
porque todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucas se lembram disso...
sábado, 27 de dezembro de 2008
Cantata de Natal

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Feliz Natal!
"Cristo nasceu!Cristo nasceu!
Presente de Deus, seu filho nos deu.
"...eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor" (Lucas 2:10-11)
Que a alegria pelo nascimento de Jesus Cristo seja o nosso maior presente neste natal!
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
O que é um pé d'água?
O porquê dos nomes (partes do corpo)
"É... bem... porque... não sei, filho."
"Mãe, por que chamam 'sovaco' de axila?"
"Sovaco e axila são a mesma coisa, filho, mas sovaco é uma palavra feia. Falar axila é mais bonito."
"Por quê?!?!!!? Pra mim, axila é que é feio."
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Sem mamãe
Então, na sexta-feira, lá estava eu fazendo de tudo pra não chorar na frente dos outros e não passar vergonha (em mim mesma e no Tomás). Aguentei bravamente. Depois das várias recomendações, disse para o Tomás que, qualquer coisa, ele poderia me ligar. "Como, mãe? Eu não tenho celular!" "Ah, filho, pede pra algum 'tio' ligar".
Como em toda despedida, ver o ônibus partir (pra ir só até a saída de Inhumas) foi a pior parte. Quer dizer, voltar pra casa sem ele também foi péssimo. Ainda bem que, antes, eu tive que buscar o André na casa da minha mãe. Assim, o vazio ficou um pouco menor.
Mas pensar que, no meio de 80 crianças (oi-ten-ta!!), uma era meu filho não deixava meu coração em paz. A vontade de ligar pra saber se estava tudo bem me perseguiu o fim de semana inteiro. Graças a Deus, tudo correu bem e domingo à tarde ele já estava de volta, todo feliz, contente e... super cansado!
Em casa, depois de ouvi-lo contar um pouco de tudo que tinha feito lá, dei mais um abraço nele e disse: "Sabe de uma coisa?" Ele: "Sei". "Sabe nada!" "Sei sim, você vai falar que me ama muito". "Não". "Já sei: que eu sou muito especial". "Também não". "O quê, então?" "Que eu fiquei com muita saudade de você, porque te amo muito e você é muito especial". "Ahhh...."
Não satisfeita, completei: "É sério, filho. A mamãe ficou com muita saudade de você. Você também ficou com saudade da mamãe?".
E ele, lindo como sempre, respondeu: "Mãe, sabia que eu ainda estava no ônibus, nem tinha chegado no acampamento, e eu já queria você? Mas aí um 'tio' disse pra mim que seria muito legal e ficou perguntando para os outros meninos se eles me conheciam e que eu era muito gente boa!"
Me contentei com essa parte e não fiz mais nenhuma pergunta. Me poupei de ouvir a resposta óbvia de que depois ele nem sentiu minha falta...
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Ser André

Ele respondeu: "Não sou especial não, mamãe".
E eu: "É sim, você é MUITO especial".
Ele retrucou de novo, agora já meio bravo: "Não sou muito especial não, eu sou André".
E lá fui eu explicar que ele continua sendo o André, uma pessoa muito especial. Mas não adiantou muito não...
No dia seguinte, no supermercado, um senhor passou por ele e disse que ele era bonito. "Eu não sou bonito não", ele respondeu já bravo. O senhor, educadamente, tentou consertar: "Ah.. me desculpe. Você não é bonito não, você é lindo!" Ele: "Eu não sou lindo não, eu sou André". Risada geral, inclusive das pessoas em volta que não participavam da conversa. E ele lá, com a cara fechada, sem a achar a menor graça.
A próxima aconteceu com o Tomás, que o chamou de mentiroso. A resposta foi imediata: "Eu não sou mentiroso não, eu sou André".
Eu também fui vítima da indignação dele outra vez, quando o chamei de filho. "Eu não sou filho não, eu sou André".
Que confusão deve ser a cabecinha de uma criança... Ao mesmo tempo em que as pessoas falam que ele é o André, também dizem que ele é especial, bonito, lindo e até mesmo mentiroso. Que tanto de nome é esse se ele aprendeu ter um só: André?
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Nutrição e arte
_ Filho, a couve é importante pra você crescer forte e saudável. O prato tem que estar sempre colorido; quanto mais colorido, mais saudável. Olha só: tem vermelho (e apontei para o tomate), alaranjado (da cenoura) e o verdinho da couve.
Ele concordou:
_ Eu sei. Queria que tivesse um azul também.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Para o futuro
domingo, 19 de outubro de 2008
Novo vocábulo

quarta-feira, 8 de outubro de 2008
O ajudante e seu pai
No aniversário dele, ele e o Davi me ajudaram com os enfeites e também a enrolar brigadeiros - e ficaram bastante satisfeitos com a incumbência, tanto que o Tomás me fez prometer que, em todas as reuniões e festas da nossa casa, eu o deixaria ajudar. E ele ajuda de verdade: limpa cadeiras, arruma a mesa, guarda os brinquedos...
Ontem, o estrado da cama do André quebrou (talvez por causa de uns 'pulos' em excesso...). O Hugo pegou a maletinha de ferramentas pra arrumar: prego, martelo, serreta - tudo que menino (pequeno e grande) é fascinado.
O Tomás, mais que depressa, correu pra ajudar. E o Hugo o deixou martelar o estrado, tirar a tábua quebrada e os pregos, serrar a madeira, limpar o chão... serviço completo. No final da empreitada, a declaração de um garoto realizado: "Pai, você é o melhor pai do mundo!!"
Mamãe linda!!
E é assim que a felicidade que a gente sempre sente quando chega em casa é capaz de se elevar à enésima potência e ser multiplicada ao infinito...
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Segredo
_ O que é, mãe?, disse ele todo empolgado.
_ Não conta pra ninguém, hein?
Suspense...
_ A mamãe te ama muito!!!
