segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Meu doutorzinho


Tenho uma amiga de São Paulo, a Mariana, que, desde que o Tomás nasceu, brinca dizendo que ele tem cara de "doutor". Com o André, a brincadeira só se intensificou. Sempre que falo com ela, ela me pergunta sobre os meus "doutorzinhos". 

O motivo da brincadeira é porque os dois nasceram com a maior cara de "menino homem", daquele tipo sério, compenetrado e, óbvio, porque eles são a cara do Hugo, que também tem, segundo a Mariana, a maior cara de "doutor". Mesmo o André, com todo aquele jeito de sapeca, tem os seus momentos de seriedade - principalmente quando está vestido de camisa e calça social; parece até que ele encarna um personagem. É, não há como negar, eles parecem mesmo miniaturas do Hugo, esses meus pequenos doutores...

E não é que o André tem levado a brincadeira a sério? Vira e mexe ele fala que será médico assim como o pai. Médico, e fazendeiro, e diácono da Igreja. Tudo igualzinho ao pai.

Um dia, logo depois que o Hugo o ensinou a tomar banho (acho que já contei essa história por aqui...), ele pediu: "Pai, você me ensina a ser médico?" O Hugo explicou que não é assim, que pra aprender a ser médico tem que estudar muito, fazer faculdade de medicina etc. etc. etc. Mas o fato é que, desde então, ele se concentra para aprender todas as coisas que o Hugo faz e também tudo que, lógico, está relacionado com a medicina.

Começou com a visita da turma dele da escola à exposição do corpo humano, no início deste ano. Tenho certeza que nenhuma outra criança da idade dele assimilou tanta coisa. Foi impressionante! A cada dia ele me explicava algo diferente. Exemplos:

"Mãe, eu preciso beber muita água. Isso é bom para os rins, sabia?"
"Mãe, a gente não pode fumar. O cigarro faz muito mal para os pulmões."
"Mãe, você sabia que é o cérebro que faz o braço mexer?"

Dia desses, o Luquinhas caiu e cortou o queixo. A Fernanda, tentando convencê-lo a trocar o curativo, aproveitou minha presença e disse que ele poderia me deixar ver o machucado, pois, afinal, eu era esposa de médico e sabia bem "dessas coisas". O André, que estava por perto, não perdeu a oportunidade: 

"Eu também sei, tia Fernanda!"

A Fernanda riu e respondeu: "Ah, é mesmo, André... Eu tinha me esquecido... Você também sabe! Você é filho de médico, né?"

"É. E eu também assisto House!" ("Dr. House" é uma série americana, cujo personagem principal é um médico mal-humorado que se destaca pelos diagnósticos, sempre acertados, dos casos mais estranhos e raros que analisa num hospital universitário. O Hugo gosta de assistir e, como a série é em inglês, deixa o André ver algumas partes - já que ele não entenderá os impropérios que o House fala...)

Pronto. Médico já formado pelo exemplo do pai e por assistir ao Dr. House, ele passou efetivamente a exercer a medicina. Na semana passada, examinou seu primeiro paciente, fez o diagnóstico e prescreveu o tratamento.

Chegou da escola descrevendo o feito, ops, a consulta:

"Mãe, hoje o Rodrigo, meu amigo, estava passando mal na escola".
"Mesmo, filho? O que ele tinha?"
"Ele estava sentindo dor na barriga." Pausa. "E eu olhei ele."
"Hã?!? Como assim? O que você fez?"
"Eu examinei ele, mãe. Apertei a barriga dele igual o papai faz. E falei que era porque ele tinha comido muito doce, chocolate, torta, essas coisas..."
"Sei..." (a minha cara era de quem simplesmente não estava acreditando no que ouvia...)

E ele continuou: "Aí, eu falei pra ele que era pra ele ficar bem quietinho e não comer mais doce, senão ele não iria melhorar."

