sábado, 27 de dezembro de 2008

Cantata de Natal


Cantata de Natal "Homens Sábios e o Céu Estrelado" - Coral Infantil da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia

Foto do coral na apresentação do dia 14/12/2008, na nossa Igreja. E, abaixo, videozinho de uma das músicas da cantata, apresentada também no dia 07/12/2008, na Congregação Presbiteriana do Balneário Meia-ponte, em Goiânia. A cantata foi linda! Pena que a cinegrafista é amadora...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal!

"Cristo nasceu!
Cristo nasceu!
Presente de Deus, seu filho nos deu.

Veio em Belém,
veio em Belém,
anjos do céu cantaram amém"

"...eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor" (Lucas 2:10-11)

Que a alegria pelo nascimento de Jesus Cristo seja o nosso maior presente neste natal!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O que é um pé d'água?

"Mãe, eu acho que um pé d'água é um montão de água que vem do céu no formato de um pé e que quando cai no chão explode, esparramando água pra todo lado."

O porquê dos nomes (partes do corpo)

"Mãe, por que perereca tem nome de perereca, igual perereca?"
"É... bem... porque... não sei, filho."

"Mãe, por que chamam 'sovaco' de axila?"
"Sovaco e axila são a mesma coisa, filho, mas sovaco é uma palavra feia. Falar axila é mais bonito."
"Por quê?!?!!!? Pra mim, axila é que é feio."

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sem mamãe

Chegou o dia. O "grande" dia do acampamento da UCP - União de Crianças Presbiterianas. Ano passado, eu já havia sofrido com a ida do Davi só de imaginar que esse ano o Tomás teria idade bastante pra ir também. Fiz de tudo pra ir junto. Quando fiquei sabendo que talvez precisariam de ajuda, prontamente me ofereci. E só na terça me disseram que não seria preciso (eu quase repliquei: "Vocês têm certeza? 80 crianças pra 'apenas' 20 adultos?!! Isso é muito pouco!..").

Então, na sexta-feira, lá estava eu fazendo de tudo pra não chorar na frente dos outros e não passar vergonha (em mim mesma e no Tomás). Aguentei bravamente. Depois das várias recomendações, disse para o Tomás que, qualquer coisa, ele poderia me ligar. "Como, mãe? Eu não tenho celular!" "Ah, filho, pede pra algum 'tio' ligar".

Como em toda despedida, ver o ônibus partir (pra ir só até a saída de Inhumas) foi a pior parte. Quer dizer, voltar pra casa sem ele também foi péssimo. Ainda bem que, antes, eu tive que buscar o André na casa da minha mãe. Assim, o vazio ficou um pouco menor.

Mas pensar que, no meio de 80 crianças (oi-ten-ta!!), uma era meu filho não deixava meu coração em paz. A vontade de ligar pra saber se estava tudo bem me perseguiu o fim de semana inteiro. Graças a Deus, tudo correu bem e domingo à tarde ele já estava de volta, todo feliz, contente e... super cansado!

Em casa, depois de ouvi-lo contar um pouco de tudo que tinha feito lá, dei mais um abraço nele e disse: "Sabe de uma coisa?" Ele: "Sei". "Sabe nada!" "Sei sim, você vai falar que me ama muito". "Não". "Já sei: que eu sou muito especial". "Também não". "O quê, então?" "Que eu fiquei com muita saudade de você, porque te amo muito e você é muito especial". "Ahhh...."

Não satisfeita, completei: "É sério, filho. A mamãe ficou com muita saudade de você. Você também ficou com saudade da mamãe?".

E ele, lindo como sempre, respondeu: "Mãe, sabia que eu ainda estava no ônibus, nem tinha chegado no acampamento, e eu já queria você? Mas aí um 'tio' disse pra mim que seria muito legal e ficou perguntando para os outros meninos se eles me conheciam e que eu era muito gente boa!"

Me contentei com essa parte e não fiz mais nenhuma pergunta. Me poupei de ouvir a resposta óbvia de que depois ele nem sentiu minha falta...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ser André


Estávamos deitados, lendo o livrinho "Deus fez você especial". Quando acabei de ler, virei-me para o André e disse: "Você é especial!!"

Ele respondeu: "Não sou especial não, mamãe".

E eu: "É sim, você é MUITO especial".

Ele retrucou de novo, agora já meio bravo: "Não sou muito especial não, eu sou André".

E lá fui eu explicar que ele continua sendo o André, uma pessoa muito especial. Mas não adiantou muito não...

No dia seguinte, no supermercado, um senhor passou por ele e disse que ele era bonito. "Eu não sou bonito não", ele respondeu já bravo. O senhor, educadamente, tentou consertar: "Ah.. me desculpe. Você não é bonito não, você é lindo!" Ele: "Eu não sou lindo não, eu sou André". Risada geral, inclusive das pessoas em volta que não participavam da conversa. E ele lá, com a cara fechada, sem a achar a menor graça.

A próxima aconteceu com o Tomás, que o chamou de mentiroso. A resposta foi imediata: "Eu não sou mentiroso não, eu sou André".

Eu também fui vítima da indignação dele outra vez, quando o chamei de filho. "Eu não sou filho não, eu sou André".

Que confusão deve ser a cabecinha de uma criança... Ao mesmo tempo em que as pessoas falam que ele é o André, também dizem que ele é especial, bonito, lindo e até mesmo mentiroso. Que tanto de nome é esse se ele aprendeu ter um só: André?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Nutrição e arte

E, no jantar, eu tentava convencer o Tomás a comer couve, recitando a mesma ladainha de sempre:

_ Filho, a couve é importante pra você crescer forte e saudável. O prato tem que estar sempre colorido; quanto mais colorido, mais saudável. Olha só: tem vermelho (e apontei para o tomate), alaranjado (da cenoura) e o verdinho da couve.

Ele concordou:

_ Eu sei. Queria que tivesse um azul também.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Para o futuro

Hoje, na hora do jantar, o Tomás pegou um guardanapo e começou a fazer um aviãozinho.
_ Mãe, olha só: vou fazer um aviãozinho de papel.
Eu, pra variar, ocupada com muitas coisas - no melhor estilo "Marta" -, não dei a devida atenção, como o meu lado "Maria" gostaria de ter feito (importando-se com o que realmente tem valor, como nos conta a história bíblica de Lucas 10:38-42).
Ele, então, repetiu:
_ Mãe! Presta atenção, mãe!! Vou te ensinar como é que faz um aviãozinho pra você fazer para os seus netinhos.
Netinhos?!!??!? Se Deus quiser, ainda demora... Em todo caso, é melhor aprender e ir treinando: 20 e poucos anos podem passar muito mais rápido do que a gente imagina.

domingo, 19 de outubro de 2008

Novo vocábulo


Essa foi depois que o Hugo participou do "Projeto Profissões" da turminha do Tomás da escola. Eles estão conhecendo várias profissões e já fizeram visitas a fábrica de xampu e sabonete, ao Corpo de Bombeiros, ao aeroporto, além de assistirem 'palestras' e apresentações de dentista, médico, músico, grupo de teatro, palhaço e artista plástico.

Na visita do Hugo, eles viram um vídeo sobre as vias aéreas superiores, aprenderam que não pode usar cotonete no ouvido e que é preciso estudar muito pra ser médico.

Depois disso, o Tomás conta pra todo mundo, com bastante ênfase na nova palavra que aprendeu: "Você sabia que meu pai é otorrinolaringologista?"

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O ajudante e seu pai

O Tomás está naquela fase de querer ajudar. Sabendo que este é o tempo de aproveitar, pois logo, logo o interesse acaba, procuramos sempre encontrar alguma coisa que ele possa fazer (e que não nos atrapalhe muito). Como diz minha avó, "serviço de criança é pouco, mas quem dispensa é louco".

No aniversário dele, ele e o Davi me ajudaram com os enfeites e também a enrolar brigadeiros - e ficaram bastante satisfeitos com a incumbência, tanto que o Tomás me fez prometer que, em todas as reuniões e festas da nossa casa, eu o deixaria ajudar. E ele ajuda de verdade: limpa cadeiras, arruma a mesa, guarda os brinquedos...

Ontem, o estrado da cama do André quebrou (talvez por causa de uns 'pulos' em excesso...). O Hugo pegou a maletinha de ferramentas pra arrumar: prego, martelo, serreta - tudo que menino (pequeno e grande) é fascinado.

O Tomás, mais que depressa, correu pra ajudar. E o Hugo o deixou martelar o estrado, tirar a tábua quebrada e os pregos, serrar a madeira, limpar o chão... serviço completo. No final da empreitada, a declaração de um garoto realizado:
"Pai, você é o melhor pai do mundo!!"

Mamãe linda!!

Cheguei mais tarde em casa. Eles já tinham jantado e estavam tomando banho. A porta de entrada é bem no corredor onde, no final, fica o banheiro. Quando ouviram o barulho da chave, saíram apressadamente do boxe. Primeiro, o Tomás. Com o rosto iluminado e os olhinhos sorrindo, exclamou todo contente: "Mamãe!!" O André veio em seguida. Com a mesma carinha de satisfação e uma felicidade sem medida por me ver, emendou a exclamação do irmão: "Mamãe linda!!!!!"

