quer ficar assistindo televisão. Ele não quer saber de aproveitar.
_ Então, você tem que ensinar isso a ele. Ver televisão é muita perda de tempo.

O diálogo acima me fez lembrar um trecho de "O Pequeno Príncipe": "As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando".

"Les grandes personnes ne comprennent jamais rien toutes seules, et c'est fatigant, pour les enfants, de toujours et toujours leur donner des explications".

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Forte x fraco - a luta continua

Tomás, meu adultinho preferido, explicando a diferença dos "níveis" de força para o André, que insistia em dizer que a mamãe é "faquinha" e o papai "fortão" (a discussão de hoje era pra saber se precisa de muita força pra trocar o pneu do carro. A mamãe também consegue ou é apenas o papai que dá conta de fazer isso?).

"Não, André, a mamãe não é fraquinha. Ela é meio forte. É só que tem coisas que ela não tem força suficiente pra fazer".

Viu só, gente? Tudo é uma questão de ponto de vista.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

André e suas conclusões

1. O vovô é gande, mas é faquinho;
2. A vovó é mulher, mas é fortona;
3. A mamãe também é faquinha;
4. Mas o papai é muito fortão.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sem dó nem piedade

Naquele mesmo dia em que milhares de ativistas dos direitos animais protestavam contra o presidente Barack Obama... Eu sei, isso já tem um tempo. Aliás, um bom tempo: foi no final de junho. Mas não posso deixar de contar. Estou atualizando o blog, após um longo e tenebroso inverno, no qual simplesmente desapareci. Mas as histórias continuavam lá, no meu caderninho de rascunho resumido, muito bem guardadinhas, tal qual o verso do Carlos Drummond de Andrade; estavam lá, e não queriam sair, mas "a poesia daqueles momentos inundavam a minha vida inteira". Poesia à parte, voltemos à história...

Pois bem. Naquele mesmo dia em que milhares de ativistas dos direitos animais protestavam contra o presidente Barack Obama, que exterminou, no meio de uma entrevista ao vivo, uma mosca que o estava incomodando, desferindo-lhe um tapa certeiro e fatal, o André também praticou um ato semelhante (qualquer semelhança é mera coincidência...).

Estava ele na cozinha da casa da minha mãe, chutando bola (um bom lugar para fazer isso), quando de repente parou de brincar, encarou uma formiga que estava no meio do caminho e, sem dó nem piedade, deu-lhe uma super pisada (e, depois, conferiu se tinha sido eficaz). A atitude foi tão determinada que confesso ter ficado assustada. Indaguei:

_ Filho! Pra que isso? Por que você matou a formiga? Coitada! O que ela fez com você?

E ele, com a mesma determinação que lhe é peculiar, apenas me respondeu, com ar de obviedade:

_ Ah! Ela 'tava me atrapalhando de chutar a bola!

(suspiro) E a gente tem apenas que aproveitar uma oportunidade dessas para ensinar um pouco sobre tolerância e amor aos bichinhos...
P.S. Pra quem quiser ver a performance do presidente dos EUA, aí vai o link para o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Qfv2c0wTZg4

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Balinhas

A Dute, minha tia, é viciada em balinhas. Sempre foi. Depois da cirurgia bariátrica, o vício foi praticamente legalizado. Agora, "póóóóde". Esses dias, fomos à casa da minha avó, onde ela tem ficado hospedada. O pote de balinhas em cima da mesinha de centro, na sala de televisão. Impossível não ver. Ainda mais se for criança.

Vendo o olho comprido do André, ela ofereceu a ele uma balinha. Pronto. Era o que precisava. Barreira rompida, balinha na boca. O que estava faltando? Outra na mão, lógico.

_ Posso pegar outra?
_ Claro, pode pegar quantas você quiser!

Barreira rompida 2. Uma a uma, ele foi enchendo a mãozinha de balas. Até que não tinha mais espaço na mão para tanta balinha. Então, veio o pedido:
_ Você me dá um saquinho?

