segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ser André


Estávamos deitados, lendo o livrinho "Deus fez você especial". Quando acabei de ler, virei-me para o André e disse: "Você é especial!!"

Ele respondeu: "Não sou especial não, mamãe".

E eu: "É sim, você é MUITO especial".

Ele retrucou de novo, agora já meio bravo: "Não sou muito especial não, eu sou André".

E lá fui eu explicar que ele continua sendo o André, uma pessoa muito especial. Mas não adiantou muito não...

No dia seguinte, no supermercado, um senhor passou por ele e disse que ele era bonito. "Eu não sou bonito não", ele respondeu já bravo. O senhor, educadamente, tentou consertar: "Ah.. me desculpe. Você não é bonito não, você é lindo!" Ele: "Eu não sou lindo não, eu sou André". Risada geral, inclusive das pessoas em volta que não participavam da conversa. E ele lá, com a cara fechada, sem a achar a menor graça.

A próxima aconteceu com o Tomás, que o chamou de mentiroso. A resposta foi imediata: "Eu não sou mentiroso não, eu sou André".

Eu também fui vítima da indignação dele outra vez, quando o chamei de filho. "Eu não sou filho não, eu sou André".

Que confusão deve ser a cabecinha de uma criança... Ao mesmo tempo em que as pessoas falam que ele é o André, também dizem que ele é especial, bonito, lindo e até mesmo mentiroso. Que tanto de nome é esse se ele aprendeu ter um só: André?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Nutrição e arte

E, no jantar, eu tentava convencer o Tomás a comer couve, recitando a mesma ladainha de sempre:

_ Filho, a couve é importante pra você crescer forte e saudável. O prato tem que estar sempre colorido; quanto mais colorido, mais saudável. Olha só: tem vermelho (e apontei para o tomate), alaranjado (da cenoura) e o verdinho da couve.

Ele concordou:

_ Eu sei. Queria que tivesse um azul também.