E ele, decepcionado, reclamou:
_ Ah, manhê... eu sei disso desde que eu tenho 4 anos!
terça-feira, 30 de setembro de 2008
No carro
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Filosofia materna

sábado, 13 de setembro de 2008
Acordei
Abri os olhos e vi aquele pequeno ser com o rosto grudado ao meu. Um sorriso no olhar. Uma carinha linda. Segurei suas mãozinhas e ajudei-o a subir na minha cama. Ainda ficamos um tempinho deitados, abraçadinhos.
E foi desse jeito que eu também acordei hoje: feliz da vida!!
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Mais outras do André...

O André, quando estava começando a dar birra (hoje, ele já diminuiu bastante, pois a nossa estratégia é ignorar solenemente), caiu e bateu a cabeça com força no chão. Acho mesmo que ele esperava que fôssemos socorrê-lo antes que isso acontecesse e, por isso, caiu com vontade. Mas não deu certo: além de não conseguir o que queria, ainda se machucou.
Buscando evitar essa segunda parte e ver se ainda conseguia garantir a primeira, ele estudou maneiras de cair. Então, ele começava a chorar, caía de bumbum no chão (amortecido pela fralda), colocava o braço, apoiando o cotovelo, e só depois deitava-se, completando a cena clássica da birra.
E nós, além de termos que ignorar a birra, ainda tínhamos que tentar ignorar a vontade de rir...
Como também acontece nas vezes em que ele disfarça e finge estar fazendo outra coisa pra escapar de uma bronca.
Essa foi na piscina. Toda hora ele ficava querendo beber a água da piscina. O Hugo já tinha dado várias broncas, mas ele continuava lá, com a boca aberta, esperando que alguma ondinha a enchesse de água.
Numa dessas vezes, o Hugo o pegou no flagra, com a boca aberta. E ele, mais do que depressa, fingiu que estava apenas cantando... Quem agüenta?
domingo, 7 de setembro de 2008
Leitura noturna
Gosto sempre de ler um livro com os meninos antes de eles dormirem. É o nosso pequeno ritual noturno: tomar banho, por pijama, tomar leite, escovar os dentes, ler um livro ou história da Bíblia, orar e dormir. E eles gostam tanto disso que toda noite vão escolher o livro (e eu acabo tendo que ler uns 2 ou 3...).Dúvida cruel
_ Mãe, Deus criou todas as coisas.
_ Sim?...
_ Mas quem criou Deus?
Eu sabia que essa pergunta chegaria. Afinal de contas, são muitas as dúvidas que mesmo nós, adultos, temos acerca de Deus. E me preparei pra respondê-la. Aprendi que podemos ser sinceros com os filhos, que podemos confessar sem medo algum que não sabemos todas as coisas (aliás, nunca tive tal pretensão). E, ainda que eu tivesse a resposta, é uma pergunta sem fim: e quem criou quem criou Deus?
Tentei explicar que há mistérios que não conseguimos entender e que só nos serão revelados quando morrermos e pudermos perguntar diretamente pra Deus. Mas a ansiedade pelo conhecimento o deixou meio triste e decepcionado:
_ Ah, mãe... isso vai demorar muito... Eu tô crescendo tão devagar... Parece até o jeito que a Terra roda!...
(Ai, isso é assunto pra outro texto... É que, no aniversário, ele quis saber como é que a gente sabia que já tinha passado o tempo pra chegar o outro aniversário - e eu fui tentar explicar os movimentos de translação e rotação da Terra. Não sei se tive muito sucesso na minha explicação, mas uma coisa é certa: ele já viu que a gente não consegue perceber nem o tempo nem o crescimento. Quando vimos, é isso aí: já passou!)
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
TOC
E, quando ele faz isso em um banheiro, ele lembra que existe outro na casa e que essa mesma situação pode estar ocorrendo lá. Incontinenti, ele vai para o outro banheiro, determinado a resolver esse problema.
Se as gavetas ou portas de um armário estão abertas, ele as fecha. Ah, a porta da geladeira também (quase não dá tempo de pegar o que queremos). E nunca desce do carro e sai correndo. Primeiro, ele fecha a porta.
Se as revistas estão umas de cabeça pra cima e outras de cabeça pra baixo, ele logo trata de colocá-las todas no mesmo sentido.
Quando ele se levanta da cadeira, sempre a coloca de volta ao lugar, pertinho da mesa. E também arruma as cadeiras dos outros que se levantaram sem a mesma preocupação.
Se o meu celular ou a minha bolsa estão jogados em cima da mesa ou do aparador, ele vem me entregar: “xeu xeúlar, mamãe”. Implícita a mensagem: “por favor, guarde”. E eu nunca posso me levantar e deixar o chinelo pra trás.
A mochila da escola fica sempre no mesmo cantinho. E os sapatos, sempre enfileirados em ordem de tamanho (primeiro os do Tomás, depois os dele).
O André é assim: organizado. Gosta que as coisas estejam em seus devidos lugares. Mas quando a gente diz que ele não precisa se preocupar, que a porta do box pode ficar aberta, que não tem problema, ele sai sem achar ruim, dizendo um apressado - e resignado - “tá bom”, quase como se dissesse: "se você gosta de viver assim..."
Flagrante delito
Sexta-feira à tarde. Prenúncio do fim de semana na casa da vovó Delza. E casa de vó é sempre igual: os netos acham que podem deitar e rolar.
O André, longe dos olhos de todos, tirava as pedrinhas do vaso de bambu-mossô da "sala de visita" e as jogava em cima do sofá.
Foi quando o vovô Edésio chegou inesperadamente, antes do horário de costume, e o pegou no “flagra”.
Antes mesmo que o vovô desse a merecida bronca (nem tinha dado tempo de ver o que o André fazia no cantinho da sala), ele já veio com a mãozinha em riste, dizendo:
“Vai trabalhar, vovô!! Vai trabalhar!!!!” (e não veja o que estou fazendo de errado).
