
O Tomás, como vocês bem sabem, nasceu sem babá. E assim ficou, por opção nossa. Escolhemos colocá-lo num berçário, por vários motivos, mas o principal é que eu simplesmente não conseguia imaginar uma pessoa desconhecida, sozinha na minha casa com meu filho, sabendo que ninguém iria aparecer por lá durante todo o dia. Até a pediatra do Tomás assim nos aconselhou.
Graças a Deus, tudo correu bem, o Tomás era um neném maravilhoso, quase não teve cólicas, mamava bem e com um mês já dormia 7 horas seguidas. É ou não é uma bênção? Mas... foi chegando o dia de voltar a trabalhar. Meu Deus, ninguém tinha me avisado que seria tão, mas tão ruim. 15 dias antes, ninguém podia nem me falar um simples "oi" que eu caía no choro.
E, no berçário, tinha a tal "adaptação".
Assim, lá fomos nós para a "semana da adaptação". A idéia era deixar o bebê algumas horas por dia e ir aumentando até o final da semana. O primeiro dia foi determinante para eu descobrir que a adaptação, na verdade, é da mãe, e não do bebê. Não permitiram que eu ficasse com ele lá. Me disseram que ele não poderia se acostumar com a minha presença no berçário, que ele tinha que saber que lá a mãe não estaria. Inexperiente, não questionei (e hoje eu sei que eles tinham razão). Falaram, então, que eu poderia ir embora pra casa e depois voltar pra buscá-lo.
Meio desnorteada, com a sensação de que tinham arrancado meu filho de mim, saí da escola, sem saber o que fazer. Lá fora, caiu a ficha: como assim, ir embora pra casa sem meu filho?!? Nunca! O que eu iria fazer lá sem ele? Completamente desorientada, fiquei andando pelas ruas do bairro, parecendo uma louca, andando sem rumo e chorando, até que achei que já tinha tempo demais que eu estava sem ele (durou quase uma hora) e resolvi voltar para buscá-lo.
E ele estava lá, numa boa, tomando um suquinho.
No outro dia, consegui voltar pra casa. Quer dizer, fui obrigada a voltar pra casa pois não dava pra chorar tanto na rua. Dá pra acreditar que, já no segundo dia da "adaptação", ele deu os bracinhos para a tia do berçário? Chorei copiosamente... Afinal, ninguém merece tanta ingratidão.
Mãe é tudo boba mesmo. Mas a mãe de segunda viagem consegue melhorar um pouco. Lembro-me da tia do berçário contando que tinha mãe que deixava o filho lá e nem olhava pra trás, já saía desesperada para os seus compromissos. E eu pensei: "que absurdo, como tem mãe desnaturada no mundo".
Ainda bem que eu tive o segundo filho, pra poder entender as mães desnaturadas (e me solidarizar com elas) ao me tornar uma.
Quando chegou a vez de o André ir para o berçário (escolhemos o mesmo destino pra ele, apesar de já morarmos em Goiânia), eu fazia exatamente como as mães "desnaturadas" do berçário lá de São Paulo. Largava na "adaptação" e saía correndo para os meus afazeres, que iam desde compras ao supermercado a idas ao salão de beleza.
Mas quando chegou o dia mesmo de voltar a trabalhar, também sofri por ficar longe dele (consegui conter o choro; quer dizer, chorei escondida), principalmente porque eu ainda o amamentava. C'est la vie!
As pessoas falam tanto do dia que o filho vai embora de casa, seja pra estudar fora, seja pra se casar; e falam com tanto sofrimento desse dia em particular que, quando nos tornamos pais, ficamos apavorados só de imaginar... Mas eu tenho percebido que esse "divisor de águas" não se resume a um único dia, começa muito, mas muito antes. Quer saber? Acho que começa no dia em que o filho nasce. A separação começa ali. Daquele dia em diante você começa a perceber que ele vai indo embora, cada dia um pouquinho mais.
Primeiro, ele começa a tomar suco e comer papinha. Depois, não quer mais saber de colo. Aí, ele vai para o berçário (ou vem uma babá pra tomar conta dele) e também para a escola. Em seguida, começa a pedir para dormir na casa dos avós. E você deixa. Até que chega o dia que ele dá o primeiro passo para a separação "de fato".
Passei por isso há 10 dias. O Tomás foi participar da "pijamola" da UCP - União das Crianças Presbiterianas. A "pijamola", pra quem não sabe, é a mistura de pijama com camisola, ou seja, é uma noite em que as crianças vão todas dormir no colégio da nossa Igreja. As atividades são tantas que, na verdade, elas não vão pra lá exatamente para dormir.
Eu o deixei ir e até incentivei sua participação, mas depois fiquei pensando que ele era muito pequenininho pra dormir fora, sem ser na casa de alguém da família. E o pior é que ele nem participava da UCP, pois, em tese, é apenas para crianças acima de 5 anos. A única pessoa que ele tinha mais intimidade lá era o Davi, meu sobrinho (de 5 anos...).
E lá foi ele, todo importante, de mochila e colchonete a tiracolo, enquanto meu coração só diminuía.
No dia seguinte, eu e o Hugo éramos os primeiros pais a chegar para o café da manhã - os demais, desnaturados (lógico!), que tinham mais de um filho na pijamola, aproveitavam a folga pra dormir um pouco mais. A segunda criança a dormir foi o Davi, às 2h da manhã. O Tomás dormiu apenas às 3h. E eu.. bem, melhor não contar que horas eu dormi.
Tudo isso porque ele nem chegou à idade de ir para o acampamento... Imagine como serão as outras etapas...