segunda-feira, 31 de março de 2008

Home alone

Ontem, os meninos foram sozinhos à Igreja com o Hugo. Eu fiquei em casa. A princípio, a idéia era descansar, dormir um pouco mais, enfim, ficar tranqüila em casa. Mas quem disse que eu dei conta de fazer isso vendo o montão de roupa pra lavar e a casa toda bagunçada? Coloquei umas roupas na máquina, dei uma geral na casa e só depois disso fui tomar meu café da manhã sossegada e, em seguida, um banho demorado. Coisas que a gente não faz direito no dia-a-dia, seja porque não pode, seja porque não deixam...

Então, de banhozinho tomado, peguei o notebook e o meu DVD novo da série "Mothern", e deitei na cama pra assistir. O primeiro episódio mostra o nascimento de uma "mothern", ou seja, de uma mãe moderna, aquela mulher que tenta ser mãe e profissional competente-esposa-amante-cidadã-amiga-dona de casa etc. etc., tudo ao mesmo tempo.

A diferença da "mothern", a meu ver, é que ela assume que é cheia de dúvidas e imperfeições, deixando de lado aquele mito de que toda mãe nasce sabendo, que tudo na maternidade é lindo e que a gente consegue fazer todas as coisas. Como bem definiu uma amiga minha, para elas (ou melhor, nós) a maternidade é tanto uma oportunidade de ensinar (passar valores, educar) quanto de aprender (rever conceitos, revisitar experiências, fazer descobertas). Por isso é que a maternidade também se torna uma grande curtição, um grande barato (para nossa sorte!).

Pois bem. Mal tinha começado a assistir o episódio e os meus príncipes chegaram em casa, interrompendo alegremente o meu momento intimista. "Mamãe, mamãe!!!", gritava o André todo eufórico, como se não me visse há um mês ou mais (quem resiste?).

O Tomás, quando me viu deitada assistindo o DVD, me olhou com aquela carinha sapeca, um riso no olhar, e me perguntou: "Mãe, você se divertiu bastante sozinha aqui em casa?"

Olhei pra ele e ri. "Me diverti, filho... me diverti muito".

Ser uma mãe moderna é isso: gostar de ficar sozinha em casa (ainda que seja para usar um pouco do tempo para arrumar a bagunça), mas gostar muito mais de quando tem todos à sua volta novamente.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Yuri

Quando escrevi o texto "É só uma virose", ele já estava doente. A mãe era minha colega de trabalho. Afastou-se para cuidar do filho, 4 meses mais velho que o Tomás. O diagnóstico: um tumor maligno na cabeça. O que poderia ser uma virose perto disso? O que ela realmente é: nada. Assim como a bronquite, a otite, a amigdalite, a faringite, e todas as outras "-ites". Até mesmo o famoso refluxo é bobagem. E todas as alergias, inclusive a de leite e trigo, que causam tantas restrições.
Mas que restrição pode ser mais que a da vida? Que a de ser impedida de ver seu filho crescer? Brincando, correndo, pulando, destruindo toda a casa? Mil vezes os enfeites quebrados, mil vezes um sofá rabiscado, mil vezes um tapete manchado, mil vezes uma marca de bola na parede da sala, mil vezes as marcas dos carrinhos que passearam pela parede do corredor, mil vezes um batom destruído, mil vezes um creme espalhado no chão. Marcas indeléveis de uma criança feliz, ativa, saudável, que enche a casa com sua conversa infantil, com suas musiquinhas, com seus desenhos preferidos, com suas brincadeiras, com sua risada gostosa.
"Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?" (I Co. 15:55)
A casa está vazia. O silêncio reina. E não há palavras que confortem.
"E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram." (Ap. 21:4)

quinta-feira, 27 de março de 2008

Interpretações "equivocadas"

Às vezes, temos dificuldade em entender o que diz uma pessoa ou o que é cantado numa música. Ou se fala rápido demais, ou uma palavra emenda na outra (ou o problema é de surdez mesmo), e aí a confusão já está feita. E se é difícil para nós adultos, imaginem para as crianças, que estão longe de saber todas as palavras e muito menos de conseguir interpretar o sentido da letra de uma música.