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
O melhor presente
As preparações para os aniversários são quase sempre iguais: escolher o tema, a decoração, encomendar salgados, fazer docinhos, encher balões... Mas esse ano ele quis diferente.
Primeiro, a festa teria que “começar de dia e terminar só à noite”. Ele queria um churrasco na casa do vovô Edésio. Um aniversário pra durar o dia inteiro: brincar na piscina, correr na quadra, pular na cama elástica, jogar pebolim (é... a casa do vovô Edésio e da vovó Delza é um verdadeiro clube).
Segundo, ele queria a festa do “Ben 10”. Pra quem não sabe - só os pais de meninos entre 5 e 7 anos devem conhecer a figura -, o "Ben 10" é um garoto de 10 anos, que possui uma espécie de relógio que “assume o DNA” de 10 alienígenas diferentes. Tudo isso com o objetivo de "proteger a terra".
Até aí, tudo bem, um super-herói infantil moderno – que substituiu os tão conhecidos Super-homem, Homem-aranha e Batman. Mas o problema é que as coisas do "Ben 10" ainda não foram lançadas no Brasil. Não há brinquedos, não há produtos para festa, apenas o álbum de figurinhas (febre entre a “categoria”).
E o presente que ele mais queria, ou melhor, o único que ele queria (me disse que não precisava ganhar nenhum outro), era o tal relógio que o "Ben 10" usa para se transformar nos dez alienígenas: o "omnitrix".
Eu, como talvez a maioria das mães, procurei de todas as formas satisfazer o desejo do meu filhote. Todas as formas mesmo. Tentei encomendar pela internet: “temporarily not available online”. Pedi para meu irmão que estava em viagem pela Europa: o vendedor, um educado francês, riu na cara dele e ainda disse que, se ele encontrasse, voltasse para avisar. Pedi para a mãe de uma amiga que estava nos EUA: ela não achou (tudo bem que ela procurou em algumas lojas pelo relógio do “BENIO”...) O último recurso foi a sogra da minha cunhada (olha o desespero!), que mora nos EUA e que foi “super hiper mega power plus advanced” prestativa e achou, depois de procurar em várias lojas, por vários dias, um brinquedo melhor ainda do que o Tomás queria: o tal relógio vinha com 3 garras dos monstros alienígenas (lógico, também era mais caro).
Ah, também consegui encontrar pela internet vários itens para a decoração com o tema do “Ben 10”. Alguns foram dos EUA (entregues para a sogra da minha cunhada) e outros direto da 25 de março, em pré-venda (http://www.magazine25.com.br/).
Pronto: a festa, a decoração e o único presente que ele tanto queria (que, na verdade, foi a tia Liliam quem acabou dando) - conseguira todos! Me sentia realizada como mãe do aniversariante.
Depois da festa, ele rodeado pelos presentes, alguns totalmente esperados (como todos os relacionados ao "Ben 10"), outros absolutamente inesperados (como o skate que o tio Adriano e a tia Celana deram e o "laptop" do tio Aurélio e da tia Letícia – a carinha de satisfação e surpresa foi contagiante) e tantos outros que ele achou o máximo (um livro de atividades, as pistas da Hot Wheels, um pula-pula, os jogos...) – isso sem falar nos R$250,00 que ele juntou à mesada pra comprar uma bicicleta nova –, eu perguntei o que ele tinha gostado mais.
E qual não foi a minha surpresa quando ele me respondeu o que ele tinha gostado mais. Não fora a decoração inédita, ou o churrasco tão gostoso do vovô Edésio, ou o bolo mais delicioso da tia Fernanda, ou a animação dos palhaços (que fizeram uma encenação sobre o nosso verdadeiro super-herói), a corrida de saco ou de ovo na colher, ou a farra na piscina, nem mesmo o relógio do "Ben 10".
“Mãe, o que eu mais gostei foi dos convidados.”
Filho, só você mesmo pra ser tão especial assim e me ensinar tantas coisas importantes. Afinal, o que há de mais valor nessa vida do que os nossos amigos? Sem eles, nenhuma festa, nenhum brinquedo faz sentido. Eis o melhor presente de aniversário: os convidados!
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Tirando a fralda...
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Mãe e mães
_ Mãe, sabia que você é a melhor mãe que eu tenho?
Um sorriso e um abraço apertado depois, e me veio uma curiosidade:
_ E você tem mais de uma mãe?
_ Tenho!! (com cara de obviedade)
_ Mesmo?!? Quem são as suas outras mães?
_ A tia Fernanda, a vovó Delza... a vovó Vânia também. Elas são 'minha mãe' quando você não está.
Com uma concorrência dessas, acho que o meu posto de melhor mãe do Tomás ficou ainda mais valorizado.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
É o seu aniversário!
Hoje eu sinto que estou muito grande
Sinto mesmo que sou um gigante
Do tamanho de um elefante
É que hoje é meu aniversário
E quando chega o meu aniversário
Eu me sinto bem maior, bem maior,
Bem maior do que eu era antes..."
Para o meu filhote que hoje está ficando bem maior do que ele era ontem.
Que você continue crescendo em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens! Parabéns!!!
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
O adultinho
O Tomás ficou intrigado com aquilo. O Hugo explicou pra ele que aquela pessoa tinha uma doença que a impedia de crescer. Então, ele ficava do tamanho de uma criança, mas com a cabeça do tamanho de um adulto. E foi só.
Eu não presenciei a explicação e não estava sabendo de nada. Cheguei à praia e o Tomás foi logo falando:
"Mãe, você viu o adultinho?"
"Vi o quê, Tomás? "
"O adultinho, mãe..."
"De quem você está falando, filho?"
"Mãe! O adultinho!!! Aquele homem que fica lá naquele barco, você não viu?!? Ele tem uma doença, é do tamanho de uma criança, mas ele não é criança, é um adultinho!! Você não sabia?"