Levou todas. E eu fiquei devendo um saco de balinhas pra ela (o pior é que não sei onde ela consegue encontrar dessas Balas Chita; eu nem sabia que ainda existiam).

Conversa alheia

Isso sempre acontece com alguém. Até o Tomás já teve seu dia de ficar descaradamente prestando atenção em conversa alheia. Confesso que também não consegui resistir. Sala de espera de consultório médico. Alguém conseguiria resistir?

Conversa de vó para vó. Cada qual contando as novidades de seus netinhos. Meu ouvido cresceu. Afinal, é tudo que eu mais adoro contar aqui nesse blog: tiradas inteligentes, perguntas inusitadas, observações, gracinhas e até mesmo más-criações (muitas vezes, essas são as mais engraçadas).

_ A última do meu neto foi demais. Eu estava assistindo um filme e ele quis assistir também. Com todo cuidado, expliquei a ele que era um filme de adulto, que criança não poderia assistir. Sabe o que ele me disse?

Eu, caladinha no meu canto, já fiquei imaginando a resposta e também a carinha de indignação da criança. A senhora continuou:

_ "Mas, vó, porque eu não posso assistir filme de adulto? Vocês assistem o meu!!"

Não consegui segurar o riso. E foi nessa hora que a vovó descobriu que muita gente também prestava atenção na história dela...

sábado, 8 de agosto de 2009

Banheiro no céu

Eu já ouvi dizer que chuva é xixi de anjo, mas nunca pensei se seria possível ter banheiro lá no céu pra resolver essa situação...

Voltávamos do shopping; o Tomás apertado para ir ao banheiro. De repente, a pergunta:

_ Mãe, no céu tem banheiro?
_ Acho que não, filho.
_ Não?!?? E como a gente vai fazer xixi e cocô lá no céu?

Suspiro profundo. Pausa. E tentativa de explicação:

_ Sabe, filho, quando a gente for pro céu, o nosso corpo não será mais igual a esse corpo que a gente tem hoje; vai ser um corpo diferente. E eu acho que, com esse novo corpo que a gente vai ganhar depois que morrer, não vamos precisar ir ao banheiro pra fazer xixi e cocô.

Num tom inquisitivo, ele me perguntou:

_ Mãe, você tem certeza disso?
_ Não, não tenho certeza. Eu acho.

Silêncio da parte dele e expectativa da minha: o que ainda virá?...

_ E a gente não vai comer lá no céu?
_ Não, eu também acho que não vamos comer.

Mais alguns segundos de silêncio e "processamento de dados", e eis que surge a seguinte conclusão:

_ Mãe, eu acho que vai ser muito legal no céu, pois eu vou poder brincar sem parar! Sabe, mãe, às vezes isso é muito chato: eu tô lá no pula-pula da vovó Delza e tenho que sair só pra ir fazer xixi. E lá no céu não vai ter isso. Eu não vou precisar parar de brincar pra ir ao banheiro. Vai ser muito bom!!

É verdade, no céu vai ser tudo muito bom!!! Não apenas porque não terá banheiro, mas porque estaremos diante de Deus, num lugar em que não terá choro nem tristeza. "O céu é um lindo lugar, cheio de graça sem par! Meu Jesus vou avistar, pois o céu é um lindo lugar!!!"

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Há 6 anos


Era quinta-feira. Dia frio em São Paulo, sol tímido, céu azul pálido. A casa cheia de gente. Todos reunidos para celebrar um momento único. A manhã passou rápido com tantos preparativos. Mala grande daqui, mala pequena de lá, lembrancinhas ali, quadro de cá, docinhos acolá. Alguém muito especial chegaria em poucas horas. A expectativa era grande. E eu me sentia poderosa, um sentimento difícil de explicar, mas que me enchia de uma felicidade tal.

