Dia desses li uma frase interessante. Era algo assim: "A maternidade é como um jogo de videogame. A cada fase, fica mais difícil."
Aviso para as recém-mães: nada poderia ser mais verdadeiro.
Quando um bebezinho nasce, a gente ouve tanto de tantas dificuldades que ficamos muito assustadas. E, de fato, é tudo muito difícil. Adaptação dos dois lados. Noites mal dormidas. Dias corridos. Choros. Cheiro de leite. Dor da cesárea. Mais choro. Fraldas sujas. Refluxo. Falta de tempo. Mudança das prioridades para o resto da vida.
"Essa fase vai passar". "Logo melhora". Pra quem??? Logo a criança começa a engatinhar e a alcançar todos os objetos perigosos. Logo a criança anda e você não tem mais um minuto de sossego. Logo a criança vai para a escola e você sofre pela separação.
E tem as viroses, gripes, resfriados, dores de barriga, bronquites, alergias... "Com 5 anos melhora". Mesmo? Um pouco...
Acho que, depois disso, vem uma fase mais amena. Se bem que tem as tarefas de casa... Ainda assim, acredito que é mais tranquilo. A criança é, finalmente, mais independente, não fica mais tão doentinha, os pais são seus super-heróis e as mães, as rainhas do lar.
Não demora muito (aliás, não demora NADA) e vem a pré-adolescência. E aí sim começam os grandes desafios. Na verdade, acredito que os primeiros anos são de cansaço físico e os demais, cansaço emocional.
Enquanto nos primeiros anos os filhos demandam muita energia dos pais; nos anos seguintes, são os pais que demandam dos filhos. Explico: se a gente não quiser perder os filhos nessa fase, precisamos o tempo todo nos reinventar.
Descobrir seus interesses e participar deles e, ao mesmo tempo, evitar pagar mico. Estar disponível, mas não sufocar e interferir demais. Deixá-los livres e também com vontade de ficar. Ser confiável. Aproveitar cada oportunidade. Insistir para sair de casa e fazer um programa diferente juntos, senão a vida passa dentro do quarto e em frente ao videogame e à televisão. Aguentar cara fechada e aprender a lidar com oscilações hormonais. Exigir respeito e cumprimento das responsabilidades, mas não ser intransigente. Ouvir que não os amamos só porque os obrigamos a ir ao casamento da prima. E continuar sendo a mãe mais insuportável do mundo para quem sabe um dia vir a ser amada novamente.
Vou confessar uma coisa: não existe nada mais difícil. É muito mais fácil limpar bumbum de neném...
porque todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucas se lembram disso...
segunda-feira, 25 de junho de 2018
quarta-feira, 21 de março de 2018
Posso ter um [perfil no] Facebook?
Hoje estou um pouco nostálgica. E me deu vontade de escrever. Comecei a rever todos os meus rascunhos do blog... Alguns muito antigos... Tão antigos que eu diria que já estão até mesmo defasados... Como esse, de 12/04/2013, em que o Tomás insistia comigo que queria um celular e um perfil no Facebook.
Na época, ele não tinha 10 anos. Eu e o Hugo combinamos que deixaríamos que ele tivesse um perfil em rede social desde que não precisasse mentir a idade para se inscrever. A idade do Facebook era 13 anos (ainda é). E ele estava longe de atingi-la. Então, a resposta foi não.
Dar essa resposta não é tão fácil assim. Ela sempre vem seguida de muita insistência e muita argumentação... É cansativo para todos, filhos e pais. Você também tem a opção de ceder. Pra mim, raras vezes essa é uma opção (eu sou uma mãe chata, lembram?), a não ser quando eu reconheço que estava errada. (Mas aí não é ceder, é reconhecer o erro e mudar de opinião. Outra história...)
"Mãe, todos os meus amigos têm Facebook!"
"Filho, eles mentem a idade. Isso não é certo."
"Mas qual é o problema em ter Facebook? Por que só com 13 anos?"
Então... Lá vêm as respostas de sempre: porque você expõe sua vida e sua intimidade. Porque você pode ter acesso a coisas que não deve ou que não são adequadas para a sua idade ("A internet é uma janela para o mundo"). Porque eu sou responsável por você. Porque... porque...