E é assim que a felicidade que a gente sempre sente quando chega em casa é capaz de se elevar à enésima potência e ser multiplicada ao infinito...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Segredo

_ Filho, chega pertinho aqui da mamãe; quero te contar um segredo...
_ O que é, mãe?, disse ele todo empolgado.
_ Não conta pra ninguém, hein?
Suspense...
_ A mamãe te ama muito!!!
E ele, decepcionado, reclamou:
_ Ah, manhê... eu sei disso desde que eu tenho 4 anos!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

No carro

_ Mãe, os pinguins, quando nascem, têm memória?
_ Como?!?
_ Os pinguins. Eles têm memória quando nascem?
_ Não entendi, filho. Você quer saber se os pin-guins têm o quê quando nascem?
_ Memória, mãe. Quando eles nascem, eles têm memória?
_ É... você quer saber se eles se lembram das coisas que aconteceram antes de eles nascerem?
_ É.
_ Acho que não.
_ Não? É.. (pensativo) eu também acho que eles nascem sem memória.

Mais intrigante do que tentar responder, no meio do trânsito caótico de Goiânia, se os pinguins têm memória quando nascem é tentar imaginar de onde ele tirou essa pergunta...

P.S.: Ah, e o pinguim sem o trema não é porque estou seguindo as novas normas ortográficas, é porque o notebook não tem esse sinal diacrítico.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Filosofia materna


Ter um filho é ter a certeza de que você participa de um milagre a cada manhã. Um milagre cheio de responsabilidade, obrigações, algum cansaço e muita paciência, mas ainda assim um milagre.
Quando você se dá conta disso, tira de letra toda a trabalheira que um filho dá.
Obrigada, Senhor, pelos meus milagres diários!!

sábado, 13 de setembro de 2008

Acordei

Ainda era bem cedo, mas uma vozinha doce me tirou do sono, dizendo assim: "Oi mamãe! Eu acordei".

Abri os olhos e vi aquele pequeno ser com o rosto grudado ao meu. Um sorriso no olhar. Uma carinha linda. Segurei suas mãozinhas e ajudei-o a subir na minha cama. Ainda ficamos um tempinho deitados, abraçadinhos.

E foi desse jeito que eu também acordei hoje: feliz da vida!!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Mais outras do André...


Já tem um tempo que essas aconteceram... Eu vou anotando num papelzinho aqui, noutro acolá, pra ver se não me esqueço, mas às vezes é inevitável. Colocando ordem na bagunça, lembrei de algumas:

O André, quando estava começando a dar birra (hoje, ele já diminuiu bastante, pois a nossa estratégia é ignorar solenemente), caiu e bateu a cabeça com força no chão. Acho mesmo que ele esperava que fôssemos socorrê-lo antes que isso acontecesse e, por isso, caiu com vontade. Mas não deu certo: além de não conseguir o que queria, ainda se machucou.

Buscando evitar essa segunda parte e ver se ainda conseguia garantir a primeira, ele estudou maneiras de cair. Então, ele começava a chorar, caía de bumbum no chão (amortecido pela fralda), colocava o braço, apoiando o cotovelo, e só depois deitava-se, completando a cena clássica da birra.

E nós, além de termos que ignorar a birra, ainda tínhamos que tentar ignorar a vontade de rir...

Como também acontece nas vezes em que ele disfarça e finge estar fazendo outra coisa pra escapar de uma bronca.

Essa foi na piscina. Toda hora ele ficava querendo beber a água da piscina. O Hugo já tinha dado várias broncas, mas ele continuava lá, com a boca aberta, esperando que alguma ondinha a enchesse de água.

Numa dessas vezes, o Hugo o pegou no flagra, com a boca aberta. E ele, mais do que depressa, fingiu que estava apenas cantando... Quem agüenta?

domingo, 7 de setembro de 2008

Leitura noturna

Gosto sempre de ler um livro com os meninos antes de eles dormirem. É o nosso pequeno ritual noturno: tomar banho, por pijama, tomar leite, escovar os dentes, ler um livro ou história da Bíblia, orar e dormir. E eles gostam tanto disso que toda noite vão escolher o livro (e eu acabo tendo que ler uns 2 ou 3...).

Essa noite o Tomás escolheu um livrinho que trouxe da escola. Comecei a ler pelo título: "O menino e a baleia - uma história japonesa".

Antes que eu abrisse o livro e começasse a ler, uma pergunta: "Mãe, essa história é sobre quem não enxerga?"

Dúvida cruel

E chegou o dia da tão temida pergunta:

_ Mãe, Deus criou todas as coisas.
_ Sim?...
_ Mas quem criou Deus?

Eu sabia que essa pergunta chegaria. Afinal de contas, são muitas as dúvidas que mesmo nós, adultos, temos acerca de Deus. E me preparei pra respondê-la. Aprendi que podemos ser sinceros com os filhos, que podemos confessar sem medo algum que não sabemos todas as coisas (aliás, nunca tive tal pretensão). E, ainda que eu tivesse a resposta, é uma pergunta sem fim: e quem criou quem criou Deus?

Tentei explicar que há mistérios que não conseguimos entender e que só nos serão revelados quando morrermos e pudermos perguntar diretamente pra Deus. Mas a ansiedade pelo conhecimento o deixou meio triste e decepcionado:

_ Ah, mãe... isso vai demorar muito... Eu tô crescendo tão devagar... Parece até o jeito que a Terra roda!...

(Ai, isso é assunto pra outro texto... É que, no aniversário, ele quis saber como é que a gente sabia que já tinha passado o tempo pra chegar o outro aniversário - e eu fui tentar explicar os movimentos de translação e rotação da Terra. Não sei se tive muito sucesso na minha explicação, mas uma coisa é certa: ele já viu que a gente não consegue perceber nem o tempo nem o crescimento. Quando vimos, é isso aí: já passou!)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

TOC

O André não gosta de ver a tampa do vaso sanitário levantada. Então, ele sempre a abaixa. Ele também não gosta de ver a porta do box do banheiro aberta. Então, ele sempre a fecha.

E, quando ele faz isso em um banheiro, ele lembra que existe outro na casa e que essa mesma situação pode estar ocorrendo lá. Incontinenti, ele vai para o outro banheiro, determinado a resolver esse problema.

Se as gavetas ou portas de um armário estão abertas, ele as fecha. Ah, a porta da geladeira também (quase não dá tempo de pegar o que queremos). E nunca desce do carro e sai correndo. Primeiro, ele fecha a porta.

Se as revistas estão umas de cabeça pra cima e outras de cabeça pra baixo, ele logo trata de colocá-las todas no mesmo sentido.

Quando ele se levanta da cadeira, sempre a coloca de volta ao lugar, pertinho da mesa. E também arruma as cadeiras dos outros que se levantaram sem a mesma preocupação.

Se o meu celular ou a minha bolsa estão jogados em cima da mesa ou do aparador, ele vem me entregar: “xeu xeúlar, mamãe”. Implícita a mensagem: “por favor, guarde”. E eu nunca posso me levantar e deixar o chinelo pra trás.

A mochila da escola fica sempre no mesmo cantinho. E os sapatos, sempre enfileirados em ordem de tamanho (primeiro os do Tomás, depois os dele).

O André é assim: organizado. Gosta que as coisas estejam em seus devidos lugares. Mas quando a gente diz que ele não precisa se preocupar, que a porta do box pode ficar aberta, que não tem problema, ele sai sem achar ruim, dizendo um apressado - e resignado - “tá bom”, quase como se dissesse: "se você gosta de viver assim..."

Flagrante delito

Mais uma do André.

Sexta-feira à tarde. Prenúncio do fim de semana na casa da vovó Delza. E casa de vó é sempre igual: os netos acham que podem deitar e rolar.

O André, longe dos olhos de todos, tirava as pedrinhas do vaso de bambu-mossô da "sala de visita" e as jogava em cima do sofá.

Foi quando o vovô Edésio chegou inesperadamente, antes do horário de costume, e o pegou no “flagra”.

Antes mesmo que o vovô desse a merecida bronca (nem tinha dado tempo de ver o que o André fazia no cantinho da sala), ele já veio com a mãozinha em riste, dizendo:

“Vai trabalhar, vovô!! Vai trabalhar!!!!” (e não veja o que estou fazendo de errado).

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O melhor presente

Vocês já sabem, foi o aniversário do Tomás dia 7 de agosto. E, como esse blog começou por causa dele e de um aniversário dele, comemoro o meu primeiro ano com outra história sobre o mesmo tema.

As preparações para os aniversários são quase sempre iguais: escolher o tema, a decoração, encomendar salgados, fazer docinhos, encher balões... Mas esse ano ele quis diferente.