Lembro-me de uma colega que, nos idos da nossa adolescência, cantava, à la "Magda", sem parar para pensar no que dizia, "eu vou dar um terno pros afogados" em vez de "eu estou na lanterna dos afogados", do hit do Paralamas do Sucesso. Coitados dos afogados... pra quê eles iriam querer um terno? Bom, melhor nem fazer comentários.

O Tomás, na mesma linha (só que ele tem apenas 4 anos), também comete seus "equívocos" auditivos e musicais na nossa língua portuguesa.

O primeiro deles foi com um cântico da Igreja. A música dizia "O nosso Deus é bom, o nosso Deus é bom, Ele faz até o corvo virar garçom", numa referência ao profeta Elias, que foi alimentado por um corvo quando sobreveio grande seca em Israel (I Reis 17:2-6). O Tomás cantava, todo feliz: "O nosso Deus é bom, o nosso Deus é bom, Ele faz até o corvo pirata som". Foi difícil convencê-lo...

Outro dia ele chegou da escola cantando a música "Tropa de Elite", aprendida com seus colegas: "Tropa de Elite, tuta de doer, pega um, pega Geralda, também vai pegar você". Ih, sobrou para a Geralda... (O certo, pra quem não conhece a música, é: "Tropa de Elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você").

Saindo do campo musical, vira e mexe ele também se confunde com algumas palavras...

Como no dia em que ele chegou da escola (de novo, os coleguinhas...) reclamando, todo sério e indignado, que um amigo o chamara de "vira puta". Ele não tinha a menor noção do que significava, mas sabia que tinha sido para ofender e estava profundamente magoado. (Confesso que até eu tive um pouco de dificuldade para entender, e quase caí na tentação de corrigir para o xingamento certo...)

Também teve a vez que ele pediu ao Hugo, num dia de chuva, para passar com o carro em cima das "bostas d'água"... (Essa agora me fez lembrar de um colega de trabalho, que disse certa vez que uma pessoa era "superveniente", quando, na verdade, ele queria dizer "subserviente"; e de uma outra que, querendo dizer que uma pessoa era "mercenária", disse que era "perludária" - e não "perdulária". Isso sem falar da já citada Magda, personagem daquele programa global "Sai de baixo", interpretada pela Marisa Orth: "mato dois coelhos com uma caixa d'água só", "faca de dois legumes", "quem sabe faz a hora não espera anoitecer" etc.).

A ignorância, quando não é trágica, é mesmo muito cômica.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Orgulho da mamãe...

Olha só o Tomás em sua tão esperada estréia no Coral Infantil da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, cantando a música "Deus nos amou", no culto de celebração da páscoa.

sábado, 22 de março de 2008

Feliz páscoa!

"...Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" (João 1:29)
Nem coelhinho nem ovo de chocolate, o verdadeiro símbolo da páscoa é um cordeiro puro e sem mácula, imolado em favor de todos nós.
Que, nesta páscoa, possamos nos lembrar do sacrifício de Jesus na cruz e de sua ressurreição, demonstração máxima do amor de Deus por nós. E que, assim, tenhamos vida nova em Jesus!!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Disney x Ita Center Park


Criança gosta é de coisa simples. Os adultos são os que complicam as coisas.

As festas em buffet, por exemplo, são invenção dos adultos. Não que as crianças não gostem dessas festas, mas pra elas o que mais importa não é a grandiosidade ou suntuosidade da comemoração, e sim que tenham um dia especial, em que se sintam importantes; um dia de brincadeiras com os amiguinhos, um bolo de chocolate e alguns brigadeiros. Ah, também vai ser legal se ganharem aquele brinquedo (basta um) que tanto sonham.

Pra confirmar isso, é só lembrar do aniversário de 4 anos do Tomás: a festa que ele mais gostou foi a do dia do aniversário, simplesinha, aqui em casa, só com os tios, avós e primos. E o de 3 anos, que ele disse que a mais legal foi a festa na escola?

Esses dias ele também falou, comentando sobre o aniversário de um amiguinho num buffet, que a festa fora muito legal, mas que ele queria que tivesse sido na casa do amiguinho, pra ele conhecer a casa dele e ir brincar lá com os brinquedos dele. Ele queria a intimidade da casa, e não a impessoalidade do buffet. A imaginação e interação que os brinquedos de casa oferecem, e não a passividade e o individualismo dos brinquedos eletrônicos. A simplicidade, e não o luxo.

