sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ida pra fazenda 2

E lá foram eles de novo hoje. Home alone again. Ainda não consigo me acostumar com essa ideia de que não tenho mais filhos que dependem de cuidados exclusivamente maternos. É uma triste constatação.

Estava trocando de roupa no André e comecei a dizer que eu ficaria com muita saudade dele. Ele me respondeu, todo carinhoso: "Eu também, mãe!"

Sei que não é certo, mas não resisti à chantagem emocional: "Então, fica aqui comigo!..."

E ele respondeu, bem simples e direto, sem pensar: "Tá bom".

Levei um susto. Não imaginava que a minha chantagem fosse funcionar.

"Tá bom? Você prefere ficar aqui com a mamãe a ir para a fazenda?"
"É." - a resposta continuava simples.
"Então tá certo. Você fica aqui comigo!"

Mas foi só o Hugo dizer que já estava indo embora pra ele se esquecer do prometido e sair correndo. Sabiamente, não repeti a proposta pra não ficar muito desmoralizada... Afinal, a disputa é injusta (e a proposta também!).

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Idade de Cristo

Ontem, foi meu aniversário. 33 anos. Trinta e três anos! 33 anos... 

Vontade de que ninguém, ninguém mesmo - nem minha mãe! - se lembrasse disso... de passar em brancas nuvens...

E,
pela primeira vez, comemoraram meu aniversário no meu trabalho - com festa para o andar inteiro! Eu, de extrovertida que sou, passei para uma pessoa que não sabia pra onde olhar nem se batia palmas com a galera ou se punha a mão na cintura...

Vontade de sumir e comemorar apenas com meu núcleo familiar primário (ou de nem ao menos comemorar...).


Vontade que foi desaparecendo no decorrer do dia... Primeiro, quando recebi o telefonema da Maira, falando que tinha orado por mim logo cedo. Me emocionei.
E, depois, ao chegar em casa no fim do dia.

Sem chave, toquei a campainha. O André veio correndo. "Oi mãe!!" - foi o grito todo feliz que ouvi. "A gente 'tá escrevendo um cartão pra você. Um cartão de aniversário!"

E eu, com vontade de entrar logo em casa, disse: "É? Que legal! Então, abre a porta pra mim.
"

"Não posso, mãe, a gente ainda não terminou. A gente 'tá escrevendo que você é a nossa princesa, e linda, e que a gente gosta muito de você!"


Podem dizer o que quiserem, mas, sinceramente, eu não precisava de mais nada... Já ganhei meus melhores presentes de aniversário: Hugo, Tomás e André.


Amo vocês!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Clube do bolinha


O Hugo vai a fazenda pelo menos uma vez por mês. Geralmente, ele vai às sextas-feiras, porque aproveita a ida e também atende pacientes em Jussara. Quase sempre, eu não posso ir, o que acaba impedindo que os meninos o acompanhem.

Às vezes, quando a mãe do Hugo vai junto, o Tomás também vai. Mas já tem um tempo que, mesmo quando a D. Vânia não vai, o Tomás vai sozinho com o Hugo. O André, contudo, nunca vai - só quando eu também vou.


No começo, ele aceitava numa boa, principalmente porque o Hugo lhe incumbia uma importante missão: cuidar da mamãe. Ele se sentia muito importante e explicava pra todo mundo que ele não tinha ido à fazenda para cuidar de mim, sua pobre e indefesa mãe.

Mas o tempo foi passando e acho que ele percebeu que eu não precisava de tantos cuidados assim. E começou a demonstrar um certo inconformismo por não acompanhar os demais homens da casa nessa verdadeira aventura de ir à fazenda sozinhos. Isso aconteceu em dezembro do ano passado (2009).

Tristinho, meio cabisbaixo e todo humilde, ele foi perguntar ao Hugo por que não poderia ir à fazenda com ele e com o Tomás. E, então, iniciou a descrição de tudo que ele gostaria de fazer por lá: andar a cavalo, tomar banho na bica... "Eu querio tanto, papai...."

O Hugo ouviu em silêncio. Pensou. Refletiu. Decidiu. E não resistiu. Em seguida, me comunicou:
"Vou levar o André comigo para a fazenda".

E a pergunta que não quer calar: quem é mais doido - o pai que leva ou a mãe que deixa ir?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Hora de oração

Nós prometemos no batizado: orar pelos filhos e com os filhos, ler a Bíblia com eles, ensiná-los a fazer essas coisas sozinhos. Procuramos fazer isso não apenas porque nos comprometemos, mas porque acreditamos nessas verdades. Mas confesso que, muitas vezes, falta um pouco de fé e, no fundo, achamos que essas coisas não terão resultado (talvez porque, de fato, elas não sejam determinantes - é tudo dom gratuito de Deus, e não fruto das nossas obras...).

Essa história é mais uma que aconteceu em dezembro do ano passado, lá no Palavra da Vida, mas que eu ainda não tivera tempo de contar.

Eu entrei no quarto e flagrei a cena: o Tomás deitado, olhos num fechar apertado, dedos entrelaçados... Ele estava orando! Observei com carinho, com uma felicidade sem fim, pensando em como Deus é fiel e gracioso.

E não resisti: quando ele acabou a oração e abriu os olhos, mais que depressa perguntei o que ele falava, tão enternecido, com Deus. Mas oração é conversa íntima, dona Eleonora! E ele simplesmente não me respondeu...