E por que só com 13 anos? (Se eu pudesse escolher, não seria nem com 13... Quem sabe com 18...) Talvez seja porque com 13 anos não é mais criança. Porque, em tese, você terá um pouco mais de maturidade e já poderá ser punido por eventual ato infracional - embora isso não me exima de responsabilidades. Porque... Porque...
E por que só com 13 anos? (Se eu pudesse escolher, não seria nem com 13... Quem sabe com 18...) Talvez seja porque com 13 anos não é mais criança. Porque, em tese, você terá um pouco mais de maturidade e já poderá ser punido por eventual ato infracional - embora isso não me exima de responsabilidades. Porque... Porque...
A verdade é que, pra ele, nenhuma explicação era plausível. Tivemos que assumir a chatice e apelar para a nossa autoridade de pais: não, porque não. Só com 13 anos.
Estou às voltas com essa guerra de novo. Agora, é o André que fala todos os dias na minha cabeça que quer ter um celular e que precisa de acesso ao WhatsApp, porque tem o grupo da escola, o grupo da turma de inglês, o grupo do futebol, o grupo das reuniões da igreja, o grupo da banda e até mesmo o grupo da família.
Resolvi a questão, por um tempo, permitindo que ele use o meu WhatsApp para integrar todos os grupos que quiser. Mas tive que mudar a foto do meu perfil para uma foto que tivesse nós dois e meu nome para "Eleonora e André" (apesar dos protestos para que fosse "André e Eleonora").
Mesmo assim, tenho muita dificuldade em acompanhar/fiscalizar o conteúdo das mensagens. Fico meia hora longe do celular e, quando vejo, já são umas 300, sem falar nos inúmeros áudios e vídeos. Penso, desesperada: esses meninos não estudam não? Tem mensagens até na hora do intervalo das aulas e no recreio! Por que não conversam entre si ao vivo? Enviam mensagens no meio da semana depois de 11h da noite e, no fim de semana, às 2h da manhã. Que horas vão dormir?
Acho que estou na contramão do mundo...Vai ser desafiador (pra ser otimista) segurar isso por mais 2 anos...
E o mais intrigante dessa história é que, quando finalmente o Tomás teve um celular, ele não quis mais ter um perfil no Facebook... Não é mais interessante. Como tudo muda rápido! Socorro!!
P.S. Acabei de descobrir que o WhatsApp também tem limite de idade: 16 anos! E o Tomás só tem 14 e acessa desde os 13... (suspiro)
Estou às voltas com essa guerra de novo. Agora, é o André que fala todos os dias na minha cabeça que quer ter um celular e que precisa de acesso ao WhatsApp, porque tem o grupo da escola, o grupo da turma de inglês, o grupo do futebol, o grupo das reuniões da igreja, o grupo da banda e até mesmo o grupo da família.
Resolvi a questão, por um tempo, permitindo que ele use o meu WhatsApp para integrar todos os grupos que quiser. Mas tive que mudar a foto do meu perfil para uma foto que tivesse nós dois e meu nome para "Eleonora e André" (apesar dos protestos para que fosse "André e Eleonora").
Mesmo assim, tenho muita dificuldade em acompanhar/fiscalizar o conteúdo das mensagens. Fico meia hora longe do celular e, quando vejo, já são umas 300, sem falar nos inúmeros áudios e vídeos. Penso, desesperada: esses meninos não estudam não? Tem mensagens até na hora do intervalo das aulas e no recreio! Por que não conversam entre si ao vivo? Enviam mensagens no meio da semana depois de 11h da noite e, no fim de semana, às 2h da manhã. Que horas vão dormir?
Acho que estou na contramão do mundo...Vai ser desafiador (pra ser otimista) segurar isso por mais 2 anos...
E o mais intrigante dessa história é que, quando finalmente o Tomás teve um celular, ele não quis mais ter um perfil no Facebook... Não é mais interessante. Como tudo muda rápido! Socorro!!