Bom, só espero que ele continue com "condutas médicas" bem sensatas e que não invente nada mais que isso...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Aproveitando o dia


Cada um tem seu jeito de aproveitar um dia de folga. Uns querem dormir e ficar o dia inteiro de pijama, em casa, assistindo um filme. Outros querem viajar, nem que seja para passar o tempo todo na estrada ou no congestionamento e voltar pra casa no fim do dia, talvez mais cansado do que na ida. Há ainda quem escolha sair bem cedo de casa e ir treinar, fazer um "longão", ou uma trilha de bicicleta. Os "normais", acredito, querem apenas acordar mais tarde que o de costume e depois passear um pouco. Pode ser uma volta de bicicleta ou uma ida ao cinema. Nem lá nem cá. 

Eu, lógico, integro a categoria dos normais. Quero só dormir até mais tarde, tomar café da manhã com calma, sair para almoçar, voltar pra casa pra dormir mais um pouco e, no fim da tarde, passear de bicicleta e tomar um sorvete. Quer dia melhor? Pra mim, não há. Simplesmente perfeito!

Hoje é feriado. Dia de folga e de, primeira coisa da lista, dormir até mais tarde! Mas tenho 4 meninos aqui em casa, que estão acordados desde as 7h da manhã... Não preciso esclarecer que "acordados desde as 7h da manhã" significa, na verdade, "agitados desde as 7h da manhã", preciso?

Pois bem. Fui, com meu cabelo de medusa, falar pra eles ficarem mais quietinhos, sem fazer barulho para os vizinhos, explicando calmamente que hoje é feriado e que as pessoas querem dormir até mais tarde - inclusive eu!!

O Tomás, então, no seu contra-argumentar costumeiro, me disse: "Mamãe, eu pensava que era o contrário... que porque hoje é feriado as pessoas iriam querer acordar cedo pra aproveitar bem o dia..."

De fato, dia de acordar tarde é no dia de obrigações, e não num dia de diversão, certo? A lógica das crianças é muito mais lógica que a nossa...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Posso ter um e-mail?



E então, um belo dia, fui surpreendida com o pedido acima, feito pelo meu filho mais velho, o Tomás.

Preciso acrescentar alguns advérbios a essa frase:

Um belo dia, fui COMPLETAMENTE, ABSOLUTAMENTE, INTEIRAMENTE surpreendida com o pedido acima, feito pelo meu filho mais velho, o Tomás.

Como assim, um e-mail?!???!!! Por algum acaso ele sabe o que é isso?!? Não tem nem 8 anos completos e já quer ter um e-mail??!!!!?

Eu só fui ter e-mail com uns 15 anos! Tudo bem, confesso que foi nessa idade que meu pai comprou um computador lá pra casa. Mas mesmo assim... não é cedo demais pra um menino ter um e-mail? Em questões de segundos, ou talvez milésimos de segundos, tudo que passava pela minha cabeça eram os horrores da internet, os casos de pedofilia e pornografia infantil, e tantas outras coisas que a gente ouve falar.

Pois bem. A sabedoria materna me ensinou que, primeiro, a gente precisa investigar a motivação. Respirei fundo e, antes de dizer tudo isso que acabei de escrever, fruto da minha indignação (ou constatação de que meu filho está crescendo), perguntei serenamente:

"Pra quê você quer ter um e-mail, filho?"

Ao que ele me respondeu: "Ah, é pra poder me inscrever nos joguinhos sem ter que pedir o seu e-mail..."

Aliviada com a resposta dele, disse que eu não me importava com isso, que ele poderia me pedir meu e-mail sempre que quisesse. E... pronto! Ele não se importou e a questão foi resolvida sem qualquer impasse. 

Vamos ver como conseguirei me safar das próximas...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Meninos

São muitas as diferenças entre meninos e meninas (ou entre homens e mulheres), eu sei. Mas é curioso quando você percebe essas diferenças tão de perto, analisando as atitudes dos seus filhos. 

Meninos (em geral) são práticos, sabem bem o que querem e, definitivamente, não têm tempo a perder. Outra coisa que me impressiona é a ânsia por aventuras, essa inquietude por "coisas a fazer". Sabe aquilo de cair e ter que se levantar logo porque ainda tem que brincar no pula-pula, descer no escorregador e disputar a corrida no videogame? É exatamente isso.