Primeiro, a festa teria que “começar de dia e terminar só à noite”. Ele queria um churrasco na casa do vovô Edésio. Um aniversário pra durar o dia inteiro: brincar na piscina, correr na quadra, pular na cama elástica, jogar pebolim (é... a casa do vovô Edésio e da vovó Delza é um verdadeiro clube).

Segundo, ele queria a festa do “Ben 10”. Pra quem não sabe - só os pais de meninos entre 5 e 7 anos devem conhecer a figura -, o "Ben 10" é um garoto de 10 anos, que possui uma espécie de relógio que “assume o DNA” de 10 alienígenas diferentes. Tudo isso com o objetivo de "proteger a terra".

Até aí, tudo bem, um super-herói infantil moderno – que substituiu os tão conhecidos Super-homem, Homem-aranha e Batman. Mas o problema é que as coisas do "Ben 10" ainda não foram lançadas no Brasil. Não há brinquedos, não há produtos para festa, apenas o álbum de figurinhas (febre entre a “categoria”).

E o presente que ele mais queria, ou melhor, o único que ele queria (me disse que não precisava ganhar nenhum outro), era o tal relógio que o "Ben 10" usa para se transformar nos dez alienígenas: o "omnitrix".

Eu, como talvez a maioria das mães, procurei de todas as formas satisfazer o desejo do meu filhote. Todas as formas mesmo. Tentei encomendar pela internet: “temporarily not available online”. Pedi para meu irmão que estava em viagem pela Europa: o vendedor, um educado francês, riu na cara dele e ainda disse que, se ele encontrasse, voltasse para avisar. Pedi para a mãe de uma amiga que estava nos EUA: ela não achou (tudo bem que ela procurou em algumas lojas pelo relógio do “BENIO”...)
O último recurso foi a sogra da minha cunhada (olha o desespero!), que mora nos EUA e que foi “super hiper mega power plus advanced” prestativa e achou, depois de procurar em várias lojas, por vários dias, um brinquedo melhor ainda do que o Tomás queria: o tal relógio vinha com 3 garras dos monstros alienígenas (lógico, também era mais caro).

Ah, também consegui encontrar pela internet vários itens para a decoração com o tema do “Ben 10”. Alguns foram dos EUA (entregues para a sogra da minha cunhada) e outros direto da 25 de março, em pré-venda (http://www.magazine25.com.br/).

Pronto: a festa, a decoração e o único presente que ele tanto queria (que, na verdade, foi a tia Liliam quem acabou dando) - conseguira todos! Me sentia realizada como mãe do aniversariante.

Depois da festa, ele rodeado pelos presentes, alguns totalmente esperados (como todos os relacionados ao "Ben 10"), outros absolutamente inesperados (como o skate que o tio Adriano e a tia Celana deram e o "laptop" do tio Aurélio e da tia Letícia – a carinha de satisfação e surpresa foi contagiante) e tantos outros que ele achou o máximo (um livro de atividades, as pistas da Hot Wheels, um pula-pula, os jogos...) – isso sem falar nos R$250,00 que ele juntou à mesada pra comprar uma bicicleta nova –, eu perguntei o que ele tinha gostado mais.

E qual não foi a minha surpresa quando ele me respondeu o que ele tinha gostado mais. Não fora a decoração inédita, ou o churrasco tão gostoso do vovô Edésio, ou o bolo mais delicioso da tia Fernanda, ou a animação dos palhaços (que fizeram uma encenação sobre o nosso verdadeiro super-herói), a corrida de saco ou de ovo na colher, ou a farra na piscina, nem mesmo o relógio do "Ben 10".

“Mãe, o que eu mais gostei foi dos convidados.”

Filho, só você mesmo pra ser tão especial assim e me ensinar tantas coisas importantes. Afinal, o que há de mais valor nessa vida do que os nossos amigos? Sem eles, nenhuma festa, nenhum brinquedo faz sentido. Eis o melhor presente de aniversário: os convidados!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Tirando a fralda...

Comecei o "treinamento" do André pra tirar a fralda e me lembrei de uma da Isadora (minha sobrinha - filha da Liliam, irmã do Hugo) quando estava nessa mesma fase e que foi impagável.
Ela ligou, toda orgulhosa, pra vovó Vânia pra contar a novidade:
_ Vovó, sabia que eu não faço mais xixi na fralda?
Quando a minha sogra iria começar a parabenizá-la, ela emendou:
_ Só na calcinha!
Pois é. O André está do mesmo jeito: não faz xixi na fralda, só na cueca!...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Mãe e mães

O Tomás, com a carinha mais feliz do mundo, me fez a seguinte declaração hoje:
_ Mãe, sabia que você é a melhor mãe que eu tenho?

Um sorriso e um abraço apertado depois, e me veio uma curiosidade:
_ E você tem mais de uma mãe?
_ Tenho!! (com cara de obviedade)
_ Mesmo?!? Quem são as suas outras mães?
_ A tia Fernanda, a vovó Delza... a vovó Vânia também. Elas são 'minha mãe' quando você não está.

Com uma concorrência dessas, acho que o meu posto de melhor mãe do Tomás ficou ainda mais valorizado.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

É o seu aniversário!

"Hoje eu sinto que cresci bastante
Hoje eu sinto que estou muito grande
Sinto mesmo que sou um gigante
Do tamanho de um elefante
É que hoje é meu aniversário
E quando chega o meu aniversário
Eu me sinto bem maior, bem maior,
Bem maior do que eu era antes..."

Para o meu filhote que hoje está ficando bem maior do que ele era ontem.
Que você continue crescendo em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens! Parabéns!!!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O adultinho

Quando viajamos para Maragogi/AL, em abril deste ano, todo dia chegava na nossa praia um anão com sua lancha e a plaquinha: "Aluga-se. Alquilase. For Rent." E ficava lá, à espera principalmente dos portugueses e argentinos que lotavam o hotel.

O Tomás ficou intrigado com aquilo. O Hugo explicou pra ele que aquela pessoa tinha uma doença que a impedia de crescer. Então, ele ficava do tamanho de uma criança, mas com a cabeça do tamanho de um adulto. E foi só.

Eu não presenciei a explicação e não estava sabendo de nada. Cheguei à praia e o Tomás foi logo falando:

"Mãe, você viu o adultinho?"
"Vi o quê, Tomás? "
"O adultinho, mãe..."
"De quem você está falando, filho?"
"Mãe! O adultinho!!! Aquele homem que fica lá naquele barco, você não viu?!? Ele tem uma doença, é do tamanho de uma criança, mas ele não é criança, é um adultinho!! Você não sabia?"

Ah sim, um adultinho... Como não pude entender antes?

terça-feira, 15 de julho de 2008

Financista

Tudo começou com a tia Miriam, que um dia no shopping, quando o Tomás insistia pra ganhar um brinquedo, deu a idéia que ele tinha que ter uma mesada pra poder comprar o que bem entendesse. E, pra incentivá-lo, deu uma nota de R$20,00.

Aí, a vovó Olinta deu R$50,00 de presente e eu logo providenciei a carteira pra ele guardar e começar a economizar. E decidimos que ele ganharia uma moedinha de R$0,50 por dia de "mesada".

Fomos à loja de brinquedos para decidir qual seria o objetivo da economia, o que ele iria querer comprar. Brinquedo escolhido e contas feitas, vimos que ele demoraria uns 3 meses, com seus 50 centavos ao dia, pra conseguir juntar o dinheiro necessário.

Acontece que ele contou isso pra todo mundo: avós, tios, tias-avós, bisavós... E todo mundo quis colaborar com o "cofrinho". Em menos de um mês, ele já tinha os R$170,00 necessários para comprar o que escolhera: uma pista da Hot Wheels e um boneco do Max Steel.

Fomos à loja e ele, todo orgulhoso, comprou a pista do dragão - que estava em promoção - e desistiu do boneco do Max Steel. Gastou R$99,00. Só ficou meio triste quando viu todas as suas moedinhas irem embora...

Agora, sua nova "empreitada" é economizar para comprar uma bicicleta nova (depois que ele aprendeu a andar sem rodinhas, ficou achando que sua bicicleta antiga é muito pequena). E já começou de novo na vantagem: a vovó Delza deu R$50,00 de "incentivo".

Mas o que eu achei melhor nessa história toda é que agora tenho novos argumentos quando ele fica me pedindo mil coisas no shopping. Além de entender um pouco mais sobre o valor das coisas, ele tem dinheiro para comprar o que está querendo.

Como aconteceu esses dias lá na Centauro: ele queria porque queria uma máscara de mergulho que custava míseros R$90,00. Expliquei como era caro, que quase dava pra comprar a metade da bicicleta que ele queria. Ele escolheu outra de R$70,00. Já impaciente por explicar de novo a mesma coisa, disse: "Tomás, você tem dinheiro pra comprar essa máscara, pode comprar sozinho, não precisa do dinheiro da mamãe".

E ele, resignado, resmungou baixinho: "Ainda bem que eu não trouxe a minha carteira".

Ah, como é fácil gastar o dinheiro dos outros...

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Andando de velocípede - a folga


Agora, é a vez do André mostrar toda a sua desenvoltura andando de velocípede na descida. Reparem na folga do garoto...