Um dia tão marcante que eu me lembro de cada detalhe, até da roupa que vestia: uma blusa verde claro de frio e uma calça jeans. Chegamos ao hospital com toda nossa tralha (mal sabia que seria uma tralha ainda maior pra ir embora...). Fomos para o quarto, um quarto grande, com antessala e tudo, desses que o pessoal paga a mais pra ficar. Tivemos sorte: a maternidade estava lotada, muitos bebês nasceram na véspera e era o único quarto disponível.

A hora marcada era 13h. 40 semanas e 1 dia. Não entrei em trabalho de parto, não tive contrações nem dilatação, a bolsa não se rompeu. Sem sinal de parto normal, a solução foi marcar o parto cesáreo. Se fosse há 100 anos, acho que eu teria o mesmo destino da minha bisavó paterna. Ficamos esperando, mas nada de a minha médica chegar. Ela também estava grávida, 14 semanas. Com hiperemese gravídica, atrasou-se pois não parava de vomitar. Quando chegou, estava tão pálida que eu me assustei. Perguntou-me se eu estava bem. Respondi: "Eu estou, e você?" Com um sorriso, ela apenas disse: "Agora, sim".

Lá fora, na sala de espera, os nossos "padrinhos" de São Paulo, Sr. Délio e D. Cora, aguardavam notícias. E também a Fernanda, minha irmã, e a Maira, minha "amiga-irmã". Todos esperando ansiosamente que viesse no telão a imagem do mais novo rebento da família. Minha mãe e o Hugo entraram para assistir tudo isso ao vivo.

15h02min. Nasceu o Tomás! Apgar 9/10. 51 cm. 3,750 kg. Saudável, cabelo preto abundante e meio narigudinho, manchas mongólicas - sinais do moreno lindo que estava chegando. Impossível conter o sorriso no rosto; as lágrimas marejaram os olhos de felicidade. E, de repente, a falsa sensação de poder vai embora. O milagre da vida faz-nos perceber nossa impotência, pequenez e total dependência de Deus.

Há 6 anos tudo isso aconteceu. Há 6 anos um novo ser faz parte da minha vida. Há 6 anos eu presencio um milagre a cada manhã. Há 6 anos eu tenho mais e mais motivos para agradecer a Deus. Há exatos 6 anos...

Obrigada, Senhor, pela vida do Tomás. Dê-me sabedoria para educá-lo de acordo com a Tua palavra. Que Ele seja, antes de tudo, fiel a Ti e que ande nos Teus caminhos. Essa é a minha oração, em nome de Jesus. Amém.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O hábito faz o monge


O André, desde quase recém-nascido, vai à igreja praticamente todos os domingos (aliás, não só ele como toda a família). Mas ele especificamente acostumou-se a associar a imagem de um homem de terno com a do pastor. Tanto que, quando vamos ao Palavra da Vida, num ambiente informal de acampamento, ele nunca acha que o pastor é mesmo o pastor, só porque não está de terno.

Dia desses, numa visita à minha avó, ele viu a foto dela e do meu avô num quadro grande na parede. A foto é do dia das Bodas de Diamante deles e o meu avô estava de terno. Infelizmente, o André não o conheceu, pois meu avô faleceu antes de ele nascer.

Vendo que ele observava a foto, a vó Rodes explicou a ele quem era. Ele continuou observando o quadro atentamente e perguntou: "Por que ele 'tá vestido com roupa de pastor?"

Mas o pior é que isso não acontece só com pastor não. Se a pessoa não está vestida com a roupa "adequada" à profissão, ele não acredita que ela a exerça.

E foi assim ontem. Após o banho, o Hugo foi enxugá-lo e resolveu apalpar a barriga dele. Ele, mais que depressa, já foi logo dando a bronca:

"Ei, pai, você não pode apertar minha barriga! Você não é médico!"

O Hugo respondeu:
"Sou médico sim!"

Surpreso, ele retrucou: "Não é não, você não 'tá vestido com roupa de médico!"