Os jogos internos do colégio dos meninos se aproximam e, ontem, o Tomás escolheu em quais modalidades vai competir. A praticidade nas escolhas me impressionou. Não vai participar da natação nem do salto em distância. Motivos? Basicamente, eles se resumem a não perder tempo e aproveitar ao máximo os jogos. 

Primeiro, ele não quer ter que carregar "coisas". Descartada, então, a natação, porque tem que levar mochila com sunga e toalha. A natação também perdeu pontos porque, pra participar, tem que trocar de roupa e se enxugar (absoluta perda de tempo: enquanto ele troca de roupa poderia participar de outra competição). 

Já o salto em distância tem outro problema: a pista é de areia. Pode entrar areia no tênis, o que vai ficar machucando. Resultado? Ele vai perder tempo tirando a areia do tênis, enquanto poderia participar de mais outra competição.

Pra mim, ainda não tivera tamanha noção do verdadeiro significado da palavra praticidade...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Presente de dia das mães


"O que vamos dar de presente pra mamãe no dia das mães?", foi a pergunta mais do que clássica que o Hugo fez para os meninos na semana passada. O André respondeu: "Um quadro (o que ele fez pra mim na escola) e uma bebê fêmea." Em seguida, explicou que eles poderiam comprar a "bebê fêmea" no médico - pensamento lógico, não sei como o Hugo não tinha pensado nisso antes...
 
Achei graça. Mas, depois, fiquei intrigada.... Será que é a vontade dele de ter uma irmã ou a vontade minha de ter uma filha? Confesso que, um dia, eu já tive essa vontade. Nada obsessivo, porém. Só uma vontade. Talvez, uma curiosidade pelo diferente; a "cobrança", ainda que velada e terceirizada, por uma netinha na família; uma vontade de brincar de boneca, de enfeitar, colocar laços, flores, essas coisas.

Mas essa vontade cedeu lugar à alegria que tenho quando vejo os meus "bebês machos" brincando com tanta cumplicidade, compartilhando tantas afinidades e tantos interesses. Coisa que só poderia existir entre filhos do mesmo sexo. Eles não sentem falta de um amigo, pois o companheiro de brincadeiras está bem ali ao lado, pronto para todas as aventuras mais radicais, que só um menino pode querer fazer. É lógico que tem a diferença de idade, mas nem isso os impede de se divertirem a valer juntos. E é muito, muito legal poder participar disso. 
 
Sem falar que, lá em casa, não existe "programa de menino" e "programa de menina", é tudo "programa da família", ninguém fica de fora - o que, inegavelmente, tem muito valor.

Tomás e André, a mamãe tem um recado pra vocês: eu já ganhei meus presentes de dia das mães. Não preciso de uma menina pra completar a minha alegria. Falo isso com toda certeza e sem nenhuma demagogia. Me alegro e me satisfaço, cada dia mais, por ser mãe de meninos, por ser a mãe do Tomás e a mãe do André, e por sentir-me tão especial com vocês ao meu lado! Amo muito vocês!!!!!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Galanteador


Passava um pouco das 7h da manhã. Eu ainda estava deitada, curtindo uma preguicinha... Foi quando um pequeno ser veio devagar e subiu na minha cama. Quando já ia me virar, senti um abraço e vi surgir bem na minha frente uma carinha feliz, dizendo: "Cadê o meu amor mais lindo?"

O André é assim: galanteador. Impossível não levantar feliz da vida, mesmo numa segunda-feira, com ele por perto. Impossível não esquecer todos os problemas do dia ao ser recebida em casa com um "Oi, fofa!" ou "Oi, minha princesa!", ou ainda com um "E aí, gata?", com direito a viradinha do rosto, igualzinho ele viu no filme "Enrolados".

E não sou apenas eu o alvo das cantadas dele. Um dia, ele viu a Fernanda de longe na igreja, tocando piano. Chegou perto dela e ficou observando-a. Quando ela se virou pra ele, ele disse, com a maior cara de galã: "Oi, tia Fernanda amada!". Isso sem falar nas inúmeras flores do jardim que eu, a Fernanda, a minha mãe, a minha sogra, as minhas cunhadas e até minhas amigas recebem dele...

