sexta-feira, 30 de julho de 2010

Salada bíblica

O André, inusitadamente, chegou perto de mim, no meio de uma festa de aniversário, e me contou o seguinte segredo ao pé do ouvido:

"Mãe, é segredo, viu? Você não pode contar pra ninguém. Você tem que ser rápida igual a Ester pra salvar o povo de Isaías de ser jogado na cova dos leões."

E, do mesmo jeito que chegou, foi embora correndo, me deixando totalmente sem entender o que eu tinha que fazer pra realizar essa missão ultra secreta tão importante. Que mistureba danada!...

Rápida igual a Ester... !??!?
Povo de Isaías... ?!??
Cova dos leões... ??!!??!!?

Procuro entender o "contexto histórico" da mensagem dele. Explico: estivemos, nas duas últimas semanas, na temporada de inverno do Palavra da Vida. Por três vezes, ele viu o teatro sobre a vida de Ester, que foi um instrumento nas mãos de Deus para salvar o povo de Israel (e não de Isaías - profeta de Deus) de ser exterminado pelos persas. Ester teve que ser rápida em suas ações pra poder salvar o seu povo (e o André deve ter guardado na memória alguma frase do tipo...).

Na peça de teatro que assistimos, um narrador contava a história de Ester para uma criança, que fazia todas as confusões possíveis e imagináveis com as histórias bíblicas, como, por exemplo, essa de achar que Ester - e não Daniel - seria jogada na cova dos leões. Foi muito engraçado!

Mas, na cabeça fantasiosa de uma criança de (quase) 4 anos, a confusão rendeu... e o resultado é a salada bíblica que vimos acima.

Sem problemas, filho. Aos poucos, você vai aprendendo, assim como a Juju da peça, todas as verdades bíblicas, sem confundir mais nada. Te amo muito!!!! Você é muito lindo!!! Beijos, mamãe.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Santa chupeta!


Dica para mães: não fiquem com receio de dar chupeta aos bebês. Ela é uma santa que deveria ser beatificada!!!!! Eu sei, alguns falam muito mal dela, acusam-na de dar mais cólica aos recém-nascidos. Mas o fato é um só: ela acalma - e muito - os bebês e dá alguns momentos de paz infinita às mães. Não é à toa que, em inglês, o nome dela é "pacifier" (pacificadora).

Lembro-me de quando o Tomás nasceu. A chupeta estava na lista do enxoval. Mas o Hugo e a minha mãe, pediatra, foram contra o uso. Sem argumentos de especialista, concordei. Vinte dias depois, cansada, com sono atrasado, peito dolorido, menino chorando sem parar, apenas liguei para o Hugo avisando: "Já estou esterilizando a chupeta, viu?"


O único problema dela é quando devemos tirá-la. É sempre um capítulo à parte na história das crianças, a começar da época ideal, passando pelas várias estratégias, que, sem dúvida alguma, garantem umas boas risadas.

Alguns dizem que deve-se prometer um presente em troca. A criança entrega a chupeta ao Papai Noel, ao Coelhinho da Páscoa, ao Mickey... ou joga pra algum bicho (gatinho, vaca, peixe, leão...) e ganha o presente prometido.

A minha sogra também sugere a estratégia de furar a chupeta com uma agulha. De todas as táticas, pra mim, é a mais razoável. Furada, a chupeta perde a sucção e a ideia é que a criança, então, perca o interesse por ela.

O Davi, meu sobrinho, jogou a chupeta pra vaca - e nunca mais a recuperou. Chorou uns dias e pronto. Adeus, chupeta!

Ante o sucesso, tentei o mesmo com o Tomás. Um dia, na fazenda, falei para ele fazer igual ao Davi. Ele concordou com a minha ideia e, durante toda a viagem até a fazenda, repetiu que iria dar o "bico", como ele chamava a chupeta, para a vaca.

Chegamos na fazenda. E agora?

Da rede, podíamos ver algumas vacas no pasto em frente à casa. Sem dizer palavra, ele chegou na beiradinha da varanda e jogou a chupeta no meio da grama. Voltou para a rede, também em silêncio (e eu, ali, só reparando a movimentação). Logo em seguida, levantou de novo, bem resolvido:

_ Bico vaca não, bico meu!!

A tática da minha sogra foi implementada por ele mesmo. Já com vários dentinhos, ele mordia a chupeta e ela se rasgou. Ele dizia: "esse bico 'tá tagado" (tradução: estragado) e, assim, jogava a chupeta no lixo. Jogou várias até que restou apenas uma. Um dia ele a deixou cair no vaso sanitário, bem no meio de um "número 2". Recusei-me a pegar. E ele, finalmente, se acostumou a ficar sem a chupeta.

Com o André foi mais difícil. Desde a barriga, ele já tinha a mania de chupar o dedo - o que continuou depois de nascido. Comecei a ficar desesperada toda vez que o via com o dedinho (na verdade, o dedão) na boca. Então, dá-lhe chupeta! Afinal de contas, não dá pra arrancar o dedo, não é?

Lembro-me que, quando ainda não sabia falar direito, ele a chamava carinhosamente de "bu-bu". Eu achava tão bonitinho... (coisa de filho caçula...).

Quando chegou a época de tirá-la, a tática de furar com agulha não funcionou. Cortei um pedaço com tesoura. Nada. Cortei outro. Nada também. Cortei até o talo, a borrachinha já quase não existia, e ele continuava com a chupeta na boca. Tentei todos os bichos, fiz todas as promessas de brinquedos e passeios. Nada. Fracasso total.

A decisão teve de ser radical: jogar fora e pronto. Deu trabalho. Muuuito trabalho. Foram muitos dias de choro antes de dormir. Outros tantos agitadíssimo, irritado, que eu quase voltei atrás na minha decisão. E, depois de dois meses, ele ainda pedia, na hora do sono: "Quelo chupeta..."

Isso já tem mais de dois anos. Mas dá pra acreditar que ele encontrou, lá no apartamento da minha mãe no Palavra da Vida, em Caldas Novas, uma chupeta dele? Ficou tão feliz que me perguntou se poderia usá-la de novo.

"Você é neném?", eu retruquei.
E ele: "Sou".
"Então pode usar".

Foi bom ter deixado. Ele dormiu todo satisfeito com a chupeta, que caiu da boca assim que ele pegou no sono, e depois nunca mais falou no assunto.