É... deve ter sido por essas e outras que o antigo ditado "o hábito não faz o monge" mudou para o atual "o hábito faz o monge"...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Quem tem boca...


Hoje de manhã, fomos ao famoso "Parque do Macaco", como os meninos dizem (na verdade, é o nosso conhecido "Parque Areião"). A referência aos macacos é por uma questão óbvia: o parque é cheio de macaquinhos, aqueles macacos pregos que vivem nas nossas matas e que, nos parques urbanos, adoram roubar o lanche das pessoas.

Passando pelo "recanto dos macacos", um deles veio na nossa direção. Parecia estar de olho na sacolinha que eu trazia e eu prontamente o espantei. Mas julguei mal, ele queria apenas pegar um pedaço de coco que estava perto de nós. O André ficou com medo e não queria mais passar por eles.

Eu disse: "Vem, filho, pode vir, não precisa ter medo."
Ele retrucou: "Não, ele vai me morder."
Tentei argumentar: "Vai morder não, André, pode vir."
E ele, bem convicto, me respondeu: "Vai morder sim, ele tem boca."

É verdade, ele tem boca; e quem tem boca pode morder. E agora? O que eu respondo? "Tá certo, filho. Ele tem boca, mas a mamãe não vai deixar que ele te morda." Mãe é assim, tem que arrumar solução pra tudo...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

É de brincadeira!


Brincadeiras de meninos... só luta!

Sempre achei que eu não teria qualquer dificuldade para ser mãe de menino. Afinal, a minha maior convivência na infância foi com o Aurélio, meu irmão mais novo, e não com a minha irmã, longíssimos 4 anos e 8 meses mais velha que eu.

Eu estava acostumada com as brincadeiras deles, sempre ativas e cheias de aventura, nada a ver com ficar fazendo comidinhas e dar banho em bonecas. Pra falar a verdade, eu gostava mais daquelas do que destas. Brincar de "bete", de polícia e ladrão, andar de bicicleta e patins, subir em árvores, nadar, correr, pular, construir cidades de Playmobil. Como era bom tudo aquilo!

Mas descobri uma coisa interessante: os meninos brincam diferente quando tem uma menina no meio, e a recíproca é verdadeira. Quando estão misturados, meninos e meninas buscam brincadeiras comuns aos dois gêneros. Elas são divertidas e dinâmicas, ambos podem participar sem problemas. Não tem nada de "isso é coisa de menino" ou "isso é de menina".

Eu achava que estava brincando de coisas de meninos, mas descobri que fui solenemente enganada. Quando estão sozinhos, as brincadeiras dos meninos são beeeem diferentes das que brinquei quando criança. Quando estão entre eles, os meninos só brincam de uma coisa: de luta! É impressionante.

Assim como qualquer objeto redondo pode virar uma bola, qualquer objeto pontiagudo pode virar uma espada (ainda que esse objeto seja o rolo de apoio da almofada do seu sofá). E, se não tem objeto algum, os punhos em riste estão aí pra isso mesmo. É a mais pura testosterona vindo à tona!

Ah, e nunca pense em separá-los, achando que estão no meio de uma briga terrível. Mesmo que se machuquem, eles prontamente chamarão sua atenção: "É só de brincadeira, mãe!"

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Proteção

O dia estava bonito, como de costume, e fresquinho, como nem sempre é. Ideal para uma caminhada até a escola. De mãos dadas, lá fomos nós, eu e o Tomás, num lindo passeio pela rua. Se você se esforçasse um pouquinho, poderia até ouvir uma trilha sonora romântica tocando ao fundo.

Tudo bem harmonioso quando, de repente, a música é terrivelmente interrompida e você se depara com a realidade que não aparece nos filmes: os cocôs de cachorro que encontramos pelo caminho. É demais, não? Por que as pessoas não são um pouco mais educadas e limpam a sujeira de seus cachorros?