Outro exemplo: os passeios com muitas opções de entretenimento. Eles também são invenção nossa. Não que as crianças não apreciem essas coisas, mas para elas diversão pode ser tanto uma sessão de cócegas como uma ida ao "parque do macaco" para brincar nos brinquedos de areia. Ou mesmo ir pra casa da vovó, assistir televisão até tarde e, depois, ficar um tempão na banheira cheia de espuma. E também ouvir música no último volume; ou, na fazenda, correr atrás das galinhas e balançar na corda amarrada na árvore. Coisas simples, sem valor comercial algum, mas muito, muito especiais, porque cheias de alegria e feitas na companhia de pessoas queridas e importantes para eles.

Ontem, a caminho do shopping, passamos pelo "Ita Center Park", um parque de diversões itinerante que sempre aporta nas férias aqui em Goiânia. Os meninos ficam loucos para ir, mas nós, adultos, não conseguimos entender bem o porquê. O parque é pequeno (fica no estacionamento do shopping), tem poucos brinquedos, a montanha russa não dá nenhuma emoção, o trem fantasma não causa nenhum arrepio. Mas, mesmo assim, eles querem que nós os levemos lá. Eles não enxergam apenas os brinquedos (ou a precariedade deles), e sim a oportunidade de estarem juntos e terem bons momentos da mais pura e simples diversão.

O Davi insistiu no pedido: "Mãe, mas você prometeu que me levaria lá, você e o papai."

A Fernanda retrucou, rindo: "Davi, a gente vai pra Disney na semana que vem e você fica chorando, pedindo pra ir ao Ita?..."

Eu ri também, e ficamos pensando que, quando ele for adulto, vai entender o quão ridículo nos pareceu o pedido dele. Mas ele, sem saber de nada disso e indignado com a nossa indiferença, apenas falou, dando ênfase a cada sílaba: "Qual é a graça?"

Pensando bem, Davi, não tem muita graça. Na verdade, como diz o Pequeno Príncipe, "os adultos não compreendem nada sozinhos". Não conseguimos entender que o que importa, o que é mais legal, não é simplesmente ir pra Disney, mas sim ir pra Disney (ou para qualquer outro lugar, inclusive o Ita Center Park) e ter momentos inesquecíveis com quem amamos.

P.S. A foto foi tirada no Hopi Hari, em São Paulo, em abril de 2007, quando tivemos 7 horas de exaustão, ops, digo, diversão em família...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Ser mãe de meninos é...


...aprender a diferenciar todos os tipos de carrinhos da Hot Wheels e saber de cor os que seu filho já tem (comprar modelo repetido é um erro tão fatal para eles quanto misturar a camiseta de um conjunto com a bermuda de outro é para nós). Ah, e também saber que tem um que é igual ao do "Speed Racer".

...brincar de luta, tendo que imitar todos os chutes e saltos da "Power Ranger" azul (e saber o que significa "SPD" - se não me engano, é "sistema de patrulhamento delta". Será que está certo?!?)

...ver seu filho de 1 ano achar a maior graça de ficar soltando "pum" pela boca e rolar de rir por causa de um arroto (ai, é desesperador...)

...preparar a mamadeira antes que ele acorde, apenas para evitar o choro de fome que todo menino tem. E também aprender a fazer almoço com alguém no seu pé, de prato e colher nas mãos, pedindo sem parar: "papá, papá, papá" (imaginem quando chegar na adolescência...)

...ser alvo de delicados carinhos, mais parecidos com os de pequenos tratores de mãozinhas pesadas.

...saber brincar de cavalinho e ter força suficiente para levar um pesinho de 10 kg nas costas.

...aprender a jogar futebol e ver, desesperada, tudo que é redondo virar bola (inclusive seus enfeites de mesa).

...comprar brinquedos que resistam a quedas bruscas, arremessos e chutes, e também saber que todos os bonecos e animais se envolverão em brigas durante a brincadeira.

...não ter sossego em restaurante e parar, de uma vez por todas, de sonhar com aquela cena bucólica de meninos desenhando alegre e tranqüilamente enquanto esperam a comida.