P.S. Acabei de descobrir que o WhatsApp também tem limite de idade: 16 anos! E o Tomás só tem 14 e acessa desde os 13... (suspiro)
Chata, chata, chata!
Hoje, no programa "Hora de expediente", da CBN, o Dan Stulbach falava de sua participação na "reunião de pais e mestres" da escola de seu filho. Após comentar que a reunião hoje é muito diferente das reuniões de sua época como aluno, ele contou de uma "dinâmica" que teve na reunião. Você teria que escrever em uma folha um adjetivo que mais te caracteriza como pai/mãe. Essa folha seria pregada numa parede da escola e, depois, o seu filho teria que adivinhar qual foi o adjetivo com o qual você se identificou.
Ele ainda não contou qual adjetivo escolheu, até mesmo porque hoje é que seu filho adivinhará. Então, pra não estragar a proposta, essa parte ficou para o programa de amanhã. Mas ele antecipou que, numa rápida pesquisa com os pais que estavam à sua volta, a maioria estava escolhendo o adjetivo "corajoso".
De fato, acho que essa é a característica mais marcante para quem escolhe ser pai hoje em dia. Como diz a música cantada por Milton Nascimento, é preciso coragem.
Coragem para a mais difícil de todas as missões; coragem para assumir que quer ter trabalho; coragem para sair da sua zona de conforto; coragem para enfrentar medos, desafios e preocupações; coragem para ensinar, disciplinar, corrigir, exortar e repreender; coragem para abrir mão de seus próprios interesses; coragem para ser modelo e exemplo na vida de alguém; coragem para se expor, reconhecer erros e pedir perdão.
Enfim, coragem. Do dicionário, bravura, intrepidez, ousadia, resolução, franqueza, desembaraço, perseverança, constância, firmeza. É preciso muita coragem.
Apesar disso, acho que o adjetivo que melhor me qualifica como mãe é chata. Já escrevi sobre isso várias vezes. Eu sou chata mesmo - e com orgulho!
Mas até para ser chata é preciso coragem, muita coragem, com todos os seus sinônimos, principalmente resolução, perseverança, constância, firmeza. E, antes de tudo, amor!
Resumindo: em razão do meu amor pelos meus filhos, eu tenho coragem para ser chata com eles. Acho que isso é o que me define como mãe. Com a palavra, os filhos.
terça-feira, 20 de março de 2018
À la João Martins
Eu falei no texto anterior que o jeito do André de ter resposta pra tudo me lembra muito o meu avô João. E isso me fez lembrar de algumas histórias mais recentes dele que eu não registrei.
Como da vez que uma colega aproximou-se dele na hora do recreio e disse: "André, você sabia que TODAS as meninas da sala gostam de você?"
Ele perguntou, provocativo: "Até você?" (será que era por essa que ele era interessado??)
A menina, lógico, não poderia se entregar desse jeito, né? Negou, indignada: "Eu, não!!"
E ele, no melhor estilo João Martins, retrucou: "Então, você é menino?"
Ela ficou sem entender a pergunta. Ele explicou: "Se TODAS as meninas da sala gostam de mim e se você não gosta, então você é menino."
Preciso dizer que ela ficou com ódio dele? Eu ficaria com toda certeza. Diacho de menino inteligente!
Chatinhas
Confesso - de verdade! - que eu não me lembro o contexto dessa história. Eu certamente estava reclamando do Hugo, por alguma coisa que ele tinha feito ou, talvez, que ele não tinha feito...
Infelizmente, a vida não é como um filme, que segue direitinho o roteiro já definido. Eu até tento seguir o ideal de nunca - ou, pelo menos, raramente - reclamar e/ou discutir com meu marido na frente dos meus filhos, mas, como vocês devem saber, essa é uma meta difícil de ser alcançada.
O fato é que dia desses eu estava reclamando do Hugo... E devia mesmo estar no melhor estilo "mulher rixosa", gotejando sem parar as minhas reclamações.
Foi nesse exato momento que o André, do alto de seus nove anos, resolveu dar um conselho para o seu pai. Antes de contar qual foi o conselho, eu preciso falar um pouco dessa figurinha que pari.