Indignações à parte e obstáculos devidamente evitados, chegamos, enfim, à escola. Nos despedimos e ele, todo cuidadoso, desceu as escadas correndo para me falar uma última coisa: "Mãe, toma cuidado com os cocôs de cachorro na volta, viu?"

Já em casa, me pus a brincar com o André na sacada, no cantinho que fiz para os brinquedos. Aproveitei a oportunidade pra pegar um pouquinho de sol nessa pele que um dia foi morena e hoje está mais para amarela. Ele, quando me viu sob o sol, veio depressa me advertir: "Mamãe, não fica no sol, vem aqui pra sombra, vem!"

No fundo, a sensação legal de ver seus filhos repetirem os mesmos cuidados que você tem com eles.

domingo, 19 de abril de 2009

Tempos modernos


Não me lembro quando tive consciência do que era um cartão de crédito, mas me lembro bem quando o computador chegou lá em casa. Eu tinha 15 anos. Meu pai foi um dos primeiros advogados aqui em Goiânia a fazer petições digitadas, e não mais datilografadas. Um marco histórico pra mim, assim como deve ter sido quando meus pais tiveram sua primeira televisão.

O dinheiro de "plástico", como dizem, também deve ter sido uma verdadeira revolução. Imaginem só: comprar sem ter dinheiro pra pagar! O "fiado" moderno. Tudo bem, a fatura vem no final do mês, mas isso é só um detalhe - completamente esquecido diante da incrível facilidade que o cartão magnético (seja de crédito ou débito) até hoje nos oferece.

E ainda também temos a geladeira, a máquina de lavar roupa, o micro-ondas (agora separado pelo acordo ortográfico) e todos os outros utensílios domésticos. Ah, e o telefone celular! Não poderia me esquecer dele. Aliás, acredito que Vinícius teria que reescrever seus versos pois, hoje, com o celular, a vida certamente causa bem menos desencontros.

Mas nossos filhos não sabem o que é isso. Nasceram num mundo em que todas essas coisas já existiam. Sei que, para eles, pensar numa vida sem internet será tão difícil como, para nós, é imaginá-la sem energia elétrica.

Só pra exemplificar, o Tomás e o André já têm, cada um, o seu próprio "laptop". E ficam todo importantes brincando ao lado do pai, que faz a mesma coisa com o seu. A diferença básica, como vocês sabem, é só que o brinquedinho dele é bem mais caro... Mas isso não importa porque logo, logo sei que eles reivindicarão um "de verdade" só pra eles, pois até mesmo o André já fica querendo jogar no computador "do papai".

E, vejam só, com meros 2 anos e 6 meses, ele também já sabe a função do cartão de crédito. Verdade! Ontem, estava eu tomando um tranquilo banho quando ele irrompeu no banheiro, bem ao seu estilo, e me surpreendeu com a seguinte pergunta:

"Mãe, você me dá seu cartão?"

Um pouco atônita, respondi: "Como?"

E ele continuou, firme em seu propósito: "O seu cartão, mamãe, o de pagar 'a' contas."

Mais espantada, eu retruquei: "O meu cartão? Pra quê?"

Bem prático e ainda mais decidido, ele me explicou: "Pra eu fazer 'permercado'. Vou comprar bolacha e 'doninho'."

Comprar bolacha e danoninho no supermercado com o meu cartão de crédito... Fala sério! Onde este mundo vai parar?!? (alguém se lembra daquela propaganda antiiiga do corsa?...)

segunda-feira, 30 de março de 2009

O contador de piadas

Gente, o Tomás está crescendo! Sei que é uma constatação óbvia, ele está crescendo desde que foi gerado, é a coisa que ele mais tem feito durante a sua breve existência.

Mas confesso que é uma constatação assustadora. Ele está crescendo mesmo... E agora anda, pra vocês verem, com mania de contar piadas.