Ah sim, um adultinho... Como não pude entender antes?
terça-feira, 15 de julho de 2008
Financista
Aí, a vovó Olinta deu R$50,00 de presente e eu logo providenciei a carteira pra ele guardar e começar a economizar. E decidimos que ele ganharia uma moedinha de R$0,50 por dia de "mesada".
Fomos à loja de brinquedos para decidir qual seria o objetivo da economia, o que ele iria querer comprar. Brinquedo escolhido e contas feitas, vimos que ele demoraria uns 3 meses, com seus 50 centavos ao dia, pra conseguir juntar o dinheiro necessário.
Acontece que ele contou isso pra todo mundo: avós, tios, tias-avós, bisavós... E todo mundo quis colaborar com o "cofrinho". Em menos de um mês, ele já tinha os R$170,00 necessários para comprar o que escolhera: uma pista da Hot Wheels e um boneco do Max Steel.
Fomos à loja e ele, todo orgulhoso, comprou a pista do dragão - que estava em promoção - e desistiu do boneco do Max Steel. Gastou R$99,00. Só ficou meio triste quando viu todas as suas moedinhas irem embora...
Agora, sua nova "empreitada" é economizar para comprar uma bicicleta nova (depois que ele aprendeu a andar sem rodinhas, ficou achando que sua bicicleta antiga é muito pequena). E já começou de novo na vantagem: a vovó Delza deu R$50,00 de "incentivo".
Mas o que eu achei melhor nessa história toda é que agora tenho novos argumentos quando ele fica me pedindo mil coisas no shopping. Além de entender um pouco mais sobre o valor das coisas, ele tem dinheiro para comprar o que está querendo.
Como aconteceu esses dias lá na Centauro: ele queria porque queria uma máscara de mergulho que custava míseros R$90,00. Expliquei como era caro, que quase dava pra comprar a metade da bicicleta que ele queria. Ele escolheu outra de R$70,00. Já impaciente por explicar de novo a mesma coisa, disse: "Tomás, você tem dinheiro pra comprar essa máscara, pode comprar sozinho, não precisa do dinheiro da mamãe".
E ele, resignado, resmungou baixinho: "Ainda bem que eu não trouxe a minha carteira".
Ah, como é fácil gastar o dinheiro dos outros...
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Andando de velocípede - a folga
Andando de bicicleta - a prova
terça-feira, 3 de junho de 2008
Andar de bicicleta

da titia e da neta,
mas o que eu gosto mais
é de andar de bicicleta"
Esses versinhos singelos bem que poderiam ter sido feitos para o Tomás. São a tradução perfeita para a predileção dele do momento: andar de bicicleta. Sem rodinhas!!! Isso mesmo, ele aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas e não está se contendo de tanta felicidade. E como causa uma sensação estranha vê-lo andar de bicicleta sem ajuda... É uma mistura de orgulho e espanto. Ele me parece tão crescido... e ainda me lembro dele no velocípede.
Lembro-me também da minha primeira bicicleta: uma caloi cecizinha vermelha, com garupa, cestinha e penduricalhos branquinhos no guidom, que até hoje está guardada lá na minha mãe, reformada e conservadíssima (só não tem mais a cestinha e os penduricalhos). Ganhei de natal, após espalhar milhares de bilhetinhos "não se esqueça da minha caloi" nos bolsos das camisas e paletós do meu pai, e nas gavetas do guarda-roupa da minha mãe.
Isso sem falar da vez em que resolvemos construir, num lote baldio, uma pista de "bicecross", com rampas, curvas e até mesmo um lugar reservado para a platéia. Invenções de férias que ainda podiam ser curtidas fora de casa, na rua, sem videogame e canal de desenhos o dia inteiro.
Meu pai chegou do trabalho e nos viu, de enxada na mão, capinando o lote. Vê se pode! Mas, em vez de nos dar uma merecida bronca (e o potencial risco de encontrar uma cobra no caminho?), contratou um moço pra terminar a nossa pista, que ficou o máximo e permitiu um mês inteiro de brincadeiras, até que o mato voltasse a crescer.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Sampa
Gosto de passear à pé pelas ruas de São Paulo. Gosto de andar de metrô. Gosto de sair de carro. Gosto até dos congestionamentos (os lentos apenas e não aqueles que a gente fica 30 minutos sem sair do lugar): dá pra ouvir uma música inteira do CD, às vezes até o disco inteiro; dá pra falar com seus amigos pelo celular (no viva-voz pra você não ganhar uma multa do "marronzinho" da esquina); dá pra você saber um monte de novidade da vida do seu filho ou do seu marido - o tempo "perdido" no trânsito é "desculpa" pra conversar.
Gosto dos shoppings. Gosto das lojas de ponta de estoque. Gosto das lojas de rua. Gosto das ruas de lojas, as que vão do luxo ao "lixo", do sofisticado ao popular, do profano ao sagrado. Gosto de ver as novidades, o disparate de preços, as tantas variedades e opções, as peças raras e as que estão em todo lugar, as promoções de verdade.
Gosto de ir ao teatro, de sofrer escolhendo qual peça assistir, considerar preço, localização e qualidade. Gosto de ir ao cinema, deliberar qual a melhor sala. Gosto de ir aos parques, poder alugar uma bicicleta de dois lugares ou com charretinha atrás, e me cansar de tanto caminhar sem dar voltas.
Gosto da diversidade da cidade e gosto sobretudo de relembrar (e revisitar sempre) tudo de bom que vivi lá: as minhas amizades, os passeios, as boas compras, os "achados". Os únicos defeitos de Sampa: 8h de trabalho e ser longe demais de Goiânia... Como uma semana passa rápido!