Ele sabe que está agradando. Percebe a nossa feição contente. E o pior: tira proveito disso. Quando eu estou brava e começo a dar bronca nele, ele olha pra mim com cara de dó e diz: "Ô minha mamãezinha... meu amor... Você é tão linda..."

Eu tento continuar brava e não me deixar levar pela enganação dele, mas confesso que a bronca, inconsciente ou não, acaba ficando mais leve. Afinal, por mais que a Fernanda diga que ele vai ser o namorado mais brega e meloso de todos, quem consegue conter o sorriso diante de algum desses cortejos?

terça-feira, 15 de março de 2011

Porque todo aniversário merece uma festa


Hoje é aniversário do Mateus, meu sobrinho. 16 anos. Contei isso para o André e disse que a gente tinha que ligar pra ele. Antes que eu pudesse terminar de falar, ele já me perguntou:

_ Por que a gente tem que ligar pra ele?
_ Porque hoje é o aniversário dele.
_ E ele esqueceu de convidar a gente?
_ Não. Ele não convidou a gente. 

Eu quis continuar a explicação, mas ele me interrompeu mais uma vez:
_ Ele não fez um convite?
_ Não, filho... 

Eu tentava dizer, mas a ansiedade dele por entender a situação não comportava a demora da minha explicação:
_ A gente vai ligar pra ele convidar a gente?
_ Não, filho. Ele não vai convidar a gente, porque não vai ter festa.

Pronto. Falei.

Surpreso e sem acreditar no que ouvia, ele ainda perguntou:
_ Ele não convidou ninguém?!??
_ Não.
_ Vai ser a família dele??!???
_ Acho que sim.

E, quando ele finalmente entendeu, disse, indignado:   

_ Que sem-graça!! Assim não é aniversário. A gente tem que convidar as pessoas pro aniversário. Convidar os amigos. É muito ruim fazer aniversário sozinho. Eu quero convidar meus amigos pro meu aniversário de 5 anos do Hulk. Vou convidar o Lucas... o Alec... o Tales... eles são os meus melhores amigos.

Não ousei discordar. Apenas expliquei que nem sempre dá certo fazer uma festa de aniversário. Às vezes, por falta de dinheiro ou por economia. Outras, por falta de tempo ou vontade. Também expliquei que a festa não é a única forma de comemorarmos o aniversário e que o dia do aniversário é sempre especial, mesmo sem festa.

Não sei se ele aceitou muito bem a minha explicação, mas uma coisa eu aprendi: nunca podemos perder essa vontade, que às vezes a gente acha que é coisa apenas de criança, de celebrarmos, junto da família e dos amigos, a vida, o dom de Deus, ainda que de forma singela!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mais reflexões do André

"Ah... Eu gosto é de ficar perto dos meus amigos. 
Ficar sozinho é muito ruim."
André, ao sair da igreja ontem à noite e deixar pra trás seus amigos...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Reflexões na hora de dormir

"A minha vida é muito legal"

André, depois de um dia de muita brincadeira.
6 de março de 2011, Palavra da Vida-Caldas Novas/GO.



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pequenas grandes respostas

Uma das lembranças que tenho do meu avô João é que ele sempre tinha resposta pra tudo na ponta da língua. Nada passava batido. Certa vez, eu pedi pra secretária do meu pai ligar pra minha tia Dilce, a Tuta, que morava com meus avós. O diálogo foi engraçadíssimo. À menina faltava um pouco de traquejo ao telefone: "Alô! Tem uma Dilce aí?". Ao que meu avô respondeu: "Se for só uma, tem".

Parece que o André herdou essa característica do meu avô, sem nem ao menos tê-lo conhecido. Prestem atenção no que esse desaforadinho me disse outro dia:

_ Mãe, você me carrega?
_ Você não acha que está muito pesado, não?
_ Eu não! Porque não sou eu que me carrego...

Fui obrigada a rir... e a não carregá-lo, lógico!

Esses dias, a vítima foi minha mãe. Ela foi reclamar do meu pai e ele prontamente saiu à defesa dele:


_ Nossa, André, como seu avô suja roupa, viu?
_ Meu avô não... Seu esposo!