O início de tudo foi depois que ele começou a almoçar uma vez por semana com os amigos da escola. Isso..., ele agora almoça sozinho com os amigos.

Deixe-me explicar melhor. Esse ano ele tem o que a escola chama de "turno complementar": uma vez por semana (às sextas-feiras) ele vai para a escola no período matutino para aulas complementares, tais como teatro, oficina de linguagem, oficina de matemática, artes visuais etc. Uma proposta excelente. Para alguns pais, contudo, fica difícil levar e buscar duas vezes na escola, então é oferecido um almoço.

Quando fui acertar o lanche, afirmei que ele não almoçaria na escola, pois moramos a duas quadras de lá, não faria qualquer sentido ele deixar de almoçar com sua família pra ficar tanto tempo na escola (de 8h10 às 17h30).

E lá fui eu, feliz e contente, no primeiro dia de "turno complementar", buscá-lo para almoçar em casa.

Cheguei na escola e ele estava descendo a escada em fila com os colegas. Limitou-se a me dar um "tchauzinho" de longe. E eu acenando feito uma louca: "Vem, filho, vamos embora!!" Ele fez-se de surdo e foi rumo à cantina.

Não satisfeita, fui atrás dele. Encontrei-o já sentado à mesa, com seus amigos, todo importante, conversando animadamente, esperando que o almoço fosse servido.

"Vamos, filho?"
"Pra onde, mãe?"
"Almoçar em casa!"
"Ah não, mãe, eu não quero almoçar em casa. Eu quero almoçar com os meus amigos."

Só então caiu a ficha... Olhando para aquela carinha decepcionada, eu me senti a protagonista de uma cena ridícula, a própria esposa traída buscando o marido no bar com um rolo de macarrão na mão. Ou, mais apropriado à realidade materna, aquela mãe controladora que vai buscar seu "bebê" na festa da faculdade, de robe, chinelo e "bobs" no cabelo, dizendo que a "friagem" o fará ficar gripado.

"Por favor, mãe...", ele insistiu.

Fiquei olhando pra ele por alguns segundos e só um pensamento me vinha à cabeça: "ele cresceu..." Suspirei um "tudo bem" e fui embora.

Desde então, eu tenho visto um menino mudado, que no dia do turno complementar acorda cedo e reclama que não quer chegar atrasado à escola. Os almoços com orientação nutricional também serviram para ele voltar a comer tomate e alface com gosto.

E o resultado de tudo isso é o título desse texto: a cada sexta-feira, uma nova piada que ele aprendeu no almoço com os amigos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Precisa-se: varinha de condão

Além de fazer diminuir roupas e sapatos, fui surpreendida esse fim de semana com o desafio de uma nova mágica: guardar um desenho no bolso da bermuda do André sem dobrá-lo ou amassá-lo. Quem conseguir realizar a façanha por favor me ajude!!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Não serve mais...


Sabe aquele vestido que você adora? Aquele que te deixava linda e que faz você se lembrar de várias coisas boas que aconteceram quando você estava dentro dele? É... aquele mesmo que hoje está guardado há um tempão no armário, esperando que você emagreça pra vesti-lo novamente e possa protagonizar as mesmas cenas de felicidade de antes? Ah, mas não emagrecemos nunca e o vestido fica lá, nos torturando, nos fazendo relembrar os quilos que não vão mais embora (mas nem por isso você faz algum esforço pra que isso ocorra de fato).

Mesmo assim, você continua guardando-o, pois a nostalgia dos belos momentos não deixa que você se desfaça dele. E sempre há a pontinha de esperança que ele voltará a servir... quem sabe um dia... se... depois... quando...

De qualquer forma, nós, os adultos, temos a chance de vestir novamente aquela peça do vestuário que tanto nos agrada, o que só será impedido, se não pela oscilação de peso, pelo passar do tempo ou pela ação da "natureza" (leia-se: um mau uso da máquina de lavar ou do ferro de passar roupa...), que inevitavelmente fará com que a roupa fique gasta, velhinha, enfim, sem muito jeito de usar.