Andando de bicicleta - a prova

Gente, vejam só o Tomás e seu grande orgulho: comprovando a todos que realmente consegue andar de bicicleta sem rodinhas!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Andar de bicicleta


"Gosto da vovó,
da titia e da neta,
mas o que eu gosto mais
é de andar de bicicleta"

Esses versinhos singelos bem que poderiam ter sido feitos para o Tomás. São a tradução perfeita para a predileção dele do momento: andar de bicicleta. Sem rodinhas!!! Isso mesmo, ele aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas e não está se contendo de tanta felicidade. E como causa uma sensação estranha vê-lo andar de bicicleta sem ajuda... É uma mistura de orgulho e espanto. Ele me parece tão crescido... e ainda me lembro dele no velocípede.

Lembro-me também da minha primeira bicicleta: uma caloi cecizinha vermelha, com garupa, cestinha e penduricalhos branquinhos no guidom, que até hoje está guardada lá na minha mãe, reformada e conservadíssima (só não tem mais a cestinha e os penduricalhos). Ganhei de natal, após espalhar milhares de bilhetinhos "não se esqueça da minha caloi" nos bolsos das camisas e paletós do meu pai, e nas gavetas do guarda-roupa da minha mãe.

Como era bom andar de bicicleta na rua! Como era bom não ter tanta preocupação com carros e assaltos! Íamos para todos os lugares, atravessávamos a Rua 90 para ir à casa da vó Rodes e do vô João, circulávamos pela Al. Ricardo Paranhos e explorávamos todas as ruas do Setor Marista, à época tranqüilo, quase isolado, só casas residenciais e sem ameaça de construção de edifícios de 25 andares.

Isso sem falar da vez em que resolvemos construir, num lote baldio, uma pista de "bicecross", com rampas, curvas e até mesmo um lugar reservado para a platéia. Invenções de férias que ainda podiam ser curtidas fora de casa, na rua, sem videogame e canal de desenhos o dia inteiro.

Meu pai chegou do trabalho e nos viu, de enxada na mão, capinando o lote. Vê se pode! Mas, em vez de nos dar uma merecida bronca (e o potencial risco de encontrar uma cobra no caminho?), contratou um moço pra terminar a nossa pista, que ficou o máximo e permitiu um mês inteiro de brincadeiras, até que o mato voltasse a crescer.

Hoje, a gente não deixa o Tomás andar de bicicleta sozinho na rua, mas eu faço de tudo pra ele não ficar em frente à televisão o dia inteiro. Ainda bem que tem o Parque Areião e a quadra da casa da vovó Delza e do vovô Edésio!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sampa

Gosto de São Paulo. Simples e objetivo assim. Com todos os defeitos que a cidade tem e com todas as suas qualidades.

Gosto de passear à pé pelas ruas de São Paulo. Gosto de andar de metrô. Gosto de sair de carro. Gosto até dos congestionamentos (os lentos apenas e não aqueles que a gente fica 30 minutos sem sair do lugar): dá pra ouvir uma música inteira do CD, às vezes até o disco inteiro; dá pra falar com seus amigos pelo celular (no viva-voz pra você não ganhar uma multa do "marronzinho" da esquina); dá pra você saber um monte de novidade da vida do seu filho ou do seu marido - o tempo "perdido" no trânsito é "desculpa" pra conversar.

Gosto dos shoppings. Gosto das lojas de ponta de estoque. Gosto das lojas de rua. Gosto das ruas de lojas, as que vão do luxo ao "lixo", do sofisticado ao popular, do profano ao sagrado. Gosto de ver as novidades, o disparate de preços, as tantas variedades e opções, as peças raras e as que estão em todo lugar, as promoções de verdade.

Gosto de ir ao teatro, de sofrer escolhendo qual peça assistir, considerar preço, localização e qualidade. Gosto de ir ao cinema, deliberar qual a melhor sala. Gosto de ir aos parques, poder alugar uma bicicleta de dois lugares ou com charretinha atrás, e me cansar de tanto caminhar sem dar voltas.

Gosto da diversidade da cidade e gosto sobretudo de relembrar (e revisitar sempre) tudo de bom que vivi lá: as minhas amizades, os passeios, as boas compras, os "achados". Os únicos defeitos de Sampa: 8h de trabalho e ser longe demais de Goiânia... Como uma semana passa rápido!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Confissões de mãe

Sei que é sacrificante para a mulher trabalhar fora e cuidar dos filhos e da casa; e que o ideal seria não trabalhar para bem cumprir o papel de mãe, esposa e dona-de-casa. Mas confesso uma coisa: gosto de ir trabalhar mesmo assim. Confesso mais: às vezes, vou trabalhar para descansar um pouco.

Não é apenas sair de casa, é trabalhar, sentir-se uma pessoa produtiva para a sociedade. Não que ser mãe não seja produtivo, pois, afinal, estamos formando um cidadão e não pode ter coisa mais importante que isso. Mas é no trabalho que ficamos por dentro do que acontece no mundo (não estou falando apenas de notícias, mas também de costumes, modas, gírias, comportamentos, relacionamentos); é no trabalho que a gente tem chance de conhecer pessoas diferentes, com opiniões diferentes, experiências diferentes, e, assim, ampliar a nossa visão de mundo. No fim das contas, tudo isso contribuirá para melhor educar os nossos filhos.

Mas eu confesso outra coisa: queria trabalhar menos, bem menos. Assim, umas 4 horas. E ter as outras 4 livres para eu fazer o que bem entendesse. Às segundas-feiras, iria para a minha aula de piano. Às terças e quintas, para o meu curso de línguas. Às sextas, para algum curso de artes. Deixaria as quartas-feiras para ir ao cinema. E também faria natação três vezes na semana.

Simplesmente um luxo!!

terça-feira, 13 de maio de 2008

Música para os ouvidos

O André acorda cantando. Ele acorda e fica lá no berço, nos chamando em melodia. Papai, papai, papai... Ô mamãe, mamãe... Tomtom, tomtom... E a gente, como que despertados por um suave raio de sol, também levanta feliz para o novo dia que começa, já dando graças pela vida, ainda que com um pouco de sono.

O Tomás também não é diferente. Tudo bem, ele não acorda cantando. Aliás, muitas vezes ele acorda meio mal-humorado, querendo dormir mais um pouco. Mas aí basta contagiá-lo com um sorriso e um ataque de beijos para que tudo fique bem e ele vá brincar enquanto canta. Ele brinca cantando, faz a lição da escola cantando, joga no computador também cantando.

Ah, que gostoso é ouvir a musiquinha baixinha que ele vai cantarolando enquanto brinca... A casa em harmonia, ainda que intercalada com uns sons agudos de gritos e outros de bateria.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Até logo, Virgínia

A voz rouca ficará para sempre na minha lembrança. O jeitinho meio mineiro, ressabiado, também. Lembro-me de umas panelinhas que dei a ela num aniversário. Após um apressado agradecimento, ela correu para o quarto para brincar, deixando a festa de lado. Ansiedade típica das crianças. E teve também uma vez, bem recente, que almoçou na minha mãe e comeu um pouco do 'mexido' que eu fizera para o André. E gostou! Simplicidade gastronômica também típica das crianças.

Infelizmente, não tive a chance de conhecê-la melhor, mas mesmo assim sua morte trágica me marcou muito. Não apenas por ter sido tão inesperada; não apenas por ter sido o segundo enterro de criança que fui no prazo de um mês; não apenas por eu ter dois filhos, sendo um da mesma idade dela; mas pelo testemunho da família e pelo que Deus tem falado ao meu coração através dos paradoxos da morte.

Ver uma criança morrer é sempre muito triste, porque fica em nós a sensação de uma planta ceifada abruptamente antes mesmo que se desenvolvesse, antes que desse frutos. Parece que nem chegou a germinar. Um sonho do qual você se despertou de repente.

Mas ver uma criança morrer e saber que quem está sofrendo somos apenas nós, porque ela está ao lado de Deus, brincando no céu como jamais pôde brincar e se divertir aqui na terra, é esperançoso, é acalentador, é reconfortante. A morte de alguém sem Deus, ao contrário, não é apenas muito triste, é desesperadora, é angustiante, sufoca.

Não há palavras para descrever a tristeza e a dor da separação nos olhos de uma mãe. Mas eu também não tenho palavras para descrever o olhar dessa mesma mãe em sua despedida da filha antes de fecharem o caixão.

A certeza do reencontro com a filha um dia, ao lado de Jesus, fez com que aquele momento mais se parecesse com a despedida de uma viagem. Aquela viagem dos sonhos, para a qual você ajudou seu filho a se preparar a vida inteira. Mas infelizmente essa viagem vai fazer seu filho ficar muito, muito tempo longe de você, sem mandar uma carta ou e-mail, sem fazer um telefonema, nada, nenhuma comunicação ou notícia. A mãe está triste por causa disso, mas ela também está feliz porque o filho está feliz, é tudo que ele sempre quis e é tudo que ela sempre quis pra ele. Ela tem certeza de que ele estará muito bem. Na verdade, ela está orgulhosa, porque o filho está indo para o melhor lugar do mundo, onde ele não passará fome nem frio, não terá dor nem sentirá cansaço, não sofrerá nenhuma privação, não passará por tristeza alguma.

