segunda-feira, 25 de junho de 2018

Dilemas de mãe

Dia desses li uma frase interessante. Era algo assim: "A maternidade é como um jogo de videogame. A cada fase, fica mais difícil."

Aviso para as recém-mães: nada poderia ser mais verdadeiro.

Quando um bebezinho nasce, a gente ouve tanto de tantas dificuldades que ficamos muito assustadas. E, de fato, é tudo muito difícil. Adaptação dos dois lados. Noites mal dormidas. Dias corridos. Choros. Cheiro de leite. Dor da cesárea. Mais choro. Fraldas sujas. Refluxo. Falta de tempo. Mudança das prioridades para o resto da vida.

"Essa fase vai passar". "Logo melhora". Pra quem??? Logo a criança começa a engatinhar e a alcançar todos os objetos perigosos. Logo a criança anda e você não tem mais um minuto de sossego. Logo a criança vai para a escola e você sofre pela separação.

E tem as viroses, gripes, resfriados, dores de barriga, bronquites, alergias... "Com 5 anos melhora". Mesmo? Um pouco...

Acho que, depois disso, vem uma fase mais amena. Se bem que tem as tarefas de casa... Ainda assim, acredito que é mais tranquilo. A criança é, finalmente, mais independente, não fica mais tão doentinha, os pais são seus super-heróis e as mães, as rainhas do lar.

Não demora muito (aliás, não demora NADA) e vem a pré-adolescência. E aí sim começam os grandes desafios. Na verdade, acredito que os primeiros anos são de cansaço físico e os demais, cansaço emocional. 

Enquanto nos primeiros anos os filhos demandam muita energia dos pais; nos anos seguintes, são os pais que demandam dos filhos. Explico: se a gente não quiser perder os filhos nessa fase, precisamos o tempo todo nos reinventar. 

Descobrir seus interesses e participar deles e, ao mesmo tempo, evitar pagar mico. Estar disponível, mas não sufocar e interferir demais. Deixá-los livres e também com vontade de ficar. Ser confiável. Aproveitar cada oportunidade. Insistir para sair de casa e fazer um programa diferente juntos, senão a vida passa dentro do quarto e em frente ao videogame e à televisão. Aguentar cara fechada e aprender a lidar com oscilações hormonais. Exigir respeito e cumprimento das responsabilidades, mas não ser intransigente. Ouvir que não os amamos só porque os obrigamos a ir ao casamento da prima. E continuar sendo a mãe mais insuportável do mundo para quem sabe um dia vir a ser amada novamente.

Vou confessar uma coisa: não existe nada mais difícil. É muito mais fácil limpar bumbum de neném...

Um comentário:

Ludmila Déroulède disse...

Aí vem o moleque aos 20 anos e fala: vou me casar! CASOU-SE.
A coisa só piora MESMO!