Mas as crianças, coitadas, elas não têm essa chance, simplesmente porque não há como voltar no tempo e fazer com que aquela camiseta que ele tanto gostava (e ainda gosta) sirva de novo, ou, como as irmãs da Cinderela, forçar o tênis a entrar no pé, quando apenas o dedão cabe nele.

E o mais incrível de tudo é que, o que para nós parece óbvio ululante ("você cresceu, filho, a camiseta não serve mais em você"), não o é para os pequenos.

O Tomás insiste (e eu não posso rir da lógica dele) que as suas roupas e os seus tênis preferidos (principalmente os que, agora, estão sendo usados pelo André) encolhem misteriosamente e essa é a razão de não mais servirem. E o pior: eu sou a responsável por ter realizado a mágica da diminuição apenas e tão somente para passar a roupa para o André.

"Mãe, essa roupa é minha, não é do André!"
"Tomás, essa roupa ERA sua, filho. Ela não serve mais em você".
"Mas, mãe, eu lembro que essa roupa servia em mim!!!! Eu tinha só 4 anos!!! Não tem muito tempo..."
"Não, filho, você tinha 3... Você era só um pouco maior que o André"
"Não, mãe, ela servia em mim. Foi você que fez ela diminuir..."
"Filho, como a mamãe ia fazer a roupa diminuir? Foi você que cresceu. Olha só como você é maior que o André"
"Não, mãe, ela diminuiu, mas ela ainda serve em mim, não serve no André. Quer ver?"


E a camiseta realmente serviu, apertada e curtinha, mas serviu, assim como o tênis, em que metade do pé ficou pra fora, amassando o calcanhar; e o sapato, em que os dedos ficaram encolhidos, o andar curtinho. A mesma comemoração de um filme que a gente já viu quando criança: "Serve!!!"

Acho que sou pior que a madrasta da Cinderela...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Bolacha de água e sal

Estávamos ouvindo a música "Bolacha de água e sal", do grupo Palavra Cantada, uma das músicas preferidas do Tomás. De repente, ele confessa:

"Mãe, sabia que eu pensava que bolacha de água e sal era assim: você pegava uma bolacha, colocava no copo d'água, depois jogava um pouco de sal em cima e comia?"

O imaginário infantil é mesmo muito rico...

Segue a letra da música, que é mesmo bem legal, pra gente pensar um pouco sobre as coisas boas e simples da vida.

Bolacha de Água e Sal (Palavra Cantada - Paulo Tatit)

Gosto quando vou brincar na rua
Gosto quando encontro meu amigo
Gosto quando a mãe do meu amigo
Me oferece uma bolacha
De água e sal

Gosto de bolacha sem açúcar
Gosto de bolacha sem recheio
Gosto de bolacha sem perfume
Gosto do que é normal
Uma bolacha de água e sal

É... uma coisa natural
É... barato e não faz mal
De qualquer marca
É tudo igual

Quando a gente está meio enjoado
Quando a gente está passando mal
Quando a gente fica aperreado
Bolacha de água e sal

Quando a minha avó era criança
Quando a vida era sempre igual
Lá na roça acordavam cedo
Pra comer bolacha de água e sal

Quando o meu avô era criança
Veio num navio de Portugal
A viagem ficou na lembrança
Só comiam bolacha de água e sal

O meu gosto é radical
Gosto porque é fundamental
Farinha, fermento, água e sal
Simplicidade, no trivial

Se um dia você for lá em casa
Pra brincar comigo no quintal
Vamos combinar um piquenique
Pra comer muita bolacha
De água e sal

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

De mãos dadas

Antes de ser mãe, a minha imaginação contemplava quais seriam as melhores coisas de ter um filho...