Ai, ai... ninguém merece!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mãe = chata


Ser mãe é ser chata. O ser humano "mãe" é um ser humano chato por definição. Não tem escapatória. É chata, chata, chata, como eu ouvi uma vez da minha sobrinha (a propósito, tias também podem ser chatas se elas quiserem dar uma de mãe).

Como não ser chata, eu pergunto, se a gente tem o dever de criar, educar e assistir os filhos, como diz a nossa Constituição Federal? (Art. 227, se alguém se interessar. Aprendi isso redigindo o mandado de segurança do Hugo...)

Prestem bem atenção num dia normal de uma chata, ops, mãe: 

1. O filho acorda. Vai direto para a televisão. O que a chata já vem falar? "Filho, vem tomar café da manhã". E não pode ser de frente para a televisão, porque a nutricionista já falou pra ela que não se deve fazer as refeições assistindo televisão, que você deve prestar atenção no que está comendo, e blá.. blá.. blá... Em seguida, tem a luta para o filho tomar todo o leite e, depois, quem sabe, comer um pãozinho e uma fruta.

2. O filho toma o café da manhã e volta para a televisão. E a chata não dá trégua: "Já fez a lição de casa, filho?"

3. Pronto. Lição de casa feita. Finalmente, um pouco de televisão é permitido - não sem, antes, insistir na vã tentativa de fazer o filho jogar bola no playground do prédio. Às vezes, quando o filho gosta muito de futebol, a chata ganha a argumentação. Mas não demora e a chata já vem de novo: "Filho, pára de jogar bola e vem tomar banho e almoçar, pra gente ir à escola". 

4. Almoço. Hora em que a chata se revela a mais chata de todas: "Come isso. Come aquilo. Não pode beber suco agora; só depois que você terminar de comer. Come mais um pouco. Só mais 5 garfadas. Não mastigue de boca aberta. Não fale de boca cheia. Não coloque o cotovelo na mesa. Espere todos terminarem de comer para se retirar da mesa". Ai, é muita chatice para um dia que não está nem na metade...

5. No carro, lá vem ela mais uma vez: "Filho, já pôs o cinto de segurança?"... E, se a ida à escola é à pé, tem as recomendações de não atravessar a rua sem dar as mãos para a chata, sem olhar para os lados e também sem correr. Ah, e usar a faixa de pedestres.

6. Volta da escola. Repetição das chatices n. 5 e 4, com a agravante que, logo em seguida, terá o banho e a hora de dormir (hora também de respeitar a "lei do silêncio" da boa convivência em condomínio).

Ai, acho que nem vou descrever as chatices da hora de dormir. A essa hora, imagine apenas que eu já devo ter chateado bastante os meus filhos. E olha que isso são apenas as chatices ordinárias. Eu nem mencionei as chatices das intervenções em brigas, ou melhor, "discussões fraternas acirradas" e a dos dias de festa ou reunião de família.... 

Haja paciência! Com a mãe, lógico.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Quero uma casa

O sonho de consumo do Tomás é morar numa casa. E, lógico, ter um cachorro - já que eu não o deixo ter um cachorro morando em apartamento. Ele insiste nessa ideia, apesar de todas as minhas negativas, e apresenta muitos argumentos bons - e eu devo confessar que concordo com grande parte deles. Mas a minha contra-argumentação para não morar em uma casa acaba sendo uma só: o Hugo viaja muito.

Esses dias eu estava redigindo o mandado de segurança do Hugo... Fiquei o fim-de-semana inteiro absorvida por isso. Ele, me vendo às voltas de tanto papel, anotações e computador, veio me perguntar o que eu estava fazendo. Tentei explicar da maneira mais simples que encontrei e disse, sem desviar o olhar da tela do computador, que eu estava escrevendo um texto para pedir ao juiz para o papai não ter mais que ir pra São Paulo. 

Ele, então, me perguntou: "Aí a gente vai pra uma casa?"
Eu não entendi a pergunta: "Como?"
"Aí a gente vai pra uma casa?", ele repetiu.
A ficha ainda não tinha caído: "Como assim, 'a gente vai pra uma casa'?"
E ele explicou: "É que você fala que a gente não mora em uma casa porque o papai viaja muito. Se ele não viajar mais, a gente pode ir morar numa casa?"