É ou não é um paradoxo? Como pode a morte ser triste e esperançosa ao mesmo tempo? Como pode ser motivo de separação e reencontro? Como pode a morte trazer um bem para as nossas vidas? Mas a verdade é que apenas a morte em Cristo pode ser assim. E apenas os que vivem em Cristo também podem se sentir assim.

Até logo, Virgínia. Quero um dia te reencontrar.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Livros, livros e mais livros


Como diz a minha definição nesse blog, eu sou uma apaixonada pelo mundo infantil. E, como não poderia deixar de ser, também sou apaixonada por literatura infantil. Ainda bem que tive filhos, pois não sei como faria para justificar todos os livros infantis que compro (a minha última aquisição infantil foi o original de "O Pequeno Príncipe" em francês - esse eu não pude falar que era para os meninos...).

Nesse fim de semana, aconteceu o primeiro Salão do Livro Infantil e Juvenil de Goiás. Fui levar os meninos ao show do Palavra Cantada (era difícil saber quem tietava mais, a mãe ou os filhos...) e quase enlouqueci com os estandes. Tinha livro para todos os gostos e idades, livros baratos e caros, educativos e divertidos, grandes e pequenos, de bolso e de ler em casa, de autores da minha infância e outros que surgiram agora; só de palavras, pra gente imaginar a história, e só de ilustrações, pra gente inventar a história.

Resisti bravamente e comprei "só" alguns. Mas a vontade era ficar lá por horas e horas, escolhendo os melhores, lendo os lançamentos, relendo as novas edições, descobrindo autores. E ainda tinha uma homenagem a Monteiro Lobato que me fez lembrar da coleção que ganhei da Dute, uma edição especial com a obra infantil completa dele, de "Reinações de Narizinho" a "Histórias do mundo para crianças", da Dona Benta. São 8 volumes no total, uma edição que sei que deve ser rara hoje em dia e que guardo com todo carinho.

Mas a verdade é que não tenho espaço pra tantos livros e preciso ir com calma, pois, afinal, o Tomás tem apenas 4 anos e uma coleção já considerável, que não pretendo de maneira alguma me desfazer, pois cada livrinho tem sua história: ou foi dado numa data especial ou por alguém especial ou foi comprado num lugar especial. Tudo isso anotado na contracapa: a ocasião, o motivo, a dedicatória e os "personagens".

Esses dias uma amiga me disse que se assustou com a quantidade de livros infantis que tem em casa: 375! Até ficou com medo de deixar o filho escrever isso na lição e a professora achar que fosse mentira. Confesso que a minha coleção não chega a tanto, mas não é por falta de vontade. Talvez seja falta de tempo (o filho mais velho da minha amiga já tem 7 anos e ela ainda guarda livros de quando era criança). Afinal, uma biblioteca que se preze não pode ser montada da noite para o dia, comprando livro por metro. Tem de ser construída, exemplar por exemplar, leitura por leitura, alguns livrinhos mais gastos que os outros de tanto serem relidos. E tudo isso, lógico, leva tempo.

Quem sabe um dia eu não terei uma charmosa livraria (ou biblioteca) só de livros infantis, com sessões especiais de contação de histórias, assim como aquela personagem da Meg Ryan no filme "Mensagem pra você"?

E que meus filhos cresçam também apaixonados pelo mundo das letras! (Por enquanto, ainda estou na fase do incentivo: os livros têm de ser acompanhados por brinquedos para não causarem decepções...)

terça-feira, 1 de abril de 2008

Noite cheia

Essa noite, o Tomás foi para a minha cama. Deitou lá, encostadinho a mim e perguntou: "Mãe, posso ficar aqui com você?" Abracei-o e respondi: "Claro, filho". E assim ficamos por algum tempo. Depois, tirei meu braço para me posicionar melhor. Ele logo falou: "Não, mãe... fica com o braço em cima de mim, é bom". Abracei-o de novo. Quando achei que ele já estava dormindo, tirei meu braço outra vez. Mas ele resmungou, meio dormindo: "Mãe, não tira o seu braço..." Desisti de tirar o braço e dormir, e simplesmente aproveitei aquela horinha, até que ele mesmo se virou pra mim, com o tanquezinho do abraço cheio, e disse: "Vou dormir na minha cama de novo".

Quando finalmente eu estava começando a pegar no sono, o outro pequeno acordou, também carente de um abraço. Pensei primeiro que era fome e dei uma mamadeira. Mas não adiantou, ele queria um colinho. Levei-o pra minha cama e ele, igualzinho ao irmão, queria ficar encostado. E ficou, até que, já levado pelo sono, aceitou ficar no berço sozinho de novo.

E o que é mais engraçado é que, mesmo não tendo dormido muita coisa, acordei renovada.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Home alone

Ontem, os meninos foram sozinhos à Igreja com o Hugo. Eu fiquei em casa. A princípio, a idéia era descansar, dormir um pouco mais, enfim, ficar tranqüila em casa. Mas quem disse que eu dei conta de fazer isso vendo o montão de roupa pra lavar e a casa toda bagunçada? Coloquei umas roupas na máquina, dei uma geral na casa e só depois disso fui tomar meu café da manhã sossegada e, em seguida, um banho demorado. Coisas que a gente não faz direito no dia-a-dia, seja porque não pode, seja porque não deixam...

Então, de banhozinho tomado, peguei o notebook e o meu DVD novo da série "Mothern", e deitei na cama pra assistir. O primeiro episódio mostra o nascimento de uma "mothern", ou seja, de uma mãe moderna, aquela mulher que tenta ser mãe e profissional competente-esposa-amante-cidadã-amiga-dona de casa etc. etc., tudo ao mesmo tempo.

A diferença da "mothern", a meu ver, é que ela assume que é cheia de dúvidas e imperfeições, deixando de lado aquele mito de que toda mãe nasce sabendo, que tudo na maternidade é lindo e que a gente consegue fazer todas as coisas. Como bem definiu uma amiga minha, para elas (ou melhor, nós) a maternidade é tanto uma oportunidade de ensinar (passar valores, educar) quanto de aprender (rever conceitos, revisitar experiências, fazer descobertas). Por isso é que a maternidade também se torna uma grande curtição, um grande barato (para nossa sorte!).

Pois bem. Mal tinha começado a assistir o episódio e os meus príncipes chegaram em casa, interrompendo alegremente o meu momento intimista. "Mamãe, mamãe!!!", gritava o André todo eufórico, como se não me visse há um mês ou mais (quem resiste?).

O Tomás, quando me viu deitada assistindo o DVD, me olhou com aquela carinha sapeca, um riso no olhar, e me perguntou: "Mãe, você se divertiu bastante sozinha aqui em casa?"

Olhei pra ele e ri. "Me diverti, filho... me diverti muito".

Ser uma mãe moderna é isso: gostar de ficar sozinha em casa (ainda que seja para usar um pouco do tempo para arrumar a bagunça), mas gostar muito mais de quando tem todos à sua volta novamente.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Yuri

Quando escrevi o texto "É só uma virose", ele já estava doente. A mãe era minha colega de trabalho. Afastou-se para cuidar do filho, 4 meses mais velho que o Tomás. O diagnóstico: um tumor maligno na cabeça. O que poderia ser uma virose perto disso? O que ela realmente é: nada. Assim como a bronquite, a otite, a amigdalite, a faringite, e todas as outras "-ites". Até mesmo o famoso refluxo é bobagem. E todas as alergias, inclusive a de leite e trigo, que causam tantas restrições.
Mas que restrição pode ser mais que a da vida? Que a de ser impedida de ver seu filho crescer? Brincando, correndo, pulando, destruindo toda a casa? Mil vezes os enfeites quebrados, mil vezes um sofá rabiscado, mil vezes um tapete manchado, mil vezes uma marca de bola na parede da sala, mil vezes as marcas dos carrinhos que passearam pela parede do corredor, mil vezes um batom destruído, mil vezes um creme espalhado no chão. Marcas indeléveis de uma criança feliz, ativa, saudável, que enche a casa com sua conversa infantil, com suas musiquinhas, com seus desenhos preferidos, com suas brincadeiras, com sua risada gostosa.
"Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?" (I Co. 15:55)
A casa está vazia. O silêncio reina. E não há palavras que confortem.
"E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram." (Ap. 21:4)

quinta-feira, 27 de março de 2008

Interpretações "equivocadas"

Às vezes, temos dificuldade em entender o que diz uma pessoa ou o que é cantado numa música. Ou se fala rápido demais, ou uma palavra emenda na outra (ou o problema é de surdez mesmo), e aí a confusão já está feita. E se é difícil para nós adultos, imaginem para as crianças, que estão longe de saber todas as palavras e muito menos de conseguir interpretar o sentido da letra de uma música.