A primeira delas era o barrigão de grávida. Não a 'barriga melosa', aquela em que a mãe fica com cara de boba, acariciando a barriga sem parar e conversando com o bebê. Muito menos a 'barriga aparecida' da mãe que gosta de usar miniblusa e mostrar o umbigo estufado pra todo mundo. Mas a barriga de grávida normal, aquela que está em todos os lugares, da mãe ativa, que trabalha, estuda, passeia, se exercita. Já repararam numa barriga dessas passeando pelo shopping? Ela é a dona do pedaço, se sente poderosíssima carregando seu bebê pra cima e pra baixo. E não poderia ser de outra forma. Afinal, tem poder maior do que gerar um ser dentro de si? O barrigão de grávida é mesmo o máximo!

A segunda coisa que eu admirava era amamentar. Ser capaz de saciar a fome de alguém... que coisa extraordinária! E os carinhos do bebê enquanto mama? Cada um tem sua mania, cada uma mais apaixonante que a outra. Uns mexem no cabelo da mãe, outros ficam como se estivessem dedilhando bem devagarinho, ora a mãozinha de cima, ora a de baixo.

Outra visão romântica de ser mãe era passear empurrando um carrinho de bebê. Na pracinha, no shopping, no parque, em qualquer lugar, o fascínio era estar com ele, seu filho, e não mais empurrando uma boneca.

Quando ele já está maior, a imagem que mais me tocava era a de uma mãe buscando o filho pequeno na escola. O sorriso se abrindo no olhar dos dois, a magia daquele encontro após umas horas de separação. O filho corre em direção à mãe, o cabelo suado pregado na testa, os braços abertos, e ele se joga no pescoço dela, num abraço demorado. Parece até uma propaganda de margarina ou uma cena de filme já bem batida, daquelas que a gente está cansado de ver, mas quando ela acontece de verdade dá vontade de chorar, você se sente como quem sonha...

E, pra completar o sonho, uma das coisas mais lindas de se ouvir: "mamãe, eu te amo!" ou "mamãe, você é linda!" Uma declaração pura e verdadeira de alguém que só quer que você nunca o abandone.

Mas, de todas essas coisas, a melhor delas, a que sela todos os sentimentos que foram expostos acima, é andar de mãos dadas. Não há prazer maior do que o filho levantar sua mãozinha para entrelaçá-la à dos pais. Seja à procura de segurança, seja para ficar mais perto, o dar as mãos traduz a confiança e o carinho do filho com os pais.

Num fim de tarde, saindo do trabalho, eu presenciei uma cena dessas. Mas não era a cena que habitava o meu imaginário, aquela clássica, corriqueira até, da mãe ou pai com seu filhinho pequeno, de 2 ou 3 anos. Era muito mais do que eu poderia imaginar: uma mãe e seu filho pré-adolescente, de uns 11 ou 12 anos, os dois caminhando alegres e tranquilos de mãos dadas pela rua.

Todos os sonhos que eu tinha antes de ser mãe já consegui realizar: tive dois barrigões de grávida, amamentei muito meus dois filhos, passeei bastante com eles de carrinho, busquei (e às vezes, quando o trabalho permite, ainda busco) na escola e ganhei vários abraços correndo, daqueles que quase me derrubavam no chão, já ouvi muitos e muitos “mamãe, eu te amo” e “mamãe, você é linda” (e, graças a Deus, continuo ouvindo) e também já andei muito de mãos dadas com eles, no caminho para a escola, no shopping, no parque, atravessando a rua, no estacionamento... 

Mas agora eu tenho ainda mais um sonho: continuar de mãos dadas com eles, com a mesma alegria e paz que senti haver naquela família, sem vergonha alguma de demonstrar publicamente o amor que nos une.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Feliz ano novo!

Parafraseando a música do vídeo abaixo, desejo a todos um...

"Bom 'ano' (dia), com alegria!
Desejo a você um belo 'ano' (dia)!!
Andando na companhia
Do nosso Salvador que nos quer bem
Vai tudo bem!!"