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Confissões de mãe
Sei que é sacrificante para a mulher trabalhar fora e cuidar dos filhos e da casa; e que o ideal seria não trabalhar para bem cumprir o papel de mãe, esposa e dona-de-casa. Mas confesso uma coisa: gosto de ir trabalhar mesmo assim. Confesso mais: às vezes, vou trabalhar para descansar um pouco.terça-feira, 13 de maio de 2008
Música para os ouvidos
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Até logo, Virgínia
Infelizmente, não tive a chance de conhecê-la melhor, mas mesmo assim sua morte trágica me marcou muito. Não apenas por ter sido tão inesperada; não apenas por ter sido o segundo enterro de criança que fui no prazo de um mês; não apenas por eu ter dois filhos, sendo um da mesma idade dela; mas pelo testemunho da família e pelo que Deus tem falado ao meu coração através dos paradoxos da morte.
Ver uma criança morrer é sempre muito triste, porque fica em nós a sensação de uma planta ceifada abruptamente antes mesmo que se desenvolvesse, antes que desse frutos. Parece que nem chegou a germinar. Um sonho do qual você se despertou de repente.
Mas ver uma criança morrer e saber que quem está sofrendo somos apenas nós, porque ela está ao lado de Deus, brincando no céu como jamais pôde brincar e se divertir aqui na terra, é esperançoso, é acalentador, é reconfortante. A morte de alguém sem Deus, ao contrário, não é apenas muito triste, é desesperadora, é angustiante, sufoca.
Não há palavras para descrever a tristeza e a dor da separação nos olhos de uma mãe. Mas eu também não tenho palavras para descrever o olhar dessa mesma mãe em sua despedida da filha antes de fecharem o caixão.
A certeza do reencontro com a filha um dia, ao lado de Jesus, fez com que aquele momento mais se parecesse com a despedida de uma viagem. Aquela viagem dos sonhos, para a qual você ajudou seu filho a se preparar a vida inteira. Mas infelizmente essa viagem vai fazer seu filho ficar muito, muito tempo longe de você, sem mandar uma carta ou e-mail, sem fazer um telefonema, nada, nenhuma comunicação ou notícia. A mãe está triste por causa disso, mas ela também está feliz porque o filho está feliz, é tudo que ele sempre quis e é tudo que ela sempre quis pra ele. Ela tem certeza de que ele estará muito bem. Na verdade, ela está orgulhosa, porque o filho está indo para o melhor lugar do mundo, onde ele não passará fome nem frio, não terá dor nem sentirá cansaço, não sofrerá nenhuma privação, não passará por tristeza alguma.
É ou não é um paradoxo? Como pode a morte ser triste e esperançosa ao mesmo tempo? Como pode ser motivo de separação e reencontro? Como pode a morte trazer um bem para as nossas vidas? Mas a verdade é que apenas a morte em Cristo pode ser assim. E apenas os que vivem em Cristo também podem se sentir assim.
Até logo, Virgínia. Quero um dia te reencontrar.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Livros, livros e mais livros

terça-feira, 1 de abril de 2008
Noite cheia
Quando finalmente eu estava começando a pegar no sono, o outro pequeno acordou, também carente de um abraço. Pensei primeiro que era fome e dei uma mamadeira. Mas não adiantou, ele queria um colinho. Levei-o pra minha cama e ele, igualzinho ao irmão, queria ficar encostado. E ficou, até que, já levado pelo sono, aceitou ficar no berço sozinho de novo.
E o que é mais engraçado é que, mesmo não tendo dormido muita coisa, acordei renovada.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Home alone
Ontem, os meninos foram sozinhos à Igreja com o Hugo. Eu fiquei em casa. A princípio, a idéia era descansar, dormir um pouco mais, enfim, ficar tranqüila em casa. Mas quem disse que eu dei conta de fazer isso vendo o montão de roupa pra lavar e a casa toda bagunçada? Coloquei umas roupas na máquina, dei uma geral na casa e só depois disso fui tomar meu café da manhã sossegada e, em seguida, um banho demorado. Coisas que a gente não faz direito no dia-a-dia, seja porque não pode, seja porque não deixam...Então, de banhozinho tomado, peguei o notebook e o meu DVD novo da série "Mothern", e deitei na cama pra assistir. O primeiro episódio mostra o nascimento de uma "mothern", ou seja, de uma mãe moderna, aquela mulher que tenta ser mãe e profissional competente-esposa-amante-cidadã-amiga-dona de casa etc. etc., tudo ao mesmo tempo.
A diferença da "mothern", a meu ver, é que ela assume que é cheia de dúvidas e imperfeições, deixando de lado aquele mito de que toda mãe nasce sabendo, que tudo na maternidade é lindo e que a gente consegue fazer todas as coisas. Como bem definiu uma amiga minha, para elas (ou melhor, nós) a maternidade é tanto uma oportunidade de ensinar (passar valores, educar) quanto de aprender (rever conceitos, revisitar experiências, fazer descobertas). Por isso é que a maternidade também se torna uma grande curtição, um grande barato (para nossa sorte!).
Pois bem. Mal tinha começado a assistir o episódio e os meus príncipes chegaram em casa, interrompendo alegremente o meu momento intimista. "Mamãe, mamãe!!!", gritava o André todo eufórico, como se não me visse há um mês ou mais (quem resiste?).
O Tomás, quando me viu deitada assistindo o DVD, me olhou com aquela carinha sapeca, um riso no olhar, e me perguntou: "Mãe, você se divertiu bastante sozinha aqui em casa?"
Olhei pra ele e ri. "Me diverti, filho... me diverti muito".
Ser uma mãe moderna é isso: gostar de ficar sozinha em casa (ainda que seja para usar um pouco do tempo para arrumar a bagunça), mas gostar muito mais de quando tem todos à sua volta novamente.
sexta-feira, 28 de março de 2008
Yuri
quinta-feira, 27 de março de 2008
Interpretações "equivocadas"
Lembro-me de uma colega que, nos idos da nossa adolescência, cantava, à la "Magda", sem parar para pensar no que dizia, "eu vou dar um terno pros afogados" em vez de "eu estou na lanterna dos afogados", do hit do Paralamas do Sucesso. Coitados dos afogados... pra quê eles iriam querer um terno? Bom, melhor nem fazer comentários.