...ter que assistir ao desenho do Ben 10 e de todos os outros super-heróis, como Batman, Super Homem e, lógico, o do Power Rangers (não vale ficar lendo livro enquanto finge que vê o filme, tem que prestar atenção!)

...ter que tomar o resto do picolé do Power Ranger (uma inusitada mistura de banana com frutas vermelhas) só pra ele poder pregar a figurinha na janela do quarto.

...ser a "rainha" do lar (o que não significa que você será servida e paparicada por todos os homens da casa, sem nenhuma outra mulher pra dividir a atenção, mas sim que você deve saber mandar, para não virar a "empregada" do lar).

...reviver o meu tempo de criança, quando eu tinha como companheiros de brincadeiras o meu irmão mais novo e só meninos na rua em que meus pais moram até hoje, e tive que aprender a me defender e ao mesmo tempo participar de todos esses jogos de meninos: futebol, "bete", polícia e ladrão (eu era a Kate Marrone), bicecross e playmobil.

É... acho que eu já estava acostumada com o universo masculino. E deve ser por isso que eu adoro tanto ser mãe de meninos!!

quinta-feira, 13 de março de 2008

"Children see. Children do."

A importância e a responsabilidade do exemplo.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Observador

Já tem tempo que tenho vontade de experimentar as tais "escovas progressivas", "inteligentes" e "alisamentos" da vida... Mas nunca tinha coragem, porque, no fim das contas, gosto do meu cabelo "curvo" (como disse o Tomás) e morria de medo de parecer artificial.
Mas uma amiga experimentou uma técnica "nova", chamada selagem, e eu gostei bastante, exatamente porque não alisou, não ficou artificial, mas tão somente "assentou" os fios. "Vai ser essa", pensei.
E lá fui eu hoje para o salão. Cortei o cabelo mais curto e, depois, "selei" os fios. Está super hiper mega power plus liso, porque a técnica é assim: aplica o produto, seca o cabelo e depois ainda passa uma "chapinha". É quase como o ferro de passar roupa de antigamente... e exatamente igual (do meu ponto de vista) à "escova progressiva".
Cheguei em casa na hora do almoço e o Tomás, logo que me viu, já foi dizendo:
"Mãe, você cortou o cabelo? Ficou bonito!"
"É? Você gostou?", perguntei.
"Gostei. Você ficou parecendo outra moça."
"Outra moça?"
"É. Uma que eu conheço... mas eu não lembro quem é."
Não queria que tivesse mudado tanto, mas gostei do "moça"... Vamos ver como vai ficar depois de lavado.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Passa rápido...

Ontem, estávamos no carro esperando o Hugo comprar um "milkshake de ovomaltine" (perdição da minha dieta). O André dormia na sua cadeirinha no banco de trás e o Tomás, mais que depressa, já tinha passado para o banco da frente pra ficar brincando no volante e mexendo no som.
Falei pra ele ficar no meu colo e tentei abraçá-lo como ainda consigo fazer com o André. Não durou 30 segundos...
_ Não, mãe, 'tá quente...
_ Espera, filho, eu abro a janela.
_ Não adianta. O seu braço não deixa o frio chegar em mim.
Que pena! Como o meu braço pôde fazer isso comigo em tão pouco tempo?...

terça-feira, 4 de março de 2008

Um chorinho à toa não faz mal a ninguém

Nunca fui daquelas mães que saem correndo, desesperadas, ao som de um chorinho qualquer. Sempre esperei o segundo choro, a confirmação do chamado, pra me levantar. Escutei da chinezinha dona do berçário que o Tomás ficou lá em São Paulo que a vantagem do berçário era exatamente esta: ensinar a criança a dividir a atenção. Ela me disse que o grande erro das mães era atender a criança incontinenti; que, agindo assim, a mãe fazia de seu filho um reizinho, mini-ditador da casa, a quem todos deveriam servir sem demora. Eu, sem ter a menor noção disso, já colocava o meu pequeno príncipe em seu devido lugar, fazendo-o saber que eu estava lá, mas não tão disponível quanto ele pensava.

