A gente conhece de cor e salteado aquele velho ditado "Para morrer, basta estar vivo!", mas nunca dá importância pra ele. Só nos lembramos dessa verdade quando acontece uma morte inesperada, de alguém que não estava doente, de alguém relativamente novo (pelo menos para os nossos conceitos) e com muita vida pela frente.
Sábado, dia 25/05/2019, faleceu um amigo nosso e pastor muito querido: Gil Donizette. 55 anos. Casado. Dois filhos: Davi, 10 anos, e Benjamim, 6 anos. Teve um infarto fulminante enquanto jogava futebol.
Lembrei de várias mortes do mesmo jeito: da Dona Darcy, que faleceu atropelada; da Luciele, 40 anos, que teve uma tromboembolia logo após chegar da viagem dos sonhos a Paris... Vou citar só essas duas, mas a lista poderia ser interminável. De amigos próximos a conhecidos, de ouvir falar ou de ver nas páginas dos jornais. Todos os dias somos impactados com essas notícias. Saiu pra comprar pão e foi assaltado no caminho. Pisou em falso, caiu e bateu a cabeça. Um aneurisma rompeu enquanto tomava banho. Comeu camarão e teve um choque anafilático na festa. Um acidente de carro. Uma picada de abelha. Tantas possibilidades para se morrer de repente quanto para se estar vivo.
E quando não se morre?
E quando fica aleijado? Paralítico? Em estado vegetativo?
E quando a notícia é de uma doença grave?
A vida é sempre fatal, mas a gente vive como se não fosse. A gente vive desprezando nossa finitude e se apegando às pequenas dificuldades do dia a dia. Implica que o marido colocou o papel higiênico virado pra cima, e não para baixo como você gosta. Reclama que o sol está quente na hora que vai atravessar a rua para ir ao restaurante. Briga porque o colega pegou sua caneta e não devolveu para o lugar certo. Murmura porque o professor estendeu a aula por 10 minutos. Xinga porque o carro da frente virou sem dar seta. Fica triste porque não tem roupa nova para ir àquela festa.
Vivemos nessa mesquinhez de sentimentos sem nos dar conta de quão breve é nossa vida. E que poderíamos ter atitudes mais leves ao longo dela. Agradecer que o marido trocou o papel higiênico; que tem alguém pra trocar o papel higiênico. Ver a beleza de um dia claro de verão. Reconhecer a bênção de ter comida no prato, de ter companhia e com quem dividir o trabalho. Aproveitar o conhecimento extra. Compadecer-se do outro que não sabe usar a seta e ser grato por estar no conforto de um carro. Enxergar o armário lotado de roupas e ver que tem mais sapatos que a centopeia. É o tal do "aprender a ser contente em toda e qualquer situação" que o Apóstolo Paulo fala em Filipenses 4.
A gente pode morrer hoje à tarde ou amanhã cedo ou daqui 15 anos. Ou isso pode acontecer com alguém que amamos. Mas, em vez de vivermos nessa perspectiva, interpretamos o "pode" como se isso nunca fosse ocorrer e seguimos com nossa vidinha egoísta, reclamona e ingrata, correndo atrás do vento.
A vida é sempre fatal e é um erro nosso não pensar em suas fatalidades. Estamos preparados para elas? Seja morte, angústia, fome, nudez, perigo, espada, frio, tribulações, doenças? Vivemos sob qual perspectiva? Pensamos nas coisas do alto ou nos circunscrevemos à terra? Ansiamos o céu ou basta isso aqui?
Se verdadeiramente ansiamos o céu, devemos pedir a Deus que nos ajude a mudar de atitude, reconhecendo que Ele é soberano, que precisamos remir nosso tempo e viver para agradá-lo, e não para nos agradar ou agradar os outros.
A chuva cai para todos. Às vezes, só numa parte da cidade. Mas sempre cai, para justos e injustos. Estejamos preparados para ela.
A chuva cai para todos. Às vezes, só numa parte da cidade. Mas sempre cai, para justos e injustos. Estejamos preparados para ela.

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