Passava um pouco das 7h da manhã. Eu ainda estava deitada, curtindo uma preguicinha... Foi quando um pequeno ser veio devagar e subiu na minha cama. Quando já ia me virar, senti um abraço e vi surgir bem na minha frente uma carinha feliz, dizendo: "Cadê o meu amor mais lindo?"
O André é assim: galanteador. Impossível não levantar feliz da vida, mesmo numa segunda-feira, com ele por perto. Impossível não esquecer todos os problemas do dia ao ser recebida em casa com um "Oi, fofa!" ou "Oi, minha princesa!", ou ainda com um "E aí, gata?", com direito a viradinha do rosto, igualzinho ele viu no filme "Enrolados".
E não sou apenas eu o alvo das cantadas dele. Um dia, ele viu a Fernanda de longe na igreja, tocando piano. Chegou perto dela e ficou observando-a. Quando ela se virou pra ele, ele disse, com a maior cara de galã: "Oi, tia Fernanda amada!". Isso sem falar nas inúmeras flores do jardim que eu, a Fernanda, a minha mãe, a minha sogra, as minhas cunhadas e até minhas amigas recebem dele...
Ele sabe que está agradando. Percebe a nossa feição contente. E o pior: tira proveito disso. Quando eu estou brava e começo a dar bronca nele, ele olha pra mim com cara de dó e diz: "Ô minha mamãezinha... meu amor... Você é tão linda..."
Eu tento continuar brava e não me deixar levar pela enganação dele, mas confesso que a bronca, inconsciente ou não, acaba ficando mais leve. Afinal, por mais que a Fernanda diga que ele vai ser o namorado mais brega e meloso de todos, quem consegue conter o sorriso diante de algum desses cortejos?
