terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Nem quente nem frio


O consenso das pessoas diz que as mães sempre sabem o que seus filhos querem. E as mães geralmente correspondem a essa crença comum e até mesmo se orgulham de serem as únicas capazes de entender - e atender - direitinho o desejo dos filhos. Afinal, muitas das vezes foram elas as responsáveis pelas manias deles.

Mas eu tento agir diferente. Nem sempre consigo, é claro, mas eu tento. Por exemplo, eu sempre evitei colocar manias nos meus filhos: não os acostumei a dormir no colo, não dei fraldinha nem bichinho de pelúcia para fazê-los dormir, preparava as mamadeiras com água em temperatura ambiente e fazia o mesmo com as papinhas da Nestlé. Tudo pensando em facilitar a minha vida e não ter que sofrer com uma criança que se recusa a dormir só porque a mãe esqueceu o "mimi" em casa.

Infelizmente, eu não fui a única a cuidar dos meus filhos. E todo meu esforço foi embora numa só tarde. O Tomás nunca mais quis leite em temperatura ambiente depois que esquentaram a mamadeira dele no berçário. Tá bom, eu sei que é mais gostoso... Justamente por isso me rendi e hoje esquento por 30 segundos o leite do Tomás e do André no micro-ondas.

Mas eles sempre inventam uma nova moda.

O Tomás, por exemplo, só gostava do leite que a Edineuda fazia. E eu ficava revoltada com isso porque quem a ensinou a fazer fui eu!!! Às vezes, ela pegava o leite que eu tinha feito e dava pra ele. E ele, achando que ela é que tinha preparado o leite, bebia tudinho. No fim de semana, ele perguntava pra mim: "Você fez igual ao da Edineuda?" Simplesmente revoltante. Mas o fato era tão grave que, quando ela foi embora lá de casa, ele nunca mais quis leite puro. Eu tive que misturar com toddy pra ele poder aceitar de novo.

E, quando eu já estava pensando que estava livre de problemas com leite, o André me saiu com essa, que eu preciso transcrever:

_ Mãe, eu não quero esse leite. Esse leite 'tá ruim.
_ Não 'tá ruim não, filho. 'Tá bom. Pode tomar.
_ Não, mãe, eu quero leite quentinho.
_ Mas, filho, ele já 'tá quentinho. Eu esquentei no micro-ondas.
_ Não 'tá não, mãe. Ele 'tá frio. Eu quero leite quentinho, mas um pouco frio. Sabe como é? É igual ao frio, só que quente.


Ai, ai... No meu caso, acho que nem as mães conseguem entender o desejo dos filhos.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Outra do português

Depois do “cadê-la”, tinha tempo que os meninos não inventavam uma nova forma gramatical. Essa agora foi do André, que inventou uma nova conjugação do verbo fazer.

Estávamos em Fortaleza. Tarde de passeio no mercado central, na feirinha da Av. Beira Mar e na sorveteria de 50 sabores. Trânsito na volta para o nosso hotel. Começamos a inventar histórias para distrair os meninos. O que eles iriam fazer mais tarde? Um belo castelo de areia? Como seria? Cada um começou a falar. O André contou uma história comprida, toda enrolada... Só me lembro que terminava assim:

E aí todo mundo vai dizer: ‘Nossa, que bonito que eles ‘feram’!”

Feram??!? Uma mistura de foram com fizeram? Ah, esses verbos irregulares... já derrubaram, e ainda derrubam, muita gente boa.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Meu irmão, meu herói

Sempre achei que acontecesse assim e considerava que era uma coisa normal: os filhos quererem ser iguais aos pais. A máxima "meu pai, meu herói". Mas com o segundo filho acho que acontece diferente... A figura mais admirada é o irmão mais velho. O pai? Acho que, no máximo, ele consegue um empate vai...

O André não foge à regra. Ele praticamente idolatra o Tomás. Imita-o em tudo: nas brincadeiras (de carrinhos e lutas, fazendo inclusive as mesmas onomatopeias), no jeito de falar, na preferência dos desenhos animados. Ele fica reparando até os gestos do Tomás para fazer tudo exatamente igual.

Dia desses, estávamos jantando e o Tomás quis pegar uma colher que estava no alto do armário. Fez o maior esforço, se esticou o máximo que podia, ficou na pontinha da ponta dos pés e... conseguiu! O André, que a tudo observava de longe, quase sem piscar, falou admirado: "Tomás, você é grande!"

Outra vez (essa tem mais tempo), no elevador, ele também expressou a mesma admiração ao ver o Tomás apertar o botão do nosso andar. E, hoje, ele fica todo feliz por conseguir realizar a mesma façanha: se estica o tanto que pode, fica na ponta dos pés e, com o dedo indicador, consegue apertar, bem na beiradinha, o botão do nosso andar, o 7º.

Ah, e eu não poderia deixar de mencionar a música que ele criou para o Tomás: "Eu gosto do meu irmão". Durante muito tempo, ela ficou em primeiro lugar nas paradas de sucesso lá de casa. Ele a cantava sempre e achava o máximo eu reproduzi-la no celular para as outras pessoas. Confiram, na íntegra, o "hit":