Lembro-me de uma colega que, nos idos da nossa adolescência, cantava, à la "Magda", sem parar para pensar no que dizia, "eu vou dar um terno pros afogados" em vez de "eu estou na lanterna dos afogados", do hit do Paralamas do Sucesso. Coitados dos afogados... pra quê eles iriam querer um terno? Bom, melhor nem fazer comentários.

O Tomás, na mesma linha (só que ele tem apenas 4 anos), também comete seus "equívocos" auditivos e musicais na nossa língua portuguesa.

O primeiro deles foi com um cântico da Igreja. A música dizia "O nosso Deus é bom, o nosso Deus é bom, Ele faz até o corvo virar garçom", numa referência ao profeta Elias, que foi alimentado por um corvo quando sobreveio grande seca em Israel (I Reis 17:2-6). O Tomás cantava, todo feliz: "O nosso Deus é bom, o nosso Deus é bom, Ele faz até o corvo pirata som". Foi difícil convencê-lo...

Outro dia ele chegou da escola cantando a música "Tropa de Elite", aprendida com seus colegas: "Tropa de Elite, tuta de doer, pega um, pega Geralda, também vai pegar você". Ih, sobrou para a Geralda... (O certo, pra quem não conhece a música, é: "Tropa de Elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você").

Saindo do campo musical, vira e mexe ele também se confunde com algumas palavras...

Como no dia em que ele chegou da escola (de novo, os coleguinhas...) reclamando, todo sério e indignado, que um amigo o chamara de "vira puta". Ele não tinha a menor noção do que significava, mas sabia que tinha sido para ofender e estava profundamente magoado. (Confesso que até eu tive um pouco de dificuldade para entender, e quase caí na tentação de corrigir para o xingamento certo...)

Também teve a vez que ele pediu ao Hugo, num dia de chuva, para passar com o carro em cima das "bostas d'água"... (Essa agora me fez lembrar de um colega de trabalho, que disse certa vez que uma pessoa era "superveniente", quando, na verdade, ele queria dizer "subserviente"; e de uma outra que, querendo dizer que uma pessoa era "mercenária", disse que era "perludária" - e não "perdulária". Isso sem falar da já citada Magda, personagem daquele programa global "Sai de baixo", interpretada pela Marisa Orth: "mato dois coelhos com uma caixa d'água só", "faca de dois legumes", "quem sabe faz a hora não espera anoitecer" etc.).

A ignorância, quando não é trágica, é mesmo muito cômica.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Orgulho da mamãe...

Olha só o Tomás em sua tão esperada estréia no Coral Infantil da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, cantando a música "Deus nos amou", no culto de celebração da páscoa.

sábado, 22 de março de 2008

Feliz páscoa!

"...Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" (João 1:29)
Nem coelhinho nem ovo de chocolate, o verdadeiro símbolo da páscoa é um cordeiro puro e sem mácula, imolado em favor de todos nós.
Que, nesta páscoa, possamos nos lembrar do sacrifício de Jesus na cruz e de sua ressurreição, demonstração máxima do amor de Deus por nós. E que, assim, tenhamos vida nova em Jesus!!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Disney x Ita Center Park


Criança gosta é de coisa simples. Os adultos são os que complicam as coisas.

As festas em buffet, por exemplo, são invenção dos adultos. Não que as crianças não gostem dessas festas, mas pra elas o que mais importa não é a grandiosidade ou suntuosidade da comemoração, e sim que tenham um dia especial, em que se sintam importantes; um dia de brincadeiras com os amiguinhos, um bolo de chocolate e alguns brigadeiros. Ah, também vai ser legal se ganharem aquele brinquedo (basta um) que tanto sonham.

Pra confirmar isso, é só lembrar do aniversário de 4 anos do Tomás: a festa que ele mais gostou foi a do dia do aniversário, simplesinha, aqui em casa, só com os tios, avós e primos. E o de 3 anos, que ele disse que a mais legal foi a festa na escola?

Esses dias ele também falou, comentando sobre o aniversário de um amiguinho num buffet, que a festa fora muito legal, mas que ele queria que tivesse sido na casa do amiguinho, pra ele conhecer a casa dele e ir brincar lá com os brinquedos dele. Ele queria a intimidade da casa, e não a impessoalidade do buffet. A imaginação e interação que os brinquedos de casa oferecem, e não a passividade e o individualismo dos brinquedos eletrônicos. A simplicidade, e não o luxo.

Outro exemplo: os passeios com muitas opções de entretenimento. Eles também são invenção nossa. Não que as crianças não apreciem essas coisas, mas para elas diversão pode ser tanto uma sessão de cócegas como uma ida ao "parque do macaco" para brincar nos brinquedos de areia. Ou mesmo ir pra casa da vovó, assistir televisão até tarde e, depois, ficar um tempão na banheira cheia de espuma. E também ouvir música no último volume; ou, na fazenda, correr atrás das galinhas e balançar na corda amarrada na árvore. Coisas simples, sem valor comercial algum, mas muito, muito especiais, porque cheias de alegria e feitas na companhia de pessoas queridas e importantes para eles.

Ontem, a caminho do shopping, passamos pelo "Ita Center Park", um parque de diversões itinerante que sempre aporta nas férias aqui em Goiânia. Os meninos ficam loucos para ir, mas nós, adultos, não conseguimos entender bem o porquê. O parque é pequeno (fica no estacionamento do shopping), tem poucos brinquedos, a montanha russa não dá nenhuma emoção, o trem fantasma não causa nenhum arrepio. Mas, mesmo assim, eles querem que nós os levemos lá. Eles não enxergam apenas os brinquedos (ou a precariedade deles), e sim a oportunidade de estarem juntos e terem bons momentos da mais pura e simples diversão.

O Davi insistiu no pedido: "Mãe, mas você prometeu que me levaria lá, você e o papai."

A Fernanda retrucou, rindo: "Davi, a gente vai pra Disney na semana que vem e você fica chorando, pedindo pra ir ao Ita?..."

Eu ri também, e ficamos pensando que, quando ele for adulto, vai entender o quão ridículo nos pareceu o pedido dele. Mas ele, sem saber de nada disso e indignado com a nossa indiferença, apenas falou, dando ênfase a cada sílaba: "Qual é a graça?"

Pensando bem, Davi, não tem muita graça. Na verdade, como diz o Pequeno Príncipe, "os adultos não compreendem nada sozinhos". Não conseguimos entender que o que importa, o que é mais legal, não é simplesmente ir pra Disney, mas sim ir pra Disney (ou para qualquer outro lugar, inclusive o Ita Center Park) e ter momentos inesquecíveis com quem amamos.

P.S. A foto foi tirada no Hopi Hari, em São Paulo, em abril de 2007, quando tivemos 7 horas de exaustão, ops, digo, diversão em família...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Ser mãe de meninos é...


...aprender a diferenciar todos os tipos de carrinhos da Hot Wheels e saber de cor os que seu filho já tem (comprar modelo repetido é um erro tão fatal para eles quanto misturar a camiseta de um conjunto com a bermuda de outro é para nós). Ah, e também saber que tem um que é igual ao do "Speed Racer".

...brincar de luta, tendo que imitar todos os chutes e saltos da "Power Ranger" azul (e saber o que significa "SPD" - se não me engano, é "sistema de patrulhamento delta". Será que está certo?!?)

...ver seu filho de 1 ano achar a maior graça de ficar soltando "pum" pela boca e rolar de rir por causa de um arroto (ai, é desesperador...)

...preparar a mamadeira antes que ele acorde, apenas para evitar o choro de fome que todo menino tem. E também aprender a fazer almoço com alguém no seu pé, de prato e colher nas mãos, pedindo sem parar: "papá, papá, papá" (imaginem quando chegar na adolescência...)

...ser alvo de delicados carinhos, mais parecidos com os de pequenos tratores de mãozinhas pesadas.

...saber brincar de cavalinho e ter força suficiente para levar um pesinho de 10 kg nas costas.

...aprender a jogar futebol e ver, desesperada, tudo que é redondo virar bola (inclusive seus enfeites de mesa).

...comprar brinquedos que resistam a quedas bruscas, arremessos e chutes, e também saber que todos os bonecos e animais se envolverão em brigas durante a brincadeira.

...não ter sossego em restaurante e parar, de uma vez por todas, de sonhar com aquela cena bucólica de meninos desenhando alegre e tranqüilamente enquanto esperam a comida.

...ter que assistir ao desenho do Ben 10 e de todos os outros super-heróis, como Batman, Super Homem e, lógico, o do Power Rangers (não vale ficar lendo livro enquanto finge que vê o filme, tem que prestar atenção!)

...ter que tomar o resto do picolé do Power Ranger (uma inusitada mistura de banana com frutas vermelhas) só pra ele poder pregar a figurinha na janela do quarto.

...ser a "rainha" do lar (o que não significa que você será servida e paparicada por todos os homens da casa, sem nenhuma outra mulher pra dividir a atenção, mas sim que você deve saber mandar, para não virar a "empregada" do lar).