O Tomás, na mesma linha (só que ele tem apenas 4 anos), também comete seus "equívocos" auditivos e musicais na nossa língua portuguesa.
O primeiro deles foi com um cântico da Igreja. A música dizia "O nosso Deus é bom, o nosso Deus é bom, Ele faz até o corvo virar garçom", numa referência ao profeta Elias, que foi alimentado por um corvo quando sobreveio grande seca em Israel (I Reis 17:2-6). O Tomás cantava, todo feliz: "O nosso Deus é bom, o nosso Deus é bom, Ele faz até o corvo pirata som". Foi difícil convencê-lo...
Outro dia ele chegou da escola cantando a música "Tropa de Elite", aprendida com seus colegas: "Tropa de Elite, tuta de doer, pega um, pega Geralda, também vai pegar você". Ih, sobrou para a Geralda... (O certo, pra quem não conhece a música, é: "Tropa de Elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você").
Saindo do campo musical, vira e mexe ele também se confunde com algumas palavras...
Como no dia em que ele chegou da escola (de novo, os coleguinhas...) reclamando, todo sério e indignado, que um amigo o chamara de "vira puta". Ele não tinha a menor noção do que significava, mas sabia que tinha sido para ofender e estava profundamente magoado. (Confesso que até eu tive um pouco de dificuldade para entender, e quase caí na tentação de corrigir para o xingamento certo...)
Também teve a vez que ele pediu ao Hugo, num dia de chuva, para passar com o carro em cima das "bostas d'água"... (Essa agora me fez lembrar de um colega de trabalho, que disse certa vez que uma pessoa era "superveniente", quando, na verdade, ele queria dizer "subserviente"; e de uma outra que, querendo dizer que uma pessoa era "mercenária", disse que era "perludária" - e não "perdulária". Isso sem falar da já citada Magda, personagem daquele programa global "Sai de baixo", interpretada pela Marisa Orth: "mato dois coelhos com uma caixa d'água só", "faca de dois legumes", "quem sabe faz a hora não espera anoitecer" etc.).
A ignorância, quando não é trágica, é mesmo muito cômica.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Orgulho da mamãe...
sábado, 22 de março de 2008
Feliz páscoa!
sexta-feira, 21 de março de 2008
Disney x Ita Center Park

P.S. A foto foi tirada no Hopi Hari, em São Paulo, em abril de 2007, quando tivemos 7 horas de exaustão, ops, digo, diversão em família...
segunda-feira, 17 de março de 2008
Ser mãe de meninos é...

...brincar de luta, tendo que imitar todos os chutes e saltos da "Power Ranger" azul (e saber o que significa "SPD" - se não me engano, é "sistema de patrulhamento delta". Será que está certo?!?)
...ver seu filho de 1 ano achar a maior graça de ficar soltando "pum" pela boca e rolar de rir por causa de um arroto (ai, é desesperador...)
...preparar a mamadeira antes que ele acorde, apenas para evitar o choro de fome que todo menino tem. E também aprender a fazer almoço com alguém no seu pé, de prato e colher nas mãos, pedindo sem parar: "papá, papá, papá" (imaginem quando chegar na adolescência...)
...ser alvo de delicados carinhos, mais parecidos com os de pequenos tratores de mãozinhas pesadas.
...saber brincar de cavalinho e ter força suficiente para levar um pesinho de 10 kg nas costas.
...aprender a jogar futebol e ver, desesperada, tudo que é redondo virar bola (inclusive seus enfeites de mesa).
...comprar brinquedos que resistam a quedas bruscas, arremessos e chutes, e também saber que todos os bonecos e animais se envolverão em brigas durante a brincadeira.
...não ter sossego em restaurante e parar, de uma vez por todas, de sonhar com aquela cena bucólica de meninos desenhando alegre e tranqüilamente enquanto esperam a comida.
...ter que assistir ao desenho do Ben 10 e de todos os outros super-heróis, como Batman, Super Homem e, lógico, o do Power Rangers (não vale ficar lendo livro enquanto finge que vê o filme, tem que prestar atenção!)
...ter que tomar o resto do picolé do Power Ranger (uma inusitada mistura de banana com frutas vermelhas) só pra ele poder pregar a figurinha na janela do quarto.
...ser a "rainha" do lar (o que não significa que você será servida e paparicada por todos os homens da casa, sem nenhuma outra mulher pra dividir a atenção, mas sim que você deve saber mandar, para não virar a "empregada" do lar).
...reviver o meu tempo de criança, quando eu tinha como companheiros de brincadeiras o meu irmão mais novo e só meninos na rua em que meus pais moram até hoje, e tive que aprender a me defender e ao mesmo tempo participar de todos esses jogos de meninos: futebol, "bete", polícia e ladrão (eu era a Kate Marrone), bicecross e playmobil.
É... acho que eu já estava acostumada com o universo masculino. E deve ser por isso que eu adoro tanto ser mãe de meninos!!
quinta-feira, 13 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
Observador
quinta-feira, 6 de março de 2008
Passa rápido...
terça-feira, 4 de março de 2008
Um chorinho à toa não faz mal a ninguém
Vendo assim, muita gente deve pensar que eu sou uma mãe desnaturada. Pode ser. Ou, quem sabe, egoísta. Pode ser também. Aliás, eu acho mesmo que sou uma mãe egoísta, pois penso em mim também, e não apenas no meu filho, como todo mundo acha que deve ser uma mãe. Aprecio uma noite bem dormida para, no dia seguinte, dar conta de todas as minhas "tarefas", inclusive e principalmente a de mãe.
O André, muito de vez em quando, acorda à noite chorando. Eu, pra variar, espero o segundo choro, a insistência. Quase sempre ele volta a dormir sozinho, sem ninguém ter ido ao seu encontro. Se eu o atendesse toda vez, com certeza ele se acostumaria com isso e acordaria toda noite me requisitando, o que não seria bom pra nenhum de nós dois. Pra mim, porque ficaria cansada no dia seguinte, por causa do meu sono picado. E ele, também com o sono picado, ficaria com o seu desenvolvimento comprometido. (Pode parecer desculpa esfarrapada de uma mãe preguiçosa, mas eu estou falando sério! Só depois que ele cala é que eu vou lá me certificar de que está tudo bem mesmo).
