sábado, 18 de dezembro de 2010

Pesadelos

Minha mãe costuma dizer que dormir deve doer e que deve ser por isso que toda criança luta tanto contra o sono (e, se pensarmos bem, os adultos também...). Mas uma vez o Tomás me disse que não queria dormir porque não queria ter pesadelos de novo. Fiquei com dó e me lembrei dos pesadelos horríveis que tinha quando também era criança (o de todas as noites tinha sempre um cachorro aterrorizante correndo atrás de mim ou tentando me pegar).

A minha vontade é que eu tivesse o poder de fazer com que eles só tivessem bons sonhos ou que, ao menos, tomasse os pesadelos pra mim, livrando-os desses infortúnios. É difícil constatar que não temos poder algum para livrar nossos filhos de coisas ruins. A única coisa que posso fazer e que está ao meu alcance é aproveitar essas horas de medo pra reafirmar a eles que Deus está sempre conosco, cuidando de nós, inclusive enquanto dormimos.

Ontem, antes de dormir, o André fez a seguinte oração, que me mostrou que ele entendeu bem que só Deus pode nos afastar do perigo e nos segurar pela mão quando atravessamos o "vale da sombra da morte" (Salmo 23):

"Papai do céu, obrigado por esse dia. Obrigado por esse ano que eu ganhei uma mochila nova. (pausa). Deus, é uma conversa muito séria: no escuro, eu estou com você. E você é o meu amigo preferido. Em nome de Jesus, amém!" 

E que assim seja!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

De veneta

Meus meninos são "de época" ou "de veneta", como diz minha avó. Às vezes, cismam de só querer dormir com a gente: ou vão para a nossa cama ou é a gente que tem que ir para a cama deles. Eu não sou radical quanto a isso e confesso até gostar, principalmente nos dias em que passo muitas horas longe deles. Dormir abraçada a eles ou bem pertinho, sentindo-os encostar em mim, parece compensar o quão distante ficamos durante o dia. 

O problema é, como eu dizia no começo, quando eles cismam de só querer dormir assim todos os dias da semana. Aí, a gente tem que, literalmente, "despachá-los".

Nessas horas, eu costumo explicar que não posso dormir com eles, pois tenho que dormir com meu marido. Às vezes, dá certo. Às vezes, não... Negociamos um pouco... E assim vou levando até eles deixarem isso de lado por um tempo e vir a época em que eles não querem dormir com a gente.

Ontem, trabalhei o dia inteiro. Cheguei em casa cansada, impaciente. E eles com o gás total das férias. 

Ficaram bagunçando na minha cama e eu logo os "despachei".

Mas depois fiquei com remorso (a velha culpa de todas as mães...). E fui atrás deles, para um boa noite e um pedido de desculpas pela impaciência.

Perguntei ao Tomás se ele queria que eu me deitasse com ele um pouquinho. A resposta foi lacônica: "Não... você já ficou aqui comigo ontem. Pode deitar com o André."

Perguntei o mesmo ao André. E sabem o que ele me respondeu?

"Não... pode ir deitar com o seu marido."

E lá se foi uma mãe, carregada de culpa, tentar dormir no outro quarto...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

André e a política

Nós, pais, subestimamos muito os filhos. Ou melhor, nós, adultos, subestimamos muito as crianças. Ora acreditando que elas não entendem nada do que falamos, ora tendo certeza que elas não estão prestando atenção no que falamos, entretidas que estão em suas brincadeiras. 

Mas isso definitivamente não é verdade. E quem nos dera que realmente eles não prestassem atenção... Tal qual radar, as orelhinhas estão sempre atentas a tudo que se fala ao redor deles, captando cada palavra, cada detalhe. 

Essas aconteceram na época das eleições presidenciais. Depois de alguns horários políticos da televisão, a cabecinha do André ficou cheia de dúvidas e algumas certezas... 

_ Mãe, eu sei porque todo mundo torce pela Dilma.
_ É mesmo, filho? Por quê?
_ Porque ela é a primeira presidente do Brasil.

_ Pai, é verdade que a Dilma já roubou um banco?
(...) 
E vai o pai tentar explicar como alguém pode cometer crimes por ideologia...