...reviver o meu tempo de criança, quando eu tinha como companheiros de brincadeiras o meu irmão mais novo e só meninos na rua em que meus pais moram até hoje, e tive que aprender a me defender e ao mesmo tempo participar de todos esses jogos de meninos: futebol, "bete", polícia e ladrão (eu era a Kate Marrone), bicecross e playmobil.

É... acho que eu já estava acostumada com o universo masculino. E deve ser por isso que eu adoro tanto ser mãe de meninos!!

quinta-feira, 13 de março de 2008

"Children see. Children do."

A importância e a responsabilidade do exemplo.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Observador

Já tem tempo que tenho vontade de experimentar as tais "escovas progressivas", "inteligentes" e "alisamentos" da vida... Mas nunca tinha coragem, porque, no fim das contas, gosto do meu cabelo "curvo" (como disse o Tomás) e morria de medo de parecer artificial.
Mas uma amiga experimentou uma técnica "nova", chamada selagem, e eu gostei bastante, exatamente porque não alisou, não ficou artificial, mas tão somente "assentou" os fios. "Vai ser essa", pensei.
E lá fui eu hoje para o salão. Cortei o cabelo mais curto e, depois, "selei" os fios. Está super hiper mega power plus liso, porque a técnica é assim: aplica o produto, seca o cabelo e depois ainda passa uma "chapinha". É quase como o ferro de passar roupa de antigamente... e exatamente igual (do meu ponto de vista) à "escova progressiva".
Cheguei em casa na hora do almoço e o Tomás, logo que me viu, já foi dizendo:
"Mãe, você cortou o cabelo? Ficou bonito!"
"É? Você gostou?", perguntei.
"Gostei. Você ficou parecendo outra moça."
"Outra moça?"
"É. Uma que eu conheço... mas eu não lembro quem é."
Não queria que tivesse mudado tanto, mas gostei do "moça"... Vamos ver como vai ficar depois de lavado.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Passa rápido...

Ontem, estávamos no carro esperando o Hugo comprar um "milkshake de ovomaltine" (perdição da minha dieta). O André dormia na sua cadeirinha no banco de trás e o Tomás, mais que depressa, já tinha passado para o banco da frente pra ficar brincando no volante e mexendo no som.
Falei pra ele ficar no meu colo e tentei abraçá-lo como ainda consigo fazer com o André. Não durou 30 segundos...
_ Não, mãe, 'tá quente...
_ Espera, filho, eu abro a janela.
_ Não adianta. O seu braço não deixa o frio chegar em mim.
Que pena! Como o meu braço pôde fazer isso comigo em tão pouco tempo?...

terça-feira, 4 de março de 2008

Um chorinho à toa não faz mal a ninguém

Nunca fui daquelas mães que saem correndo, desesperadas, ao som de um chorinho qualquer. Sempre esperei o segundo choro, a confirmação do chamado, pra me levantar. Escutei da chinezinha dona do berçário que o Tomás ficou lá em São Paulo que a vantagem do berçário era exatamente esta: ensinar a criança a dividir a atenção. Ela me disse que o grande erro das mães era atender a criança incontinenti; que, agindo assim, a mãe fazia de seu filho um reizinho, mini-ditador da casa, a quem todos deveriam servir sem demora. Eu, sem ter a menor noção disso, já colocava o meu pequeno príncipe em seu devido lugar, fazendo-o saber que eu estava lá, mas não tão disponível quanto ele pensava.

Vendo assim, muita gente deve pensar que eu sou uma mãe desnaturada. Pode ser. Ou, quem sabe, egoísta. Pode ser também. Aliás, eu acho mesmo que sou uma mãe egoísta, pois penso em mim também, e não apenas no meu filho, como todo mundo acha que deve ser uma mãe. Aprecio uma noite bem dormida para, no dia seguinte, dar conta de todas as minhas "tarefas", inclusive e principalmente a de mãe.

O André, muito de vez em quando, acorda à noite chorando. Eu, pra variar, espero o segundo choro, a insistência. Quase sempre ele volta a dormir sozinho, sem ninguém ter ido ao seu encontro. Se eu o atendesse toda vez, com certeza ele se acostumaria com isso e acordaria toda noite me requisitando, o que não seria bom pra nenhum de nós dois. Pra mim, porque ficaria cansada no dia seguinte, por causa do meu sono picado. E ele, também com o sono picado, ficaria com o seu desenvolvimento comprometido. (Pode parecer desculpa esfarrapada de uma mãe preguiçosa, mas eu estou falando sério! Só depois que ele cala é que eu vou lá me certificar de que está tudo bem mesmo).

Mas, pra dizer a verdade, o silêncio me preocupa muito mais do que o choro. Já acordei muito no meio da noite, assustada, apenas pra ir olhar o que tinha acontecido que ninguém tinha acordado chorando pra mamar. E imaginem só que aterrorizante, para dizer o mínimo, deixar seu filho brincando no quarto ou na sala sozinho, ouvir um barulho tremendo e nenhum choro em seguida. Deus me livre! O choro nos consola. Como dizem, se chorou é porque está bem.

Lembro-me de uma amiga contando da primeira noite que a filha dormira a noite inteira sem acordar. Quando ela e o marido acordaram e viram que já eram 6h da manhã, eles mal tiveram forças para se levantar. Estava tudo tão calmo... eles tinham certeza que algo de muito mal tinha acontecido, aquilo não era normal. Que alívio e que felicidade ver a filha dormindo, tranqüila, no berço!

Ah... quem já não teve esse medo? O silêncio das crianças é assustador, é perigoso. Uma casa barulhenta, com crianças gritando, faz parte do pacote de quem tem filhos. Não tem jeito. É por isso que a mamãe porquinha, do clipe do "Cocoricó 2", da TV Cultura, diz "o porquinho 'tá cantando, então 'tá tudo bem". Tem barulho na casa. E, quando tudo silencia, ela, preocupada, resolve ir olhar o que ele está fazendo.

Ontem, o meu porquinho mais novo, que estava brincando pela casa, silenciou no quarto. Quando percebi a quietude do lugar, fui correndo ver o que estava acontecendo. Era bagunça na certa! Ele simplesmente tinha tirado todas as roupas do Tomás da cômoda e estava empilhando-as no chão. Que tal? Todas as roupas que estavam guardadas, bermuda dentro da camiseta, todas combinadas, tudo arrumadinho... E como você reage àquela carinha de quem foi pego fazendo coisa errada? Confesso que eu até tentei dar uma bronca, mas tive que, antes, sair do quarto pra rir... Faltou a foto!

O maior susto que a minha mãe já passou na vida foi por causa de um silêncio. Ela conta que foi a única vez que ela ficou sem ação, sem saber o que fazer (e olha que ela já passou por filho que caiu em fossa, que engoliu moeda e por vários e vários tombos, cortes e machucados). E foi comigo. Eu devia ter uns 3 anos. Estava tomando banho enquanto ela fazia o almoço. E conversava (pra variar). De repente, o silêncio. A minha mãe chamava e nada. Quando ela foi ver, eu estava caída no chão no banheiro, a água do chuveiro escorrendo pelo meu corpo. Ela me pegou no colo, aquele corpinho mole, e a única coisa que conseguiu fazer foi sentar no vaso e chorar, e chorar. No meio do choro, ela olhou pra mim de novo. Eu estava quietinha no colo dela, com os olhos arregalados, assustada, sem entender o que estava acontecendo: tinha acabado de acordar do meu "soninho" no banho... (Deve ter dado vontade de me bater, né?)

Mas é assim, quem tem filhos sabe muito bem o que é silêncio de menino. É melhor sair correndo pra ver, bem mais rápido do que quando se ouve apenas um "chorinho à toa"...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Combinação

A combinação de roupas dos homens da casa sempre é um problema para a mulher. O Hugo não, porque ele sempre sabe combinar direitinho as suas próprias roupas, mas, em compensação, tem uma certa dificuldade com as roupas dos meninos e nunca sabe quais são os conjuntos.

Então, resolvi de uma vez por todas acabar com esses problemas de combinação aqui em casa: mesmo as roupas que não são conjunto, mas que combinam entre si, são guardadas juntas, a bermuda por dentro da camiseta pra não ter dúvida alguma. Nenhuma bermuda é guardada sem o seu devido par. Foi a melhor coisa que fiz, porque agora até o Tomás acerta nas combinações.

Mas as nossas soluções nunca conseguem abranger todas as coisas: faltaram as meias!

Hoje, nos arrumando para ir à Igreja, o Tomás colocou uma roupa toda bonitinha, mas escolheu uma meia que não combinava em nada. Tentei fazê-lo escolher outra meia, mas ele me saiu com essa:

_ Não, mãe, essa meia está combinando direitinho, olha só: ela combina com o meu tênis (que era preto), ela combina com a minha camiseta (e arrumou uma cor na camiseta que também tinha na meia), ela combina com a minha bermuda (era uma bermuda jeans) e ela combina com a minha pele!