Então... em tese, pode... E agora, José? Preciso renovar meus argumentos...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Meus músculos

Hoje foi mais um dia daqueles... Daqueles em que temos que, literalmente, obrigar o André a comer pelo menos uma verdura. Maior estresse na hora do almoço. Confesso que sinto a maior dificuldade em fazer isso e dou graças a Deus pelo Hugo, porque ele é firme o bastante para exigir isso dos meninos.

Mas, depois da luta, o resultado é animador: ele come tudo, sem reclamar e enrolar, e ainda ganha parabéns e garantias de que ficará alto e forte. (Infelizmente, depois de três dias comendo bem, a gente ter que fazer tudo isso de novo...)

À tarde, fomos a um pequeno passeio até à escola, para pegar a lista de material escolar do Tomás. E o Tomás quis levar o skate. E o André, o patinete.

No meio do caminho, tinha uma pedra, ops, uma calçada esburacada. O André foi carregando seu pesadíssimo patinete de alumínio. E assim continuou, mesmo depois que já estávamos numa calçada lisinha. 

"Filho, não precisa mais carregar o patinete. Agora, você já pode ir com ele".
"Eu sei, mãe.... É que assim é melhor porque eu exercito os meus músculos".

E tinha uma moça passando ao nosso lado bem na hora em que ele disse isso. Não preciso contar que ela "sorriu" muito, né?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pesadelos - parte 2

Mais uma do André...

Essa noite, eu acordei com um grito. Um grito assustador de criança. Levantei-me às pressas para socorrer meu pequeno sonhador. Topei com ele já na porta do quarto. Dei um abraço silencioso e o levei pra minha cama; pra dormir abraçadinho com a mamãe, bem protegido dos sonhos ruins.

Depois de um tempo, ele falou sussurrado ao meu ouvido, uma confissão de dar dó: "Mãe, eu 'tava dormindo quietinho..." Pausa. Ênfase no 'quietinho'. Foi como quem diz: "eu não estava fazendo nada, mãe", "estava quieto no meu canto e ele - o pesadelo - veio me provocar". Continuando: "Eu 'tava dormindo quietinho, quando apareceu uma aranha desse tamanho (e mostrou o tamanho aterrorizante com as mãozinhas) bem na minha frente. Aí, na mesma hora, ela desapareceu."

Dei outro abraço apertado e disse: "Mas agora ela já foi embora. Vamos dormir".

Mas, antes, só um pedido: "Você faz uma oração e pede a Deus pra ela não voltar?"...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Primo por diversão

O primo do primo... quem é? Ele está sempre presente, é um amigo constante, tipo assim: de todas as festas de aniversário do seu primo, da sua tia e do seu tio. Vocês aproveitam a valer juntos. E você no meio, ou melhor, o seu primo no meio e você numa das pontas. Ele, o seu primo e você. Pra completar, seus pais são amigos dos pais dele. Então, ele também é seu primo, certo?

Errado. Tecnicamente, ele não é seu primo, porque a sua mãe não é irmã do pai nem da mãe dele. Nem o seu pai é irmão do pai ou da mãe dele. Ele definitivamente não é da sua família. E, por isso, sempre tem alguém (muito do sem-graça, no mais das vezes outro primo e, em geral, mais velho) pra falar que ele não é seu primo. Ele é só... o primo do seu primo.

Mas, no seu coração, você o considera primo, não é? Aquele amigo que é mais chegado que um irmão. E quer dizer isso para as pessoas: que ele é muito mais do que um simples amigo, porque você o considera da família. Ele é seu primo, ora bolas!

Ah, mas como diria Saint-Exupéry, as pessoas grandes (e eu incluiria não apenas os adultos mas também as crianças mais velhas) não compreendem nada sozinhas... e é cansativo para as crianças (principalmente as pequenas) ficarem explicando a toda hora.

Então... como resolver uma situação dessas?

O André encontrou a solução. E, pra todo mundo que perguntou para onde ele iria no domingo, ele respondeu, cheio de razão e orgulho: 

"Eu vou para o aniversário do Alec, meu primo por diversão".