quinta-feira, 23 de abril de 2009

É de brincadeira!


Brincadeiras de meninos... só luta!

Sempre achei que eu não teria qualquer dificuldade para ser mãe de menino. Afinal, a minha maior convivência na infância foi com o Aurélio, meu irmão mais novo, e não com a minha irmã, longíssimos 4 anos e 8 meses mais velha que eu.

Eu estava acostumada com as brincadeiras deles, sempre ativas e cheias de aventura, nada a ver com ficar fazendo comidinhas e dar banho em bonecas. Pra falar a verdade, eu gostava mais daquelas do que destas. Brincar de "bete", de polícia e ladrão, andar de bicicleta e patins, subir em árvores, nadar, correr, pular, construir cidades de Playmobil. Como era bom tudo aquilo!

Mas descobri uma coisa interessante: os meninos brincam diferente quando tem uma menina no meio, e a recíproca é verdadeira. Quando estão misturados, meninos e meninas buscam brincadeiras comuns aos dois gêneros. Elas são divertidas e dinâmicas, ambos podem participar sem problemas. Não tem nada de "isso é coisa de menino" ou "isso é de menina".

Eu achava que estava brincando de coisas de meninos, mas descobri que fui solenemente enganada. Quando estão sozinhos, as brincadeiras dos meninos são beeeem diferentes das que brinquei quando criança. Quando estão entre eles, os meninos só brincam de uma coisa: de luta! É impressionante.

Assim como qualquer objeto redondo pode virar uma bola, qualquer objeto pontiagudo pode virar uma espada (ainda que esse objeto seja o rolo de apoio da almofada do seu sofá). E, se não tem objeto algum, os punhos em riste estão aí pra isso mesmo. É a mais pura testosterona vindo à tona!

Ah, e nunca pense em separá-los, achando que estão no meio de uma briga terrível. Mesmo que se machuquem, eles prontamente chamarão sua atenção: "É só de brincadeira, mãe!"

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Proteção

O dia estava bonito, como de costume, e fresquinho, como nem sempre é. Ideal para uma caminhada até a escola. De mãos dadas, lá fomos nós, eu e o Tomás, num lindo passeio pela rua. Se você se esforçasse um pouquinho, poderia até ouvir uma trilha sonora romântica tocando ao fundo.

Tudo bem harmonioso quando, de repente, a música é terrivelmente interrompida e você se depara com a realidade que não aparece nos filmes: os cocôs de cachorro que encontramos pelo caminho. É demais, não? Por que as pessoas não são um pouco mais educadas e limpam a sujeira de seus cachorros?

Indignações à parte e obstáculos devidamente evitados, chegamos, enfim, à escola. Nos despedimos e ele, todo cuidadoso, desceu as escadas correndo para me falar uma última coisa: "Mãe, toma cuidado com os cocôs de cachorro na volta, viu?"

Já em casa, me pus a brincar com o André na sacada, no cantinho que fiz para os brinquedos. Aproveitei a oportunidade pra pegar um pouquinho de sol nessa pele que um dia foi morena e hoje está mais para amarela. Ele, quando me viu sob o sol, veio depressa me advertir: "Mamãe, não fica no sol, vem aqui pra sombra, vem!"

No fundo, a sensação legal de ver seus filhos repetirem os mesmos cuidados que você tem com eles.

domingo, 19 de abril de 2009

Tempos modernos


Não me lembro quando tive consciência do que era um cartão de crédito, mas me lembro bem quando o computador chegou lá em casa. Eu tinha 15 anos. Meu pai foi um dos primeiros advogados aqui em Goiânia a fazer petições digitadas, e não mais datilografadas. Um marco histórico pra mim, assim como deve ter sido quando meus pais tiveram sua primeira televisão.

O dinheiro de "plástico", como dizem, também deve ter sido uma verdadeira revolução. Imaginem só: comprar sem ter dinheiro pra pagar! O "fiado" moderno. Tudo bem, a fatura vem no final do mês, mas isso é só um detalhe - completamente esquecido diante da incrível facilidade que o cartão magnético (seja de crédito ou débito) até hoje nos oferece.

E ainda também temos a geladeira, a máquina de lavar roupa, o micro-ondas (agora separado pelo acordo ortográfico) e todos os outros utensílios domésticos. Ah, e o telefone celular! Não poderia me esquecer dele. Aliás, acredito que Vinícius teria que reescrever seus versos pois, hoje, com o celular, a vida certamente causa bem menos desencontros.

Mas nossos filhos não sabem o que é isso. Nasceram num mundo em que todas essas coisas já existiam. Sei que, para eles, pensar numa vida sem internet será tão difícil como, para nós, é imaginá-la sem energia elétrica.

Só pra exemplificar, o Tomás e o André já têm, cada um, o seu próprio "laptop". E ficam todo importantes brincando ao lado do pai, que faz a mesma coisa com o seu. A diferença básica, como vocês sabem, é só que o brinquedinho dele é bem mais caro... Mas isso não importa porque logo, logo sei que eles reivindicarão um "de verdade" só pra eles, pois até mesmo o André já fica querendo jogar no computador "do papai".

E, vejam só, com meros 2 anos e 6 meses, ele também já sabe a função do cartão de crédito. Verdade! Ontem, estava eu tomando um tranquilo banho quando ele irrompeu no banheiro, bem ao seu estilo, e me surpreendeu com a seguinte pergunta:

"Mãe, você me dá seu cartão?"

Um pouco atônita, respondi: "Como?"

E ele continuou, firme em seu propósito: "O seu cartão, mamãe, o de pagar 'a' contas."

Mais espantada, eu retruquei: "O meu cartão? Pra quê?"

Bem prático e ainda mais decidido, ele me explicou: "Pra eu fazer 'permercado'. Vou comprar bolacha e 'doninho'."

Comprar bolacha e danoninho no supermercado com o meu cartão de crédito... Fala sério! Onde este mundo vai parar?!? (alguém se lembra daquela propaganda antiiiga do corsa?...)