Não sei de onde ele tirou essa de a roupa combinar com a pele, mas o fato é que não tive contra-argumento para desfazê-lo da idéia de ir com aquela meia...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Tu te tornas eternamente responsável por aquele que educas

Ainda na esteira do texto que escrevi sobre o filme "Meu nome não é Johnny" e motivada também pela preocupação do Tomás em como fazer pra arrumar uma namorada...

Tudo começou na reunião dos pais do início do ano. Explicando como funcionava a dinâmica do "Dia do Brinquedo", a professora pediu aos pais que não mandassem filmes violentos, como os do Dragon Ball, e muito menos CDs com músicas das "Piriguetes" ou do "Créu créu créu".

Uma mãe interrompeu a explicação: "Peraí. Agora eu fiquei assustada. Tem pai que deixa os filhos ouvirem essas músicas e ainda mandam o CD pra escola?"

Pois é. Por incrível que pareça, enquanto alguns pais ficam só no Discovery Kids (canal de desenhos legais - leia-se, não violentos - da TV por assinatura) e no Palavra Cantada (grupo musical super bacana, que trata a criança como um ser pensante, fazendo música infantil de qualidade), tem outros até que ensinam o filho a dançar a "dança das piriguetes" - e ainda dizem: "Olha só que bonitinho!" E o menino, "piliguete, piliguete..."

É nessa hora que eu me pergunto: o que esses pais querem passar aos filhos com tais músicas de conteúdo, no mínimo, vulgar?

E o caso do vendedor de uma loja que disse pra minha irmã que o filho de 6 anos já assitiu várias vezes o filme "Tropa de Elite"? O que será que ele pensa que está ensinando ao filho? A não usar drogas? (deve existir um outro jeito mais adequado à idade).

Tem hora que eu prefiro acreditar que o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa existem a acreditar que tem pai que faz uma coisa dessas...

Ontem, fui a um aniversário de 5 anos de uma coleguinha do Tomás e assisti assustada (tal qual a mãe da reunião de pais) a cantoria, incentivada pela mãe da menina, do famoso "Com quem será?" após os parabéns. Pra completar, o "escolhido", também incentivado por seus pais, foi à mesa de bolo para tirar fotos com sua "namorada". E pra completar mais ainda, depois de tudo isso, ela foi atrás dele num brinquedo e, sentada, o abraçou com as pernas (isso mesmo!), perguntando se ele tinha gostado das fotos e dizendo que ela gostava muito dele.

Gente, onde foram parar as nossas crianças?!?? E, principalmente, onde foram parar os pais?! 'Tá todo mundo perdido, sem saber que rumo tomar. Coisas que, pelo que eu me lembro, só começavam na pré-adolescência já estão na pré-escola. E isso não é o pior. O pior é que os pais incentivam, apóiam, aplaudem, acham graça.

É por isso que eu continuo clamando pela misericórdia de Deus... E que Ele me dê muita, mas muita sabedoria e também discernimento para cumprir esse papel de educar filhos, sem esquecer que "tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu" (Ec. 3:01): tempo de brincar e tempo de namorar, tempo de ser criança e tempo de ser adulto, tempo de contos de fadas e tempo de vida real, tempo de música boa e de música boa...

Conselho


Mudei meu horário de trabalho, porque o André saiu do berçário e está "estudando" na mesma escola do Tomás à tarde. Então, agora eu trabalho como a maioria das pessoas: vou um pouco de manhã, almoço em casa com a minha família e, depois, trabalho mais um pouco à tarde. Além de ficar mais com os meninos e almoçar em casa, ainda posso levá-los e buscá-los na escola. Tem sido muito bom pra todo mundo.

O único problema é que eu ainda não me adaptei de acordar tão cedo pra ir trabalhar...

Ontem, eu estava ensaiando para levantar, quando o Tomás apareceu na minha cama. Logo depois, o despertador tocou. Eu ainda fiquei naquela preguicinha boa, o famoso "mais cinco minutos, por favor..." Foi quando ele me perguntou:

_ Mãe, você não vai levantar pra ir trabalhar?
_ Vou, filho, é que eu estou com um pouco de preguiça...
_ Você não quer ir trabalhar?
_ (bocejo..) Quero, filho, eu já estou indo...

Percebendo toda a minha vontade, ele me deu o seguinte incentivo:

_ Mãe, imagine que eu não queria ir à escola e ficasse aqui em casa brincando. E aí fosse um dia muito legal na minha escola. Eu ia achar ruim de não ter ido. Então... pensa que pode ser um dia bem legal no seu trabalho. Se você não for, vai achar ruim depois.

Eu, mais que depressa, me levantei e me arrumei pra trabalhar. Afinal, eu não podia falar pra ele que muito provavelmente nada de muito legal iria acontecer no meu trabalho...

Em compensação, sempre tem alguma coisa de muito legal acontecendo bem debaixo dos meus olhos... Amo vocês!!!!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ê vida boa!

É engraçado ver como os filhos são diferentes uns dos outros.

Enquanto o Tomás fecha o chuveiro pra se ensaboar, o André adora ficar um tempão debaixo do chuveiro, sentindo a água escorrer em suas costas.

'Tá precisando de umas aulinhas sobre economia e não desperdício dos recursos naturais... Mas, cá entre nós, é mesmo muito bom ficar debaixo de uma duchinha de água quente, não é?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Certo e errado

As pessoas vivem preocupadas com mil coisas: carreira profissional, emprego, dinheiro, em quem votarão nas próximas eleições, aquecimento global, a vida dos outros e por aí vai... Mas uma coisa tem me preocupado de verdade e me tirado noites de sono: como educar meus filhos, como transmitir a eles os valores corretos para que eles sejam pessoas de bem, cumpridores de seus deveres, honestos, trabalhadores e, acima de tudo, tementes a Deus.

É sério. Tenho visto a cada dia que o modo como eu vou educá-los vai interferir muito mais no futuro da humanidade do que como tento evitar o aquecimento global hoje, reciclando um pouco do muito lixo que produzo. Isso é aterrorizante. Dá medo ser mãe, dá medo ser responsável direta pela formação de uma pessoa.

Esse medo veio ainda mais à tona depois de assistir ao filme "Meu nome não é Johnny". O filme retrata a trajetória de João Guilherme Estrela, um rapaz de classe média, morador da zona sul carioca, filho de pais 'amorosos' (ele tinha "amor em casa, diálogo e liberdade com confiança"), e que, apesar de tudo isso, vira traficante de drogas. O que mais me impressionou foi essa parte de "filho de pais amorosos". Melhor seria se a sinopse o descrevesse como um garoto mimado, filho de pais omissos e que nunca teve um limite sequer na vida.

Isso me levou a pensar no conceito de amor. O que é ser "pais amorosos"? É deixar seu filho pequeno, de uns 5 ou 6 anos, soltar um rojão no meio da sala de TV e, em vez de dar uma bronca, comemorar com ele a ida do seu time para a final do campeonato? É deixar seu filho consumir drogas na sua sala de visita? É ser um "pai-vizinho" que não reclama do volume do som e ainda incentiva o filho a "aproveitar a vida"?

Não, não pode ser isso. Amor não é condescendência. Eu tive pais amorosos, tenho certeza disso, e eles nunca me deixaram fazer essas coisas (graças a Deus!). Pelo contrário, eles sempre me ensinaram o limite do certo e do errado, e meus atos sempre tiveram conseqüências (sofridas, diga-se de passagem).

A Bíblia, há muito tempo, já dizia: "O Senhor repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem" (Pv. 3: 12). Muito se engana quem acha que não castigar o filho, não impor limites a ele é demonstração de amor, que o castigo tolhe a liberdade da criança, que ela poderá crescer "frustrada", coitadinha. Coitadinha da que não sofreu um castigo na vida e, depois, tem que lidar com os castigos da vida.

Que tristeza ver aquele rapaz na prisão e, depois, no manicômio judiciário. Mais tristeza ainda vê-lo agora, homem feito, aspirante a pai, afirmando, em entrevista à revista Veja, que não se arrepende do que fez (apenas ressente-se de não ter parado antes) e que o uso de drogas é tão somente uma fase na vida do adolescente.

O Tomás um dia me falou que queria ser um filho obediente, mas que não conseguia. Eu expliquei que era assim mesmo (como disse o apóstolo Paulo, "porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço" - Rm. 7:19), mas que a gente tem que tentar. Ele, então, me pediu para ajudá-lo (Deus, por sua imensa graça, pode ajudar muito mais que eu, filho).

Deu dó vê-lo falar assim, mas ao mesmo tempo eu fiquei feliz, porque vi que meu filho tem consciência do que é certo e do que é errado. Ele sabe que desobedecer é errado e busca fazer o que é certo. É essa tentativa que deve nos mover. Ninguém é perfeito, ninguém acerta em tudo que faz, a gente erra - e muito! -, mas a gente tem que correr atrás do que é certo, do que é louvável, a gente tem que tentar, porque na vida tudo tem conseqüência.

E que Deus tenha misericórdia de nós, pais e filhos, porque, mesmo sendo pais amorosos, não estamos livres de ver nossos filhos fazendo muitas coisas (muito) erradas.