sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Curtindo a vida adoidado

_ Mãe, não é que a gente tem que aproveitar?
_ Aproveitar o quê, filho?
_ Aproveitar, mãe! A gente não tem que aproveitar?
_ Não sei, filho... O que a gente tem que aproveitar?
_ Mãe, você não entende? Eu tô falando de criança. Criança não tem que aproveitar?
_ Aproveitar a vida?
_ É... aproveitar que é criança e brincar lá fora, correr, andar de bicicleta.
_ É verdade, filho, criança tem que aproveitar bastante o tempo de criança e brincar muito.
_ O Davi vai lá pra vovó Delza e só quer ficar assistindo televisão. Ele não quer saber de aproveitar.
_ Então, você tem que ensinar isso a ele. Ver televisão é muita perda de tempo.

O diálogo acima me fez lembrar um trecho de "O Pequeno Príncipe": "As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando".

"Les grandes personnes ne comprennent jamais rien toutes seules, et c'est fatigant, pour les enfants, de toujours et toujours leur donner des explications".

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Forte x fraco - a luta continua

Tomás, meu adultinho preferido, explicando a diferença dos "níveis" de força para o André, que insistia em dizer que a mamãe é "faquinha" e o papai "fortão" (a discussão de hoje era pra saber se precisa de muita força pra trocar o pneu do carro. A mamãe também consegue ou é apenas o papai que dá conta de fazer isso?).

"Não, André, a mamãe não é fraquinha. Ela é meio forte. É só que tem coisas que ela não tem força suficiente pra fazer".

Viu só, gente? Tudo é uma questão de ponto de vista.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

André e suas conclusões

1. O vovô é gande, mas é faquinho;
2. A vovó é mulher, mas é fortona;
3. A mamãe também é faquinha;
4. Mas o papai é muito fortão.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sem dó nem piedade

Naquele mesmo dia em que milhares de ativistas dos direitos animais protestavam contra o presidente Barack Obama... Eu sei, isso já tem um tempo. Aliás, um bom tempo: foi no final de junho. Mas não posso deixar de contar. Estou atualizando o blog, após um longo e tenebroso inverno, no qual simplesmente desapareci. Mas as histórias continuavam lá, no meu caderninho de rascunho resumido, muito bem guardadinhas, tal qual o verso do Carlos Drummond de Andrade; estavam lá, e não queriam sair, mas "a poesia daqueles momentos inundavam a minha vida inteira". Poesia à parte, voltemos à história...

Pois bem. Naquele mesmo dia em que milhares de ativistas dos direitos animais protestavam contra o presidente Barack Obama, que exterminou, no meio de uma entrevista ao vivo, uma mosca que o estava incomodando, desferindo-lhe um tapa certeiro e fatal, o André também praticou um ato semelhante (qualquer semelhança é mera coincidência...).

Estava ele na cozinha da casa da minha mãe, chutando bola (um bom lugar para fazer isso), quando de repente parou de brincar, encarou uma formiga que estava no meio do caminho e, sem dó nem piedade, deu-lhe uma super pisada (e, depois, conferiu se tinha sido eficaz). A atitude foi tão determinada que confesso ter ficado assustada. Indaguei:

_ Filho! Pra que isso? Por que você matou a formiga? Coitada! O que ela fez com você?

E ele, com a mesma determinação que lhe é peculiar, apenas me respondeu, com ar de obviedade:

_ Ah! Ela 'tava me atrapalhando de chutar a bola!

(suspiro) E a gente tem apenas que aproveitar uma oportunidade dessas para ensinar um pouco sobre tolerância e amor aos bichinhos...
P.S. Pra quem quiser ver a performance do presidente dos EUA, aí vai o link para o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Qfv2c0wTZg4

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Balinhas

A Dute, minha tia, é viciada em balinhas. Sempre foi. Depois da cirurgia bariátrica, o vício foi praticamente legalizado. Agora, "póóóóde". Esses dias, fomos à casa da minha avó, onde ela tem ficado hospedada. O pote de balinhas em cima da mesinha de centro, na sala de televisão. Impossível não ver. Ainda mais se for criança.

Vendo o olho comprido do André, ela ofereceu a ele uma balinha. Pronto. Era o que precisava. Barreira rompida, balinha na boca. O que estava faltando? Outra na mão, lógico.

_ Posso pegar outra?
_ Claro, pode pegar quantas você quiser!

Barreira rompida 2. Uma a uma, ele foi enchendo a mãozinha de balas. Até que não tinha mais espaço na mão para tanta balinha. Então, veio o pedido:
_ Você me dá um saquinho?

Levou todas. E eu fiquei devendo um saco de balinhas pra ela (o pior é que não sei onde ela consegue encontrar dessas Balas Chita; eu nem sabia que ainda existiam).

Conversa alheia

Isso sempre acontece com alguém. Até o Tomás já teve seu dia de ficar descaradamente prestando atenção em conversa alheia. Confesso que também não consegui resistir. Sala de espera de consultório médico. Alguém conseguiria resistir?

Conversa de vó para vó. Cada qual contando as novidades de seus netinhos. Meu ouvido cresceu. Afinal, é tudo que eu mais adoro contar aqui nesse blog: tiradas inteligentes, perguntas inusitadas, observações, gracinhas e até mesmo más-criações (muitas vezes, essas são as mais engraçadas).