Vendo assim, muita gente deve pensar que eu sou uma mãe desnaturada. Pode ser. Ou, quem sabe, egoísta. Pode ser também. Aliás, eu acho mesmo que sou uma mãe egoísta, pois penso em mim também, e não apenas no meu filho, como todo mundo acha que deve ser uma mãe. Aprecio uma noite bem dormida para, no dia seguinte, dar conta de todas as minhas "tarefas", inclusive e principalmente a de mãe.

O André, muito de vez em quando, acorda à noite chorando. Eu, pra variar, espero o segundo choro, a insistência. Quase sempre ele volta a dormir sozinho, sem ninguém ter ido ao seu encontro. Se eu o atendesse toda vez, com certeza ele se acostumaria com isso e acordaria toda noite me requisitando, o que não seria bom pra nenhum de nós dois. Pra mim, porque ficaria cansada no dia seguinte, por causa do meu sono picado. E ele, também com o sono picado, ficaria com o seu desenvolvimento comprometido. (Pode parecer desculpa esfarrapada de uma mãe preguiçosa, mas eu estou falando sério! Só depois que ele cala é que eu vou lá me certificar de que está tudo bem mesmo).

Mas, pra dizer a verdade, o silêncio me preocupa muito mais do que o choro. Já acordei muito no meio da noite, assustada, apenas pra ir olhar o que tinha acontecido que ninguém tinha acordado chorando pra mamar. E imaginem só que aterrorizante, para dizer o mínimo, deixar seu filho brincando no quarto ou na sala sozinho, ouvir um barulho tremendo e nenhum choro em seguida. Deus me livre! O choro nos consola. Como dizem, se chorou é porque está bem.

Lembro-me de uma amiga contando da primeira noite que a filha dormira a noite inteira sem acordar. Quando ela e o marido acordaram e viram que já eram 6h da manhã, eles mal tiveram forças para se levantar. Estava tudo tão calmo... eles tinham certeza que algo de muito mal tinha acontecido, aquilo não era normal. Que alívio e que felicidade ver a filha dormindo, tranqüila, no berço!

Ah... quem já não teve esse medo? O silêncio das crianças é assustador, é perigoso. Uma casa barulhenta, com crianças gritando, faz parte do pacote de quem tem filhos. Não tem jeito. É por isso que a mamãe porquinha, do clipe do "Cocoricó 2", da TV Cultura, diz "o porquinho 'tá cantando, então 'tá tudo bem". Tem barulho na casa. E, quando tudo silencia, ela, preocupada, resolve ir olhar o que ele está fazendo.

Ontem, o meu porquinho mais novo, que estava brincando pela casa, silenciou no quarto. Quando percebi a quietude do lugar, fui correndo ver o que estava acontecendo. Era bagunça na certa! Ele simplesmente tinha tirado todas as roupas do Tomás da cômoda e estava empilhando-as no chão. Que tal? Todas as roupas que estavam guardadas, bermuda dentro da camiseta, todas combinadas, tudo arrumadinho... E como você reage àquela carinha de quem foi pego fazendo coisa errada? Confesso que eu até tentei dar uma bronca, mas tive que, antes, sair do quarto pra rir... Faltou a foto!

O maior susto que a minha mãe já passou na vida foi por causa de um silêncio. Ela conta que foi a única vez que ela ficou sem ação, sem saber o que fazer (e olha que ela já passou por filho que caiu em fossa, que engoliu moeda e por vários e vários tombos, cortes e machucados). E foi comigo. Eu devia ter uns 3 anos. Estava tomando banho enquanto ela fazia o almoço. E conversava (pra variar). De repente, o silêncio. A minha mãe chamava e nada. Quando ela foi ver, eu estava caída no chão no banheiro, a água do chuveiro escorrendo pelo meu corpo. Ela me pegou no colo, aquele corpinho mole, e a única coisa que conseguiu fazer foi sentar no vaso e chorar, e chorar. No meio do choro, ela olhou pra mim de novo. Eu estava quietinha no colo dela, com os olhos arregalados, assustada, sem entender o que estava acontecendo: tinha acabado de acordar do meu "soninho" no banho... (Deve ter dado vontade de me bater, né?)

Mas é assim, quem tem filhos sabe muito bem o que é silêncio de menino. É melhor sair correndo pra ver, bem mais rápido do que quando se ouve apenas um "chorinho à toa"...