Mas, pra dizer a verdade, o silêncio me preocupa muito mais do que o choro. Já acordei muito no meio da noite, assustada, apenas pra ir olhar o que tinha acontecido que ninguém tinha acordado chorando pra mamar. E imaginem só que aterrorizante, para dizer o mínimo, deixar seu filho brincando no quarto ou na sala sozinho, ouvir um barulho tremendo e nenhum choro em seguida. Deus me livre! O choro nos consola. Como dizem, se chorou é porque está bem.
Lembro-me de uma amiga contando da primeira noite que a filha dormira a noite inteira sem acordar. Quando ela e o marido acordaram e viram que já eram 6h da manhã, eles mal tiveram forças para se levantar. Estava tudo tão calmo... eles tinham certeza que algo de muito mal tinha acontecido, aquilo não era normal. Que alívio e que felicidade ver a filha dormindo, tranqüila, no berço!
Ah... quem já não teve esse medo? O silêncio das crianças é assustador, é perigoso. Uma casa barulhenta, com crianças gritando, faz parte do pacote de quem tem filhos. Não tem jeito. É por isso que a mamãe porquinha, do clipe do "Cocoricó 2", da TV Cultura, diz "o porquinho 'tá cantando, então 'tá tudo bem". Tem barulho na casa. E, quando tudo silencia, ela, preocupada, resolve ir olhar o que ele está fazendo.
Ontem, o meu porquinho mais novo, que estava brincando pela casa, silenciou no quarto. Quando percebi a quietude do lugar, fui correndo ver o que estava acontecendo. Era bagunça na certa! Ele simplesmente tinha tirado todas as roupas do Tomás da cômoda e estava empilhando-as no chão. Que tal? Todas as roupas que estavam guardadas, bermuda dentro da camiseta, todas combinadas, tudo arrumadinho... E como você reage àquela carinha de quem foi pego fazendo coisa errada? Confesso que eu até tentei dar uma bronca, mas tive que, antes, sair do quarto pra rir... Faltou a foto!
O maior susto que a minha mãe já passou na vida foi por causa de um silêncio. Ela conta que foi a única vez que ela ficou sem ação, sem saber o que fazer (e olha que ela já passou por filho que caiu em fossa, que engoliu moeda e por vários e vários tombos, cortes e machucados). E foi comigo. Eu devia ter uns 3 anos. Estava tomando banho enquanto ela fazia o almoço. E conversava (pra variar). De repente, o silêncio. A minha mãe chamava e nada. Quando ela foi ver, eu estava caída no chão no banheiro, a água do chuveiro escorrendo pelo meu corpo. Ela me pegou no colo, aquele corpinho mole, e a única coisa que conseguiu fazer foi sentar no vaso e chorar, e chorar. No meio do choro, ela olhou pra mim de novo. Eu estava quietinha no colo dela, com os olhos arregalados, assustada, sem entender o que estava acontecendo: tinha acabado de acordar do meu "soninho" no banho... (Deve ter dado vontade de me bater, né?)
Mas é assim, quem tem filhos sabe muito bem o que é silêncio de menino. É melhor sair correndo pra ver, bem mais rápido do que quando se ouve apenas um "chorinho à toa"...
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Combinação
Então, resolvi de uma vez por todas acabar com esses problemas de combinação aqui em casa: mesmo as roupas que não são conjunto, mas que combinam entre si, são guardadas juntas, a bermuda por dentro da camiseta pra não ter dúvida alguma. Nenhuma bermuda é guardada sem o seu devido par. Foi a melhor coisa que fiz, porque agora até o Tomás acerta nas combinações.
Mas as nossas soluções nunca conseguem abranger todas as coisas: faltaram as meias!
Hoje, nos arrumando para ir à Igreja, o Tomás colocou uma roupa toda bonitinha, mas escolheu uma meia que não combinava em nada. Tentei fazê-lo escolher outra meia, mas ele me saiu com essa:
_ Não, mãe, essa meia está combinando direitinho, olha só: ela combina com o meu tênis (que era preto), ela combina com a minha camiseta (e arrumou uma cor na camiseta que também tinha na meia), ela combina com a minha bermuda (era uma bermuda jeans) e ela combina com a minha pele!
Não sei de onde ele tirou essa de a roupa combinar com a pele, mas o fato é que não tive contra-argumento para desfazê-lo da idéia de ir com aquela meia...
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Tu te tornas eternamente responsável por aquele que educas
Tudo começou na reunião dos pais do início do ano. Explicando como funcionava a dinâmica do "Dia do Brinquedo", a professora pediu aos pais que não mandassem filmes violentos, como os do Dragon Ball, e muito menos CDs com músicas das "Piriguetes" ou do "Créu créu créu".
Uma mãe interrompeu a explicação: "Peraí. Agora eu fiquei assustada. Tem pai que deixa os filhos ouvirem essas músicas e ainda mandam o CD pra escola?"
Pois é. Por incrível que pareça, enquanto alguns pais ficam só no Discovery Kids (canal de desenhos legais - leia-se, não violentos - da TV por assinatura) e no Palavra Cantada (grupo musical super bacana, que trata a criança como um ser pensante, fazendo música infantil de qualidade), tem outros até que ensinam o filho a dançar a "dança das piriguetes" - e ainda dizem: "Olha só que bonitinho!" E o menino, "piliguete, piliguete..."
É nessa hora que eu me pergunto: o que esses pais querem passar aos filhos com tais músicas de conteúdo, no mínimo, vulgar?
E o caso do vendedor de uma loja que disse pra minha irmã que o filho de 6 anos já assitiu várias vezes o filme "Tropa de Elite"? O que será que ele pensa que está ensinando ao filho? A não usar drogas? (deve existir um outro jeito mais adequado à idade).