Uma vez, a minha mãe também estava reclamando do meu pai para o André. Acho que ele tinha uns quatro ou cinco anos na época. Ela falava: "André, olha só o seu avô... o tanto de roupa que ele suja...". E o André lá, brincando ao lado dela, sem falar nada, só ouvindo. E ela continuava reclamando... Seu avô isso, seu avô aquilo...
Pouco depois, acredito que já cansado de tanto ouvir, ele soltou essa, com bastante ênfase na segunda frase: "Meu avô não. Seu marido."
A advertência foi clara: os papéis são diferentes. Como avô, ele é perfeito - e não fale mal dele nessa função. Como marido, você pode falar o que quiser. É o seu marido, e não o meu avô.
E até hoje, toda vez que minha mãe reclama do meu pai a gente repete essa "tirada" do André: meu pai não, seu marido!
Eu poderia contar várias outras histórias dele e ainda falar que ele me lembra muito o meu avô João, sempre com uma boa resposta na ponta da língua. Mas a de hoje é o conselho que ele deu para o Hugo enquanto eu gotejava sem parar.
Ele apenas disse, na maior cumplicidade, como quem entende muito do assunto: "Ignora, pai... As mulheres são chatinhas assim mesmo."
É... Acho que essa é a minha sina... Ser chata para o resto da vida.
segunda-feira, 19 de março de 2018
Do que é feita a vida
O André é, desde sempre, um conquistador barato. É brega, eu já contei isso por aqui, e também já disse que é difícil resistir a esse charme. Às vezes, é pura enganação; outras, eu até acredito que é de verdade (sou a mãe, né?...). E não posso negar que, enganação ou não, ele consegue sempre deixar meu dia pelo menos mais divertido e, consequentemente, mais feliz.
Revendo meus rascunhos, encontrei vários exemplos das "cantadas" dele...
Como essa, do dia 7 de novembro de 2011, em que ele, com apenas 5 anos, assim que acordou, me deu um abraço e disse: "Como é bom ter uma mãe
linda e cheirosa!!"
E o bilhetinho que ele me deu de Dia das Mães em 2014??
Era a semana do dia das mães. A escola de inglês sempre dá uma lembrancinha. Mas a aula dele é às segundas e quartas e o dia das mães, só no domingo. Ansioso que só, ele não aguentou esperar e me entregou o presente na quarta mesmo, acompanhado do seguinte bilhete:
"Feliz dia das mães! Eu te amo antes!"
A explicação veio logo em seguida, oralmente: "'Antes' porque hoje ainda não é o Dia das Mães. Eu amo você antes do Dia das Mães!"
A mãe babona aqui interpretou como um "Eu te amo desde sempre e sem precisar de data especial". Mil corações!!
E o bilhetinho que ele me deu de Dia das Mães em 2014??
Era a semana do dia das mães. A escola de inglês sempre dá uma lembrancinha. Mas a aula dele é às segundas e quartas e o dia das mães, só no domingo. Ansioso que só, ele não aguentou esperar e me entregou o presente na quarta mesmo, acompanhado do seguinte bilhete:
"Feliz dia das mães! Eu te amo antes!"
A explicação veio logo em seguida, oralmente: "'Antes' porque hoje ainda não é o Dia das Mães. Eu amo você antes do Dia das Mães!"
A mãe babona aqui interpretou como um "Eu te amo desde sempre e sem precisar de data especial". Mil corações!!
Uma outra vez, já maiorzinho, ele pegou a caixinha da meia-aliança que o Hugo me deu de aniversário de 15 anos de casados, ajoelhou-se ao meu lado e disse, com a caixinha nas mãos: "Você aceita ser minha mãe?"
Ai, ai... Como não se apaixonar por um menino desses??...
É claro que eu aceito ser sua mãe. A maior honra da minha vida foi exatamente essa: Deus ter me confiado você e o Tomás para que eu os criasse.
É claro que eu aceito ser sua mãe. A maior honra da minha vida foi exatamente essa: Deus ter me confiado você e o Tomás para que eu os criasse.
Que Ele me ajude, a cada dia, a cumprir essa missão com zelo, amor e temor!
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