_ A última do meu neto foi demais. Eu estava assistindo um filme e ele quis assistir também. Com todo cuidado, expliquei a ele que era um filme de adulto, que criança não poderia assistir. Sabe o que ele me disse?

Eu, caladinha no meu canto, já fiquei imaginando a resposta e também a carinha de indignação da criança. A senhora continuou:

_ "Mas, vó, porque eu não posso assistir filme de adulto? Vocês assistem o meu!!"

Não consegui segurar o riso. E foi nessa hora que a vovó descobriu que muita gente também prestava atenção na história dela...

sábado, 8 de agosto de 2009

Banheiro no céu

Eu já ouvi dizer que chuva é xixi de anjo, mas nunca pensei se seria possível ter banheiro lá no céu pra resolver essa situação...

Voltávamos do shopping; o Tomás apertado para ir ao banheiro. De repente, a pergunta:

_ Mãe, no céu tem banheiro?
_ Acho que não, filho.
_ Não?!?? E como a gente vai fazer xixi e cocô lá no céu?

Suspiro profundo. Pausa. E tentativa de explicação:

_ Sabe, filho, quando a gente for pro céu, o nosso corpo não será mais igual a esse corpo que a gente tem hoje; vai ser um corpo diferente. E eu acho que, com esse novo corpo que a gente vai ganhar depois que morrer, não vamos precisar ir ao banheiro pra fazer xixi e cocô.

Num tom inquisitivo, ele me perguntou:

_ Mãe, você tem certeza disso?
_ Não, não tenho certeza. Eu acho.

Silêncio da parte dele e expectativa da minha: o que ainda virá?...

_ E a gente não vai comer lá no céu?
_ Não, eu também acho que não vamos comer.

Mais alguns segundos de silêncio e "processamento de dados", e eis que surge a seguinte conclusão:

_ Mãe, eu acho que vai ser muito legal no céu, pois eu vou poder brincar sem parar! Sabe, mãe, às vezes isso é muito chato: eu tô lá no pula-pula da vovó Delza e tenho que sair só pra ir fazer xixi. E lá no céu não vai ter isso. Eu não vou precisar parar de brincar pra ir ao banheiro. Vai ser muito bom!!

É verdade, no céu vai ser tudo muito bom!!! Não apenas porque não terá banheiro, mas porque estaremos diante de Deus, num lugar em que não terá choro nem tristeza. "O céu é um lindo lugar, cheio de graça sem par! Meu Jesus vou avistar, pois o céu é um lindo lugar!!!"

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Há 6 anos


Era quinta-feira. Dia frio em São Paulo, sol tímido, céu azul pálido. A casa cheia de gente. Todos reunidos para celebrar um momento único. A manhã passou rápido com tantos preparativos. Mala grande daqui, mala pequena de lá, lembrancinhas ali, quadro de cá, docinhos acolá. Alguém muito especial chegaria em poucas horas. A expectativa era grande. E eu me sentia poderosa, um sentimento difícil de explicar, mas que me enchia de uma felicidade tal.

Um dia tão marcante que eu me lembro de cada detalhe, até da roupa que vestia: uma blusa verde claro de frio e uma calça jeans. Chegamos ao hospital com toda nossa tralha (mal sabia que seria uma tralha ainda maior pra ir embora...). Fomos para o quarto, um quarto grande, com antessala e tudo, desses que o pessoal paga a mais pra ficar. Tivemos sorte: a maternidade estava lotada, muitos bebês nasceram na véspera e era o único quarto disponível.

A hora marcada era 13h. 40 semanas e 1 dia. Não entrei em trabalho de parto, não tive contrações nem dilatação, a bolsa não se rompeu. Sem sinal de parto normal, a solução foi marcar o parto cesáreo. Se fosse há 100 anos, acho que eu teria o mesmo destino da minha bisavó paterna. Ficamos esperando, mas nada de a minha médica chegar. Ela também estava grávida, 14 semanas. Com hiperemese gravídica, atrasou-se pois não parava de vomitar. Quando chegou, estava tão pálida que eu me assustei. Perguntou-me se eu estava bem. Respondi: "Eu estou, e você?" Com um sorriso, ela apenas disse: "Agora, sim".

Lá fora, na sala de espera, os nossos "padrinhos" de São Paulo, Sr. Délio e D. Cora, aguardavam notícias. E também a Fernanda, minha irmã, e a Maira, minha "amiga-irmã". Todos esperando ansiosamente que viesse no telão a imagem do mais novo rebento da família. Minha mãe e o Hugo entraram para assistir tudo isso ao vivo.

15h02min. Nasceu o Tomás! Apgar 9/10. 51 cm. 3,750 kg. Saudável, cabelo preto abundante e meio narigudinho, manchas mongólicas - sinais do moreno lindo que estava chegando. Impossível conter o sorriso no rosto; as lágrimas marejaram os olhos de felicidade. E, de repente, a falsa sensação de poder vai embora. O milagre da vida faz-nos perceber nossa impotência, pequenez e total dependência de Deus.

Há 6 anos tudo isso aconteceu. Há 6 anos um novo ser faz parte da minha vida. Há 6 anos eu presencio um milagre a cada manhã. Há 6 anos eu tenho mais e mais motivos para agradecer a Deus. Há exatos 6 anos...

Obrigada, Senhor, pela vida do Tomás. Dê-me sabedoria para educá-lo de acordo com a Tua palavra. Que Ele seja, antes de tudo, fiel a Ti e que ande nos Teus caminhos. Essa é a minha oração, em nome de Jesus. Amém.