Tem hora que eu prefiro acreditar que o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa existem a acreditar que tem pai que faz uma coisa dessas...
Ontem, fui a um aniversário de 5 anos de uma coleguinha do Tomás e assisti assustada (tal qual a mãe da reunião de pais) a cantoria, incentivada pela mãe da menina, do famoso "Com quem será?" após os parabéns. Pra completar, o "escolhido", também incentivado por seus pais, foi à mesa de bolo para tirar fotos com sua "namorada". E pra completar mais ainda, depois de tudo isso, ela foi atrás dele num brinquedo e, sentada, o abraçou com as pernas (isso mesmo!), perguntando se ele tinha gostado das fotos e dizendo que ela gostava muito dele.
Gente, onde foram parar as nossas crianças?!?? E, principalmente, onde foram parar os pais?! 'Tá todo mundo perdido, sem saber que rumo tomar. Coisas que, pelo que eu me lembro, só começavam na pré-adolescência já estão na pré-escola. E isso não é o pior. O pior é que os pais incentivam, apóiam, aplaudem, acham graça.
É por isso que eu continuo clamando pela misericórdia de Deus... E que Ele me dê muita, mas muita sabedoria e também discernimento para cumprir esse papel de educar filhos, sem esquecer que "tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu" (Ec. 3:01): tempo de brincar e tempo de namorar, tempo de ser criança e tempo de ser adulto, tempo de contos de fadas e tempo de vida real, tempo de música boa e de música boa...
Conselho

terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Ê vida boa!
É engraçado ver como os filhos são diferentes uns dos outros. Enquanto o Tomás fecha o chuveiro pra se ensaboar, o André adora ficar um tempão debaixo do chuveiro, sentindo a água escorrer em suas costas.
'Tá precisando de umas aulinhas sobre economia e não desperdício dos recursos naturais... Mas, cá entre nós, é mesmo muito bom ficar debaixo de uma duchinha de água quente, não é?
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Certo e errado
As pessoas vivem preocupadas com mil coisas: carreira profissional, emprego, dinheiro, em quem votarão nas próximas eleições, aquecimento global, a vida dos outros e por aí vai... Mas uma coisa tem me preocupado de verdade e me tirado noites de sono: como educar meus filhos, como transmitir a eles os valores corretos para que eles sejam pessoas de bem, cumpridores de seus deveres, honestos, trabalhadores e, acima de tudo, tementes a Deus.
É sério. Tenho visto a cada dia que o modo como eu vou educá-los vai interferir muito mais no futuro da humanidade do que como tento evitar o aquecimento global hoje, reciclando um pouco do muito lixo que produzo. Isso é aterrorizante. Dá medo ser mãe, dá medo ser responsável direta pela formação de uma pessoa.
Esse medo veio ainda mais à tona depois de assistir ao filme "Meu nome não é Johnny". O filme retrata a trajetória de João Guilherme Estrela, um rapaz de classe média, morador da zona sul carioca, filho de pais 'amorosos' (ele tinha "amor em casa, diálogo e liberdade com confiança"), e que, apesar de tudo isso, vira traficante de drogas. O que mais me impressionou foi essa parte de "filho de pais amorosos". Melhor seria se a sinopse o descrevesse como um garoto mimado, filho de pais omissos e que nunca teve um limite sequer na vida.
Isso me levou a pensar no conceito de amor. O que é ser "pais amorosos"? É deixar seu filho pequeno, de uns 5 ou 6 anos, soltar um rojão no meio da sala de TV e, em vez de dar uma bronca, comemorar com ele a ida do seu time para a final do campeonato? É deixar seu filho consumir drogas na sua sala de visita? É ser um "pai-vizinho" que não reclama do volume do som e ainda incentiva o filho a "aproveitar a vida"?
Não, não pode ser isso. Amor não é condescendência. Eu tive pais amorosos, tenho certeza disso, e eles nunca me deixaram fazer essas coisas (graças a Deus!). Pelo contrário, eles sempre me ensinaram o limite do certo e do errado, e meus atos sempre tiveram conseqüências (sofridas, diga-se de passagem).
A Bíblia, há muito tempo, já dizia: "O Senhor repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem" (Pv. 3: 12). Muito se engana quem acha que não castigar o filho, não impor limites a ele é demonstração de amor, que o castigo tolhe a liberdade da criança, que ela poderá crescer "frustrada", coitadinha. Coitadinha da que não sofreu um castigo na vida e, depois, tem que lidar com os castigos da vida.
Que tristeza ver aquele rapaz na prisão e, depois, no manicômio judiciário. Mais tristeza ainda vê-lo agora, homem feito, aspirante a pai, afirmando, em entrevista à revista Veja, que não se arrepende do que fez (apenas ressente-se de não ter parado antes) e que o uso de drogas é tão somente uma fase na vida do adolescente.
O Tomás um dia me falou que queria ser um filho obediente, mas que não conseguia. Eu expliquei que era assim mesmo (como disse o apóstolo Paulo, "porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço" - Rm. 7:19), mas que a gente tem que tentar. Ele, então, me pediu para ajudá-lo (Deus, por sua imensa graça, pode ajudar muito mais que eu, filho).
Deu dó vê-lo falar assim, mas ao mesmo tempo eu fiquei feliz, porque vi que meu filho tem consciência do que é certo e do que é errado. Ele sabe que desobedecer é errado e busca fazer o que é certo. É essa tentativa que deve nos mover. Ninguém é perfeito, ninguém acerta em tudo que faz, a gente erra - e muito! -, mas a gente tem que correr atrás do que é certo, do que é louvável, a gente tem que tentar, porque na vida tudo tem conseqüência.
E que Deus tenha misericórdia de nós, pais e filhos, porque, mesmo sendo pais amorosos, não estamos livres de ver nossos filhos fazendo muitas coisas (muito) erradas.